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Pinacoteca – SP

Cris Costa - sexta-feira, 3 de setembro de 2010 - 12:29

A Pinacoteca de São Paulo fica bem em frente ao Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz.  É só atravessar a rua, que é bem tranquila. O único inconveniente são os paralelepípedos na entrada, mas como são poucos, nem é tão ruim assim. Infelizmente na entrada existe uma escada, quem é cadeirante tem que entrar por uma porta lateral. Mas nada complicado, e o guardinha da Pinacoteca, logo que vê o cadeirante chegando, já se prontifica a abrir a porta e ajudar.

O interior da Pinacoteca, além de lindo é muito tranquilo pra circular. O chão é liso e tem elevador.

Tem banheiro adaptado, mas é assim: você entra com a cadeira, mira no vaso, faz o que tem que fazer e sai de ré. Apesar da porta ser mais larga e ter uma barra, não conheço cadeira tão pequena que consiga fazer manobra ali. Só de Playmobil.

De qualquer maneira, eu adorei o lugar, é lindo, bem espaçoso e os funcionários extremamente atenciosos. Valeu muito a visita!

A entrada custa R$ 6,00 e cadeirante não paga. Ah, eles tem uma scooter disponível pra quem quiser e/ou precisar. É só pedir pro guardinha.

. . .

Pinacoteca
Praça da Luz, 2
São Paulo, SP
Telefone:  55 11 3324-1000
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/

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Mundial de handbike do Canadá

Eduardo Camara - quinta-feira, 2 de setembro de 2010 - 13:15

Estou com uma semana atrasado, mas deem um desconto. A viagem foi muito corrida e cansativa. Gastei 36h desde a saída de casa no Rio até a chegada no hotel do Canadá. Foram 4 voos (um deles em um teco-teco de 26 lugares), horas e horas de aeroporto e mais um monte de estrada dentro de uma van. O hotel em que nos hospedamos ficava a mais de 100Km (!!!) de distância do local da prova, pois todos os outros que eram mais perto estavam lotados. Muito cansativo e um verdadeiro inferno ter que gastar 2h30m todo dia só nas idas e vindas.

A população compareceu em massa!

A cidadezinha do campeonato, Baie-Comeau, é uma vila no meio do nada. O lugar é bonitinho? É sim, mas não tinha estrutura para receber tanta gente. O centro da cidade é uma rua de 300m de comprimento. Literalmente. Mas claro que isso também tem os pontos positivos. Como não há nada para se fazer na cidade, a população inteira (pouco mais de 20 mil habitantes) foi prestigiar a prova. Beeeeem legal!

Eu e Aranha babando uma Carbonbike - handbike que chega a pesar 9Kg

Chegamos no hotel terça-feira à noite e desabamos na cama. No outro dia, já estávamos de pé às 7h para “viajar”  de carro até Baie-Comeau e começar os preparativos. Passei por um classificação funcional onde uma equipe avalia minha capacidade física e atribui uma pontuação. De acordo com essa pontuação, sou alocado em uma determinada categoria. Sem surpresas, caio na categoria H2, como esperado. O Aranha não teve a mesma sorte. Devido à uma regra nova, acabou sendo alocado na categoria H4 e tinha que correr em uma bike de ajoelhar, que ele nem mesmo tem. O resultado foi que ele pode correr apenas a prova de contra-relógio e mesmo assim sem registro de tempo. Foi uma sacanagem sem tamanho e vou escrever mais sobre isso no blog da handbike para quem quiser entender melhor como funciona a classificação funcional…

A equipe da Holanda tinha uma estrutura de cair o queixo. As handbikes não ficavam atrás...

Logo depois da classificação funcional fomos buscar nossas malas – que não cabiam no teco-teco e vieram de caminhão – e bikes. A cidade já estava lotada de atletas de todas as categorias. Centenas de handbikes, tandems e bikes convencionais circulando. Aí caiu a ficha de que estava no campeonato mundial, junto com os melhores atletas do mundo. Sensacional!!!

Hora de montar e regular as hands. Acabamos demorando mais do que o previsto e o resultado foi que não consegui fazer a volta de reconhecimento no percurso. Andei apenas os 3 primeiros quilômetros e só descobri os outros 8 no dia seguinte, já durante a prova.

Eu na largada da prova de contra-relógio

Na quinta-feira, dia 19/08, rolou a prova de contra-relógio individual, onde cada um larga separado e deve fazer o circuito no menor tempo possível. Eram apenas 11,4Km, moleza para quem treina 50 por dia, mas tinha um pequeno detalhe: duas subidas com inclinação de 12% e cerca de 500m cada. Destruidoras. Nunca senti tanta dor na vida e juro que pensei em desistir da carreira de ciclista por ali. Para quem está acostumado com os trechos planos do Rio, aquilo foi um verdadeiro suplício… E para completar, ainda tive problemas com a bicicleta na subida. Minha corrente caiu e daí demorei mais de um minuto recolocando-a no lugar. Depois da subidaona, uma descida vertiginosa onde a bike chegava a 65Km/h sem pedalar. Desci travado e no final, não podia ser muito diferente: cheguei em último.

Fernando Aranha e Eduardo Camara na largada da prova de contra-relógio

Não me abalei pois era disparado o menos experiente de todos os corredores. Dez meses de treinamento intenso aqui no Brasil valem muito, mas não dá para comparar com a galera dos outros países, principalmente da Europa, que já corre há anos. E vários dos atletas vieram de outros esportes, como a corrida em cadeira de rodas. O desafio era mesmo correr contra mim mesmo e dar o meu melhor.

Tentei descansar na sexta-feira, mas não deu. Mais acertos na bike para que a corrente não caísse e também aproveitei para ver as outras corridas. Foi um barato assistir os tops do mundo no paraciclismo e ver o Brasil ganhando a primeira medalha – de bronze – na prova de contra-relógio da categoria C5 com Lauro Chaman. O desempenho dos atletas brasileiros foi muito bom e na categoria C5 o Brasil fechou o pódio na prova de estrada que rolou no domingo, algo que só outro país conseguiu fazer (Suiça na prova de estrada da categoria H2).  Se considerarmos a diferença de estrutura da equipe do Brasil para a dos outros países e a falta de incentivo ao esporte que temos por aqui, o mérito é ainda maior. Para terem uma idéia, nossa delegação tinha 10 atletas e apenas mais dois grandes caras (Romolo Lazzaretti e Cláudio Civatti) que se desdobraram o tempo todo fazendo papel de chefe de delegação, técnico, motorista, mecânico e o que precisasse. Tiro o chapéu para os dois!

Momento de descontração

No sábado, almocei cedo – a comida era pior do que a do bandejão da faculdade – e tentei me concentrar para corrida de estrada, que começava às 13:30. Nessa corrida, todos largam juntos e ganha quem chegar primeiro. Eu, nervoso, só pensava em ter que encarar o “himalaia” canadense 4x! Mas foi só alinhar na largada que fui tomado duma sensação muito boa. Estava ali, lado a lado com todos os outros competidores sinistros que eu só conhecia por fotos, vídeos e Internet. Os caras são muito fera e  é claro que só os vi quando alinhamos para largar :-)

Dada a largada, consegui acompanhar o bloco principal por 1 Km, até chegar a primeira subida. Meu coração estava a 188 BPM (marca nunca atingida antes) e tive que diminuir um pouco o passo para não correr o risco de deixar a Bibinha viúva. De lá, fui só seguindo um australiano que estava uma centena de metros na minha frente. Cheguei a perder o tal australiano de vista, mas o encontrei novamente quando cheguei à base do Everest. Joel Jeannot (francês) e Vicco Meklein (alemão), respectivamente primeiro e terceiro lugares da categoria H3, me incentivavam com “allez! allez!” e “go! go! go!” enquanto eu botava os bofes para fora e me arrependia de ter nascido. Ver dois caras como eles torcendo por mim me empolgou e a subida ficou até mais fácil… Demais!

Sandro Fernandes e Paulo Cardoso - Categoria Tandem

Vencida minha primeira batalha contra o morrão, desci com mais confiança do que no primeiro dia e  fui junto com o australiano. O passei no final da descida e já não era mais o último. Enquanto caminhava para terminar a primeira volta, Jean-Marc Berset, da Suiça, estava passando no sentido oposto do circuito, provavelmente uns 10 minutos à minha frente. O cara, aos 50 anos, já tinha sido o campeão da prova de quinta-feira e caminhava sozinho para ganhar mais outra. Impressionante! Logo atrás estava Heinz Frei, outra lenda do esporte paraolímpico e com quem tirei até uma foto de tiete depois da prova.

Passei pelo pórtico completando a primeira volta enquanto a multidão fazia barulho. Definitivamente, a grande vantagem de ter corrido numa cidade pequena como Baie-Comeau. Todos os moradores vão para as ruas com sinetas, panelas, cornetas, bandeiras e tudo mais. A cada metro tem um doido gritando “allez!”, “go!”, “keep pushing!” e  outros clássicos do incentivo. E não é que funciona? Estimulado e conhecendo melhor o trajeto, encontrei meu ritmo e venci com mais tranquilidade as ladeiras que ficam no centro da cidade. Continuei mantendo o passo e, se não via o próximo competidor à frente, também não via o australiano pelo retrovisor. Me aproximei novamente dos Pirineus de Baie-Comeau e o sol estava forte, com a temperatura beirando os 30 graus. Suando em bicas, a 8Km/h, comecei a escalar a primeira parte da ladeirona pensando apenas que depois daquela ainda faltavam mais duas voltas. Será que ia aguentar? Nunca saberei… Pouco depois de chegar ao platô que fica após a primeira subida, meu pneu saiu do aro e esvaziou (descobri depois que foi culpa do mecânico que o montou no Rio). :-(

Fui para o canto da pista e um carro da organização parou. De dentro saltou uma médica que perguntou o que houve e se eu estava bem. Falei que

Heinz Frei, lenda do esporte paraolímpico, e eu

era só um pneu murcho, ela chamou o carro de apoio mecânico e se certificou de que estava bem hidratado antes de seguir. Esperei uns bons minutos pelo carro da Shimano (fábrica de peças de bicicleta). Enquanto isso, fiquei assistindo a prova de um local privilegiado e vi Berset – o suiço voador – passar. Logo depois veio o Frei e mais outro suiço. As posições ficaram assim até o fim da prova, mostrando como o país dos famosos relógios domina as provas de handbike na categoria H2. O carro de apoio mecânico chegou e foi só confusão. Trocaram minha roda por uma de 10 velocidades e na pressa fizeram alguma besteira que desregulou meu passador e impediu a troca das marchas. Na confusão, ainda perderam uma sapata do meu freio. Não teve jeito e tive que abandonar a prova. Ainda esperei por um terceiro carro que “reboca” os quebrados até o centro da cidade. Dois canadenses gente fina e com um cecê do cão me carregaram pra dentro de um Jeep e fui de carona até o local da largada. No caminho, fui pensando em como a experiência de correr essas provas foi válida.

A delegação brasileira no Canadá - João, Soelito e Lauro (categoria C5), uniformizados, ganharam medalhas de bronze, ouro e prata, respectivamente. Orgulho para o Brasil!

Quando cheguei em Baie-Comeau, achei que estava como aquele africano que foi competir nas olimpíadas e quase morreu afogado na prova de natação pois não sabia nadar. Agora, tenho consciência de que não estou tão mal assim. Sei que ainda posso melhorar muito e a experiência que trouxe fica comigo até o fim da minha vida. Me aguardem! Não, melhor, não me aguardem não, que eu vou buscar :-)

Vale a pena ver o vídeo feito pela organização do campeonato. Dá para sentir o gostinho de como foi competir por lá!

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Museu da Língua Portuguesa – SP

Cris Costa - quarta-feira, 1 de setembro de 2010 - 14:25

Continuando meu passeio na terra da garoa, depois de encher a pança no Mercadão fui visitar o Museu da Língua Portuguesa, que fica na Estação da Luz. O edifício é lindo e fiquei me perguntando o quanto seria acessível, já que é uma construção do século XIX. E fiquei feliz ao ver que eles adaptaram o que precisava (que era pouco), sem estragar a estrutura do prédio. Na  entrada, por exemplo, tem uns degraus e ali colocaram um elevador.  E não precisa procurar o segurança pra pedir pra chamar o outro segurança, que conhece a pessoa que guarda a chave do elevador. É só entrar e subir.

Lá dentro é bem tranquilo. Tem só uma rampa, mas uma ajudazinha (se necessário) resolve. O chão é liso, e todos os textos e telas tem altura boa, então dá pra aproveitar e ler tudo.

Até no Beco das Palavras, uma sala com um jogo etimológico interativo que permite brincar com a criação de palavras, conhecendo suas origens e significados, tem 3 mesas com diferentes alturas. Dá pra todo mundo brincar!

Ah, a entrada custa R$6,00 e cadeirante não paga. Aos sábados a entrada é gratuita.

. . .


Museu da Língua Portuguesa
Praça da Luz, s/nº
Centro – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3326-0775
Site: http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/

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10 coisas que aprendi namorando um cadeirante

Bianca Marotta - segunda-feira, 30 de agosto de 2010 - 09:36

10 coisasGostei tanto do post da Cris, sobre 10 coisas que ela mais odeia em ser cadeirante, que resolvi entrar na onda e começar a fazer minhas listinhas.

Depois que conheci o Dado, muita coisa mudou na minha visão de mundo e achei que seria bacana começar listando as 10 coisas que aprendi com minha relação com um cadeirante. Será que alguém vai se identificar?

1) Cadeirantes fazem sexo – Sim meus caros leitores. Eu também tinha esse tipo de dúvida. O que a falta de informação não nos faz imaginar, não é mesmo? Pois bem, descobri que cadeirantes transam, sentem tesão e gostam de sexo como qualquer pessoa.

2) Cadeirantes dirigem – Nada que a tecnologia não resolva. Carros são máquinas e máquinas podem ser modificadas e adaptadas. Quem dirige com os pés também pode dirigir com as mãos. E é assim que a coisa funciona.

3) Banheiros reservados só devem ser usados por pessoas sem deficiência em casos de muita urgência – Pois é, galerinha, eu era do tipo que adorava usar um banheiro reservado para pessoas com deficiência. Tão grande, tão espaçoso, dá até pra dançar lá dentro! (Sim, eu já fiz isso :P). Mas não foi difícil entender que devemos respeitar a finalidade das cabines maiores e deixá-las livres e limpas para aqueles que mesmo querendo, não conseguem entrar numa cabine menor.

4) Pessoas com deficiência podem ser bastante independentes – Quando conheci o Dado, ele morava com os pais. Meu primeiro pensamento foi: “bom, ele deve precisar de ajuda no dia-a-dia e por isso ainda mora com eles.” Claro que não. As pessoas com deficiência são muito mais independentes do que imaginamos, mais até do que muito “andante” que conhecemos. Não demorou pra sacar que ele só não tinha saído da casa dos pais ainda, por falta de oportunidade.

5) Vagas reservadas são reservadas. Mas não pra mim – Não me lembro de ter estacionado em alguma vaga reservada antes de conhecer o Dado, mas também nunca tinha parado pra pensar que o tamanho e a localização dessas vagas tinha uma razão de ser. Precisam ser largas, pra pessoa conseguir sair do carro com a cadeira de rodas e geralmente estão mais próximas da entrada do estabelecimento, pra que a pessoa não tenha que andar muito. Afinal andar de cadeira de rodas ou mesmo muletas cansa pra caramba. Já experimentou?

6) Pessoas com deficiência usam os mesmos móveis que todo mundo – Sim, caros leitores, cadeirantes costumam passar da cadeira pro sofá, pra cama, pra poltrona. Não é porque eles estão sempre sentados, que não tem vontade de trocar de lugar vez em quando, né?

7) Um cadeirante pode dizer: “Vou andar na praia” – Lembro-me bem da minha reação a primeira vez que escutei o Dado falando: “Vou andar na praia mais tarde”. Achei esquisitíssimo um cadeirante dizer que ia andar. Eu mesma evitava usar essa palavra perto do Dado, como se fosse uma ofensa ou um soco no seu estômago. Bobagem, bobagem! “Andar na praia” é só uma expressão, assim como “Vou dar uma corrida até a padaria” ou “vou a pé para o trabalho”.  Não é só porque a pessoa não anda de verdade que precisa começar a usar outras palavras, pra falar sobre ações do nosso cotidiano.

8) Um ou dois degraus podem ser um grande obstáculo – No início do nosso namoro, eu achava uma besteira o Dado não querer ir a algum lugar que tivesse escada. Na minha cabeça era simples: bastava pedir ajuda a algum galalau forte. Com o tempo entendi que pode ser bastante chato, constrangedor e até mesmo perigoso ficar subindo e descendo escada no colo dos outros. Sem falar que é um direito das pessoas com deficiência terem acesso aos lugares. Parei de pensar assim e hoje sou partidária de freqüentar locais acessíveis.

9) Adaptar um banheiro ou mesmo um apartamento é mais simples e mais barato do que parece – É lógico que espaço se faz necessário. Cadeiras de rodas costumam ser um pouco mais largas que uma pessoa e também dificultam algumas manobras. Mas tendo-se o espaço necessário, alargar portas e colocar algumas barras já é o suficiente para se adaptar um lugar. Volta e meia me perguntam quais as adaptações que fizemos no nosso apartamento e explico que foram poucas. Alargamos algumas portas e baixamos cerca de 5 cm a altura de pias e bancadas. Deixar as pias vazadas, sem armários embaixo também ajuda um bocado. O resto fica por conta da altura onde guardamos as coisas nos armários.

10) E por último e talvez mais importante, cadeirantes trabalham, tem vida social, namoram, casam e tem filhos. Ou seja, são pessoas como outras quaisquer, com os mesmo direitos de deveres. O que faz das pessoas com deficiência diferentes, é o olhar da sociedade sobre elas. E é isso que precisamos mudar.

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Pernas Biônicas

Nickolas Marcon - quarta-feira, 25 de agosto de 2010 - 08:59

Você já se imaginou andando com pernas que não são suas? Alguma vez já assistiu filmes de ficção em que as pessoas “entravam” dentro de um robô ou de uma máquina que lhes emprestava pernas biônicas? Pois isso já não é mais ficção. Existe de verdade.

A empresa Rex Bionics, sediada na Nova Zelândia, inventou um dispositivo chamado Rex Robotic Exoskeleton (Rex para os íntimos). Trata-se de uma máquina que “veste” a pessoa com duas pernas biônicas de controle robótico, permitindo ao usuário ficar em pé, andar, girar e até mesmo subir escadas. O dispositivo tem sensores para se manter sempre equilibrado na vertical, sustentando a postura ereta do usuário. Através de um joystick na mão direita, a pessoa pode controlar os movimentos feitos pela máquina: caminhar para frente, para trás, de lado, subir degraus etc.

A intenção do Rex não é substituir a cadeira-de-rodas, mesmo porque sua velocidade de marcha ainda é lenta. A ideia é ser um complemento a ela, algo que permita ao usuário desfrutar da liberdade de fazer as coisas em pé. A cadeira continuará sendo necessária para deslocamentos maiores.

O candidato a andarilho deve ter entre 1,46 m e 1,95 m de altura, pesar até 100 kg e ter no máximo 38 cm de largura nos quadris. Deve ser apto a fazer transferências de forma independente, ter capacidade de operar comandos manuais e não ter contraindicações para ficar em pé ou andar. Os usuários mais comuns são lesados medulares, mas o Rex também pode ser usado por pessoas com distrofia muscular. A foto e os vídeos abaixo mostram o aparelho sendo usado por um rapaz que teve uma lesão medular há 5 anos, vítima de um acidente de moto.

Por enquanto a máquina só é vendida no centro da Rex Bionics, em Auckland, Nova Zelândia. Os inventores dizem que deverá estar disponível em outros países a partir de 2011, mas os planos ainda não incluem o Brasil.

Agora, a parte mais dolorida: mandei um email para a fábrica pedindo informações sobre custos e a resposta foi desanimadora. Atualmente, o Rex custa US$ 150.000 (quase R$ 270.000). Além disso, a pessoa terá que arcar com as despesas para viajar e ficar em Auckland por 2 semanas, fazer todos os exames médicos necessários e, se aprovada, fazer o treinamento para aprender a usar a máquina.

Depois de ver os vídeos, é difícil não querer utilizar esse dispositivo.  Mas a vanguarda tecnológica tem seu preço.

Cabe a cada um responder: vale a pena?

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Mercado Municipal – SP

Cris Costa - segunda-feira, 23 de agosto de 2010 - 09:54

Acho que já falei por aqui o quanto gosto de SP, né? Pois é, estive lá esse final de semana e bati o pé pra conhecer o Mercado Municipal. Pô meu, aquele tal sanduíche de mortadela é mega famoso, precisava ir lá provar. Mesmo não gostando de mortadela (doida, né? rs), lá fui eu. E sabem que adorei o lugar? Tirando a confusão de ambulantes e transeuntes do lado de fora, lá dentro é bem tranquilo, limpo e fácil de circular. No corredor principal tem rampas para os corredores menores. As rampas são um pouco íngremes, mas nada que uma ajudazinha não resolva. Andei tranquila por ali.

No Mercadão tem um mezanino com bares e restaurantes pra quem quiser comer o famoso sanduíche de mortadela ou o pastel de bacalhau. Para chegar no mezanino existe um elevador.

E achei bem bacana o aviso que colocaram nele:

É claro que muita gente nem liga para o que está escrito, mas achei legal a iniciativa.

A parte de cima fica bem cheia, é necessário ficar de olho nas mesas e sair correndo quando vaga uma. Mas vale a pena. Ali perto tem banheiro adaptado e descobri que também tem no subsolo. De resto, é aproveitar as guloseimas do Mercadão. Dá só uma olhada no sanduba:

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Censo 2010

Nickolas Marcon - sábado, 14 de agosto de 2010 - 12:48

Acabei de receber em casa a recenseadora do IBGE para fazer a coleta de informações do meu domicílio para o Censo 2010. Foi uma breve entrevista, durou menos de 10 minutos, com perguntas básicas sobre o domicílio, saneamento etc.  Ao final, perguntou sobre idade e renda dos moradores. E só.

Quando indaguei sobre perguntas para identificar particularidades das pessoas, sobretudo deficiência física, a resposta foi que essa pesquisa mais completa é feita em apenas 5% dos domicílios que são escolhidos aleatoriamente. Até aí tudo bem, pesquisa por amostragem é assim mesmo.

Mas… e se a amostragem tiver o azar de escolher poucos ou nenhum domicílio que tenha um deficiente físico? As informações mostrariam um universo de pessoas deficientes menor do que realmente é. No meu prédio, por exemplo, são mais de 200 apartamentos e tem apenas um (eu) cadeirante. Como eu não fui sorteado para a pesquisa completa, oficialmente não há nenhum. E se isso também acontecer nos outros 20 prédios da rua? Os dados do censo mostrarão um número menor de  pessoas com dificuldade de locomoção do que realmente existem. 

É obrigação legal do poder público garantir o direito de ir e vir. Mas também é obrigação fornecer educação, saúde, transporte etc. Assim, na hora de priorizar os investimentos públicos, questões como acessibilidade podem ficar em segundo plano, pois o número considerado de pessoas beneficiadas será menor do que a realidade.

Como o objetivo é visitar todos os domicílios do país, acho que o IBGE deveria ter montado uma pesquisa mais abrangente, orientando os recenseadores a captar mais informações quando identificassem casos particulares. Afinal, como esperar prioridade nos investimentos públicos se nem fazemos parte da estatística?

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10 coisas que me irritam

Cris Costa - quarta-feira, 11 de agosto de 2010 - 09:35

Ok, acordei com o pé esquerdo, tô de TPM e hoje é daqueles dias que faria qualquer coisa (ou quase qualquer coisa) pra ir ali, fazer um xixi rapidinho, ou simplesmente entrar no carro e sair sem ter que esquentar a cabeça com cadeira. E, pensando nisso, fiz a minha listinha das 10 coisas que mais me irritam em ser cadeirante (não necessariamente nessa ordem):

1) Nada é rapidinho. Até as coisas simples levam pelo menos o triplo de tempo. Saudades de dizer “vou só colocar uma roupa e te encontro lá em 10 minutos”.

2) Gente apoiada na minha cadeira. Não sou cabide. Aliás, foi muito bem colocado em um post do Christian.

3) Qualquer carro parado indevidamente na vaga marcada para deficientes já me irrita, mas essa mania agora dos donos de carro grande acharem que aquela vaga foi feita pra eles, me tira muito do sério!

4) Gente que fala com quem está comigo ao invés de falar diretamente pra mim. Alguém pode me explicar por quê???

5) Agir como se eu merecesse uma medalha só porque fui à padaria. Devo merecer mesmo, porque as rampas até lá são uó!

6) Quem fala comigo bem devagarinho, como se eu fosse in-ca-paz de en-ten-der qual-quer co-i-sa…

7) Pessoas que insistem em ajudar mesmo depois de eu dizer que não preciso de ajuda. Como se eu tivesse recusado porque sou orgulhosa. Não, é porque não preciso mesmo.

8) Me irrita ficar nessa altura ingrata da cadeira de rodas. Em lugares cheios, normalmente acabo olhando para lugares que não gostaria. Muito desagrádavel ficar na altura do bumbum alheio.

9) Quem não entende que eu só tenho uma opção de banheiro e que a minha bexiga não me respeita. Não entendo porque a criatura precisa escovar os dentes naquele banheiro tendo outros tantos disponíveis.

10) Quem acha que cadeira de rodas é carrinho. Não brincou o suficiente na infância?

Ok, sem rebeldias, apenas um desabafo. Agoooooora, será que consigo juntar as Top 10 vantagens??? Belo desafio…

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Opinião do Leitor – Cadeira de Rodas Ortobras Star Lite

Fabio de Carvalho - sexta-feira, 6 de agosto de 2010 - 17:05

Com poucas opções de cadeiras e opcionais no mercado nacional, a gente acaba tendo que ser criativo pra poder adequar a cadeira às nossas necessidades. Depois do post que escrevi sobre a Star Lite, nosso leitor Fabio Henrique nos escreveu contando que fez algumas adaptações em sua cadeira do mesmo modelo.  Segue o e-mail dele na íntegra contando as modificações que fez.

“Oi,Cris.

Vou tentar explicar…

Quando ganhei a star lite e sentei pela primeira vez achei um horror de pesada etc… pus a cabeça pra funcionar e hoje, após modificações, não troco a minha por nenhuma outra monobloco nacional.  Ao fazer todas as modificações, enviei um e-mail com fotos para o fabricante, que nunca respondeu dando atenção.

1. Como você mesma diz no post, o tubo da cadeira que encaixa as rodas é realmente comprido.
SOLUÇÃO: colocar as buchas para uso específico com as rodas de magnésio e a cadeira  fica um pouco mais estreita.

2. Quanto a altura frontal e pedal, fizestes o correto pondo roda 5″ e invertendo o pedal para frente dando melhor apoio aos pés.

3. Quanto aos freios, é questão de um bom ajuste, pois os meus nunca desregularam.

4. Para diminuir o peso da cadeira e deixá-la mais curta no seu comprimento, inverti o tubo de encaixe das rodas para frente . Creio que reduziu o peso em cerca de 40%. Fazendo isso, o peso ficou igualmente distribuído entre a parte frontal e traseira da cadeira. Mas vale salientar que na minha cadeira o tubo que encaixa a roda tem cambagem de 3 graus. Isso afasta um pouco a roda traseira e evita que a da frente encoste nela na hora do giro; fato este que inviabilizaria essa modificação. Mas você pode perguntar: a cadeira dessa forma não vira fácil para trás? Com roda 6″ é possível que sim se não estiver bem acostumado. Mas a roda 5″ resolveu esse problema para mim, bem como o da altura frontal já citado no item 2 acima.

5. Voltando aos freios tive que por outra placa de fixação nos mesmos. Além de ficarem mais baixos facilitando para não se machucar na hora da transferência, ficaram mais afastados por duas porcas entre uma placa e outra para que os mesmos pudessem alcançar os pneus e travar bem.

6. Já no corrimão, para não deslizar as mãos pus enrolada e bem justa uma mangueira transparente tipo de aquário. Em casas do ramo tem um tipo até melhor, menos espesso e mais flexível que a de aquário (até já fiz um comentário com foto no Blog anteriormente). Pra você ter idéia do quanto fica ótimo, na minha casa tem uma pequena rampa que para um tetra é dureza e eu não conseguia subí-la. Mas depois que coloquei essa tal mangueira no corrimão da cadeira, acabou meu obstáculo. Sem contar que não suja as mãos e não risca as paredes.”

Legal, né? Se você também tem alguma idéia legal, manda pra gente!

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Botando a boca no trombone 4 – os ecos ressoam…

Nickolas Marcon - quinta-feira, 5 de agosto de 2010 - 00:27

E aqui estamos nós para mais um capítulo da saga “elevador do Rio Plaza Shopping”. Após o terceiro post da série,  publicado na semana passada, recebemos um email da assessoria de imprensa do shopping solicitando um telefone para contato. Pois bem.

Recebi ontem uma ligação de uma pessoa se identificando como assessora de imprensa disposta a me passar informações sobre as obras do mal afamado elevador. Segundo ela, a obra já está quase pronta e a previsão era de fucionamento até o final desse mês de agosto/2010, o que completaria 13 MESES, ou seja, MAIS DE UM ANO com o elevador parado. Guardem essa data. Quando escrevi o segundo post da série, a promessa era para março/2010.

Segundo a assessora, quando a BR Malls assumiu a administração do shopping propôs-se a fazer uma série de melhorias que incluiam esse elevador e que o atraso se devia ao tempo de licitação, preparação da obra etc. Ora, o antigo elevador tinha sido recém instalado e seu problema era exclusivamente de manutenção, como apuramos junto ao seu fabricante e relatamos também no segundo post da série. Até onde sabemos, um rápido conserto seria suficiente para deixá-lo operacional, mas optaram por trocar tudo. Pode até ser que o novo elevador tenha melhorias em relação ao anterior, assim espero, mas com esse tempo todo de obra dava para construir o teletransporte da Enterprise.

Algumas pessoas pensam que os usuários do elevador são poucos e não farão muita diferença no faturamento do shopping. Farei uma rápida demonstração que desmente esse raciocínio. Vou pegar o meu caso como exemplo. Pelo menos uma vez por mês, costumava ir almoçar no shopping com meus colegas de trabalho, e pelo menos uma vez por mês ia jantar com amigos. Nos dois casos, íamos em 4 ou 5 pessoas e a conta era de pelo menos R$ 300,00. Desde que o elevador parou, não fomos mais, porque eu não tenho mais acesso. Ou seja, são R$ 600,00 a menos de faturamento para o shopping por mês. Nos 13 meses sem elevador, foram R$ 3.900,00 que não gastamos nos restaurantes do shopping. E isso para apenas UM cliente. Jogando baixo, se houver outros 10 clientes cadeirantes que também frequentavam o shopping com amigos 2 vezes por mês, já são quase R$ 40.000,00 (isso mesmo, quarenta mil reais). É o preço de um elevador novo.

Até o momento publicamos todas as informações comprovadas que tivemos alcance. Se o shopping quiser acrescentar outra versão, estamos ansiosos para ouví-la e publicá-la. Porém, até agora, não temos motivos para pensar positivamente a respeito do episódio.

Aliás, seguindo uma postura construtiva, eu gostaria de deixar algumas sugestões para o setor de RH do shopping:

  • Melhorar o setor de manutenção, para que consigam consertar um simples elevador.
  • No nível gerencial, avaliar propostas mais econômicas ao invés de substituir um elevador inteiro que podia ser facilmente consertado.
  • Para o setor de compras, agilizar os processos de tomada de preços. Nem mesmo órgão público demora tanto para fazer uma licitação.
  • A gestão de obras pode ser mais eficiente. Já são mais de 3 meses de tapume para instalar uma simples plataforma que, em outras obras, já vi demorar apenas 15 dias.
  • Por último, a assessoria de imprensa deve buscar informações junto às outras áreas antes de fazer contatos externos, pois nem sempre o cliente é tão desinformado quanto pensam. O episódio de ontem não me deixou com uma boa impressão desse setor do shopping.
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Lateral Direita

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