Cris Costa - segunda-feira, 8 de março de 2010 - 13:19
Sou obrigada a admitir que me rendi ao seriado Glee, ao contrário do que disse num outro post. Virei fã. E não tem nada com o fato de um dos personagens ser cadeirante. A série é bacana, tem um bom enredo e tem um seleção excelente de músicas. Ainda mais pra quem viveu nos anos 80. Boa parte das músicas são dessa época. E foi assistindo a um dos episódios indicados pela nossa leitora Cristal, que vi esse vídeo da música “Dancing with myself” (em português algo como: Dançando sozinho) do Billy Idol, interpretado por Artie, o persongem cadeirante. Além de amar essa música, achei bem interessante a escolha dela para esse personagem. É uma versão bem mais light que a original, mas muito legal. Espero que gostem!
Confirmando a promessa, há uns 10 dias uma pessoa do shopping ligou para mim e repetiu a mesma desculpa da falta de empresas para fazer manutenção do elevador. Continuamos achando essa história muito estranha…
Agora vem a surpresa: na semana passada o Eduardo foi contatado por André Lambert, diretor da empresa mineira Montele Elevadores, uma das maiores fábricas de equipamentos de acessibilidade do Brasil e que já instalou mais de 1.000 elevadores na capital do RJ. O André acompanha nosso blog e conhece bem a história do elevador do Rio Plaza, afinal foi fabricado e instalado pela sua empresa. Ele aproveitou uma viagem ao RJ nesta semana para encontrar pessoalmente a equipe do blog em mais uma operação digna de evento da ONU.
André nos contou que, contratada pelo administração do shopping, a Montele instalou um modelo desenvolvido sob medida para o lugar, devidamente registrado na prefeitura e que funcionou bem durante meses, como todos nós do blog pudemos comprovar em outra época.
Acontece que elevadores também precisam de manutenção, senão param, além do contrato de manutenção ser obrigatório por lei. Segundo André, a Montele ofereceu um contrato de manutenção com preços alinhados com o mercado, mas foi recusado pela administração do shopping. Mesmo sendo permitida a contratação de outras empresas de manutenção, o Rio Plaza optou por simplesmente deixar o elevador parado e fazer sua substituição integral!!!
Até o final de fevereiro, o insepulto elevador continuava no mesmo lugar. Não acredito que será cumprido o prazo que me informaram para troca desse elevador, que seria no mês de março.
Moral da história: se o pneu do seu carro fura, você troca o carro inteiro e deixa todo mundo a pé enquanto isso… Dá para entender???
Bianca Marotta - quinta-feira, 4 de março de 2010 - 17:34
Conheci um mineiro que uma vez disse assim pra mim: “ Toda vez que tento marcar qualquer programa com o pessoal aqui do Rio, me sinto organizando um evento da ONU”. O que ele quis dizer é que pra marcar qualquer coisa no Rio você precisa sempre fazer mil ligações pra cá e pra lá (atualmente trocas de emails e torpedos). Você combina um local com o primeiro amigo e quando vai avisar ao segundo, ele diz que não curte o tal bar escolhido. Aí liga de volta pro primeiro e remarca. Quando vai falar com o terceiro, ele diz que costumava frequentar o tal local com seu/sua ex e não tá a fim de más recordações. Aí surge uma terceira opção, que você precisa repassar para os dois primeiros amigos. E assim vai…
Tive que concordar com o mineirinho.
Esta semana me dei conta de uma outra coisa, se um ou mais dos amigos convidados é cadeirante, a complexidade do tal evento da ONU, precisa ser multiplicada por, no mínimo três. E não porque cadeirantes sejam mais chatos, o motivo aqui é de força maior. Se o carioca já tem mania de ser seletivo, imagina quando ele se vê na obrigação de excluir uma porção de lugares, por pura e simples falta de acesso. A conversa segue assim:
- Olha, o lugar é acessível, tá? Rola uma rampa na entrada.
- Beleza, mas tem banheiro adaptado?
- Ih, não!
- Hmmmm. Poxa, beber chopp sem poder tirar água do joelho, fica difícil.
- Tá, então vamos naquele outro da semana passada.
- Por mim tudo bem.
Toca a ligar pra galera e remarcar. Aí meia dúzia não concorda, porque o local virou figurinha repetida. O outro cadeirante da galera sugere, então, uma pizzaria que foi avaliada pelo Mão na Roda (jabá, jabá!). Todo mundo concorda, menos uma fulaninha que está de dieta e não quer comer pizza.
No final das contas, metade vai, metade fica em casa ou… os cadeirantes dão seu jeito, põe os rabos entre as pernas, aceitam uma “ajudazinha” pra subir as escadas e evitam beber muito, que é para a bexiga aguentar a noite toda.
Agora me explica: por que é que a fulaninha que está de dieta manda mais que o cadeirante que não tem como chegar ao local com independência? Por que é que o cadeirante é sempre a pessoa que precisa abrir exceções?
Deu pra entender agora que sem acessibilidade fica difícil gerar inclusão social? Até quando isso vai durar?
Vídeo sobre Handcycle – Abertura do Campeonato Valeparaibano de Ciclismo 2010
Eduardo Camara - terça-feira, 2 de março de 2010 - 20:35
Se lembram da competição de handcycle que rolou na semana passada em São José dos Campos? Minha super-hiper-mega-ultra-fodíssima namorada editou um vídeo do que rolou por lá. Sem querer puxar o saco, ficou muito maneiro!
Bianca Marotta - terça-feira, 2 de março de 2010 - 14:32
Chalé número 9 - adaptado para pessoas com deficiência
Não fosse pelo Hotel in Site não teríamos descoberto esse recanto escondido no bairro do Rio Vermelho em Floripa. Cheguei a ver algumas fotos da pousada e trocar emails com a Iracema, uma das donas da pousada antes de decidirmos nos hospedar nela. Mas confesso que chegamos lá um pouco no escuro, pois sabíamos da existência de um chalé adaptado, mas como essa seria adaptação só descobrimos na hora. Pra variar.
Mas a surpresa foi muito agradável. A preocupação do seu Ari, outro sócio do hotel, foi bastante surpreendente para uma pessoa que nem sequer é arquiteto e não possui parentes com deficiência. Nos contou que simplesmente achou que seria mais fácil pra todo mundo se os acessos na pousada fossem feitos através de rampas e que oferecer um chalé adaptado não custaria nada a mais. Mais surpreendente ainda foi a forma como o tempo todo ele se preocupou em saber se os acessos estavam a contento, se a cadeira de banho (sim, eles possuem uma cadeira de banho para os hóspedes) era boa e se as rampas estavam dentro das normas.
Esta ponte deu uma certa dor de cabeça, o Dado não conseguia passar por ela sem um empurrão.
Uma ou outra coisa poderia ser melhorada, algumas rampas são íngremes demais, e isso nós explicamos sempre que nos era perguntado. Mas o fato de o cadeirante conseguir chegar a todas as áreas comuns da pousada nos alegrou bastante.
O chalé de número 09, que é adaptado para pessoas com deficiência, possui uma sala com sofá cama e cozinha americana, uma área de serviço, um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro e um banheiro. As portas são todas mais largas e os espaços de circulação bons o suficiente. A sala é separada da cozinha por um balcão, do qual os donos da pousada se desculparam por terem feito alto demais. Em seguida trouxeram uma mesa com cadeira para o nosso chalé o que já resolveu o problema. O banheiro possui barras de apoio e Box com cortinas. Ah, sim! O quarto possui ar condicionado, providencial no verão!
A única coisa que nos deixou um pouco tristes, foi descobrir que o Dado foi o segundo hóspede cadeirante, desde toda a existência da pousada, a se hospedar por lá. Esperamos que nossa divulgação no blog leve mais pessoas com deficiência para a Pousada Náutica, que fica numa cidade belíssima e que vale muito à pena ser visitada!
Cris Costa - segunda-feira, 1 de março de 2010 - 09:48
Lembram daquele meu post sobre a ANVISA? Pois é, depois de esperar, me revoltar, xingar todos os órgãos do governo até a décima geração, desisti de ficar de braços cruzados, esperando pela cadeira da Otto Bock, e mudei de planos. Adotei nova estratégia, fiz pesquisa de outras marcas, penei pra chegar à conclusão sobre as medidas e torreeeeeei muito, mas muito mesmo, o saco do Eduardo pedindo milhões de dicas e ajudas.
Aliás, não fazia idéia de que teria tanto detalhezinho, medidinha, acessoriozinho… Argh! Muita coisa pra decidir. Mas era por uma boa causa. Aliás, excelente. Valeu cada minuto gasto para escolher. Sem contar que é muito bom eu mesma ter feito o pedido. Só assim pude entender o que significa cada medida e como cada uma reflete no desempenho da cadeira. Gostei mesmo. Fiquei metida e me achando, só porque entendi mais um pouquinho sobre o assunto. E bota pouquinho nisso.
Enfim. Tive que aguardar, mas graças a Deus os gringos cumprem a data de entrega e um belo dia chegou a dita cuja numa caixa enoooooorme, e meu coração bateu loucamente. A mesma emoção da primeira bicicleta. Abri a caixa, e já me apaixonei por ela. A cor ficou linda, exatamente como imaginava. Pedi ajuda pra montar o que veio solto (rodas e freios), fiquei olhando meio ressabiada, imaginando se meu bumbum caberia confortavelmente ali. Depois de ficar um tempo babando e analisando, pulei em cima dela pra testar. Uau!! Que diferença!!! Dei uns toques pra ver como era, e senti uma diferença absurda entre ela e a cadeira antiga. Com a antiga, parecia que puxava uns 5 elefantes junto comigo. Com a nova, parece que sou puxada por eles. Fiquei encantada, radiante! É como se tivesse trocado um tênis Conga esburacado por um Nike Shox última geração. Pode parecer exagero, mas juro que não é. Quem já teve a oportunidade de sentar numa cadeira importada sabe do que eu estou falando.
Achei que demoraria alguns dias até me adaptar, mas não levou nem 2 horas. A gente se adapta rápido ao que é bom, né? Ainda ajustei algumas coisas que achei que podiam ficar melhor, como a altura do encosto e do pedal. Mas definitivamente, não usaria mais a outra.
O mais interessante disso tudo, é que saí desfilando com a minha cadeira nova, me achando e ninguém reparou. Só quem já sabia que eu ia trocar de cadeira percebeu. E para aqueles que eu mostrava a cadeira nova toda feliz, 90% das vezes me perguntavam: “mas porque você não trocou por aquela com motorzinho?”. Eu ficava com a maior cara de toim, mas nem ligava. Estava, e ainda estou, muito feliz com minha cadeira nova.
Eduardo Camara - sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 - 14:37
Volta e meia a falta de motel adaptado no Rio é assunto entre cadeirantes e ontem resolvi fazer mais uma pesquisa para tentar achar novidades. E não é que encontrei?
Finalmente a comunidade cadeirística do Rio tem uma opção para a hora do “vamo vê”. É, meu povo, por incrível que pareça cadeirante também transa :)
O quarto parece simples, a cama mais baixa do que deveria e pelas fotos não dá pra ver muita coisa, mas percebi barras de apoio, uma cadeira de banho e imagino que tenha uma porta larga no banheiro.
Agora a pergunta: qual vai ser o primeiro leitor a visitar e avaliar o local?
Motel Rosa da Vila www.rosadavila.com.br
Av. Marechal Rondon, 2.221 – Sampaio
(21) 2501-4096
Bianca Marotta - quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 - 22:46
Mais uma vez a novela Viver a Vida nos dá material para escrever um post aqui. Que bom, né? Confesso que tenho ficado surpreendida com o andamento da trama.
Mas vamos ao que me motivou a escrever este texto. Pra quem não assistiu ao capítulo de hoje, Helena e Marcos resolvem fazer uma festa de boas vindas para Luciana, que acaba de se mudar pra casa amarela. Todos os amigos presentes, badalação total, coisa fina! Eis que me aparece, no meio da festa, outra cadeirante trazida pela médica Ellen. A cena em que as duas são apresentadas, me fez lembrar um assunto que já foi abordado aqui no blog.
Bem a tal da cadeirante convidada, Camila, chegou à festa acompanhada de seu namorado. O que já despertou certo espanto em Luciana. Tipo assim: “alou? Cadeirante namora???” Logo em seguida Camila conta que ela e o namorado acabaram de juntar trapinhos, ou seja, “casaram”. Espanto número dois. “Como assim??? Cadeirante casa??? Eu tenho esperanças???” Foi quase isso que a personagem Luciana disse em resposta.
Na mesma hora me lembrei de um post escrito pela Cris. É impressionante como as pessoas ainda se surpreendem com o fato de cadeirantes namorarem, casarem, terem filhos, enfim, viverem! Não estou criticando a cena da novela, acho que ela foi muito bem colocada, essa reação ocorre com mais freqüência do que se imagina.
E espero sinceramente, que a novela continue mostrando até o seu final como as pessoas continuam vivendo suas vidas, mesmo após uma lesão medular.
Bianca Marotta - quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 - 12:00
Mesmo depois de quase 3 anos namorando o Dado, foi necessário um bate-papo com nosso amigo Evandro para que eu finalmente entendesse o porque da bronca que meu namorado tinha com a ideia de ser carregado no colo para subir e descer escadas.
No início achava que era um pouco de frescura da parte dele. Afinal, que mal há em ser carregado escada abaixo ou acima? Só por que ele é homem, fica sem graça? Achava que a razão era unicamente essa e meu lado anti-machista a considerava bastante boba.
Com o tempo de convivência fui percebendo que vergonha não era o motivo pelo qual ele não gostava de ser carregado no colo. Presenciei algumas situações em que isso foi necessário, tentei até ajudar uma das vezes e percebi o quanto poderia ser perigoso. Principalmente se a escada for muito alta ou os degraus pequenos, em curva ou tortos. Imaginem o perigo! Ainda assim, achava que ele muitas vezes era radical.
Foi então, durante um agradável chopp com nosso amigo de blog, que consegui entender o verdadeiro motivo pelo qual tanto o Dado, quanto o Evandro e uma série de cadeirantes não gostam de ser carregados no colo.
Foi nesse bate papo que ouvi uma recente história protagonizada pelo nosso amigo: o time de basquete de cadeirantes do qual ele participa havia sido convidado para se apresentar no intervalo de uma partida de basquete “normal”, que seria disputada na sua cidade. Poucas horas antes da partida, Evandro ficou sabendo que o estádio era inacessível para cadeirantes e que todo o seu time seria carregado no colo até o campo. Evandro não se conformou, fincou o pé e disse que não iria. Algumas pessoas não concordaram com sua atitude, afinal a prefeitura de sua cidade havia doado 10 cadeiras de basquete para o seu time e obviamente queria uma propaganda em troca. Mas Evandro resolveu que carregado ele não iria e realmente não foi. Não deu outra: em tempo recorde a prefeitura conseguiu se virar e instalou um elevador no tal estádio. Que acabou ficando por lá mesmo depois da partida, trazendo melhor acesso a todos, não só aos cadeirantes, como aos idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, mães com criança de colo etc etc etc.
E finalmente me caiu a ficha! Não estamos falando aqui apenas sobre vergonha ou falta de segurança. Não. Estamos falando sobre cidadania! Acessibilidade é sinônimo de independência e inclusão. E somente batendo o pé (ou seria a roda?) como fazem o Evandro, o Dado e muitos outros, é que o trabalho de formiga tem resultado.
Quer saber? Se depender de mim, com exceção de casos extremos como visitar parentes ou amigos que moram em prédios antigos, meu namorado não frequenta mais nenhum lugar carregado no colo! Pelo menos não sem uma briguinha básica antes!
Eduardo Camara - quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 - 13:51
O texto abaixo é da nossa leitora Márcia Corrêa, que encontrou um taxista cara de pau no shopping. Confiram!
. . .
Olá, pessoas!
Sou a mesma que um tempo atrás, compartilhou com vocês a história da recusa de vistoria por parte dos funcionários do Canecão na entrada dessa casa de espetáculos, lembram?
Pois é. Cá estou eu novamente. Escrevo para contar mais um absurdo vivido esses dias em um shopping da zona norte aqui do Rio.
Como de costume, entrei no estacionamento e fui direto para a vaga que fica ao lado de uma das entradas do shopping. Chegando lá, havia um taxista dando ré. Como havia uma vaga vazia na mesma direção, só que do outro lado, imaginei que ele estivesse ajeitando o carro para entrar ali, e logo ocupei a “minha” vaga.
Imaginem a minha surpresa quando, de repente, vejo o táxi “entalado” naquela extensão da vaga?! O senhor, então,abriu o vidro de seu carro, me sugeriu que fizesse o mesmo e… Bem, aconteceu mais ou menos o seguinte diálogo:
- A senhora (eu! rs) é muito mal educada mesmo. Não viu que eu estava dando ré para ocupar essa vaga?
- Desculpe, mas o senhor, por acaso, tem alguma deficiência? (juro! Nessa hora, eu já queria saltar de felicidade pelo que o tal sujeito ia ouvir!)
- Não, não sou. Por quê?
- Muito simples. Essa vaga é reservada para pessoas que tenham deficiência física. Se não é o seu caso, o errado aqui é o senhor e não eu! (ele ia ouvir! Não disse?! rsrs)
- Ah, me desculpe (com uma expressão super sem graça), eu não vi…
- Jura? Nossa, uma marca azul enorme pintada no chão e o senhor não reconheceu? Além de mal educado, o senhor precisa ir a um oftalmo… (e ouviu de novo! rsrsrs)
E eu pergunto: quantas gerações minhas será que ele xingou? rsrsrs
Cada desculpa que a gente ouve por aí…
Abçs,
Márcia