Opinião e cotidiano

Não há vagas

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A situação é a seguinte: domingo no shopping, sol de 40 graus, você já rodou o estacionamento três vezes e nada de vagas. Está quase desistindo, pegando o caminho da saída até que… linda, enorme, num lugar privilegiado, lá está ela, a vaga! Sim, a vaga reservada!

Você pensa, hesita, pensa de novo, reflete e resolve chutar o balde. Ou é aqui que deixa o carro ou vai pra casa. E você decide, estaciona ali mesmo. Quem nunca pensou em fazer isso? Eu já pensei. Não me lembro se já o fiz, mas já pensei. A vaga é grande, tem espaço para uma van ou até dois carros. Por que essa mordomia toda? Vaga é vaga e pessoas com deficiências também podem estacionar em qualquer lugar! Por que esse privilégio? Por que esse espaço enorme?

Mais uma vez, pela falta de informação ou simples falta de atenção, não percebemos que não é bem assim que a banda toca. Sair de um carro e “pular” para uma cadeira de rodas demanda um mínimo de espaço. A cadeira precisa ser montada do lado de fora do carro, o que, numa vaga de tamanho normal, fica inviável. Depois disso, o cadeirante ainda precisa ter espaço para uma manobra. Não basta sair do carro, é preciso sair do espaço da vaga também. E numa cadeira de rodas, convenhamos, fica difícil se “espremer” entre carros, né não?

Carro estacionado indevidamente na vaga reservadaMuitas vezes a vaga é mal sinalizada, como é o caso da foto ao lado, onde o símbolo de acessibilidade foi pintado apenas em parte do espaço reservado. Nesse caso é sempre bom prestarmos atenção, para não corrermos o risco de ocupar a vaga para pessoas com deficiência.

Mas e o que dizer de pessoas que ocupam essas vagas mesmo com o shopping vazio? E daquelas que fazem isso quase que diariamente? Ah! Eu não perdôo. E olha que nem cadeirante eu sou. Mas vejam, por lei, apenas 2% das vagas são reservadas para o cadeirante. O resto todo do estacionamento é nosso!

Não estou aqui pra dar lição de moral, acho isso um saco. Também já caí em tentação. Mas uma vez que entendi a situação, gosto de passar a mensagem adiante. Custa nada, vai? E a gente ainda evita ser taxado de cara-de-pau. 🙂

Sobre o autor / 

Bianca Marotta

18 Comentários

  1. BelaLeone quarta-feira, 14 de novembro de 2007 em 14:27 -  Responder

    acho que a questão básica é respeito. e não é muito difícil: basta se colocar no lugar dos outros e não fazer o que não gostaria que fizessem com vc.

    eu costumo dizer que se as pessoas aprendessem a se respeitar e a respeitar a natureza, o mundo seria um lugar muito mais agradável!

    novembro 14th, 2007 - 14:27
    Mão na Roda respondeu:

    Concordamos plenamente. E informação ajuda a fazer com que as pessoas se coloquem no lugar do outro e aprendam a respeitá-lo. É essa a idéia. Obrigada pela visita!

  2. Andrei de Sampaio Bastos quarta-feira, 14 de novembro de 2007 em 14:39 -  Responder

    Mão na roda é isso aí!

    Parabéns ao Globo Online pela iniciativa e sejam muito bem-vindos Eduardo Camara e Bianca Marotta.

    Em meu nome e em nome do IBDD – Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (www.ibdd.org.br), eu desejo todo sucesso pra vocês.

    Um abraço,

    Andrei Bastos
    IBDD – Instituto Brasileiro dos Direitos
    da Pessoa com Deficiência

    novembro 14th, 2007 - 14:39
    Mão na Roda respondeu:

    Obrigado, Andrei! Admiro o trabalho do IBDD e também torço por vocês. Abraços, Eduardo.

  3. Anna May quarta-feira, 14 de novembro de 2007 em 15:52 -  Responder

    Parabéns pela iniciativa!!! Informação é o que interessa… O resto não tem pressa!!!

  4. isabel gomide quinta-feira, 15 de novembro de 2007 em 12:38 -  Responder

    Sou coordenadora do Teatro SESC GInástico situado à Rua Graça Aranha 187 no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. O Teatro foi reinaugurado há 2 anos e durante sua reforma o SESC teve todo o o cuidado em pensar nos portadores de necessidades especiais. Temos um elevador que deixa os cadeirantes no nível da platéia e do balcão, poltronas especiais com braços removíveis, espaço para o cadeirante que não sai da sua cadeira, reservas na primeira fila da platéia para deficientes visuais e auditivos, banheiros adaptados com todas as facilidades e principalmente uma equipe treinada para atender ao nosso público. A nossa última vitória foi conseguir que a prefeitura reservasse duas vagas em frente ao Teatro mas ainda falta uma rampa que eles insistem em colocar na esquina e não em frente ao teatro. Nossa felicidade é saber que o cadeirante e todos os portadores de necessidades especiais têm o direito à cultura e que no Teatro SESC Ginástico, eles têm toda a assessibilidade necessária para exercer esse direito.

    novembro 15th, 2007 - 12:38
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Isabel! Fico feliz por receber essa notícia. Seria possível agendar uma visita ao teatro? Se for, por favor, entre em contato. Abraços,Eduardo Camara.maonaroda.blog@gmail.com

  5. Sartrewilde quinta-feira, 15 de novembro de 2007 em 16:25 -  Responder

    Poxa, só agora descobri a existência desse blog!Muito bacana!
    Há pouco mais de 4 anos passei a conviver com uma cadeirante (minha sogra) e adorei ver na coluna umas dicas de lugares acessíveis a cadeirantes. Muitas vezes minha sogra se sente desencorajada a sair conosco por achar que os lugares serão de difícil acesso. Isso torna a vida dela ainda mais reclusa.
    Avaliem mais lugares, dêem mais dicas! Isso é dez!
    abçs

    novembro 15th, 2007 - 16:25
    Mão na Roda respondeu:

    Olá!A idéia é essa. Aos poucos vamos visitar locais, avaliá-los e colocá-los aqui. Queremos também dar dicas e soluções para pequenos probleminhas do dia-a-dia. Quem sabe assim a gente não encoraja os cadeirantes a saírem de casa e os donos de estabelecimentos a melhorarem os acessos. Volte sempre!

  6. ticiana alves costa poubel sexta-feira, 16 de novembro de 2007 em 21:42 -  Responder

    Adorei a iniciativa do blog! Sempre pensei num espaço assim! Tenho 26 anos e sou cadeirante há 2. Também conheço bem essas situações. Mas não tem jeito: a gente só se dá conta quando enfrenta o problema.
    O bom de receber dicas do próprio cadeirante é que a gente se liga em detalhes que não tem como perceber sem a cadeira, tipo a disposição dos pés da mesa.
    Quanto aos carros parados em vaga reservada ou em rampas, já até pensei em fabricar um panfleto super bem educado, pra deixar no carro e ver se a pessoa se toca…
    Enfim, contem comigo pra trocar informações e divulgar!

  7. ticiana alves costa poubel sexta-feira, 16 de novembro de 2007 em 21:51 -  Responder

    Já pensei numa parada que poderia ser bacana vcs verificarem. Há um tempo atrás tive problemas de acesso no Aeroporto Tom Jobim. O banheiro adaptado era apenas uma cabine comum com o símbolo da cadeira de rodas e o acesso para desembarque internacional, vergonhoso. Cheguei a enviar uma carta pro Globo e recebi uma resposta meio esfarrapada da Infraero. Será que a situação ainda é a mesma?
    Abraços!

    novembro 16th, 2007 - 21:51
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Ticiana! Obrigado pela participação e pela dica. Tem tanta gente falando sobre o panfleto que acho que vamos fazer um e colocar aqui. E sobre o aeroporto, já tive alguns problemas no embarque e desembarque, mas nunca com o banheiro. Se quiser, manda um e-mail com mais detalhes que a gente tenta averiguar como está o acesso hoje em dia. Abraços, Eduardo.

  8. JAQUELINE MORAES quarta-feira, 21 de novembro de 2007 em 16:08 -  Responder

    O texto sobre a vaga caiu como uma luva para mim. Há duas semanas, fui ao Via Parque e um motorista espremeu o carro onde eu estava com meu namorado – q é cadeirante. Quando chegamos, havia espaço de sobra para entrar com a cadeira, mas ao voltar, no momento da saída, a surpresa foi essa. Vou ficar com minha camera em punhos, quando sacar estas babaquices, registrarei.
    As regras existem para serem respeitadas. Se a vaga é mais larga, tem motivo. Informação e bom senso são vitais.

    novembro 21st, 2007 - 16:08
    Mão na Roda respondeu:

    Esse tipo de coisa vive acontecendo. Infelizmente. Quando não é na vaga, é na frente da rampa que estacionam. Mas esperamos que aos poucos, consigamos sensibilizar as pessoas. É um dos nossos objetivos aqui! Obrigada pelo comentário e sinta-se à vontade para voltar e participar sempre.Abs, Bianca.

  9. Alita quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 em 09:49 -  Responder

    BIANCA GOSTARIA DE DEIXAR CLARO Q QUANDO FALO EM DEFICIENTE FÍSICO NÃO ME REFIRO A QUEM PERDEU UM DEDO OU MESMO O PEDAÇO DE UM DEDO. CLARO Q ISTO É DESAGRADÁVEL E NÃO QUERO P/NINGUÉM, MAS ME REFIRO SEMPRE A PESSOAS Q TÊM DIFICULDADES DE LOCOMOÇÃO.

  10. MARCO AURÉLIO DE FARIAS GUIMARÃES sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 em 17:54 -  Responder

    Acho que as vagas reservadas deveriam ser exclusivamente para motoristas com dificuldade de locomoção. Se o motorista não tem dificuldades, deveria desembarcar o deficiente no melhor local, claro, e procurar vaga em outro. Canso de ver idosos serelepes e madames com babá parando em vagas reservadas. Parei de reclamar desde o dia em que um sujeito mostrou uma arma para mim no estacionamento do Barra Point. Num país onde, em geral, quem tem bom advogado não vai pra cadeia e quem não tem cumpre no máximo 1/3 da pena, é melhor deixar pra lá mesmo. Hoje, paro onde tiver vaga.

    fevereiro 15th, 2008 - 17:54
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Marco! Acabei lendo seu comentário só agora, por acaso. Eu penso mais ou menos como você. Quando saio com minha namorada e ela está dirigindo, não paramos na vaga reservada. Em alguns locais com bastante espaço, deixo até a vaga reservada para outras pessoas com deficiência. E já passei por uma situação semelhante à sua quando reclamei com um cara no Downtown e ele ameaçou me bater. Abraços, Eduardo.

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