Acessibilidade

Escolas de arquitetura x Acessibilidade

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É intrigante ver como as escolas de arquitetura tratam a acessibilidade nos dias de hoje. Não podemos dizer que esta questão está fora das salas de aula, mas em muitas escolas a disciplina de acessibilidade / desenho universal não faz parte do currículo obrigatório de disciplinas a serem cursadas.

Assim, vemos o contraste entre professores e alunos. Professores que lutam nas faculdades em busca de uma arquitetura mais humana, contra  parte dos alunos que ficam estagnados, estando envolvidos apenas em valores estéticos, se esquecendo que a arquitetura também trabalha o lado social das cidades, procurando integrar, transformar e elevar a qualidade de vida do local.

É incompreensível ver a quantidade de profissionais que se formam por ano e não utilizam este aprendizado, tendo dificuldade de tratar a acessibilidade como parte integrante do projeto, a resumindo a uma questão de adaptação de rampas.

Os anos passam e em todo país surgem eventos de arquitetura, onde a estética anda em 1º lugar, limitando assim os reais valores que deveriam ser tratados. E sim, muitos projetos ainda continuam sendo executados sem levar em conta a acessibilidade.

Mesmo assim continuamos lutando e mostrando que a acessibilidade é  um elemento que esta nas diretrizes dos projetos. Não surgindo apenas como uma adaptação, mas fazendo parte da consciência dos profissionais do ramo, se tornando uma responsabilidade individual.

Sobre o autor / 

Gabriella Savine

18 Comentários

  1. raulpereira segunda-feira, 19 de novembro de 2007 em 22:29 -  Responder

    Olá Gabi,

    Acrescentando … a acessibilidade é um problema multidisciplinar e a arquitetura é apenas uma das esferas atingidas, além dela temos aparelhos domésticos que não são acessíveis nem pra quem é dito como normal, temos a internet que ainda hoje é um meio extremamente inacessível não somente para quem tem deficiência, mas para quem é socialmente excluído (um problema distinto, mas não menos importante). A solução para que discussões transformem-se em ações está no custo das ações, pois essa é a única visão dos investidores, ou seja, o dialeto de nosso mercado nutrido pelo câmbio.

    Agora um ponto interessante é que a população está envelhecendo e teremos "deficientes naturais", ou seja, teremos que cuidar da arquitetura, teremos que ter serviços capacitados em suprir as necessidades dessa população, será que estamos pensando nisso? o que vem a ser "deficiente?" Será que um analfabeto funcional está enquadrado nesse léxico … ?!

    []’s e parabéns pelo ótimo texto,
    raulpereira

    novembro 19th, 2007 - 22:29
    Mão na Roda respondeu:

    Olá Raul,Você nos trouxe vários pontos relevantes para vários debates, obrigado!Vamos discutir-los brevemente !O desenho universal tem o propósito de atender a essa questão dos "objetos" acessíveis a todos, mas assim como na arquitetura, também falta consciência!Seu depoimento completa a questão da ação que a Ticiana nos trouxe, somada aos custos delas e aos interesses/foco dos investidores. Mas entendo que aos poucos esse foco já esta mudando!Um abraço,Gabriella

  2. Isabela Pimentel segunda-feira, 19 de novembro de 2007 em 15:08 -  Responder

    Sou Isabela, aluna de jornalismo da UFRJ. Pelo que percebo a ausência de uma preocupação com acessibilidade é uma constante nas universidades, fato que me preocupa, pois é injusto impedir um cidadão de estudar e ter acesso a um local público como a universidade. O preconceito e a fala de sensibilidade, muitas vezes, impedem que pessoas com força, garra e vontade de viver, possam estudar e contribuir para o crescimento e conscientização da sociedade ao impedi-las de freqüentar as faculdades devido à falta de acesso. A acessibilidade é algo tão simples, que beneficiaria a todos e traria melhorias nas ruas, no traçado urbano e nas universidades. Não se trata somente de modificar o espaço em prol da inclusão, trata-se de ver a acessibilidade como forma de difundir o respeito à cidadania e o convívio com o próximo. Discutir a questão é o primeiro passo. Parabéns ao Globo pela iniciativa e que mais pessoas da mídia dêem destaque a essa questão, pois o pior preconceito é não ter o coração acessível ao próximo!!!

  3. Isabela Pimentel segunda-feira, 19 de novembro de 2007 em 15:18 -  Responder

    Me empolgou muito a iniciativa desse blog. Acho que é um serviço à toda a sociedade que haja esse espaço de discussão sobre acessibilidade. Ajudarei a divulgar essa iniciativa. Como estudante, acho que essa questão deve ser tratada nas salas de aula em todos os cursos, não só em arquitetura, mas em outros, como turismo.
    À TODOS DO BLOG, PARABÉNS!

    novembro 19th, 2007 - 15:18
    Mão na Roda respondeu:

    Olá Isabela,Muito obrigado por seu depoimento, email e elogios.Fico feliz por este post atingir profissionais como você, de outras áreas, que se interessam pelas questões de acessibilidade e pela divulgação dessas informações!É esse tipo de pensamento e consciência que nos empolga de continuar trabalhando pela acessibilidade! Pois sabemos que estas questões são muito mais simples do que parecem!!!Um abraço,Gabriella

  4. Andre Seixas Neves Torrico terça-feira, 20 de novembro de 2007 em 00:24 -  Responder

    Gabs, gostaria de parabenizar o belo trabalho de cidadania que vcs têm feito com esse blog.
    Vida longa ao Mão na Roda!
    Bjos,
    Si

    novembro 20th, 2007 - 00:24
    Mão na Roda respondeu:

    Olá amigos,Obrigada pelos parabéns !!!Vida longa ao Mão na Roda !BeijoGabriella

  5. Antonio Roberto Bonorino Nobre terça-feira, 20 de novembro de 2007 em 01:17 -  Responder

    Acho que o Brasil está engatinhando nessa matéria.O Metrô é um grande exemplo. Um transporte de massa no qual não houve nenhum planejamento quanto ao acesso pelos cadeirantes. É muito comum no meu trajeto (Afonso Pena e São Franc. Xavier) ver um cadeirante esperando a boa vontade do pessoal do Metrô.

    novembro 20th, 2007 - 01:17
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Roberto! Também acho que não devemos nos contentar apenas com a "boa vontade" dos outros. As estações mais novas estão melhores e mostram uma preocupação maior com a acessibilidade, mas ainda vejo problemas em estações bem recentes como a Cantagalo e a Arcoverde, em Copacabana. Para mim, a única exemplar é a da Siqueira Campos. Um abraço, Eduardo.

  6. ticiana alves costa poubel segunda-feira, 19 de novembro de 2007 em 19:20 -  Responder

    é fundamental se discutir sobre a acessibilidade em todos os âmbitos da sociedade. principalmente nas universidades. mas é também imprescindível que essas discussões se tornem em ações. as próprias universidades não estão peparadas pra receber o aluno deficiente. eu mesmo passo por esse problema na uff, onde estudo.
    Quanto à arquitetura especificamente, me deixou indignada uma informação que recebi do Bistrô do MAC a respeito da falta de acesso: não podem modificar a obra sem a autorização do Oscar Niemayer. Eu imagino que ele não se negaria a fazer certas mudanças para dar acesso ao lugar… mas enfim…
    Adoro a iniciativa do blogue!
    Beijos!

    novembro 19th, 2007 - 19:20
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Ticiana,Realmente não vale ter uma intenção sem ação !!!Você chegou a solicitar alguma adaptação na UFF e não foi atendida?Quanto a obra do bistrô, é um exemplo de que as vezes mesmo tendo a ação, ela fica bloqueada por burocracias do dia a dia … uma pena!Obrigado pelas dicas!Gabriella

  7. ticiana alves costa poubel quarta-feira, 21 de novembro de 2007 em 16:43 -  Responder

    Ai, todo dia estou eu mandando informações e sugestões… É que sempre pensei num espaço assim, sempre senti falta disso. E saio demais, meto a cara, mas sei que existem cadeirantes que não fazem… acho que isso ajuda muito, dá uma segurança. Enfim, nesse caso foi a Gabriella que me perguntou!
    Estudo na UFF e consigo chegar ao meu Bloco dentro do campus (todo de paralelepípedo) só porque tenho condições de ter um carro que me deixa na porta, o que não é, de modo algum, o ideal. E inúmeras vezes volto pra casa direto porque o único elevador que funciona está com problemas. Já mandei uma carta pra diretoria do prédio, pedindo maior empenho na solução do problema, mas não tive resposta. Também há na UFF um movimento, chamado Sensibiliza, que teoricamente busca maior acessibilidade na Universidade. Mas entrei em contato com eles e até hoje não obtive resposta. Me parece que só existe mesmo no papel.
    Enfim, sigo lutando.
    Beijos!

    novembro 21st, 2007 - 16:43
    Mão na Roda respondeu:

    Ticiana, enfrentei diversas vezes o mesmo problema na UFRJ. Lá existe o Pró-Acesso, que funciona, mas esbarra frequentemente na burocracia das universidades federais. Passei um ano segregado dos demais alunos porque as aulas eram no 2o andar. Depois disso o problema era chegar nos restaurantes. Só no último ano em que eu estava lá é que construíram rampas.Abraços, Eduardo.

  8. Pedro Marques quinta-feira, 22 de novembro de 2007 em 02:31 -  Responder

    Não sou deficiente, mas achei seu blog ótimo. Parabéns! Moro nos USA e, felizmente, aqui o acesso é tratado com seriadade – ônibus, lojas, restaurantes, offices. Espero que o mesmo aconteça por aí.

    Abraços

    novembro 22nd, 2007 - 02:31
    Mão na Roda respondeu:

    Obrigado, Pedro! O Brasil ainda está muuuuito distante dos EUA nessa questão, mas as coisas estão melhorando. Torço para que, algum dia, cheguemos ao mesmo nível dos EUA! Abraços, Eduardo.

  9. cristina fontana domingo, 25 de novembro de 2007 em 03:00 -  Responder

    Oi! Bom tem uma amiga minha , arquiteta e professora da Veiga que tem MESTRADO em acessibilidade! Prof.ª Liane Flemming,então se alguem se interessar, entre em contato que passo pra ela! Abs!

  10. Cristiane Rose de Siqueira Duarte sábado, 1 de dezembro de 2007 em 17:18 -  Responder

    onde você se formou? Pelo jeito não foi meu aluno(a).
    abraços
    Cristiane Duarte
    http://www.proacesso.fau.ufrj.br

    dezembro 1st, 2007 - 17:18
    Mão na Roda respondeu:

    Olá Cristiane Rose,Seja bem vinda a nosso blog! Infelizmente não fui sua aluna de graduação, mas tive grandes mestres que me mostraram este caminho. Reconheço e admiro seu trabalho no grupo de pro-acesso da FAU, juntamente com a Regina Cohen, promovendo justamente o que tratamos nesse tópico: a luta dos professores na disseminação da consciência dos conceitos de acessibilidade. Suas contribuições sempre serão bem vindas, volte sempre! Um abraço, Gabriella

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