Mas então? Qual a melhor terminologia?

Pode parecer bobo, mas não é menos importante. O preconceito está muito relacionado com a maneira como nos comunicamos e nos expressamos. Uma sociedade inclusiva de verdade, também se constrói através da sua forma de expressão com as palavras. Por isso, desde o começo, me preocupei com a maneira como deveria chamar as pessoas com deficiência.

Dicionário abertoVocê já deve ter reparado, que usamos muito o termo cadeirante no nosso blog. Novidade para muitos, também não foi muito diferente para mim. Nunca tinha ouvido a expressão, que passei a considerar bastante simpática e mais fácil e rápida de falar ou escrever. Adotei-a rapidamente, até porque acho as expressões pessoa com deficiência ou pessoa que usa cadeira de rodas muito compridas. Preguiça…

As definições paraplégico, hemiplégico, tetraplégico ou lesado medular são corretas, mas não sei porque, me soam estranhas, muito formais (pode ser coisa da minha cabeça, ta?). Só as uso, quando tenho que explicar o que é um cadeirante. Sim, apesar do termo ser bastante literal, já teve gente me perguntando: “Mas o que é um cadeirante, afinal?”. Mais simpáticos acho os termos coloquiais: para, tetra ou hemi. Esquisito? Que nada! Muita gente os usa.

Outra expressão que já esteve bastante em voga, mas não está correta é pessoa portadora de deficiência. Explico porque: a pessoa com deficiência não é portadora de coisa alguma. Sua deficiência não é como uma bolsa ou um chaveiro, que ela leva consigo ou deixa em casa. Antes fosse, né? Por isso, o termo correto é pessoa com deficiência.

Mas pra mim, a grande novidade mesmo, ficou por conta do termo chumbado. Chumbado??? Ui! Como assim? O que quer dizer? Levou chumbo? Pois é, uma das explicações é exatamente essa: “o cara levou chumbo, levou bala.” Humor negro, né? Outra hipótese seria a de que as pessoas com deficiência saíam do Hospital Sarah Kubitschek, em Brasilia, para passear na rua usando roupas do hospital. Ficavam parecendo um grupo de doentes, por isso eram chamados de chumbados. E uma terceira versão diz ainda que o uniforme era listrado, como o dos Irmãos Metralha, fazendo com que parecessem presidiários. Mas apesar de parecer pejorativo, principalmente depois das explicações, é um termo muito usado coloquialmente pelos próprios.

E pra terminar, sugiro a leitura do texto “Terminologia sobre deficiência na era da inclusão”, de Romeu Kazumi Sassaki, que você encontra no endereço: www.cepde.rj.gov.br/terminologia_ppds.doc.
Muito bem escrito, explica direitinho o que deve e o que não deve ser usado.

Outra boa dica de texto sobre o assunto está aqui: http://ncdot-al.blogspot.com/2007/04/dicas-sobre-como-expressar-se-e-agir.html.

Achei-os, inclusive, uma ótima referência para professores e educadores.

P.S.: Atualização da nossa parceira de blog Gabriella. Parece que o apelido usado atualmente no Sarah Kubitschek é: Bananas de Pijamas. Divertido, não?

Facebook Comments

23 comentários em “Mas então? Qual a melhor terminologia?

  • quinta-feira, 29 de novembro de 2007 em 18:49
    Permalink

    Quando eu fui no Sarah, há quase 2 anos, já falavam Bananas de pijama! A roupa é igual!
    Realmente, parece uma discussão boba, mas é importante. As pessoas muitas vezes ficam sem saber do que nos chamar. Eu mesmo demorei a "assumir" o termo cadeirante, tentei adotar o chumbado, mas não pegou pra mim. Então hoje uso cadeirante mesmo. Acho que é porque já naturalizei a situação. Falar paraplégico só pra explicar mesmo. Não gosto de usar correntemente. Acho que por ser o termo mais médico, me remete a uma doença. E quanto ao PNE, parece ter o mesmo "problema" do portador de deficiência, mas sinceramente acho bom o termo pra uso formal. É só pensar numa acepção mais abrangente pro termo "portador".
    To gostando muito do blogue. Estão levantando discussões importantes de uma maneira leve, o que é difícil de ver por aí!

    novembro 29th, 2007 - 18:49
    Mão na Roda respondeu:

    Valeu pela participação constante, Tici. A idéia é essa mesma: discutir de forma natural e saudável. Quem sabe assim não conseguimos que as pessoas olhem para o tema de uma forma mais leve, né?Abs, Bianca

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 01:10
    Permalink

    Valeu Dado, é que eu achava que a palavra "deficiência" carregava um peso mais forte do que "necessidades especiais". Abs.

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 09:14
    Permalink

    Olha, bem escrito mesmo está este post… Parabéns, Bianca, por escrever assim de uma forma tão gostosa da gente ler!!
    E Tici, eu sei que você escreve bem, mas ‘acepção’??? Pega leve… Só porque fez tunning na cadeira está toda metida!! ;o) Beijo do primo!

    novembro 30th, 2007 - 09:14
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Luis!Valeu pelo elogio! Fico feliz! Espero que a maneira mais informal que estamos adotando, ajude a arrecadar mais leitores. Valeu! Volte sempre! Abs, Bianca.

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 11:59
    Permalink

    Sobre terminologias, eu gosto de PNE. Acho um termo explicativo, que embora englobe 3 palavras, não soa entranho. Cadeirante tb é bom, faz uma associação direta: cadeira de rodas – pessoa q usa cadeira de rodas. Sobre PPD, fico dividida. Vivemos numa sociedade já carregada de preconceito e quando se ouve a palavra deficiência a tendência é ligá-la a ineficiência, aí, complica. O que rola é que realmente há apenas uma necessidade especial para determinadas coisas. Meu pensamento simplista tende a ver que, na verdade, todos temos necessidades especiais. O cadeirante precisa de rampas, portas mais largas, apoios. Mas todos precisam de algo diferencial da vida tb. Tem muita gente sem NE que não sobe cinco degraus, não passa por uma porta estreita, tem gente q não come todo tipo de comida… e assim vai. O mundo está cada vez mais um lugar para PNE – de todos os tipos.
    Bem, seja qual for a terminologia, todas devem ter apenas um significado: respeito.

    novembro 30th, 2007 - 11:59
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Jaqueline, Boa colocação. Realmente, vivemos numa sociedade cada vez mais voltada para o indivíduo o que faz com que todos tenha a necessidade de verem suas particularidades atendidas.Sobre a finalização do seu comentário, foi perfeita. Eu estava até pensando em reescrever o final do post e colocar essa observação, mas você foi mais rápida ;). Respeito acima de tudo!Valeu! Abs, Bianca

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 14:07
    Permalink

    Parabén ao blog! Esse post foi o melhor de todos. Com clareza esclarece a duvida de muitas pessoas sobre a nomenclatura ideal.
    adorei! Adorei tambem os links para educadores ou pessoas que queiram se aprofundar.

    novembro 30th, 2007 - 14:07
    Mão na Roda respondeu:

    Poxa, que bom! Bom saber que a discussão agradou tanto. Fico feliz com sua visita e mais ainda com o elogio! super beijo, Bianca

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 16:42
    Permalink

    Respeito sempre, acima de tudo!
    Mas estou com a Jackeline, acho que o termo deficiência carrega um certo peso. Prefiro mesmo o PNE pras situações formais. Tomei a liberdade de procurar no dicionário e descobri que o Aurélio traz a definição:
    Portador de necessidades especiais. Educ. Esp.
    1. Indivíduo que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, ou múltipla, ou condutas típicas (v. conduta típica), ou altas habilidades (q. v.), necessitando, por isso, de recursos especializados para desenvolver mais plenamente o seu potencial e/ou superar, ou minimizar, suas dificuldades. [No contexto escolar, costuma ser chamado portador de necessidades educativas especiais.]
    Ótima discussão!
    []’s

    Resposta
  • sexta-feira, 30 de novembro de 2007 em 16:44
    Permalink

    E claro, como disse também a Jackeline, todos somos no fundo PNE’s. Só que algumas necessidades são mais visíveis a olho nu!

    novembro 30th, 2007 - 16:44
    Mão na Roda respondeu:

    Eu ainda acho estranho falar que alguém porta uma deficiência. Opinião pessoa, claro. Pra isso estamos aqui discutindo, certo? Mas se já está até no dicionário, já deve ter sido incorporada ao português. Ainda assim, respeito é o segredo. Abs, Bianca

    Resposta
  • sábado, 1 de dezembro de 2007 em 10:17
    Permalink

    Eu utilizo prefiro PNE mesmo, até porque cadeirante liga sempre a pessoa que se utiliza de cadeira de rodas.

    Resposta
  • sábado, 1 de dezembro de 2007 em 20:02
    Permalink

    Sou Brasileiro e vivo há três anos na Espanha e como Enfermeiro, trabalho no setor de Emergências do Hospital Universitário de Canárias, Tenerife, Ilhas Canárias. O termo usado aqui é Discapacitado, e usam para todos os tipos. Aqui o essas cidadoes sao bem integrados e existem várias reservas de empregos e bons programas de ajuda de empresas privadas e públicas. Ah, parabéns ou como se diz aqui "Enhorabuena" pelo blog.

    dezembro 1st, 2007 - 20:02
    Mão na Roda respondeu:

    Olá Braz,Esperamos que um dia as coisas aqui no Brasil se assemelhem as da Espanha. Obrigado pela visita e volte sempre! Bianca

    Resposta
  • domingo, 9 de dezembro de 2007 em 21:54
    Permalink

    tem dois termos q me incomodam: o primeiro é "aleijado". Me soa totalmente pejorativo, feio e fora de moda, além do q, é usado quando se quer xingar alguém de preguiçoso, acomodado, folgado, etc…tipo: pq vc mesmo não vai buscar? vc não é aleijado!"

    o outro é PNE (portador de necessidades especiais). Esse me incomoda até por estar fora da real, pq se nem as nossas necessidades básicas são respeitadas, q dirá as especiais…

    dezembro 9th, 2007 - 21:54
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Rose, aleijado é triste demais. Ainda bem que raramente ouço essa palavra. PNE tb não me agrada muito, mas já ouvi muita gente usando essa expressão. Acho estranho chamar de Necessidade Especial, quando sabemos que luta-se sempre pela igualdade. Especial justo no nome já pressupõe uma diferença. Abraços, Bianca

    Resposta
  • Pingback: Palavrinhas que me irritam « Blog Mão na Roda

  • domingo, 18 de abril de 2010 em 12:13
    Permalink

    Eu sou andante, mas adoro ler sobre o blog e tenho um carinho especial por pessoas cadeirantes, sempre fiquei com medo de falar
    alguma coisa porque tenho a língua solta, mas sempre que um cadeirante me olha retribuo com um sorriso, não sei se é o certo, porque a pessoa pode achar que é diferente só porque não sorrio para outras pessoas… Mas eu fico em dúvida se isso é o certo e se vocês poderiam me responder.

    abril 18th, 2010 - 21:42
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Mariana,
    Fico super feliz em saber que nosso blog tb sensibiliza pessoas sem deficiência, isso pra gente é motivo de orgulho. Quanto a sorrir para um cadeirante que olha pra vc, não vejo problema algum, até porque ele não tem como saber se vc não sorri pra mais ninguém, certo? Sem falar que sorriso é sempre bom. Melhor do que cara feia ou de susto ou mesmo de pena. Então, pode continuar sorrindo.
    beijos

    Resposta
  • quinta-feira, 25 de novembro de 2010 em 08:51
    Permalink

    Hauhauhauauaua essa de chumbado foi boa, ja tinha ouvido falar mas pouquissimas vezes, nem lembrava… essa de bananas de pijama ja falavamos em 2001 quando eu estive la no Sarah de Brasilia rsrsrs…

    Resposta
  • quinta-feira, 15 de novembro de 2012 em 12:36
    Permalink

    Estou fazendo um trabalho e precisei procurar sobre o termo que iria utilizar em um projeto arquitetônico. Achei interessante o blog. Sobre o texto, e o termo – “chumbado” – há uma versão que veio a mente quando li o termo, eu acho que venha da ideia de chumbador ( especie de parafuso utilizado para prender uma estrutura ao chão) e o termo chumbado é utilizado na construção civil. Lógico que foi um termo utilizado de modo pejorativo neste caso que você citou. abraços.

    Resposta
  • segunda-feira, 9 de março de 2015 em 01:47
    Permalink

    A vida brilha mais intensamente quando temos um amigo que realmente vale a pena.Amigos isso está acontecendo na minha cidade Rio Das Ostras Rj e em todo o brasil eu como pai passando esse momento ruim estou precisando de vocês até amanhã ja faz 30 dias que o meu filho de 13 anos perdeu o direito a constituição ele foi excluído da escola eu preciso de 250 assinaturas na minha petição para levar a Brasilia para os políticos responsáveis muito obrigado a ajuda de cada um de vocês ajudará varias crianças no “BRASIL” https://secure.avaaz.org/po/petition/Para_os_politicos_responsaveis_pela_constituicao_Brasileira_Que_a_nossa_constituicao_seja_respeitada_em_todo_o_Brasil/edit/

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Connect with Facebook

X

Pin It on Pinterest

X