Opinião e cotidiano

E ainda por cima, é orgulhoso!

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Não sou hipócrita a ponto de dizer que é bom usar cadeira de rodas, mas às vezes me divirto com algumas situações que não viveria sem ela.

Outro dia, no elevador do trabalho, uma senhora se espantou quando neguei a ajuda oferecida. Disse à ela para que não se preocupasse, pois eu estava acostumado a sair sozinho do elevador(!). Quando ela me perguntou o que eu ia fazer na garagem, titubiei, mas respondi que iria pegar meu carro para voltar para casa. Diante daqueles olhos arregalados e de uma boca aberta, a porta do elevador se fechou e eu pude enfim dar umas boas risadas.

Dedo em riste e símbolos de xingamentoTambém me diverti uma vez, há uns 2 anos atrás, quando estava atravessando a rua. Estou lá calmamente cruzando a faixa de pedestres, quando de repente me empurram da cadeira e eu quase caio no chão. No reflexo, consigo me manter em cima dela e percebo que, atrás de mim, tem um sujeito, que nunca vi na minha vida, me “ajudando” a atravessar a rua, sem ao menos me perguntar se eu precisava de auxílio. Ao invés de empurrar a cadeira, o amável cidadão empurrou as minhas costas e eu quase vôo no chão. Digo educadamente que ele não precisa me empurrar, que está tudo bem. Para minha surpresa, ouço alguns palavrões e quando já estou do outro lado da rua, ele grita pra todo mundo ouvir: “E ainda por cima, é orgulhoso!”.

Sobre o autor / 

Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

11 Comentários

  1. Zequinha-RJ quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 em 13:53 -  Responder

    Caraca ,

    Vc se divertiu com esse ultimo? O cara te xingou e vc ainda se diverte. Tens mesmo paz de espirito.

    []s
    JV

  2. Sergio Castelo quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 em 16:06 -  Responder

    Realmente, passamos por situações bastante estranhas. Mas meu comentario tem outro objetivo. Vcs tem como tirar a limpo algo que ouvi hoje no metrô? Seguinte – após uma grande pressão finalmente o metro instalou elevadores para cadeirantes na estação de botafogo. Os elevadores estão lá, bacanas. Inertes. Segundo me disseram aguardam uma liberação de uso por parte da prefeitura. Não vou apedrejar ninguem antes de saber esta historia direito, mas ao que parece a nossa querida prefeitura, alem de ter um certo problema para fazer algo para melhorar os acessos para nós, ainda embarreira o que outras entidades fazem. Será que é isso mesmo????
    Abraços

    dezembro 12th, 2007 - 16:06
    Mão na Roda respondeu:

    Sergio, estou por fora dessa história do Metrô de Botafogo. Se souber de algo, coloco aqui. Eu sei que teve uma cadeirante que entrou na justiça pedindo adaptações e ganhou. Será que foi por causa dessa ação?

  3. Rose Vieira quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 em 16:40 -  Responder

    mas, só rindo mesmo…

    uma vez, eu estava em casa sozinha qd a campainha tocou, fui atender e, qd abri a porta, deparei com um mendigo. Ficamos alguns segundos calados, um olhando pra cara do outro, até q eu perguntei o q ele desejava. Aí ele começou a se desculpar e eu sem entender nada. E ele: por favor, me desculpe, me desculpe…daí eu perguntei pq tantos pedidos de desculpas e ele diz: "po, eu vim aqui pedir ajuda e encontro alguém pior q eu!"…nem preciso dizer que mandei o cara pra um lugar legal e dei com a porta na cara dele, né…mas depois caí na gargalhada..

    dezembro 12th, 2007 - 16:40
    Mão na Roda respondeu:

    hahaha! Muito bom, Rose! É super curioso quando passamos por pedintes. Ou eles lançam um olhar constrangido ou então de cumplicidade. Beijão pra você! Eduardo

  4. JAQUELINE MORAES quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 em 15:07 -  Responder

    Infelizmente, a idéia que passa na cabeça das pessoas do deficiente físico é de um eterno pedinte. Seja por ajuda, seja por amor, seja por dinheiro. Trata-se de uma mentalidade enraizada de tempos em que o def. realmente não tinha muitas escolhas na vida. Era um tempo de ficar em casa, sem trabalhar, sem relacionamentos, quase sem vida. Tanto que muitos sucessos do cinema e da literatura vão ao encontro deste mito (leia-se Lady Chaterley, como exemplo). Hj em dia não é mais assim. O deficiente – graças a Deus – está conquistando espaço no mundo. Mas as pessoas ainda acham q estamos no século 18. Se te vêem, já pensam: Tenho que ajudar! è a boa ação do dia. E rolam estas confusões. A ajuda principal, contudo, deve vir de ações mais amplas, como temos discutido. Quer ajudar? Rampa, Acesso, respeito, oportunidade…

    dezembro 13th, 2007 - 15:07
    Mão na Roda respondeu:

    Exato, Jaqueline! Comentário muito legal… A tal boa vontade tem que ser usada para não só para gestos pontuais, mas também para ações mais duradouras, como as que você escreveu. Abraços, Eduardo.

  5. Sergio Castelo sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 em 12:15 -  Responder

    Eduardo
    Ainda sobre o metro/botafogo. O que sei é que a ação ganha na justiça obrigou o metro a instalar os elevadores e isso foi feito. O que eu não estou entendendo é que parece que a prefeitura precisa dar um alvará ( ou coisa que o valha ) para que eles possam funcionar. E até agora nada.
    Mudando para o assunto do post, uma historinha engraçada que protagonizei – estava eu esperando meu pai na porta de meu trabalho para irmos juntos para casa. Uma senhora passou por mim e pediu um trocado. Dei o que tinha de trocado. Ela começou a se afastar, parou e retornou. E me disse – ‘O senhor não quer ir comigo ali na central, não? Com essa sua cadeira iria arrumar um bom dinheiro!!!!’

    dezembro 14th, 2007 - 12:15
    Mão na Roda respondeu:

    Pois é, Sergio… Tudo bem que precise de alvará, mas demorar é dose, né? Sabendo de algo, te aviso. Ah, muito boa essa história da Central! Abraços, Eduardo.

  6. MARIA INES DA SILVA CUNHA quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 em 12:44 -  Responder

    oi Eduardo, realmente ser cadeirante tem seu lado cômico…tb já passei por situações muito "engraçadas",
    houve uma vez em que o porteiro do meu prédio não me deixou descer pra pegar minha pizza, alegando que o entregador poderia leva-la pra mim, pois ele era "normal" …me senti um ET, mas dei muita risada depois…
    é isso …somos cadeirantes mas graças a Deus de bem com a vida..um abraço..
    ps.. já disse pro meu marido que iria colocar uma plaquinha atras da minha cadeira… NÃO EMPURRE..

    dezembro 20th, 2007 - 12:44
    Mão na Roda respondeu:

    Ótima idéia, Maria! E as pessoas às vezes tentam tanto ajudar que chega a ser chato. Oferecer ajuda é uma coisa, mas nos impedir de fazer é outra, né? Abraços, Eduardo.

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