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O Cadeirante e Eu

Bianca Marotta - quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 - 09:45

Símbolo de um cadeirante dando a mão a uma mulherTalvez você esteja se perguntando: “Mas afinal? Qual a relação da Bianca com o tal cadeirante? Parente? Amiga? Colega de trabalho?”. Se você pensou em namorada, acertou. Pois é, eu namoro um cadeirante. E como é um namoro recente, ainda sou surpreendida por situações inusitadas e engraçadas. Achei que seria divertido colocar algumas aqui.

Por exemplo, a primeira vez que saímos juntos. Nunca tinha saído com uma pessoa com deficiência física. Acho até que nunca tinha tido muito contato com pessoas com deficiência física antes. Fiquei me perguntando se acharia estranho, se teria que ajudar, se ficaria sem graça. Acabou que foi tudo ótimo. Ele foi me buscar em casa e fomos a um quiosque na Lagoa. E já nesse primeiro encontro, fui apresentada aos pequenos percalços de se transitar numa cadeira de rodas pelo Rio de Janeiro.

Pra começar, tinha um carro lindamente estacionado em frente à rampa de acesso à calçada. Bonito, hein? Eu fiquei meio sem saber se tinha que empurrar, puxar, ajudar… Por sorte a calçada não era alta e ele subiu sozinho. Logo em seguida, percalço número dois, sentar-se à mesa. O quiosque que escolhemos tinha as mesas super grudadas umas nas outras. Tive que deixá-lo do lado de fora e ir perguntar ao gerente onde tinha lugar sobrando. Depois de alguns desvios, chegamos lá.

Ah, sim! A noite foi tão boa, que do quiosque fomos para um restaurante que só fecha de manhã cedo. Percalço número 3! Como o local era suuuper apertado, na hora de pagar a conta, meu então futuro namorado precisou me dizer a senha do seu cartão/ticket alimentação. Não tinha como ele chegar até o caixa. E o comentário do garçom fechou a noite com chave de ouro: “Ih! Teve que dar a senha pra ela? Tá ferrado!”

Mas o que mais estranhei mesmo, foram os olhares alheios. Não adianta. Todo mundo olha. Ou com cara de curiosidade, ou de pena, ou de admiração. Quase que dava pra ler seus pensamentos: “O que será que esse rapaz tem? Será que foi acidente? Nasceu assim?” ou “Coitado, tão jovem. Que coisa triste.” Ou ainda “Será que eles são namorados? Que coisa bonita, né? Um cadeirante com uma pessoa ‘normal’”. Atualmente, acho engraçado e nem percebo mais, só que na época, como era tudo novidade, dava pra “sentir” esses olhares.

Mas quer saber? Hoje em dia, já encaro tudo com tanta naturalidade, que só me lembro que meu namorado é cadeirante, quando temos que ir a um lugar com escada na entrada ou com mais de um andar e sem elevador.

Tomara que consigamos ajudar a resolver essas chatices com nosso blog!

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2 Comentários »

  1. 27/06/2010 - 19:28
    Comentário feito por Bárbara

    Oi gente!!! Me identifikei mtoooo com esse post “O cadeirante e eu”, passei pelas mesmas coisas… Mas até hj os olhares qdo a gente sai juntos me incomodam. Para ser bastante franca, eu dependo mto mais dele do que ele de mim. Ele é cadeirante há 13 anos, e nós estamos juntos há 10 meses e já estamos noivos!!! Essa está sendo pra mim a minha melhor relação, a gente se completa em tudo e ele é prefeito pra mim. Não troco por nenhum andante por aí… Gostei mto desse site e vou passar a visitá-lo mais vezes. Parabéns a equipe!!!!

    13/07/2010 - 12:15
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Bárbara,
    Que bom que vc se identificou com o post e gostou do nosso blog. Sobre os olhares, vc vai ver, depois de um tempo, que vai se esquecer completamente que eles existem. Eu já me acostumei tem muito tempo, aliás, volta e meia me esqueço que o Dado é cadeirante.
    Se tiver um tempinho, dê uma fuçada no blog, tem vários outros posts que seguem essa linha e podem te agradar também.
    beijos!

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