Você aí, está na média?

Logo nos primeiros anos da faculdade que fiz (desenho industrial), tínhamos uma matéria chamada Ergonomia. Segundo o dicionário, ergonomia é o estudo das relações entre o homem e a máquina. Definição meio limitada, pois o estudo é mais abrangente. Você pode adicionar à lista qualquer objeto ou sistema com o qual o homem interage, como uma cadeira, por exemplo, ok?

Fita métrica enroladaMas então, nossa professora era uma defensora ferrenha e uma apaixonada pela disciplina. O que acabava fazendo dela uma chata. Isso porque a maioria dos alunos recém chegados à faculdade estava mais preocupada em fazer projetos bonitos e diferentes do que funcionais. Mas como ela comprava muita briga, acabava ficando engraçada e nós parávamos pra ouvir. E foi numa dessas que aprendi a nunca cair na "falácia do homem médio".

Uia! A falácia do quê??? Homem médio??? O que vem a ser isso?

Explico. O objetivo da ergonomia é sempre priorizar o bem-estar do homem no desempenho de suas tarefas. Para conseguir isso aplicamos teorias, métodos, dados etc. E é na hora de aplicar os dados que a coisa se complica. Como fazer com que um modelo de cadeira seja confortável para 6,5 bilhões de pessoas diferentes no mundo?

“Ah! É fácil!”, diriam alguns, “você mede o tamanho de uma criança pequena, depois mede o tamanho de um adulto grande e faz a média entre as duas medidas. Depois você pega o resultado dessa média e cria uma cadeira usando esses dados. Você terá uma cadeira para uma ‘pessoa média’ .”

“Não!!!”, esbravejaria a minha professora, “Mil vezes não!!! Quantas pessoas com proporções dentro dessa média existem no mundo? Pense bem! Hein??? Se bobear, não existe nenhuma. Essa ‘pessoa média’ não existe!!!” Ou seja, se você criar uma cadeira para uma pessoa fictícia, dentro da média, nem a criança, nem o adulto ficarão confortáveis nela. A cadeira não vai servir pra ninguém! Ou vai dizer que você nunca se sentiu baixo ou alto demais, muito grande ou muito pequeno ao se sentar em frente ao computador?

Tudo isso, pra dizer que “homem médio” não existe. O que existe são locais, objetos, máquinas e ferramentas reguláveis e adaptáveis a todo e qualquer tipo de pessoa. Se você for comprar a tal cadeira, você pode escolher como ela deve ser e o tamanho que ela deve ter. Mas se você utilizar uma cadeira da empresa onde você trabalha e ela não for regulável, você sentirá dor nas costas. Pode ter certeza.

Resumo da ópera: Vida longa aos produtos reguláveis e adaptáveis! Assim, todos nós ficaremos felizes, certo?

Ah, sim! O mesmo acontece com o tal do design universal. Mas isso já é assunto para outro post…

2 thoughts on “Você aí, está na média?

  • 5 de janeiro de 2008 em 15:51
    Permalink

    não cair na "falácia do homem médio" serve pra todos os âmbitos da vida! não é à toa que medíocre, que originalmente designa o que é médio, acabou virando um adjetivo negativo…
    Esse post mostra bem o quanto somos todos diferentes!
    Beijos e bom ano novo pra vocês!

    Resposta
    • 5 de janeiro de 2008 em 15:51
      Permalink

      Bem colocado, tici! Todos nós somos diferentes, pq então as pessoas com deficiência seriam mais diferentes? Tudo igual, isso sim! Valeu! Bianca

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *