Só se fossem Angelina Jolie e Brad Pitt

Como contei no post mais abaixo, não é qualquer namoro que rende histórias tão boas, quanto as que tenho vivido. É engraçado perceber, por exemplo, que demonstrações de afeto em público, com o namorado cadeirante, são sempre recebidas como “a coisa mais fofa e espetacular do mundo”. Não me lembro de ter escutado, nos namoros anteriores, coisas como: “Ah, o amor é lindo”, vindo de pessoas que nunca vi na vida. Também não me recordo de ter recebido olhares de admiração, ao beijar meu namorado na rua. Chega a ser divertido.

cão da raça pincher com cores do movimento rastafari ao fundoTanto é que, dia desses, estávamos num evento na praia de Copacabana e fomos abordados por um casal, digamos assim, inusitado. Ela parecia ter saído dos anos 60, vestida de hippie dos pés à cabeça, com um sorriso largo no rosto, daqueles que só quem celebra a paz e o amor consegue carregar. Já ele, parecia ter vindo direto da Jamaica, com roupas confortáveis e cabelos cheios de dreadlocks. Ah, sim! Não poderia me esquecer do cachorrinho que eles levavam na coleira, um pinscher, que vestia uma blusinha com as cores do movimento Rastafari!

Pois então, estava eu, sentada no colo do meu namorado, quando eles se aproximaram, pedindo licença e dizendo: “Desculpa, mas a gente tinha que vir falar com vocês! Cara, a gente tava ali reparando de longe e… Poxa! Vocês formam um casal muito lindo! Parabéns!” Em seguida aproveitaram para fazer propaganda da arte em pratos que o rapaz pintava, perguntando, logicamente, se não gostaríamos de comprar algum.

Respondemos, educadamente que não estávamos interessados e os dois mais que sorridentes, se despediram, repetindo milhões e milhões de vezes que formávamos um casal muito lindo, muito bacana, muito legal. Parabéns, parabéns, parabéns!

Agora me diz? Quando é que isso iria me acontecer, se eu estivesse no colo do meu namorado e ele estivesse sentado num banco da praia, ao invés de numa cadeira de rodas? Só se eu fosse a Angelina Jolie e ele o Brad Pitt, né não?

Comentários

Comentários

12 comentários em “Só se fossem Angelina Jolie e Brad Pitt

  • segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 em 16:38
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    sim sim! o cadeirante já é uma pessoa iluminada, porque afinal está nessa situação e ainda parece estar feliz! e quem namora é pronto pra canonização! mas essas situações são mesmo engraçadas. A intenção de mostrar uma certa admiração é tão verdadeira que a pessoa nem se dá conta de que está "fazendo diferença" (não encontrei outra expressão…).
    Enfim, é mais uma vez questão de não naturalização com a pessoa deficiente vivendo como fazem todas as pessoas desse mundo…
    beijos!

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    • segunda-feira, 7 de janeiro de 2008 em 16:38
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      Pois é, tici! Ponto pra mim, que faço uma boa ação todo dia ao namorar um cadeirante! Brincadeiras à parte, não me sinto nem mais nem menos especial que ninguém, apenas sortuda por ter encontrado alguém tão legal e esperta por não ter fechado os olhos pra ele, só porque ele não mexe as pernas! bjos! Bianca

  • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 00:40
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    é, Bianca…mas, infelizmente, a reação das pessoas não é a mesma qd se trata de namoro entre um homem e uma mulher deficiente….a começar, os maiores inimigos de tais namoros são os amigos do cara q, além condenarem o relacionamento, ainda zoam, sacaneiam, ao ponto do cara se sentir constrangido qd está com a namorada…os pais então, nem se fala…uma vez, fui apresentada á mãe de um namorado e a mulher quase desmaiou…rs

    se vc reparar bem, a desproporção entre mulheres q se relacionam com deficientes e homens é muito grande…

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    • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 00:40
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      Oi Rose, confesso que nunca pensei que pudesse existir alguma diferença entre namorar um homem ou uma mulher deficiente. Tvz, pelo fato da mulher já ser vista pela sociedade como a pessoa mais dependente de uma relação, as pessoas achem que uma mulher com deficiência será ainda mais dependente do homem, do que uma mulher sem deficiência. Interessante vc mostrar esse outro lado. Abs, Bianca

  • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 12:10
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    O inferno são as pessoas. O mundo seria perfeito sem elas, que complicam, distorcem… Um ó!! O olhar das pessoas na rua, os comentários. Tenho amigas que falam abertamente que não namorariam um deficiente, sobretudo um cadeirante. A cadeira é algo que constrange, amedronta. Mas tudo é uma questão de click, eu acho. Se vc olha a PNE e gosta, quem são os outros para frear este desejo? Ninguém segura se a coisa é forte. Mas tem que ter cabeça, gente com a mente fraca descamba logo.

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    • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 12:10
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      Também já ouvi pessoas dizendo que não namorariam um cadeirante. Tvz eu já tenha tido essa dúvida algum dia. Qdo conheci meu namorado, me fiz essa pergunta. Mas a resposta foi categórica: pode ser q eu não goste dele por n+1 motivos e a deficiência ser o menor deles. Aconteceu q eu acabei gostando de tudo! Olha q ótimo! bjos, Bianca

  • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 12:14
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    Sobre situações engraçadas: Teve uma vez, numa boate, que eu e meu namorado estávamos na pista de dança. Uns drinques daqui e de lá, e fui parar no colo dele, aos beijos, aquele clima de filme. Eis que, num dado momento, vem um segurança e diz algo no ouvido do meu querido acompanhante, que, à francesa, foi saindo da pista. Deposi, fiquei sabendo. Fomos convidados a nos retirar porque nossa posição era Indecorosa. Pode isso?

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    • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 12:14
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      O que eu já vi de gente se agarrando em pista de dança, não tá no gibi! Será que o problema não era do local? Será que o problema foi mesmo o fato de vc estar no colo dele? Essa realmente foi ótima! bjos, Bianca

  • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 13:03
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    é verdade isso. Acho que rola um preconceito maior quando a mulher é a deficiente. Talvez reflexo da nossa sociedade machista sim. Mas uma coisa é certa: a primeira pessoa que tem que perder o preconceito é a própria deficiente.

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    • terça-feira, 8 de janeiro de 2008 em 13:03
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      Oi Ticiana! Você citou o mais importante de tudo: vencermos nossos próprios preconceitos. Penso que temos que nos expor, nos arriscar. Se ficarmos apenas reclamando da vida e esperando que algo bom aconteça, não vamos conseguir nada. E isso vale tanto para pessoas com ou sem deficiência. Abraços, Eduardo.

  • quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 em 14:07
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    é, vale para todas as pessoas, em todas as situações da vida. afinal, só "corre o risco" de ganhar quem entra no jogo. 😉

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  • terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 em 13:55
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    Bianca namorei 5 anos um cadeirante e tbm nunca senti vergonha dele, porém ele por alguns motivos q hj eu entendo me traiu várias vzs, acabamos terminando e voltando várias vzs, e hj minha família não quer mais o relacionamento.Estamos a dois anos separados porém ele nunca deixou se sofrer (e isso é nitido) diz q hj percebe a mulher q perdeu,q quer me fazer a mulher mais feliz do mundo e etc.Durante os anos q namoramos eu ouvi mto "nossa mas vcs não vão poder andar de mao dadas na rua", "será q poderão ter filhos","sua vida sera cheia de restrições se casarem" e etc eu nunca liguei pois o amava.Nos vimos semana passada e ele parece outra pessoa porem tenho medo de voltar e nao aguentar mais esse tipo de comentario, essa pressão q as pessoas fazem q sou bonita e isso e aquilo.Nao conheço nenhuma menina q namore tbm um cadeirante para poder falar de "igual" pra "igual" sobre algumas coisas.Vc conhece mtos casais assim?

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