Samba e Pescaria

máscaras de carnaval e peixeDepois do carnaval, o blog está de volta! Não assisti aos desfiles deste ano, mas fiquei com uma pergunta na cabeça: por que alas exclusivas para pessoas com deficiência e não pessoas com deficiência em todas as alas? Algumas escolas de samba, como a Tradição e a Portela, dizem que promovem um carnaval inclusivo, pois têm uma ala formada por deficientes. Ok, ok! É melhor do que não ter deficientes em ala alguma, mas por que as pessoas têm que sair apenas em uma ala específica? Fica parecendo mais segregação do que inclusão!

É claro que, em algumas situações, é interessante que as pessoas com deficiência participem de atividades exclusivas para elas. Esse é o caso de campeonatos esportivos, como as paraolimpíadas. Dessa forma, você agrupa pessoas com as mesmas limitações, tornando a competição mais justa. Outra alternativa bem interessante é fazer equipes mistas, formadas por pessoas com e sem deficiência.

Exemplo desse último caso é o Troféu Solidariedade de pesca adaptada, organizado pelo Clube Barracuda de Desportos. Nele, a competição é encarada em duplas onde um dos atletas tem deficiência e o outro não. Além disso, todos os peixes pescados na competição são doados para uma instituição de apoio a crianças carentes. A competição deste ano será amanhã, dia 09/02, no paredão da Urca. Maiores informações podem ser obtidas no site do torneio.

Troféu Solidariedade
Dia 09/02 – Paredão da Urca – 07:00hs
Site: http://www.antares.com.br/cbpds/html/trof_sol.htm

Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

14 thoughts on “Samba e Pescaria

  • 8 de fevereiro de 2008 em 16:27
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    Meu amigo,vc tem tb nesta das alas .Aproveito pra dizer ,qu e,em Marataízes-ES,uma jovem,estudante de Direito,sobrevivente da Talidomida,circula-ou tenta circular-pela cidade em sua rotina de trabalho e estudo,numa Scooter.Já sofreu duas pequenas colisões,com automóveis,felizmente não traumáticas,simplesmente por que em Marataízes,as calçadas não oferecem rampas nem junções niveladas.è obrigada a andar no asfalto e sofrer aos perigos .Algo assim como uma formiga entre elefantes.O pior,o poder público não a atende e até para ir ao Ministério Público não tem acessos:literalemente.Não quiseram ouvi-la .Como resistente que é,foi ao de Vitória e espera que a coisa desenrole.Em tempo:nenhum veículo de comunicação da cidade a entrevista ou fala da luta.A prefeitura é um dos maiores patrocinadores…o nome dela é Suzana Vieira e todos conhecem na região.

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    • 8 de fevereiro de 2008 em 16:27
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      Oi Nino, infelizmente essas situações são muito comuns. Uma sugestão é ela se juntar com mais algumas outras pessoas que enfrentam as mesmas calçadas problemáticas, pois desse jeito o movimento ganha força. Outra coisa que pode ser feita é tentar publicar o que está acontecendo através do "Eu Repórter", do O Globo Online. Dá uma olhada: http://oglobo.globo.com/participe/ Abraços, Eduardo.

  • 12 de fevereiro de 2008 em 15:15
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    Oi eduardo,
    valeu a nota sobre a pescaria, obgd; e aproveitando o ensejo quero deixar aqui minha crítica (espero q construtiva) de sua opinião sobre as alas de carnaval… Bom, este ano eu tb fiquei de fora por motivos pessoais, mas nem por isso deixei de vibrar com os resultados do carnaval, que após 10 anos numa iniciativa nossa junto com a Tradição gerou frutos nas, Portela, Gd Rio, blocos, e outras pequenas escolas. E mais nas mesmas alas (só p inf) não há segregação, e sim integração plena, com passistas, 30% da ala, e acompanhantes. Ou seja é uma gd festa dentro do desfile em meio a amigos em comum. Já desfilei livre em outras alas, mas tem alguns complicativos, em evolução, espaço em meio à multidão, e fantasias que na maioria das vezes ficam inadequadas ao nosso perfil. Bom, não dá p me alongam muito nesse espaço, mas só tô dando o toque por seu teu amigo e com alguma experiência nesse processo do qual participo a fundo. P saber mais só na conversas ok.
    abção

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    • 12 de fevereiro de 2008 em 15:15
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      Oi Jeff, eu sei que nas alas para pessoas com deficiência também vão outras pessoas, mas elas continuam sendo as "alas das pessoas com deficiência" e isso é sim uma segregação. Cadeirantes saindo em outras alas realmente é uma novidade para mim! Você podia até dar uma lista das escolas que te aceitaram em outras alas para a gente divulgar aqui no blog. Claro que tem algumas questões a considerar, como você mesmo falou, sobre a evolução e as fantasias. Mas acho que em muitas alas um cadeirante, por exemplo, poderia sair sem problemas! Abração e obrigado pela crítica! Eduardo.

  • 12 de fevereiro de 2008 em 15:24
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    Oi ainda sou eu JEFFERSON MAIA, que mandou este comentário explicativo sobre as alas, e não Anderson Maia; só p retificar o nome que sai de Anderson (meu irmão), pq não estou no meu PC.

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  • 12 de fevereiro de 2008 em 19:34
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    Valeu,Edu>encaminhei o e-mail com a sua resposta para ela.

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  • 14 de fevereiro de 2008 em 13:15
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    Acho um pouco de exagero seu, querer que em todas as alas haja lugar para deficientes.

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    • 14 de fevereiro de 2008 em 13:15
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      Oi Led, mas por quais razões você diz isso? Também acha que não devemos frequentar todos os cinemas, todos os restaurantes, todas as escolas, etc? Penso que, se não há risco para a pessoa com deficiência, por que ela não pode participar como qualquer outra? Abraços!

  • 15 de fevereiro de 2008 em 10:32
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    Continuo achando exagero seu. Você acha que dá para uma cadeirante desfilar na ala das baianas ?? Falei por uma questão que para mim parece óbvia, pois uma cadeira de rodas no meio de uma ala, não sendo uma ala especial, iria atrapalhar a evolução. Da mesma maneira que um deficiente não pode jogar futebol com pessoas não deficientes, mas existe o futebol para deficientes, que aliás, é muito legal. Acho também que você misturou as coisas quando me pergunta se eu não acho que pessoas deficientes devam frequentar restaurantes, cinemas, escolas, etc. Eu falei que não ???? Não sei de onde você tirou esta idéia e, para mim, não só é normal, como obrigação que se deem condições para que TODOS frequentem estes lugares. Eu falei de uma situação específica e continuo com a minha opinião, para mim não dá para um deficiente (Lógico que depende da deficiência) desfilar em QUALQUER ala. Abraços !

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    • 15 de fevereiro de 2008 em 10:32
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      Oi Led, agora entendi seu ponto de vista. Ótimo, concordamos. Como disse num comentário mais abaixo, também penso que, em alguns casos (a ala das baianas p. ex.), a evolução e a fantasia podem impedir a participação. Mas ainda acho que os cadeirantes podem sair em outras alas sim, e seria muito mais interessante do que só sair apenas na ala exclusiva. Perguntei se você acha que não devemos frequentar TODOS os restaurantes, TODAS as escolas etc, pq infelizmente, muitos ainda pensam q um ou outro local adaptado ou mesmo uma ala reservada aos cadeirantes já são o suficiente. Mas me alegra saber que concordamos sobre a necessidade de termos (quase) todos os locais prontos para receber pessoas com deficiência, salvo casos como a ala das baianas, ou locais em que adaptações físicas são praticamente impossíveis. Não sou radical, exceções existem para tudo na vida. Penso que, hoje em dia, limitar as opções das pessoas com deficiência ainda é algo visto como natural. E é isso q me preocupa de verdade. Abraços, Eduardo

  • 16 de fevereiro de 2008 em 11:30
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    Talvez justamente por não ter assistido voce faça este comentário mostrando desconhecimento do que vem acontecendo e muito mais de samba e escola de samba. Voce já imaginou a bateria espalhada pela escola para não ficar segregada?… Voce sabe que cada ala tem uma fantasia especifica e que muitas são pesadas e com chapeus imensos e que o cadeirante teria que usar está fantasia? Ñá Portela a ala Nós Podemos inclui 20 passistas femininas e que interagem com os deficientes em total harmonia e inclusão o que demonstra que não é uma ala ESCLUSIVA de portadores de deficiências. Os cadeirantes são as estrelas da ala e as meninas as coadjuvantes. Este ano abrindo a ala veio um dançarino e coreografo sambando com uma cadeirante em total harmonia. São as diferencias unidas e convivendo saudavelmente. Desde já está convidado para conhecer a ala em seus ensaios e quem sabe desfilar com a gente para ter uma ideia mais perto da realidade. Conheça os videos e a comunidade da ala Nós Podemos no Orkut. Grande abraço. Heliton

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    • 16 de fevereiro de 2008 em 11:30
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      Oi Heliton! Em primeiro lugar, peço desculpas pela demora na resposta. Conheço e admiro seu trabalho juntos as escolas de samba. Defendo apenas que as pessoas com deficiência deveriam ter mais escolhas na hora de sair em uma escola. Se alguém escolher sair na bateria, tem que desfilar junto com a bateria, isso não é segregação. Segregação é não deixar que a pessoa escolha onde sair. Mais uma vez, acredito que nem todas as fantasias possam ser usadas por cadeirantes, por exemplo, mas com certeza algumas não implicariam em problema algum! Vou tentar ir em algum ensaio de vocês, obrigado pelo convite! Abraços, Eduardo.

  • 17 de fevereiro de 2008 em 11:45
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    É impressionante como as pessoas falam coisas sem nem ao menos ter uma noção do que se está falando, acho que quando a gente vai falar de uma coisa temos que primeiro nos informar sobre o que iremos falar, acredito amigo que como voce disse que não viu o desfile voce não deve gostar nenhum pouco de carnaval. Bom como meu amigo Heliton já falou no comentário abaixo acho que não vai ser preciso eu repetir aqui, uma escola de samba é muito diferente da forma que voce tem na sua cabeça, são cobranças atras de cobranças e erros são fatais e os deficient5es que já tentaram vim em alas comuns não gostaram nem um pouco do que passaram. Acho sinceramente que voce deveria comprar uma fantasia em uma ala normal é desfilar dai talvez depois voce vai poder postar algo mais construtivo. Saudações Portelense – Portela soberana como sempre.

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    • 17 de fevereiro de 2008 em 11:45
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      Wellington, concordo plenamente com você! Eu, por exemplo, adoro carnaval. Não assisti os desfiles porque estava viajando. Vou escrever outro post em breve com maiores detalhes sobre meu ponto de vista, pois acho que não consegui me expressar como gostaria. Basicamente, acredito que haja segregação sim, e se não dei uma solução melhor, também não li outra – apesar de acreditar que sim, ela existe. Grande abraço, Eduardo.

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