Xixi com design universal. Será?

Imagem do projeto Está circulando pela internet a imagem de um projeto de banheiro universal, vencedor do prêmio de design IDEA 2007. À primeira vista o banheiro impressiona. É bonito, é simples, é diferente e tem como principal mérito ser um banheiro para uso de todas as pessoas: com ou sem deficiência.

Como o assunto me interessa, resolvi correr atrás de mais informações para entender como seria a sua utilização. Analisando com mais cuidado e vendo outras fotos junto com meus colegas de blog, nos deu impressão de que, apesar de muito bonito, o banheiro não parece muito funcional. Ele apresenta uma série de problemas que dificultariam seu uso por pessoas com deficiência: A falta de um encosto para apoiar as costas, a dificuldade que muitos cadeirantes encontrariam para fazer o tipo de passagem para o vaso que ele requer, o fato de que muitas cadeiras de rodas, principalmente as com pedais fixos, deixariam o cadeirante muito mais longe do vaso do que o ideal para fazer a passagem e por aí vai. Todas essas falhas me deixaram bastante impressionada. Afinal de contas, o projeto ganhou um prêmio internacional de excelência em design! Cheguei a enviar um email para um dos criadores do projeto, perguntando se o banheiro foi testado por pessoas com deficiência, mas até a publicação deste post, não recebemos resposta.

E mais uma vez me pergunto: O que será que foi avaliado ali? A beleza do projeto? O conceito de universal? A estética “revolucionária”? Será que ele não foi testado por um cadeirante de verdade?! Fica difícil de acreditar, né? Mas diante de tantos problemas me parece que foi o que de fato ocorreu…

Em todo caso, temos que admitir que algum mérito os criadores do banheiro universal tiveram. Eles tentaram trabalhar com o verdadeiro conceito de inclusão. Um local inclusivo é aquele que atende a todos como iguais, funciona pra todas as pessoas, com deficiência ou não. No local verdadeiramente inclusivo não existe segregação, não existe exclusão. Ele é para todos.

Uma pena que, apesar do esforço, ainda não tenham chegado lá. Mas espero que tenham aberto algumas portas para a discussão. Ou vamos simplesmente aceitar que é bom porque ganhou prêmio e pronto?

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Mais informações:
http://www.universal-toilet.com/
www.coroflot.com/public/individual_file.asp
http://kostasvoyatzis.wordpress.com/2007/09/05/taking-the-%E2%80%9Cdis%E2%80%9D-out-of-disabled/
http://www.schooldesigner.com/newsletter/2007/11_07newsletter.html

6 thoughts on “Xixi com design universal. Será?

  • 12 de fevereiro de 2008 em 18:21
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    Dudu, no próprio desenho acima da foto explica como o cadeirante pode usar a privada….ele senta de frente e não de costas….

    Resposta
    • 12 de fevereiro de 2008 em 18:21
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      Oi Augusto! O problema é que passar da cadeira de rodas para o vaso dessa maneira não é nem um pouco fácil para boa parte dos cadeirantes. Ficar sentado e apoiado com as mãos, menos ainda. A idéia é bonita no papel, mas na prática não funciona. Abraços, Eduardo.

  • 13 de fevereiro de 2008 em 11:26
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    Acho que toda iniciativa em facilidade as coisas é bem-vinda. Contudo, este desenho não me vende a idéia, sobretudo o quarto passo. Lindo de design, o mecanismo precisa ser repensado. Ou então, usado na prática por cadeirantes, esta seria a real prova dos 9. Por enquanto, é nota 8.

    Resposta
    • 13 de fevereiro de 2008 em 11:26
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      Oi Jaqueline, como designer fiquei também supresa com o prêmio que deram para esse projeto. Minha primeira impressão foi boa, mas em seguida, percebi as falhas e me decepcionei. Uma pena… Mas fico feliz quando descubro que não sou a única que percebeu as falhas. Abs, Bianca

  • 15 de fevereiro de 2008 em 13:25
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    Eu não tinha a menor idéia que o uso de frente era complicado para alguns! Durante a faculdade de arquitetura e em alguns livros, se fala nessa possibilidade para adaptar os banheiros… Bom saber que, na prática, não funciona!
    Bjs

    Resposta
    • 15 de fevereiro de 2008 em 13:25
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      Pois é, Isabela… É que muitas vezes essas idéias são desenvolvidas, mas não são testadas na prática. Ainda assim, são difundidas como boas soluções. O certo seria contar SEMPRE com uma consultoria e testes práticos com pessoas que fariam uso de verdade do projeto. Abs, Bianca

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