Viagens e Turismo

Mão na Roda em Santiago – Parte 1

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Primeiras impressões

Isso mesmo, caros leitores! Em nossa ausência durante o carnaval, visitamos a cidade de Santiago, capital do Chile, e de lá trouxemos diversas dicas para todos, cadeirantes ou não.

Para chegar lá, pegamos um vôo Rio-Santiago da Lan Chile, direto, sem escalas, e que dura cerca de 4 horas. Aproveito para dizer que correu tudo bem tanto na ida, quanto na volta, inclusive com o bloqueio de assentos para pessoas com deficiência na primeira fileira de poltronas do avião, que muitas vezes é desrespeitado. Bola dentro pra Lan Chile!

Vista panorâmica de Santiago com cordilheira ao fundo

Santiago é uma cidade muito segura e limpa, repleta de praças, parques, passeios culturais e vida noturna. O clima é bastante seco e no verão os dias são longos (sol das 7 às 21hs) e quentes (cerca de 30º C), mas as noites são frias (cerca de 15º C).

Com exceção dos “cerros” (montes) e de algumas partes da cidade, Santiago é bem plana, ótima para fazer passeios a pé. Além disso, diversas atrações da cidade ficam concentradas em pequenas regiões e, fazendo uma pequena programação, dá pra ver bastante coisa andando relativamente pouco. No centro e em bairros como Providencia e Bellavista, a maior parte das ruas tem rampas nas esquinas, assim como na Zona Sul do Rio. Em acessibilidade, Santiago passa à frente da cidade maravilhosa por causa das ruas! Lá não existem as malditas pedras portuguesas (ugh!) e em geral as calçadas são muito boas, contando inclusive com piso tátil em diversos trechos. Ah, vale a pena comprar um guia de ruas da cidade nas bancas de jornal. Custa uns 3.000 pesos (R$ 12 reais) e ajuda um bocado nos passeios a pé.

rampa de ingresso para cadeira de rodas nos ônibus

Espaço reservado para cadeira de rodas nos ônibusSe a distância a percorrer for maior, a cidade tem um sistema de transportes bem melhor que o do Rio. Todos os ônibus do tipo articulado possuem rampas e espaço reservado para cadeirantes. O sistema das rampas tem alguns inconvenientes, como a necessidade de uma pessoa para abrí-las e fechá-las (pode ser o motorista) e os ressaltos que dificultam um pouco a entrada da cadeira. Por outro lado, é bem simples, barato, de fácil manutenção e, o principal, funciona. Podiam tentar algo semelhante aqui no Rio. Pegando-se os ônibus articulados, dá pra se chegar a praticamente todos os pontos da cidade, ou então bem perto deles e fazer o resto do caminho a pé.

Das cinco linhas de metrô de Santiago, as três mais recentes (Linhas 4, 4A e 5) são acessíveis em quase todas as estações (ver lista no final do texto). Por opção pessoal, preferi andar de ônibus e observar melhor a cidade, até porque o trânsito não era ruim e as viagens eram bem rápidas. Além dos ônibus e do metrô, uma alternativa é tomar táxis, mas nenhum deles é adaptado.

Também percebi muito mais cadeirantes nas ruas de Santiago do que nas do Rio de Janeiro. Creio que a facilidade do transporte público adaptado, ou mesmo as boas calçadas, colaborem muito para isso. Eu acredito piamente que o maior impedimento para as pessoas com deficiência saírem de casa, estudarem, trabalharem e se divertirem seja a falta de acessibilidade.

Banheiro público adaptadoOutra coisa bastante interessante: banheiros nas ruas e adaptados. Não são muitos, mas eles existem e ajudam a manter a cidade bem limpa. Aqui no Rio só me lembro de ter visto um adaptado em Ipanema, e não sei se ele ainda funciona (alguém sabe?). Para usar um desses banheiros, é necessário pagar 250 pesos chilenos, algo em torno de R$ 1,00 (um real). Aliás, fica aqui uma dica para qualquer cidade: se você precisar de um banheiro adaptado, tente achar o shopping mais próximo. É quase certo que ele terá pelo menos uma cabine mais larga, onde a cadeira de rodas entra.

Curiosidades sobre os banheiros de Santiago: muitos deles são pagos, inclusive banheiros dentro de estabelecimentos privados e até dentro de shoppings. A vantagem é que todos os que eu visitei estavam bem limpos. Os preços variam de 150 a 250 pesos (R$ 0,60 a R$ 1,00)  e nem sempre o banheiro para pessoas com deficiência é acessível de verdade. Em muitos casos o espaço da cabine era pequeno ou então a porta abria pra dentro, impedindo o fechamento dela com a cadeira dentro.

Ainda essa semana começaremos a mostrar com maiores detalhes os locais que visitamos. Até lá!

. . .

Links:
Lista com as estações de metrô acessíveis
Foto do ônibus articulado em Santiago
Metrô de Santiago (mapas, serviços, etc.)
Companhia de transportes de Santiago (itinerários e outras informações)

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Veja também:
Mão na Roda em Santiago – parte 2
Mão na Roda em Santiago – parte 3
Mão na Roda em Santiago – parte 4
Mão na Roda em Santiago – parte 5
Mão na Roda em Santiago – parte 6
Mão na Roda em Santiago – parte 7

Sobre o autor / 

Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

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10 Comentários

  1. JAQUELINE MORAES quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 em 10:47 -  Responder

    Bianca, lendo seu texto, percebi uma série de referências ao Rio de Janeiro. Sim, é a cidade onde vivemos. Mas aqui é o último lugar no Brasil para uma pessoa que precisa de acessibilidade viver bem. Segundo o Censo 2000 do IBGe, vivem na cidade 310 mil pessoas com algum tipo de deficiência motora. Muita gente q não tem banheiro público decente, ônibus para trabalhar, rampa, calçada apropriada… O Rio é maravilhoso para o turista andante, pq se viver algum PNE tb estará com problemas. Uma pena. Acho que ando uma pessoa q precisa de um pouco mais de acessibilidade vai a uma cidade como Santiago, deve pensar em ficar por lá mesmo, morar. Enfim, achou um lugar que possa acolhê-lo. Eu fiquei com este mesma sensação em Curitiba e outras cidades q visitei e vi acessibilidade. Se bobear, até Assunção é melhor q aqui.

    fevereiro 14th, 2008 - 10:47
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Jaqueline! Nós usamos o Rio como referência porque a maior parte dos nossos leitores é daqui e ficaria mais fácil fazer a comparação. Eu amo o Rio de Janeiro, mas também acho que ele tem muito a melhorar para o turista andante e mais ainda para o cadeirante. As questões de segurança e transporte, por exemplo, são muito complicadas! E eu sempre tenho a mesma sensação que você quando visito um lugar mais acessível. Fico imaginando como as coisas poderiam ser mais fáceis por aqui… Abraços, Eduardo.

  2. PyonPyon sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 em 00:12 -  Responder

    =^^= olha soh que chique, viagem internacional! hehe
    pois eu acho que no brasil, ate pra quem anda e enxerga bem ja eh um perigo andar nas ruas, com tanto buraco, e calcadas ruins!
    Ah eu vi a entrevista, que legal, pena que foi tao curtinha, soh faltou a Bianca ne..^^
    Bom, eu nw comento sempre, mas estou sempre lendo, e adorando viu…sucesso pros tres ^^

    fevereiro 15th, 2008 - 00:12
    Mão na Roda respondeu:

    Oi PyonPyon, muito bom ler mais um comentÁrio seu por aqui. Infelizmente, no dia da entrevista eu tinha uma reunião :(. Quem sabe não nos chamam outra vez e eu vou? Bjos, Bianca

  3. Glaucia terça-feira, 26 de julho de 2011 em 17:42 -  Responder

    Olá
    Vou para o Chile em agosto e gostaria de saber se nos pontos turísticos existem cadeiras de rodas para serem emprestadas, pois ando de muletas e não aguento andar muito.
    Grata por uma resposta

    julho 27th, 2011 - 10:01
    Eduardo Camara respondeu:

    Oi Glaucia,

    Infelizmente, não sei informar…

    Abraços!

  4. Jônatas Lima quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 em 21:04 -  Responder

    Boa noite,
    Obrigado pelo blog. Ajuda muito. Em Santiago, como chego do aeroporto ao hotel, se os táxis não são adaptados? Minha cadeira motorizada não dobra. Obrigado.

    fevereiro 27th, 2012 - 14:10
    Eduardo Camara respondeu:

    Oi Jônatas! Não sei dizer… Tenta procurar algo no Google ou então ver se alguma agência de viagens tem serviço de transfer com van, onde cabe sua cadeira. Abraços!

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