Mão na Roda em Santiago – Parte 1
Eduardo Camara - quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008 - 10:05
Primeiras impressões
Isso mesmo, caros leitores! Em nossa ausência durante o carnaval, visitamos a cidade de Santiago, capital do Chile, e de lá trouxemos diversas dicas para todos, cadeirantes ou não.
Para chegar lá, pegamos um vôo Rio-Santiago da Lan Chile, direto, sem escalas, e que dura cerca de 4 horas. Aproveito para dizer que correu tudo bem tanto na ida, quanto na volta, inclusive com o bloqueio de assentos para pessoas com deficiência na primeira fileira de poltronas do avião, que muitas vezes é desrespeitado. Bola dentro pra Lan Chile!
Santiago é uma cidade muito segura e limpa, repleta de praças, parques, passeios culturais e vida noturna. O clima é bastante seco e no verão os dias são longos (sol das 7 às 21hs) e quentes (cerca de 30º C), mas as noites são frias (cerca de 15º C).
Com exceção dos “cerros” (montes) e de algumas partes da cidade, Santiago é bem plana, ótima para fazer passeios a pé. Além disso, diversas atrações da cidade ficam concentradas em pequenas regiões e, fazendo uma pequena programação, dá pra ver bastante coisa andando relativamente pouco. No centro e em bairros como Providencia e Bellavista, a maior parte das ruas tem rampas nas esquinas, assim como na Zona Sul do Rio. Em acessibilidade, Santiago passa à frente da cidade maravilhosa por causa das ruas! Lá não existem as malditas pedras portuguesas (ugh!) e em geral as calçadas são muito boas, contando inclusive com piso tátil em diversos trechos. Ah, vale a pena comprar um guia de ruas da cidade nas bancas de jornal. Custa uns 3.000 pesos (R$ 12 reais) e ajuda um bocado nos passeios a pé.

Se a distância a percorrer for maior, a cidade tem um sistema de transportes bem melhor que o do Rio. Todos os ônibus do tipo articulado possuem rampas e espaço reservado para cadeirantes. O sistema das rampas tem alguns inconvenientes, como a necessidade de uma pessoa para abrí-las e fechá-las (pode ser o motorista) e os ressaltos que dificultam um pouco a entrada da cadeira. Por outro lado, é bem simples, barato, de fácil manutenção e, o principal, funciona. Podiam tentar algo semelhante aqui no Rio. Pegando-se os ônibus articulados, dá pra se chegar a praticamente todos os pontos da cidade, ou então bem perto deles e fazer o resto do caminho a pé.
Das cinco linhas de metrô de Santiago, as três mais recentes (Linhas 4, 4A e 5) são acessíveis em quase todas as estações (ver lista no final do texto). Por opção pessoal, preferi andar de ônibus e observar melhor a cidade, até porque o trânsito não era ruim e as viagens eram bem rápidas. Além dos ônibus e do metrô, uma alternativa é tomar táxis, mas nenhum deles é adaptado.
Também percebi muito mais cadeirantes nas ruas de Santiago do que nas do Rio de Janeiro. Creio que a facilidade do transporte público adaptado, ou mesmo as boas calçadas, colaborem muito para isso. Eu acredito piamente que o maior impedimento para as pessoas com deficiência saírem de casa, estudarem, trabalharem e se divertirem seja a falta de acessibilidade.
Outra coisa bastante interessante: banheiros nas ruas e adaptados. Não são muitos, mas eles existem e ajudam a manter a cidade bem limpa. Aqui no Rio só me lembro de ter visto um adaptado em Ipanema, e não sei se ele ainda funciona (alguém sabe?). Para usar um desses banheiros, é necessário pagar 250 pesos chilenos, algo em torno de R$ 1,00 (um real). Aliás, fica aqui uma dica para qualquer cidade: se você precisar de um banheiro adaptado, tente achar o shopping mais próximo. É quase certo que ele terá pelo menos uma cabine mais larga, onde a cadeira de rodas entra.
Curiosidades sobre os banheiros de Santiago: muitos deles são pagos, inclusive banheiros dentro de estabelecimentos privados e até dentro de shoppings. A vantagem é que todos os que eu visitei estavam bem limpos. Os preços variam de 150 a 250 pesos (R$ 0,60 a R$ 1,00) e nem sempre o banheiro para pessoas com deficiência é acessível de verdade. Em muitos casos o espaço da cabine era pequeno ou então a porta abria pra dentro, impedindo o fechamento dela com a cadeira dentro.
Ainda essa semana começaremos a mostrar com maiores detalhes os locais que visitamos. Até lá!
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Links:
Lista com as estações de metrô acessíveis
Foto do ônibus articulado em Santiago
Metrô de Santiago (mapas, serviços, etc.)
Companhia de transportes de Santiago (itinerários e outras informações)
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Veja também:
Mão na Roda em Santiago – parte 2
Mão na Roda em Santiago – parte 3
Mão na Roda em Santiago – parte 4
Mão na Roda em Santiago – parte 5
Mão na Roda em Santiago – parte 6
Mão na Roda em Santiago – parte 7






Comentário feito por JAQUELINE MORAES
Bianca, lendo seu texto, percebi uma série de referências ao Rio de Janeiro. Sim, é a cidade onde vivemos. Mas aqui é o último lugar no Brasil para uma pessoa que precisa de acessibilidade viver bem. Segundo o Censo 2000 do IBGe, vivem na cidade 310 mil pessoas com algum tipo de deficiência motora. Muita gente q não tem banheiro público decente, ônibus para trabalhar, rampa, calçada apropriada… O Rio é maravilhoso para o turista andante, pq se viver algum PNE tb estará com problemas. Uma pena. Acho que ando uma pessoa q precisa de um pouco mais de acessibilidade vai a uma cidade como Santiago, deve pensar em ficar por lá mesmo, morar. Enfim, achou um lugar que possa acolhê-lo. Eu fiquei com este mesma sensação em Curitiba e outras cidades q visitei e vi acessibilidade. Se bobear, até Assunção é melhor q aqui.
Mão na Roda respondeu:
Oi Jaqueline! Nós usamos o Rio como referência porque a maior parte dos nossos leitores é daqui e ficaria mais fácil fazer a comparação. Eu amo o Rio de Janeiro, mas também acho que ele tem muito a melhorar para o turista andante e mais ainda para o cadeirante. As questões de segurança e transporte, por exemplo, são muito complicadas! E eu sempre tenho a mesma sensação que você quando visito um lugar mais acessível. Fico imaginando como as coisas poderiam ser mais fáceis por aqui… Abraços, Eduardo.
Comentário feito por PyonPyon
=^^= olha soh que chique, viagem internacional! hehe
pois eu acho que no brasil, ate pra quem anda e enxerga bem ja eh um perigo andar nas ruas, com tanto buraco, e calcadas ruins!
Ah eu vi a entrevista, que legal, pena que foi tao curtinha, soh faltou a Bianca ne..^^
Bom, eu nw comento sempre, mas estou sempre lendo, e adorando viu…sucesso pros tres ^^
Mão na Roda respondeu:
Oi PyonPyon, muito bom ler mais um comentÁrio seu por aqui. Infelizmente, no dia da entrevista eu tinha uma reunião :(. Quem sabe não nos chamam outra vez e eu vou? Bjos, Bianca
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[...] pois não tem escada na entrada, apenas um degrau. A foto ao lado já apareceu em um post anterior sobre Santiago e mostra um com piso baixo e rampa de acesso. Também já mostramos esse tipo de ônibus num post [...]