“A síndrome da grávida” na versão cadeirante

Imagens de diversas pessoas usando cadeiras de rodasSabem aquela história de que toda grávida passa a reparar em outras grávidas e parece que o mundo se encheu de futuras mamães de uma hora pra outra? Pois então, sabiam que isso também acontece com quem passa a conviver com um cadeirante? Posso garantir que sim!

De uns tempos pra cá, comecei a reparar que existem muitas pessoas e suas cadeirinhas espalhadas pela cidade. Alguns podem dizer que isso está relacionado com o bairro em que moro, Copacabana, um bairro conhecido por abrigar um bom número de pessoas acima de 65 anos. Mas acreditem, não é esse o motivo. Primeiro porque sempre morei aqui e não reparava nisso e segundo porque já esbarrei com, pelo menos, uns 3 cadeirantes nas proximidades do meu trabalho, que fica em outro bairro, e volta e meia me deparo com pessoas com deficiência noutros lugares da cidade. É nessas horas que me pergunto: as pessoas que usam cadeira de rodas passaram a sair mais de casa ou sou eu que estou sofrendo da “síndrome da namorada do cadeirante” (acabei de inventar!), assim como acontece com as grávidas que passam pela "síndrome de todas as mulheres do mundo resolveram ter bebês"?

Acho que isso não importa muito. O que me deixa feliz é perceber que estou mais atenta, passei a ligar mais minhas antenas. Já não olho com indiferença para um local que não possui rampas de acesso, porque sei que elas são obrigatórias. Fico muito feliz, quando esbarro com um estabelecimento que oferece banheiro adaptado aos seus clientes. Mais feliz ainda, quando me deparo com vagas reservadas ocupadas apenas por carros com o adesivo de acessibilidade. E me irrito bastante quando descubro que, no meu local de trabalho, o banheiro adaptado fica no segundo piso,  aonde só se chega através de escadas! Sim, esse tipo de incoerência existe!

Agora, o que me deixaria realmente contente, seria constatar que todo mundo passou a respeitar o próximo e suas diferenças, sem ter passado por síndrome ou experiência adversa alguma. Seria muito bacana, se conseguíssemos olhar para o outro com a naturalidade que todos merecemos, seja ele cadeirante, muletante, com síndrome de down, cego, surdo, com problema de pele ou até mesmo louco. Afinal, de perto ninguém é normal. A única diferença é que algumas pessoas têm a possibilidade de deixar suas diferenças em casa e outras não…

10 thoughts on ““A síndrome da grávida” na versão cadeirante

  • 31 de março de 2008 em 20:03
    Permalink

    É interessante como depois que passei a ter deficiência o mundo mudou. Passei a reparar que o numero de pessoas com problemas de locomoção (cadeirantes ou com uso de muletas) era maior que eu pensava.
    Mas ainda achoq ue o mais importante foi perceber que todos vivem normalmente apesar de todas as dificuldades e percalços que lhe são colocados.

    Resposta
    • 31 de março de 2008 em 20:03
      Permalink

      Depois que passamos pela fase de reparar na quantidade, começamos a perceber que, sim, pessoas com problemas de locomoção além de serem muitas, vivem normalmente. Em seguida, começamos a pensar, então, no que poderia ser melhorado, para que elas vivessem sem os percalços. Ainda há muito o que fazer, mas é importante que todos saiam às ruas! Abraços, Bianca.

  • 31 de março de 2008 em 12:35
    Permalink

    Olá Bianca, realmente, quando nos aproximamos de um mundo, tudo o q diz respeito a ele se torna mais visível aos nossos olhos. Mas acho que, nos últimos anos, pessoas em cadeiras de rodas têm frequentado mais as ruas da cidade. Não sei se por uma mudança de mentalidade social, que está abolindo pouco a pouco as diferenças. Ou se por uma tomada de decisão no mundo da acessibilidade, afinal, as pessoas são saem de casa quando sabem que podem se locomover sem estresse, q têm transporte e rampa, etc. Bem, de toda forma, eu fico muito feliz com isso e quero que esta situação se amplie. Quantas pessoas ainda estão em casa sem ter como sair, ou com vergonha de sua condição ou sem um palavra de incentivo como a nossa que diz: vem pra rua vc tb!!! – ???

    Resposta
    • 31 de março de 2008 em 12:35
      Permalink

      Oi Jaqueline, concordo com você, quando diz que as pessoas tem saído mais de casa. Eu sei que tem. Mas tb acho que não teria percebido isso, caso não estivesse namorando um cadeirante. Tb acredito que a sociedade está mudando um pouco a mentalidade com relação às questões de acessibilidade. E como vc mesma diz: quero mais é que a coisa continue num crescendo infinito! Abraços! Bianca

  • 31 de março de 2008 em 14:35
    Permalink

    só sei de uma coisa…. que adorei encontrar esse blog aaahhh como eu adorei hein!!!!hahahaha

    Resposta
    • 31 de março de 2008 em 14:35
      Permalink

      Que bom, Franklin! Então continue voltando sempre! Abraços, Bianca

  • 31 de março de 2008 em 18:46
    Permalink

    Oi, Bianca!! Estou sofrendo da mesma síndrome que vc!! risos
    É assim mesmo, passamos a reparar mais!

    Belo texto seu!
    Beijos

    Resposta
    • 31 de março de 2008 em 18:46
      Permalink

      É interessante perceber como começamos a reparar em outras coisas, né? hahaha! Obrigada pela participação. bjos, Bianca

  • 3 de abril de 2008 em 10:05
    Permalink

    Parabéns Bianca, belo texto! E belo pensamento!

    Resposta
    • 3 de abril de 2008 em 10:05
      Permalink

      Obrigada, Pedro! Continue comentando! Abraços, Bianca.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *