Ih, cadeirante nadando? Como?

Há algum tempo atrás também me fazia essa pergunta. Ficava pensando como um cadeirante conseguiria nadar. E descobri que é possível sim!

É intrigante quando percebemos a quantidade de conceitos pré-estabelecidos e muitas vezes sem fundamentos, que podemos carregar pela vida. Conceitos esses que podem nos levar a associações errôneas, como por exemplo: associar o uso de cadeira de rodas a um universo de estagnação. Mas então, algumas coisas esbarram na nossa vida e aprendemos que o ser humano é muito mais capaz de se adaptar do que imaginamos.

Como por exemplo, um tetraplégico nadar. Então vamos entender como a natação nesse caso funciona. Bom, primeiro é necessário reconhecer as limitações de cada pessoa. Os estilos e formas de nadar vão depender do tipo de deficiência de cada um. Para quem não sabe nadar, os primeiros passos são aprender o controle respiratório e os movimentos básicos de um nado. Com o tempo, e dependendo do desenvolvimento, as variações de nado são introduzidas.

A natação traz benefícios para a melhora física, para o equilíbrio emocional e conseqüentemente melhora de sua qualidade de vida. Como reabilitação, ela enfoca a independência nas atividades de vida diária e nas atividades profissionais. Também é uma forma de recreação, de atividade esportiva e integração social. O contato com a água traz benefícios e facilidades para a execução de alguns movimentos com o corpo, difíceis de serem conseguidos fora da água. As propriedades físicas da água influenciam tanto no aspecto fisiológico como psicológico. Pode-se esperar, então, uma variedade de efeitos: melhora na irrigação sangüínea, desenvolvimento da musculatura, melhora na postura corporal, manter a amplitude dos movimentos, desenvolvimento da coordenação e do condicionamento aeróbio, redução de espasmos, desenvolvimento da imagem corporal, diminuição da ansiedade, estimulo das funções cardiovascular e respiratória.

Para exemplificar melhor essas questões, trazemos como a natação acontece nas competições oficiais. Para competir, existem classificações para enquadrar as pessoas deficientes em níveis adequados. É preciso passar pelo Sistema de Qualificação Funcional (FCS), que corresponde a uma avaliação dentro e fora da piscina, onde o objetivo é qualificar o atleta em uma classe, que varia de S1 a S10, sendo a primeira, a classe de maior grau de deficiência. Assim, um profissional qualificado avalia os seguintes itens: coordenação motora, força muscular, equilíbrio, amputação, cadeirante ou andante, como o atleta entra dentro d’água, como ele faz a virada e estilos que nada.

Bom, mas pra nadar você não precisa competir, nem ser profissional, mas é sempre bom ter alguém por perto para ajudar!

Se você gostou da idéia, o Tijuca Tenis Clube tem turmas de natação adaptada competitiva e utilitária (não competitiva), e turmas de hidroterapia, direcionadas para portadores de necessidades especiais, com profissionais especializados em reabilitação e paradesporto. Os horários variam de 10:30 h às 13:30 h. O Clube não possui as piscinas adaptadas, mas a equipe de natação é direcionada a ajudar a entrada e saída da piscina. E no inverno, as piscinas são aquecidas. Os banheiros ficam no 2º andar, acessível por elevador. Eles possuem um vestiário grande, com uma cabine adaptada, mas não possuem chuveiros adaptados.

 E para quem ainda não está acreditando muito nessa história toda, abaixo está um vídeo de natação adaptada.


Enviado porBianca Marotta

14/4/2008

9:01

Instinto de sobrevivência acima de tudo

Nunca fui muito fã de livros de auto-ajuda, muito menos de papo empreendedor. Sempre torci o nariz para frases feitas como “O segredo do sucesso é amar aquilo que se faz” ou “Sem força de vontade e disciplina você não chega a lugar algum”. Não acredito nisso. Acredito muito mais em capacidade de adaptação e instinto de sobrevivência. Essas sim são as verdadeiras forças motrizes do ser humano. Muito mais fortes do que qualquer desejo ou amor ao trabalho e muito mais capazes de nos fazer realizar os ditos “milagres”.

É por isso que entendo perfeitamente quando meu namorado cadeirante diz que detesta ouvir palavras de incentivo e compaixão. “Poxa, você é um cara de fibra”, “No seu lugar eu não conseguiria” ou “Você tem muita coragem. É admirável”. Lembro-me de ter proferido algo do gênero quando o conheci (disse que no lugar dele teria entrado em depressão profunda). Mas passado algum tempo de convivência, comecei a entender que a readaptação nada tem a ver com coragem, força, disciplina ou poderes mágicos. A capacidade de readaptação está presente em qualquer um de nós. Isso porque o ser humano, assim como os outros animais, possui um forte instinto de sobrevivência. Se você não se adaptar, não sobrevive. E é por causa desse instinto, que qualquer um de nós pode passar por situações extremas e sair delas. Olhe para sua própria história de vida. Com certeza você já se viu em alguma situação muito ruim da qual achava que não sairia nunca mais. Mas por bem ou por mal, você arrumou um jeito, não foi?

Através dessa reflexão foi que consegui entender o porquê de pessoas com deficiência não gostarem de serem tratadas como heróis, super disciplinados e dignos de admiração. Elas simplesmente sabem e entendem que qualquer um em seu lugar daria seu jeito. E o que mais importa, depois de passada a fase de readaptação, é se misturar aos demais e continuar a viver a vida. Anonimamente, assim como todo mundo faz. Assim como todo mundo faria.

2 thoughts on “Ih, cadeirante nadando? Como?

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