Reatech – E dessa vez a diferente era eu!

vários peões amarelos e um único azulHá uns dois meses atrás, quando meu namorado me perguntou se gostaria de ir com a ele à Reatech, não pensei duas vezes e disse que sim. Afinal, estou escrevendo num blog sobre acessibilidade, inclusão, reabilitação bla bla etc e tal. Nada mais normal do que acompanhá-lo ao evento. Às vésperas da feira, então, quando percebi que meu namorado não parava de falar nos test drives que poderia fazer e nas cadeiras e acessórios que encontraria por lá, comecei a me perguntar se não me sentiria deslocada num evento como esse. Pra meu alívio, essa desconfiança passou quase que por completo assim que cheguei na feira, pois, como em tudo que é evento de porte internacional, você tem muito o que ver, ouvir, conhecer e explorar.

Mas como eu disse: quase. A primeira meia hora foi estranha. Entendam, esse é um universo novo pra mim. Passei a ter contato direto com pessoas com deficiência há cerca de um ano. Ainda assim, meu convívio quase que se restringe a meu namorado cadeirante. E de uma hora pra outra, me vejo cercada de uma diversidade enorme. Pessoas de todos os lugares, com todos os tipos de deficiência, reunidas num só lugar. Seria hipocrisia da minha parte, dizer que não achei estranho. Infelizmente o convívio direto de pessoas com e sem deficiência, no Brasil, ainda é pequeno e restrito. E por um motivo muito simples: as questões fundamentais de acessibilidade ainda são muito mal resolvidas por aqui. Sim, num primeiro momento, estranhei.

Chegava a ser divertido, cada vez que me sentia gigante ao lado de grupos de cadeirantes, que não se cansavam de brincar comigo, perguntando onde é que eu havia deixado minha cadeira.

Mas passada uma meia hora, o estranhamento foi naturalmente embora e deixou espaço para descobertas e mais descobertas. E sabem por que? Porque todos que estavam lá me aceitaram muito bem, apesar desse meu jeitão “andante” de ser! 😉

9 thoughts on “Reatech – E dessa vez a diferente era eu!

    • 30 de abril de 2008 em 09:37
      Permalink

      Oi Evandro, bom saber que não fui a única a me sentir estranha no ninho. Legal o seu texto! Abraços, Bianca

  • 2 de maio de 2008 em 01:13
    Permalink

    sabe, eu tenho uma coisa a dizer depois de ler o seu post e tb o do Dado. Fiquei pensando em como nós tomamos caminhos diferentes. Vejo o Dado, assim como muitos outros cadeirantes antenados nos eventos e novidades da vida fashion dos defs. Comparado a mim, eu não passo de uma leiga em relação ao meu próprio universo. Não q eu esteja reclamado ou me menosprezando, apenas, o modo de vida q eu escolhi foi pela opção de tornar a minha deficiência em apenas mais um detalhe. Então, eu não frequento entidades, tb não convivo com muitas pessoas com deficiências, não participo de eventos…enfim…cheguei à conclusão q eu me sinto tb uma estranha no ninho como vc, eu acho q, num evento desses, eu não me sentiria tão em casa.

    Num é um paradoxo isso?

    Resposta
    • 2 de maio de 2008 em 01:13
      Permalink

      Oi Rose! É perfeitamente natural tomarmos caminhos diferentes. Não é porque temos uma deficiência em comum que temos que agir todos da mesma maneira, não é? confesso também que me sinto como você em diversas situações. Costumo dizer que apenas a deficiência é muito pouco para criar laços de amizade, por exemplo, e morro de medo de virar um "deficiente profissional" :-). Seu comentário foi ótimo, por sinal. Beijos, Dado.

  • 2 de maio de 2008 em 10:31
    Permalink

    Ah, Rose, sabe o que eu penso? Que todos aqueles que não enxergam suas deficiências com menosprezo ou senso de "coitadinhos" a entendem exatamente como você: tão somente, uma característica a mais, como ter cabelos cacheados ou olhos azuis.
    Até porque, pensar que todas as pessoas que possuem uma deficiência devem "levantar a bandeira da causa" é o mesmo que imaginar que todos os que possuem miopia, astigmatismo e afins devem ser oftalmologista; todos os que sofrem de problemas de colunas devem ser ortopedistas, etc, quando, na verdade, a realidade é outra. É uma questão de escolha pessoal. Apenas isso…
    Bianca, mais uma vez concordo plenamente com seu ponto de vista. Ser minoria não é uma questão imutável. E, ainda que nessa condição momentânea, ganha mais quem aproveita a oportunidade para trocar, aprender. Adorei o post!

    Resposta
    • 2 de maio de 2008 em 10:31
      Permalink

      Olha eu aqui de novo me metendo no post da Bianca 🙂 Acho que é por aí mesmo, Marcia, uma questão de opção. Passei muito tempo sem me envolver com nada relacionado à deficiência e não tenho o mínimo sentimento de culpa em relação a isso. Não pretendo me tornar uma versão "ecochata" de cadeirante, mas gostaria de, com o blog, dividir um pouco das informações que tenho, sem levantar bandeiras. Tirando a da acessibilidade, é claro. Abraços, Eduardo.

  • 2 de maio de 2008 em 14:34
    Permalink

    poxa, q bom…na verdade eu tava um pouco receosa de não ter conseguido me expressar de maneira que todos entendessem. Fiquei com medo de parecer meio alienada ou sem noção, sei lá…mas, a julgar pelo q a Marcia escreveu, fico feliz por ter conseguido passar a idéia.

    um abraço

    Resposta
  • 13 de maio de 2008 em 02:44
    Permalink

    mas, Dado….vc tem obrigação de estar antenado, pelo menos no q tange a tratamntos e preparo físico….eu num vou te perdoar nunca se, qd as pesquisas com células tronco deslanchrem e descobrirem um meio de restaurar a medula, vc não estiver preparado fisicamente pra isso…afinal, vc é meu ídolo….rs

    bjão..

    Resposta
    • 13 de maio de 2008 em 02:44
      Permalink

      Como diz um conhecido meu: vai durar pouco, pois vou ter um infarto de tanta emoção. 🙂 Beijos, Dado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *