Sem dó nem piedade

Trabalho dentro de um shopping no Rio de Janeiro. Todo dia, quando passo pelo estacionamento, canso de colocar os folhetos que mandamos imprimir nos pára-brisas dos carros estacionados nas vagas reservadas para pessoas com deficiência. É claro que averiguo antes se o carro realmente pertence a alguém sem deficiência. Chego a olhar para dentro dele para checar se não existe alguma adaptação ao lado do volante. Nunca tem.

No shopping logo ao lado, porém, as vagas reservadas são fechadas com um cabo de aço. A pessoa só estaciona se chamar o segurança do shopping e pedir para que ele libere o espaço. Sei que não é o ideal, mas ajuda. E educa. E educação é do que mais precisamos para resolver esse tipo de problema.

Por falar em educação, me peguei outro dia explicando para um senhor que ele estava prestes a estacionar em frente à uma rampa na calçada e que aquilo não era permitido. Sim, ele era um senhor, mais velho que eu, e que teoricamente deveria conhecer melhor as leis e regras da sociedade. Confesso a vocês que o fiz morrendo de medo. E se ele se revoltasse? E se fosse um desses loucos que sai do carro atirando? Felizmente não era, mas estacionou o carro mesmo assim, “tentando” deixar passagem para a rampa. Isso me deixa tão revoltada! Por que será que eu, que estou certa, tenho que ter medo de mostrar aos outros que estão errados? Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Mas que diabos de país é esse que continua dando razão aos sem-razão? E mais uma vez a resposta é simples: falta educação. Falta esclarecimento.

Enquanto eu puder, vou distribuir os folhetos por aí, sem dó nem piedade!

Comentários

Comentários

21 comentários em “Sem dó nem piedade

  • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 23:11
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    teve medo porque é Brasil. Absurdo. Minha esposa teve o carro batido e foi ameaçada pelo "macho" que dirigia o outro carro. Só não apanhou porque transeuntes interviram. Uma VERGONHA o homem brasileiro ser assim. Infelizmente, essas coisas só acontecem qdo estão sozinhas. Esses covardes, projetos de espermatozóides não fazem isso qdo as mulheres estão acompanhadas de algum homem (irmão, pai, filho, marido etc).

    Repito: VERGONHOSO.
    abs e sucesso

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    • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 23:11
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      Oi Pedro, tenho cá minhas dúvidas se os "machos" em questão têm medo quando outro macho está presente. Geralmente esse tipo de gente usa e abusa da violência e não hesita em procurar algum tipo de arma para atacar. Isso é o que me dá mais medo. Como você mesmo disse… uma VERGONHA! Valeu pelo comentário. Abraços, Bianca

  • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 09:37
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    Gente… E se organizássemos uns ‘panfletaços’ em locais notoriamente problemáticos? Tipo reunir uma galera para distribuir panfletos e colocar os folhetos.
    Moro em frente a Pça General Ozorio em Ipanema e todo domingo, na feirinha, TODAS AS RAMPAS de acesso no entorno da praça são obstruidas. Eu e a Tici já tivemos quase que dar a volta no quarteirão pelo asfalto até encontrar um espaço que permitisse a cadeira subir no meio-fio. Acho que nem rampa era.
    Depois, claro, vamos todos para um barzinho comemorar a iniciativa! 😉

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    • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 09:37
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      Oi Luis, a idéia é bem legal. Até porque mandamos imprimir cerca de 5 mil folhetos desses numa gráfica. Seria uma boa forma de usá-los também. Vamos ver se a gente marca. Entre em contato conosco por email. 🙂 Abraços, Bianca.

  • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 14:01
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    Oi, Bianca!
    Concordo com você. Educação é o único caminho para as pessoas passarem a respeitar os acessos facilitados e/ou vagas reservadas. Como conseguir isso é uma outra história… Conheço esse shopping que "tranca" as vagas com correntes e, inclusive, cheguei a indicar a solução para o estacionamento da faculdade onde estudei… Um local reservado para guarda de veículos de professores (sim, eles mesmos!) que, em nome da pontualidade nas salas de aulas, viviam estacionando nas vagas reservadas…

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    • sexta-feira, 23 de maio de 2008 em 14:01
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      Pois é, Marcia. Educar uma sociedade que é mal-educada de berço (até os professores colaboram!)é um trabalho árduo. Mas a gente vai tentando. O pessoal da sua faculdade chegou a "trancar" as vagas? Abraços, Bianca

  • segunda-feira, 26 de maio de 2008 em 11:57
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    realmente , tal atitude nao fica uma coisa legal de ser feita por mocinhas, apenas se essas já forem naturalmente sapecas,eheheh
    =P

    adorei a idéia do bilhetinho
    acho que vou fazer alguns e deixar na minha carteira.
    Não adianta ser sacaneado sem saber porque tá sendo,né?

    bom, no mais , so posso dizer que adoro o blog.
    =)

    bjokas
    =*

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    • segunda-feira, 26 de maio de 2008 em 11:57
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      Mas eu ainda acho que só deixar o bilhete é mais eficaz. De q adianta deixar o cara com raiva dos cadeirantes? Abraços, Bianca

  • segunda-feira, 26 de maio de 2008 em 14:15
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    Oi, Bianca!
    Só esclarecendo sua dúvida: infelizmente, não houve qualquer atitude por parte da faculdade. Mas eu notei que na frente dela, nas vagas certas na calçada, colocaram duas vagas resevadas em cada entrada, mas pelo que eu tenho visto, quem utiliza não são as pessoas que necessitam delas…

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    • segunda-feira, 26 de maio de 2008 em 14:15
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      Bom, agora é "ensinarmos" às pessoas o que significa aquele bonequinho branco sentado numa cadeira de rodas com fundo azul. Pelo visto as pessoas ainda não sabem… bjos, Bianca

  • domingo, 25 de maio de 2008 em 19:39
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    Concordo com vc, semrpre quando to em algum lugar essas vagas sempre estao ocupados por outras pessoas q nao tem nenhum tipo de dificuldade de locomoçao !!!

    Mas aconteceu uma coisa comigo mtu chata, estava voltando de Brasilia do hospital q estava fazendo reabilitaçao. Parei em um posto e fui ate ao banheiro, na verdade nao tinha banheiro adaptado mas a cadeira entro !! a mulher q trabalha limpando la, falo q ta fazendo um banheiro adaptado ! ate ai tdo bem !!!
    Depois de 4 hrs parei d novo mais dai parei em 4 lugar !!
    um nao tinha nem de eu lavar a mao direito.
    Cheguei em otro e vi q tinha um maior entre os outros fui ver tinha virado deposito de material de limpesa !!
    O outro nem a cadeira entrava no banheiro!
    Na 4ª vez desisti e minha mae fiCo na porta do banheiro enquanto fazia o "CAT"!!
    Em q seculo eles estao vivendo ?!

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    • domingo, 25 de maio de 2008 em 19:39
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      Oi Jady, muito chato mesmo ter que correr atrás de banheiro adaptado. Fico muito chateada quando percebo que uma porção de lugares que visitamos possui espaço o suficiente para um banheiro adaptado, mas por falta de informação e conhecimento mesmo, ninguém pensa nisso na hora da construção. É o tipo de adaptação que não aumenta muito o valor da obra e que pode ser importante para muitas pessoas. Obrigada pelo comentário. Abraços, Bianca

  • terça-feira, 27 de maio de 2008 em 17:13
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    OI Bianca, acredito q a lei seja parecida, existem vagas exclusivas para deficientes e outras para idosos. Qdo encontramos alguém estacionado nessas vagas ou en frente as rampas ligamos para o Detran e temos tb PM de transito, em geral eles chegam em menos de meia hora e multam quem está nas vagas para deficiente. Acho q todos os Detrans fazem isso. Vale a pena se informar.

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    • terça-feira, 27 de maio de 2008 em 17:13
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      Oi Miriam! Aqui no Rio é um pouco mais complicado… A Guarda Municipal ficou responsável por "fiscalizar" o trânsito e eu já ouvi de PM um "não é comigo, tem que falar com a Guarda Municipal". E o fogo é que é impossível encontrar um guarda municipal na rua depois de anoitecer. Impressionante! Acho que o reboque funcionaria aqui sim, mas sinceramente nunca tentei. Confesso que muitas vezes estamos com pressa ou preguiça para ligar e ver no que dá. Vou tentar fazer um teste para ver se funciona. Abraços, Eduardo.

  • quarta-feira, 28 de maio de 2008 em 19:46
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    Você trabalha no Rio Sul, né? Já que o Plaza, ao lado, tem as vagas fechadas como vc disse. Aliás, tiraram o elevador há meses e os cadeirantes têm q ser carregados pela escada. Você devia planfetar lá no SAC do Rio Sul também para pedir banheiros melhores. As cabines para deficientes são apertadíssimas em pelo menos 3 dos banheiros (não conheço todos). Além disso, eles acabaram com a área para estacionamento de deficientes em que tinha aquele aviso: "se você precisar de ajuda para entrar ou sair do carro, ligue o pisca-alerta e aguarde". Outro dia pedi ajuda a um segurança para colocar a cadeira no carro e o obtuso disse que não podia porque era "segurança patrimonial" e não era "capacitado" para atender pessoas, deficientes ou não…

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    • quarta-feira, 28 de maio de 2008 em 19:46
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      Ih, errou! Trabalho no Downtown. Acabei de ler o post e vi que fiz confusão. Sempre passo pelo Cittá América, que não "fecha" as vagas. No downtown eles fecham. Inverti as coisas. Bem, o que importa é que no shopping onde as vagas ficam abertas, ninguém as respeita. Agora, que eu me lembre, as vagas reservadas ainda existem no Rio Sul. Só não sabia que antes elas ficavam fechadas. Até entendo o segurança se negar a te ajudar. Se ele fizesse alguma besteira, a culpa acabaria sendo dele. Mas não custava nada chamar alguém "capacitado" ou ao menos tentar, né? Abraços, Bianca

  • sexta-feira, 30 de maio de 2008 em 18:06
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    Hahahahh! Então errei! As vagas no Rio Sul não ficavam cercadas. Antigamente havia um grupo de vagas no G3 que era monitorado (havia o aviso na parede), sempre havia um segurança ali por perto, não necessariamente para atender deficientes. Eu não preciso de ninguém capacitado para me ajudar. Eu consigo tirar a cadeira, mas não consigo colocar de volta. Somente alguém que tenha força para levantar uma cadeira de 8kg e colocá-la no porta-malas. Meu sobrinho, de 12 anos, quando está comigo, faz isso. Isso aconteceu mais de uma vez, mas eles acabam ajudando. Eu sou atrevido. Não quero nem saber. Peço ajuda e saio em direção ao carro. Se o cara diz que não pode, eu grito bem alto, já do outro lado do corredor: "então chama alguém pra me ajudar!" Eles sempre acabam me atendendo, mas com o discurso de que se o chefe vir, vai reclamar. Confesso que não me sinto nem um pouco culpado. Ou ele vem ou chama alguém. Gastei dinheiro nas lojas e paguei o estacionamento. Colocar a cadeira no carro é o mínimo.

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    • sexta-feira, 30 de maio de 2008 em 18:06
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      Você é realmente atrevido. Mas numa boa, acho que temos q ser mesmo. Na maior parte das vezes temos razão, mas ainda assim, estamos mal servidos. Tb não vejo problemas no segurança te ajudar a colocar a cadeira no porta-malas. Abraços, Bianca

  • sexta-feira, 30 de maio de 2008 em 18:11
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    Sou experto em shoppings no Rio. No Botafogo Praia Shopping tem manobrista gratuito para deficientes!! http://botafogo-praia-shopping.globo.com/servicos.asp
    No Barrashopping também, apesar de eles não divulgarem. Nas duas áreas "vip" há vagas reservadas. Se precisar de ajuda, é só pedir pro manobrista.

    Resposta
    • sexta-feira, 30 de maio de 2008 em 18:11
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      Bom saber que esses shoppings oferecem esse serviço. Vamos ver se fazemos um post sobre shoppings. Valeu pelas dicas! Abraços, Bianca

  • Pingback:Vagas reservadas: você está fazendo a sua parte? « Blog Mão na Roda

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