Ele não pode ir. Será que eu vou?

Violão, pandeiro e 1 copos de cerveja, um com uma interrogação, outro com um X por cima.Quem namora um cadeirante, sabe do que estou falando. Aliás, qualquer pessoa que namora, sabe do que estou falando. Estou falando daqueles eventos em que o casal é convidado, mas, por algum motivo qualquer, um dos parceiros não pode ir. Dependendo do evento bate aquela dúvida: será que vou sozinha(o)? Vai ficar chato?

Lógico que esse tipo de situação acontece com qualquer casal, mas quando se namora um cadeirante, você passa a ter mais um motivo para não ir a certos eventos: o local não é acessível. No início eu ficava sem-graça. Será que as pessoas vão achar que meu namorado é chato? Será que vão entender que ele não veio por motivos além da vontade própria? Se eu deixar de ir, será que vou passar a ser vista como anti-social? Eu acabava sempre indo. Meio sem-graça, mas ia (lógico que se eu não estivesse mesmo a fim de ir, não ia)

Depois de alguns meses de namoro, passei a ficar com raiva de amigos que escolhiam locais não acessíveis, quando sabiam que meu namorado teria dificuldades em comparecer. Quando eram apenas colegas, não ligava. Mas amigos de verdade… Ficava um pouco decepcionada. Tanto esforço para privilegiar os locais acessíveis, tanto zelo em passar a mensagem adiante… Aí vem alguém tão próximo e se esquece de tudo isso…

Mas com o tempo a gente começa a aprender que não pode ser radical. Se por um lado, meu namorado entende que ainda são poucas as opções de locais preocupados com acessibilidade no Rio, a pessoa que convidou também vai compreender que, se ele não apareceu, não foi por falta de vontade. A gente percebe também que será muito pior, se deixar de freqüentar as rodas de amigos, por conta do parceiro que teve que ficar em casa. Nesse caso tanto eu, quanto ele acabaremos passando por antipáticos, anti-sociais e corremos o risco de perder convites futuros.

Mas isso não significa, que vou baixar a cabeça e desistir de defender os direitos à acessibilidade. Não. Eu compareço, sozinha mesmo, mas dou minha reclamadinha básica! Sempre funciona!

18 thoughts on “Ele não pode ir. Será que eu vou?

    • 24 de junho de 2008 em 13:21
      Permalink

      Oi Bento, Esse é um bom assunto para post. Acho que são duas coisas que passam pela cabeça desses empregadores: 1) Eles têm que preencher a cota de vagas para pessoas com deficiência; 2) Eles acham que oferecer emprego para pessoas com deficiência é um favor que fazem a elas. Daí o absurdo desses salários miseráveis. Vamos anotar e escrever sobre isso!

  • 24 de junho de 2008 em 15:27
    Permalink

    Oi Bianca, como sempre seus posts sempre chegam num momento ideal. Ontem, eu estava vendo umas reprises de Barrados no Baile, aquela série de tv, e eis q passou uma episódio relacionado com isso: a acessibilidade dos locais e os convites dos amigos. Tinha uma cadeirante e a turma de amigos chamou o cara para ir numa festa. Mas chegando lám tinha escadas para todos os lados. A própria entrada foi um parto com uma escadaria super inclinada. Acho uma situação complicada mesmo. Pq tem o gosto das pessoas, a disposição delas, a acessibilidade e o gosto do PNE. Ufaaa! A saída é fazermos campnha mesmo por um mundo mais acessível. Assim, as pessoas n rpecisam pensar nos locais, pq eles já estarão corretos por si mesmos.

    Resposta
    • 24 de junho de 2008 em 15:27
      Permalink

      Aco que os programas de tv e novelas brasileiras deveriam abordar mais esse assunto. O problema é que, quando isso é feito, é de uma forma tão irreal e até mesmo preconceituosa, que mais atrapalha do que ajuda. Ainda acredito que o jeito é irmos passando a idéia aos poucos e sempre que tivermos a oportunidade. bjos, Bianca

  • 24 de junho de 2008 em 18:59
    Permalink

    Olá Bianca! entendo muito bem esse lance. 19 anos cadeirante, me deram muitas experiências, boas e ruins. Logo que me me acidentei, (1990), era muito raro, praticamente impossível ver alguma coisa adaptada ou acessível. As coisas melhoraram bastante e estão longe de estarem ideiais, mas tento não me prender tanto a isso, não é uma questão de ser conformado, muito pelo contrário, as vezes vou em lugares "complicados" de propósito, pra ver o pessoal ralar e se virar p/ me atender, nem sempre isso funciona mas eu apenas tento não me privar de ir a lugares que realmente quero ir. (se eu for a lugares acessíveis, meu leque de opções fecha bastante) Mas a luta continua SEMPRE.

    Resposta
    • 24 de junho de 2008 em 18:59
      Permalink

      Oi Christian, acho que se privar de sair, se divertir, enfim, viver é a mais errada das escolhas. Algumas pessoas se sentem menos ou mais à vontade de circularem em todo tipo de lugar, acessível ou não. Acho que vai de cada um. O que não podemos é deixar de falar e falar e repetir. Queremos acessibilidade! bjos, Bianca

  • 25 de junho de 2008 em 18:02
    Permalink

    Bianca, outro dia eu estava falando com um amigo, tbm cadeirante, e concluímos que todo mundo só fala em acessibilidade para restaurantes, baladas, bares. Como se a gente vivesse em festa! Ninguém vai ao açougue, farmácia,ou num curso qualquer????Estranho, não?

    Resposta
    • 25 de junho de 2008 em 18:02
      Permalink

      É verdade Evandro. MUITO bem lembrado. Acho que isso talvez se deva ao fato de que, nos momentos de lazer, quando viajamos ou saímos com os amigos, seja a hora onde REALMENTE não queremos ter q nos estressar com nada. Por isso esse tema seja sempre o escolhido. Pro caso aqui do nosso blog fica complicado fazer avaliação desses outros lugares que vc citou, pois existem em número muito maior e as pessoas não costumam se dispôr a ir muito longe de casa pra comprar pão. Mas podem andar um pouquinho mais, para beber com os amigos. Mas sempre tentamos falar de acessibilidade de um modo geral e nesse caso, nossas dicas valem pra qq lugar. bjos, Bianca

  • 26 de junho de 2008 em 10:39
    Permalink

    eu vou!! HAHA 😉 isso mesmo!! independente do lugar……. que seja de dificil acesso eu com a minha cadeirinha eu vou do mesmo jeito…. para nao ter aquela velha palavrinha chamada " falta de consideração" e tbm para mostrar para todas as pessoas que estão lá naquele lugar de alguma forma que aquele local precisa de adaptaçao urgentemente, e por incrivel que pareça isso funciona de um jeito assustador…sorte minha que tenho amigos que sempre estão dispostos a dar uma mãozinha a mais hehe….. =)

    Resposta
    • 26 de junho de 2008 em 10:39
      Permalink

      Legal, Franklin! É uma boa opção. Algumas pessoas não se sentem tão à vontade, mas se vc não liga, tem mais é que ir mesmo! bjos, Bianca

  • 26 de junho de 2008 em 17:28
    Permalink

    OI Bianca!!! impressionante como as sensações se repetem… procuro incentivar meu marido a frequentar os lugares mais "complicados" para mim… ele é que não aceita mto a minha recusa em ir a certos lugares. No início ficava constrangida qdo minha caderia tinha de ser erguida escada acima, agora não to nem ligando… ligo é de ficar em casa! Contudo, é sempre mais agradável encontrar acessibilidade te esperando! Qto aos amigos e colegas que "esquecem" da nossa condição, já fui mais exigente… agora, prefiro q a escolha seja absolutamente voluntária! mas tb me sinto acarinhada qdo um convite vem acompanhado de: "não se preocupe, lá é tranquilo, pensei em vc quando escolhi o lugar!" bjão pra todos!

    Resposta
    • 26 de junho de 2008 em 17:28
      Permalink

      Oi Valéria, olha vou te dizer que tb acho lindo quando alguém me diz que escolheu um lugar acessível por conta do meu namorado. Fico lisonjeada. É como se dissesse: faço questão da presença de vocês. Aos poucos a gente aprende a lidar com tudo isso. bjos, Bianca

  • 25 de junho de 2008 em 19:25
    Permalink

    Muito bom esse post Bianca ! Eu também passo a mesma situação com meu namorado e sempre falo pra ele ir. Mas é uma situação meio delicada mesmo.
    Bjs,
    Cris

    Resposta
    • 25 de junho de 2008 em 19:25
      Permalink

      Pois é Cris, sempre fica aquele mal estar. Quando a gente realmente quer ir a algum lugar, a gente faz uma força. Mas qdo não, eu vou e ele fica mesmo e paciência. Tem tb aquelas vezes q a gente não quer ir e a falta de acessibilidade pode ser uma ótima desculpa. Mas isso fica entre nós, tá? hehehe bjos, Bianca

  • 30 de junho de 2008 em 16:59
    Permalink

    Oi Bianca!!
    Namoro à pouquissímo tempo um Cadeirante, e agora também tenho essa preocupação com locais, se há escadas, etc…tudo é muito novo pra mim, mas acho que estou me dando bem.Fiquei muito feliz quando minha amiga me disse que poderíamos ir sem problemas na festinha do filho dela, porque no prédio não há escadas, tudo é plano e com rampas(isso é uma maravilha né?)
    Aqui em São Paulo, muita coisa tem mudado…a maioria dos ônibus são adaptados, o metrô tem se preocupado muito com essa questão também, deixando pessoas habilitadas para conduzir cadeirantes, deficientes visuais.Há também um grande número de casas noturnas, restaurantes com acesso…ainda precisa melhorar muito, mas estão já arrumando muitas coisas.
    Espero que melhore cada vez mais
    Beijos e Parabêns pelo excelente blog

    Resposta
    • 30 de junho de 2008 em 16:59
      Permalink

      Oi Renata, tb fico muito feliz qdo as pessoas escolhem ou se preocupam ao menos em saber se o local é acessível. Infelizmente aqui no Rio os ônibus não são adaptados e só algumas estações do metrô têm acesso. Acho que estamos bem mais pra atrasados do que SP… beijos, Bianca

  • 29 de abril de 2010 em 17:50
    Permalink

    Olá, Bianca sou de Juazeiro do Norte Ceará, aqui a acessibilidade e péssima, sou casado a 1 ano sempre saio com a minha mulher e amigos mas a questão dos acessos aqui e horrível muitas vezes deixamos até de sair por conseqüência disso, os barzinhos e restaurantes daqui que costumamos sair não tem o acesso adequado enfim passamos decepções mas não deixamos de ir e sempre reclamamos mas nada fazem bjs Udijon.

    Resposta
    • 3 de maio de 2010 em 10:42
      Permalink

      Oi Udijon,
      Infelizmente isso acontece pra caramba… Confesso que hj em dia estamos menos radicais e damos um jeito de ir, quando se trata de um grande amigo. Mas sair de casa e mostrar que a acessibilidade é necessária e boa pra todos, é a coisa mais importante.
      beijos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *