Novo colaborador no Mão na Roda!

Lapiseira e desenho técnicoFoi com muita satisfação que recebi o convite da equipe do blog para colaborar nessa empreitada de ajudar a tirar o povo de casa. 🙂  Sou cadeirante há 14 anos, entre os quais está o período da minha formação e experiência em engenharia civil. Já trabalhei algum tempo exclusivamente com adaptações de ambientes, o que me trouxe uma experiência rara de poder comparar as adaptações supostamente ideais (as previstas nas normas técnicas) com as adaptações possíveis, cuja implantação deve ser feita respeitando as limitações impostas por construções já existentes.
 
Claro que o objetivo aqui não é criar conflito com outros técnicos da área sobre a adequação das normas técnicas, mas sim de comentar e propor soluções a problemas onde as normas não puderem ser aplicadas. Quando alguém projeta qualquer construção, mobiliário ou equipamento, a primeira coisa a ser conhecida é a necessidade do cliente. Por que não fazer isso também com as soluções de acessibilidade?
 
Aliás, cabe aqui uma correção: por que usar a palavra “adaptação”? Partindo do ponto que os lugares públicos devem atender a todos, então não precisariam ser “adaptados” para ninguém, certo? Na minha opinião, a palavra mais adequada seria “adequação”, ou seja, deixar as coisas adequadas para utilização de todas as pessoas.
 
Não custa aqui repetir uma das máximas do marketing: é preciso conhecer a necessidade do cliente para oferecer-lhe o produto adequado. E isso pode ir além de um pequeno grupo de clientes. Tomando o caso de um bar, o cadeirante é um consumidor como outro qualquer, certo? Errado. Se imaginarmos que normalmente os bares são freqüentados por turmas de amigos, ao não se adequar para atender a todos o bar vai abrir mão dos consumidores cadeirantes e também de todos os que estarão acompanhando-os naquele momento, pois é muito mais fácil escolher um outro lugar mais adequado para todos. Lembrem-se que chope e pizza são commodities, há fartura de lugares com poucas diferenças… 🙂 Concluindo, um lugar inadequado abre mão de um grupo muito maior de consumidores: cadeirantes e seus amigos deixarão de freqüentá-lo e recomendá-lo a outros conhecidos, que não recomendarão a outros e outros…
 
Voltando à prática, não basta simplesmente “fazer como dá” quando a adequação ideal não é possível. É preciso estudar se essa adequação trará melhorias, se será apenas dinheiro jogado fora ou, ainda, se vai se transformar numa inadequação ao criar outros problemas. Quantas vezes vemos rampas muito íngremes, cuja construção poderia ter sido melhor com o mesmo custo? E os casos de banheiros adaptados com degraus na porta, posição errada do vaso, pias ridiculamente pequenas, barras muito altas, portas abrindo para dentro etc.? Problemas simples, em que muitas vezes houve boa intenção para solucioná-los, mas que por falta de orientação adequada jogou-se dinheiro fora. 
 
Fica aqui minha sugestão, como engenheiro e cadeirante, para que os técnicos, designers, projetistas e outros envolvidos na construção de ambientes e mobiliários acessíveis procurem ouvir as pessoas que realmente os utilizam, procurem conhecer de fato suas necessidades e, por que não, divulgem as experiências adquiridas, por mais simples e elementares que possam parecer.
 
No próximo texto, vou relatar minha experiência com uma missão quase impossível que já foi comentada nesse blog: a procura da casa (ou apartamento) para um cadeirante. Aguardem!!!

11 thoughts on “Novo colaborador no Mão na Roda!

  • 16 de julho de 2008 em 18:33
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    legal !!

    gostaria de perguntar uma coisa
    vc se formou na facul depois q se tornou cadeirante ?
    (responda se quiser)
    bjs

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  • 15 de julho de 2008 em 19:12
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    mto legal, espero ansioso o próximo tema.

    Resposta
  • 17 de julho de 2008 em 10:03
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    oi Nickolas, meu marido e eu estamos nessa missão, buscando uma casa q seja adequada. Quartos pequenos, portas estreitas, banheiros apertados, degrauszinhos charmosos espalhados pela casa, ai que dificuldade, mas vamos buscando. Espero seu post sobre isso, quem sabe nos dá alguma luz?

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  • 17 de julho de 2008 em 14:39
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    Seja mto bem-vindo! sou leitora assídua do "Mão na Roda e fico mto feliz ao saber q vcs estão acrescentando mais um colaborador precioso ao nosso blog!
    Adorei seu texto: técnico e leve ao mesmo tempo. A visão q vc passou com relação à escolha de bares, restaurantes e afins por grupos de pessoas onde existe um cadeirante é perfeita!
    Tb estou ansiosa pelo próximo tema, pois eu e meu marido estamos passando por isso…
    um gde abraço,
    Valéria Aliprandi

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  • 17 de julho de 2008 em 17:34
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    Vou responder às perguntas aqui, através de um comentário, acho que fica mais fácil para todos.

    Jady: sim, eu fiz todo o curso superior usando a cadeira. Aliás, o meu primeiro desafio foi conseguir que fizessem adequações no campus para que eu tivesse acesso a todas as salas…

    Miriam: realmente alguns enfeites arquitetônicos são péssimos, vou comentar alguns (e suas possíveis soluções) no próximo texto.

    Valéria e Fernando: obrigado pelo comentário, a participação de todos é sempre muito importante para identificar os assuntos que mais interessam.

    Um abraço a todos!!!

    Resposta
    • 17 de julho de 2008 em 17:34
      Permalink

      Valeu, Nick! Ótima idéia responder dessa forma. Abraços, Eduardo.

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