Crianças

Crianças brincando com cadeira de rodas - clique na foto para conhecer seu autorTenho uma sobrinha de 8 anos de idade – quase o mesmo que tenho de cadeira – e que constantemente me surpreende. Assim como praticamente toda criança que conheci até hoje, ela encara a cadeira de rodas com a naturalidade que falta à maioria dos adultos. Desde pequena aprendeu a “dirigir” minha cadeira e volta e meia, quando estou no sofá,  tenho que barganhar para que ela pare de rodar com a cadeira pela casa e a traga de volta pra mim!

Esse despreendimento todo para lidar com a diferença não é só dela, que convive comigo desde que nasceu. Percebo que o mesmo ocorre com outras crianças, que se aproximam e começam a brincar comigo e a cadeira (elas têm verdadeiro fascínio pelas rodas!). E só param a brincadeira no momento em que os pais chegam, pedindo desculpas e arrastando-as pelo braço. Aproveito a situação para dizer que não precisam se preocupar, que estou acostumado, pois tenho uma sobrinha com a mesma idade – nesse caso a idade dela pode variar entre 2 a 6 anos, dependendo da ocasião – que também adora brincar com a cadeira. Só não deixo subirem no colo, pois tem pai maluco que pode achar que sou uma espécie de Michael Jackson.

Ah, sim. Essas mesmas crianças, muitas vezes, me deixam um pouco sem graça. É comum perguntarem coisas como: “Tio, você não pode andar?” , “Moço, você tá dodói?” ou mesmo “Ei, o que aconteceu com você?”, ao que respondo diretamente, omitindo um ou outro detalhe para não assustá-las.

Mas tem também aquelas situações onde quem toma o susto sou eu. Lembro de uma vez em que estava em um bar com amigos, no Humaitá, e um par de meninos que vendiam chicletes e aparentavam uns 6 ou 7 anos me perguntou: “Tio, o que houve com você?”. Quando respondi que tinha um machucado nas costas, na coluna, um deles soltou: “Aê, tio, tomou um balaço? Meu irmão tomou três pipocos e também tá na cadeira de rodas”.  Na hora fiquei sem ação e com cara de bunda, mas confirmei que, independente da classe social, as crianças encaram a deficiência com bem mais naturalidade do que os adultos. Poderíamos aprender com elas, não?

Eduardo Camara

Se não está viajando, está pedalando. Muitas vezes, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.

2 thoughts on “Crianças

  • 8 de setembro de 2008 em 16:35
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    Concordo plenamente, se os "adultos" tivessem a mesma naturalidade das crianças já seria um bom começo.Meu namorado é cadeirante há 9 anos tbm e ficamos boquiabertos de como as crianças gostam da cadeiras, ele tem uma sobrinha de 1 aninho e ela já olha encantada pra cadeira, não podemos nos descuidar pq ela está atrás dele pra empurrar, crianças com mais idade as vzs olham com certo "receio", mas o pior é ver o olhar de pessoas maduras, com experiência de vida olhar pra nós na rua como se estivessem vendo ET’S rs…eu juro que tem momentos que dá vontade de perguntar o que foi, pra mim então tem gente que olha como se eu fosse a Madre Teresa de Calcutá, chega de hipocrisia gente !!!Esta na hora de se espantar com o que realmente merece nosso espanto não é verdade?

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