O fantástico mundo das novelas

Símbolo de acesso na tvSe tem algo que sempre me deixa tensa, é ver telenovelas abordarem o tema deficiência, seja ela qual for. Essa semana, estava navegando pelos sites da vida e vi duas reportagens que me chamaram atenção. A primeira falava que uma novela irá abordar a acessibilidade numa clínica de beleza. Achei bem legal. Finalmente vão abordar o assunto de forma construtiva. Afinal, as novelas atingem um grande público, e podem vir a sensibilizar as pessoas na questão do acesso. Ponto para a novela. Mas logo depois, vem a outra reportagem, onde o personagem de uma novela “teen” fica paraplégico. Na mesma hora pensei: "com certeza, até o final da trama, ele volta a andar". Não deu outra. Lendo a reportagem toda, já se especula que o menino volte a andar. Nada contra. Mas porque não usam o tema e abordam as dificuldades que o cadeirante tem como acesso à escolas, transporte entre tantos outros?

O que mais me irrita em personagens que voltam a andar, é que as pessoas passam a achar que todo cadeirante vai voltar a andar. Lembro-me de uma novela em que o personagem ficava tetraplégico e logo depois, com muita garra e força de vontade, voltava a andar sem nenhuma seqüela. Tudo bem, se isso ficasse só na telinha. Mas na época algumas pessoas se aproximavam de mim e diziam: "Ah, é só ter força de vontade que você volta a andar rapidinho. Não viu o fulano na novela ? ". Me sentia a pessoa mais preguiçosa do mundo. E com certeza vem daí o meu trauma com personagens televisivos em cadeira de rodas.

Mas enfim, continuo torcendo para que as abordagens sejam cada vez mais em relação a esclarecimentos e conscientização, de forma que diminua a ignorância da população em relação ao assunto.

Pra quem quiser ler as reportagens, os links estão logo abaixo! 
  
http://belezapura.globo.com/Novela/Belezapura/Bastidores/0,,AA1686257-10259,00.html
http://malhacao.globo.com/Novela/Malhacao/0,,AA1686246-4030,00.html

18 thoughts on “O fantástico mundo das novelas

  • 7 de agosto de 2008 em 17:30
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    Outra abordagem idiota e comum nas novelas é a deficiência como castigo. Novela mexicana então é clássico: o malvado perde um olho, a vilã fica sem andar no final…

    Será que somos todos tão detestáveis assim??

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    • 7 de agosto de 2008 em 17:30
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      Acho que não são as pessoas com deficiência que são detestáveis, mas a idéia de ter uma deficiência é que assusta e por isso ela acaba sendo associada aos vilões. Como se fosse um castigo, por ele ser tão mal. Preconceito… bjos, Bianca

  • 8 de agosto de 2008 em 10:05
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    Em uma novela infantil mexicana, o malvado mancava do início ao fim. O problema não é retratar um deficiente mal – caráter. Somos seres humanos, acertamos e erramos, uns erram mais do que os outros e gostam disso. Eu mesma convivi com deficientes magníficos e outros que não valiam nada. O problema é identificar a deficiência como condição inerente do mau caratismo. tipo: "O cara é mau pq é deficiente", ou "se é deficiente é pq é do mal", ou "o cara era mau, e por castigo virou deficiente". Como isso entra no imaginário das pessoas menos críticas? Ou das mentes em formação, no caso das crianças e jovens?

    Creio que de uma maneira pior do que o exemplo dado na postagem "Não tem força de vontade, não consegue melhorar e por isso continua sendo deficiente".

    Bjsss

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    • 8 de agosto de 2008 em 10:05
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      Infelizmente as pessoas ainda tem uma visão distorcida da deficiência. Mas acredito que isto esteja mudando. Já vemos algumas novelas abordando o assunto com mais "naturalidade". Bjs, Cris.

  • 8 de agosto de 2008 em 10:19
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    nossa isso me irrinta tbm !

    mas a Band, na novela Agua na boca contratou uma cadeirante de verdade, Tabata Contri daqui uns dias ela ja esta nas telinhas, primeira atriz cadeirante no Brasil isso q chamo de inclusao social !!!

    bjs

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    • 8 de agosto de 2008 em 10:19
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      Muito bom se ter um cadirante atuando, além da inclusão num mercado de trabalho tão disputado, mostra a realidade também. Bjs, Cris.

  • 8 de agosto de 2008 em 11:13
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    Cris, isso tb me irrita e entristece. Nada contra um otimismo televisivo, mas não podemos levar as coisas da forma como são. As deficiências são vistas sempre como um diferencial para o sucesso, haverá uma mudança de caráter – como no mocinho da novela teen, ou é uma caso de super pessoa – como aquele cego Jatobá, de uma antiga novela das oito. Complicado… Uma visão reralista, segundo meu ponto de vista, é o primeiro passo para que as pessoas conheçam melhor a realidade de acidentes, lesões, problemas genéticos. Eu fico pensando, como uma jovem vai ser responsável num cachoerira, sem pular de cabeça, se na novela o menino pulou, passou uns meses na cadeira e depois, voltou para a peladinha de futebol??!!

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    • 8 de agosto de 2008 em 11:13
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      É complicado mesmo, acabam misturando ficção com realidade, e nem todos conseguem distinguir um outro. Espero que essa mentalidade mude logo. Bjs, Cris.

  • 8 de agosto de 2008 em 15:59
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    Cris,
    pior que nenhum deles é cadeirante mesmo…penso cá eu, porque a Globo não abre vagas pra talentosas pessoas que possam encarnar tais papéis mas que realmente sejam cadeirantes?
    Daí, ficaria mais difícil eles voltarem a andar, né? rsss

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    • 8 de agosto de 2008 em 15:59
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      É verdade, rsrsrs. Mas já li que em uma novela da Record, contratarm uma cadeirante para a novela. Já é um começo. Bjs, Cris.

  • 11 de agosto de 2008 em 22:33
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    Oi Cris, adorei o post!! vc "leu meus pensamentos", pois pensei exatamente como vc ao assistir alguns capítulos da novelinha teen… seria legal se eles mostrassem um cadeirante dando a volta por cima e mostrando q é possível ser feliz e capacitado numa cadeira de rodas!! mas essa mesma novelinha teen, algum tempo atrás tinha uma professora cadeirante super bonita e bem resolvida q inclusive namorava o diretor (disputado pelas mulheres toda temporada!). Era uma visão mto positiva q podia ser repetida mais vezes…
    Bom, vou ficar por aqui e aproveitar a oportunidade pra divulgar meu blog: http://valeriaaliprandi.blogspot.com/
    Bjs Valéria

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    • 11 de agosto de 2008 em 22:33
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      Oi Valéria, bom saber que já teve um personagem cadeirante e bem resolvida. Espero que tenham cada vez mais personagems assim ! Bjs, Cris.

  • 11 de agosto de 2008 em 13:03
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    Isso também acontece com a obesidade: quantas novelas têm personagens gordinhas que, no fim, com força de vontade e um novo amor, emagrecem rapidinho. A mensagem que passa é que a gorda, além de mal-amada, é gorda porque quer… Em tempo: sou andante (e magra), mas por ser arquiteta, sempre acesso o blog 🙂

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    • 11 de agosto de 2008 em 13:03
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      É verdade Luciane, as novelas tratam determinados temas sem muita delicadeza, e a solução acaba sendo a pessoa gordinha ou cadeirante ficar "normal". Uma pena, isso só ajuda a manter o preconceito. Bjs, Cris.

  • 12 de agosto de 2008 em 23:04
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    tb acho um desserviço para com a sociedade, principalmente de jovens ainda em formação. As pessoas já são tão desinformadas sobre a vida dos def, poderiam, pelo menos, retratar com mais realismo.

    Uma vez eu vi um filme (À Primeira Vista) em que a mulher se apaixona por um cara cego. São felizes juntos, até que ela o convence a fazer um cirurgia que lhe restaura a visão. E é aí que os problemas no relacionamento dos dois começam. Eles acabam se separando e no final, ele volta a ser cego e eles reatam.

    Muito bom filme e foge do comum, em que sopôe-se que um deficiente só pode ser feliz e realizado se puder se curar.

    Ainda sobre a novela: o que eu achei pior nesse episódio é que o personagem def. diz a toda hora que agora q é um "aleijado" (eu achava q essa palavre nem era mais usada), o filho por nascer nunca vai se orgulhar dele.

    Em tempo: minha filhota se orgulha muito de mim…

    Resposta
    • 12 de agosto de 2008 em 23:04
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      Oi Rose, já vi esse filme e também gostei muito. A imagen que a novelinha tá passando não é muito legal, mas acredito que ainda possa mudar, e no final acabem passando uma imagem menos perjorativa. Bjs, Cris.

  • 15 de agosto de 2008 em 18:40
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    Quando li sobre esse deficiente em Malhação, escrevi pra Kogut, a comentarista de tv do Globo, que bacana mesmo seria a autora mostrar que é possível ser feliz e ter uma vida ativa e bacana na cadeira e também que seria inverossímel ‘curar’ o cara, coisa que sempre acontece. Enfim, esse mundo maravilhoso das novelas…
    Mas vi agora um pedaço de malhação em que esse deficiente mostra pra namorada que aprendeu a se transfeiri sozinho. Foi bem bacana!
    Beijos!

    Resposta
    • 15 de agosto de 2008 em 18:40
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      Oi Tici, vamos torcer para que passem uma imagem cada vez mais positiva e realista: que cadeirante seguem com suas vidas e são felizes sim ! Bjs, Cris.

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