E a Casa Cor, hein? Quem diria?

Quem lê o nosso blog, sabe que preferimos sempre falar sobre locais acessíveis e histórias positivas, ao invés de ficar apenas reclamando. Reclamar sempre seria muito fácil, e na maioria das vezes, contraproducente.

Mas existem algumas situações em que não dá pra ficar olhando de braços cruzados. E o que aconteceu na Casa Cor deste ano no Rio de Janeiro é um desses casos.

O que esperar de um evento de arquitetura, do porte da Casa Cor, em termos de acessibilidade? O mínimo, né? Uma rampinha na entrada e um elevador básico deveriam ser itens obrigatórios. Mas, infelizmente, como vocês podem ler no artigo escrito pela leitora do Globo Online, Cynthia Fiuza , não é bem assim que a banda toca. Uma pena, pois era o lugar ideal para que as soluções de acessibilidade estivessem presentes, não acham? Tudo bem que devemos ser flexíveis, pois o prédio escolhido é antigo e sabemos que nesses casos, tornar o ambiente 100% acessível é mais difícil, mas tudo também tem limite!

Ao chegar, deixei o carro no estacionamento com serviço de manobrista, e logo avistei alguns degraus (ou seriam muitos?) na entrada principal. Perguntei à recepcionista se havia entrada para pessoas com deficiência, e a resposta foi um pouquinho melhor do que a dada à leitora Cyntia, citada acima: "Tem, mas tem pedrinha … e pra quem empurra é difícil." Ela terminou a frase e me olhou com um sorriso amarelo, ou talvez vermelho de vergonha pela resposta. Fui logo ver esse ‘jardim acessível’, e chegando lá o susto foi grande. Tava na cara que a solução foi do tipo: ‘ops, o que fazemos agora que não pensamos nisso?’. O jardim tinhas muitas, mas muitas pedrinhas, com algumas placas intercaladas por muito mais pedrinhas. Resumindo, praticamente impossível para um cadeirante entrar num evento de arquitetura dessa forma!

Bom, os espaços são maravilhosos, mostrando tendências, cores, móveis diversos, com infinitas possibilidades de soluções para seu ambiente. O evento tem 3 andares, terraço e jardim. Existe um elevador que permite o acesso a esses andares e um ‘especial’ de acesso ao terraço, que estava em manutenção, segundo a recepcionista. O banheiro adaptado fica no 3° andar, escolha ‘bem prática’!

De uma forma geral, é possível visitar o evento, enfrentando os obstáculos: muitos desníveis entre os ambientes; espaços com circulação estreita, onde o cadeirante só chega até determinado ponto; áreas para lanche com degraus e locais totalmente inacessíveis.

Finalizo este post com uma frase que estava escrita em um mural do evento:

"Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo." 
Gandhi

Comentários

Comentários

8 comentários em “E a Casa Cor, hein? Quem diria?

  • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 09:24
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    Achei podre o Casa Cor exatamente por isso. Não é só o cadeirante. O idoso, o cardíaco, tanta gente reclamou que realmente parece que esses arquitetos tem M na cabeça.

    Eu fui a pé e cheguei lá em cima quase morto de cansado.

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    • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 09:24
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      Olá Orio,Pois é, muito chão para andar … chega até a ser um pouco cansativo!Obrigado pelo comentário, Gabriella

  • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 12:32
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    Todo ano tento ir ao Casa Cor, mas tem sempre algum impecílio. Me impressiona eles não terem o cuidado com a acessibilidade do local. Uma pena.

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    • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 12:32
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      Oi Cris,Imagino que essa preocupação não aconteça pois cada um muitas vezes pode estar preocupado apenas com o seu espaço e não com a integração como um todo. "Cada um no seu quadrado!" rs !!! beijo, Gabriella

  • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 14:15
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    Noooossaaa que vacilo ein !
    eu sempre quis ir com minha mae, mas eu acho q só pra cima de 16 anos q entra …

    e um das minhas maiores preocupaçoes quando eu for fazer faculdade(quero fazer arquitetura) é isso, principamente quando for ter algum tipo de aula "pratica" como: visitar uma obra, acho q vai ser um desafio e tanto, cheguei a pensar quando estava no comesso da lesao em desistir, mas nao vo !!!

    bjks

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    • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 14:15
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      Olá Jady,Te digo um coisa que escrevi no post:"Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo." Seja a mudança e continue no caminho, pois certamente você poderá ajudar muitos a sua volta a aprenderem que a arquitetura é muito além do que um universo só físico, ela abrange a união de tudo e de todos. Não desista de um sonho pelos outros e pelos obstáculos que surgirem, pois esses obstáculos também são aprendizado! Beijo, Gabriella

  • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 14:51
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    Os arquitetos e decoradores podem fazer dos espaços, pelos quais pagam muito caro, o que quiserem, mas bom senso deveria ser um pressuposto, com preocupação com os portadores de necessidades especiais, meio ambiente etc.Além do mais, aquele imóvel será um condomínio de alto gabarito, o que só reforça a necessidade de acessibilidade.

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    • sexta-feira, 3 de outubro de 2008 em 14:51
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      Olá Luísa,Seu comentário me fez pensar sobre o valor investido em cada ação. E alguns valores são muitas vezes deturpados em nossa sociedade, mas o bom disso é que a mudança já esta acontecendo, alguns eventos já se preocupam hoje com essas questões. Obrigado, Gabriella

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