Acessibilidade – quem se beneficia?

bonequinhos de mãos dadas

Sempre que falamos sobre locais acessíveis e soluções bacanas que encontramos por aí, tenho medo de que a maioria dos leitores ache que estamos falando para um público muito restrito: pessoas com alguma deficiência física.

Qual não foi minha surpresa, quando uma amiga, mãe de primeira viagem, veio me dizer que passou a entender perfeitamente as dificuldades que o Dado passa com sua cadeira de rodas, agora que precisa circular por aí com um carrinho de bebê. Foi o empurrão para escrever esse texto.

Afinal de contas, quem se beneficia com essa tal de acessibilidade? Posso provar pra vocês que todo mundo sai ganhando. Querem ver?

Comecemos pelos grupos mais óbvios: pessoas com alguma deficiência física e idosos. Não se esqueçam de incluir nesse grupo muletantes, usuários de bengalas e andadores. Todas essas pessoas andam com muito mais tranquilidade em calçadas bem cuidadas e têm muito mais facilidade em subir rampas ou usar elevadores ao invés de escadas. Alguém duvida?

Mas como eu ia dizendo, a lista é grande. Lembram-se da minha amiga citada no início do texto? Então. Ela e tantas outras mães com carrinhos de bebê também são beneficiadas. Tenho certeza de que todas agradecem de coração quando encontram uma calçada espaçosa, sem mesas e cadeiras de botecos, camelôs ou carros estacionados pelo caminho. Ou quando conseguem subir e descer tranquilamente nas calçadas e atravessar sem problemas as ruas que possuem boas rampas nas suas esquinas. E não podemos esquecer os meios de transporte adaptados. Ou você nunca se deparou com uma mãe tentando subir e descer num ônibus carioca com carrinho de bebê? Uma tristeza!

Partindo desses grupos específicos, nos quais muitos leitores vão dizer: “Ah! Eu não me encaixo em nenhum deles!”, chegamos às situações nas quais esse mesmo leitor poderá se encontrar algum dia e vai ficar p… da vida de viver numa cidade que não se preocupa com acessibidade. Só para citar algumas:

• Sair na rua com carrinho de feira. 
• Arrastar malas com rodinhas. 
• Andar por aí com o pé engessado. 
• Dar um jeito no tendão e ter que usar muletas temporariamente. 
• Usar salto alto (toda mulher sabe que é quase impossível fazê-lo nas ruas do Rio) 
• Ter que andar no meio da rua por falta de espaço livre na calçada. 
• Usar algum meio de transporte público com um número maior de bolsas ou sacolas.

E por aí vai!

Se ainda assim você não se convenceu de que uma cidade mais acessível é melhor pra todos, acho que está na hora de rever seus conceitos!

. . .

E pra completar o post com chave de ouro, copio aqui um comentário muito pertinente de nossa leitora Rose Vieira. Obrigada, Rose!

"Sem contar que lugares sem acesso adequado atrapalham a vida de muita gente, mas o contrário não acontece. Uma escada impede um cadeirante de subir, mas uma rampa não obstrui o acesso de um andante; Um cego não consegue saber quando o sinal fecha, mas um sinal sonoro, até ajudaria os outros, mais distraídos; Uma porta mais larga não impede ninguém de usar o banheiro. "

Comentários

Comentários

20 comentários em “Acessibilidade – quem se beneficia?

  • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 12:30
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    É muito dificil andar nas ruas do RJ, principalmente no centro da cidade. As rampas sempre são bem localizadas e tem um bueiro de tampa com gretas largas para poder pegar o cadeirante de surpresa ou nos dias de chuva molha-lo enquando aguarda para atravessar.

    A politica publica é muito deficientenesse caso.

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    • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 12:30
      Permalink

      Pois é, nesse caso a deficiente de verdade é a política pública, como você mesmo falou. Mas é só com educação e cultura que as pessoas vão entender que cidade melhor é cidade acessível. Por isso vamos sempre repetir isso por aqui! Abraços, Bianca

  • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 16:08
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    Já é difícil andar nas ruas do Rio para quem não tem nenhum problema locomotor, para os que precisam andar de cadeira de rodas é uma verdadeira olimpíada, não é à toa que os nossos atletas das paraolimpíadas se destacaram tanto, também com tanta dificuldade que eles enfrentam no dia a dia, não era para menos.
    É uma pena, o Rio é uma cidade tão bonita, merecia ter um planejamento urbano melhor, calçadas em bom estado, um transporte urbano eficiente…

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    • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 16:08
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      É por isso que a gente vai levantando essa bandeira, até que a sociedade entenda que do jeito que está, não pode continuar. Concordo, o Rio de Janeiro é lindo e não merece esse descaso. Abraços, Bianca

  • quinta-feira, 23 de outubro de 2008 em 09:00
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    Viver no Brasil é uma luta diária, até para um ser humano "normal". Há dificuldades de todos os tipos, inclusive um simples ato de caminhar pelas calçadas é complicado: há buracos, carros irregularmente estacionados, prédios em estado irregular – e que desabam – vasos de plantas nas janelas dos prédios e podem causar acidentes, barracas de comerciantes ilegais, fezes de animais e, por ai vai…..
    Você está certa: todos se beneficiam com uma boa estrutura de acessibilidade a bens e serviços. Isto é só uma parte das nossas necessidades diárias. Contudo, na minha opinião, isto ainda vai levar algum tempo para acontecer, tendo em vista que até os seres humanos “normais”, brasileiros que pagam todo tipo de imposto, ainda encontram as mais diversas dificuldades num simples ato de caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro.

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    • quinta-feira, 23 de outubro de 2008 em 09:00
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      Não acho que uma coisa exclua a outra. Como um bom projeto de acessibilidade é melhor para todos, as reformas podem tranquilamente ser feitas, já pensando nisso. O importante é entendermos que não existe mais espaço para uma coisa ou a outra. O ideal a fazermos sempre tudo pensando em todo mundo. Obrigada pelo comentário! Abraços, Bianca

  • quinta-feira, 23 de outubro de 2008 em 09:39
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    Muito bom o texto O maior problema do brasileiro é que a maioria só pensa em si e acha que vários problemas não é com ele. Vejo muito isso no dia a dia.

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    • quinta-feira, 23 de outubro de 2008 em 09:39
      Permalink

      É por aí, Robson. Mas é sempre bom a gente lembrar que espaço público é de todos e quendo bem cuidado e bem projetado será melhor pra todos. Abraços, Bianca

    • quinta-feira, 23 de outubro de 2008 em 17:21
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      Oi Pedro, adorei a dica! Todos deveríamos entrar nesse blog de vez em quando, para nos lembrar de como se usa um espaço público. Tem cada banheiro sujinho, não? Arquitetos e donos de estabelecimento tb deveriam entrar para pegar as boas dicas. Obrigada! Bianca

  • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 19:46
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    os piores lugares do rio para se andar de cadeira, na ordem:

    centro

    botafogo

    copacabana ( tirando o calçadão)

    madureira

    meier

    http://br.youtube.com/watch?v=UccFMDjhQto

    nesse nedereço um filme meu sobre uma caminhada numa cadeira no largo da carioca

    julio pecly

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    • quarta-feira, 22 de outubro de 2008 em 19:46
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      Oi Julio, muito legal seu vídeo! Também filmamos uma "volta" de cadeira pelas ruas do Rio, mas ainda não terminamos de editar. Em breve vamos colocar por aqui. Abraços, Bianca

  • sexta-feira, 24 de outubro de 2008 em 11:01
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    Oi Bianca! Também sou do time ACESSIBILIDADE GERAL E IRRESTRITA. Todos seremos mais felizes!
    Encaminhei hoje para o blog da Luciana Fróes:
    "Oi, Luciana (de novo)! OLHA O JINOGALPA AÍ, GENTE!
    No Caderno Rio Show de hoje, na coluna "Programa Furado", uma cliente idosa se queixa do acesso interno da loja Nespresso de Ipanema (escadaria). A assessoria de imprensa da loja respondeu que está sendo providenciado a instalação de um ELEVADOR até dezembro. Maravilha! Eu pergunto à turma da loja (sei que são antenados no seu blog): também será providenciada RAMPA DE ACESSO EXTERNO? Pessoas com alguma dificuldade de locomoção, especialmesnte as expressomaníacas (incluindo meu marido e sogros idosos), encontram uma verdadeira barreira física de degraus a vencer, na entrada da loja (que deveria seguir os padrões internacionais de acessibilidade). Sugiro, também, que seja oferecido serviço de manobrista. A turma do blog Mão na Roda também agradece. Bjs."
    Tomei a liberdade de incluir vcs.
    Acho o blog ótimo e necessário!

    Resposta
    • sexta-feira, 24 de outubro de 2008 em 11:01
      Permalink

      Oi Rachel, obrigada pelos elogios e por fazer "propaganda" do nosso blog na coluna da Luciana Fróes. Seria muito bom se todos tivessem a mesma consciência que você. Mas aos poucos a gente vai fazendo as cabecinhas por aí. Obrigada pelas visitas tb! Abraços! Bianca

  • sábado, 25 de outubro de 2008 em 22:46
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    Oi, Bianca

    Sem contar q lugares sem acesso adequado atrapalham a vida de muita gente, mas o contrário não acontece.

    Uma escada impede um cadeirante de subir, mas uma rampa não obstrui o acesso de um andante;

    Um cego não consegue saber quando o sinal fecha, mas um sinal sonoro, até ajudaria os outros, mais disraídos;

    Uma porta mais larga não impede ninguém de usar o banheiro.

    Resposta
    • sábado, 25 de outubro de 2008 em 22:46
      Permalink

      Oi Rose, adorei seu comentário! É exatamente isso que as pessoas precisam entender! Posso publicá-lo no blog? bjos, Bianca

  • segunda-feira, 27 de outubro de 2008 em 22:53
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    "a arte de andar pelas ruas do Rio de janeiro", parafraseando o Rubem Fonseca, poderia ser o título do blogue. Mas vamo-que-vamo fazendo barulho pra defender a causa, que no fim das contas nem é só nossa.
    Aliás, to com umas fotinhos de um lugar cheio de acesso, hiper-bacana, em laranjeiras, pra mandar pra vocês a dica. Vou mandar no email do blogue.
    beijo!

    Resposta
    • segunda-feira, 27 de outubro de 2008 em 22:53
      Permalink

      Sim, sim. E haja arte para se locomover por aqui… Mas como vc mesma disse, vamo que vamo fazendo barulho! Alguém vai ter que escutar! beijos, Bianca

  • segunda-feira, 27 de outubro de 2008 em 13:34
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    Lógico q pode….nem precisava perguntar..

    bjos

    Resposta
    • segunda-feira, 27 de outubro de 2008 em 13:34
      Permalink

      Legal! Já coloquei lá! beijos, Bianca

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