Mão na Roda em Paris – circulando pela cidade
Eduardo Camara - terça-feira, 28 de outubro de 2008 - 10:02
Assim como Regina Duarte, eu tinha medo. Mas de Paris! Meu francês inexistente, coca-cola a 5 euros, a fama de ranzinza dos franceses, ruas estreitas e antigas, prédios seculares e mais um monte de coisas que eu – cadeirante neurótico e medroso – achava que tornariam uma estadia na cidade tão agradável quanto uma lua de mel em Bagdá.

Sorte minha que existe Internet, sites e blogs como o Mão na Roda, que ajudam a acabar com esses medos bobos (é, agora os considero bobos!) comuns a tantos cadeirantes. Paris fez muitos progressos na questão da acessibilidade e barreiras arquitetônicas não são mais um problema para visitar a cidade.
A melhor maneira de conhecer a capital francesa é a pé. Ou de rodinhas, se preferir. Não só as da cadeira, mas as de patins ou mesmo as das bicicletas disponibilizadas pela prefeitura através do Vélib , num esquema pega aqui e entrega acolá. Ótimo para uma cidade relativamente plana e onde as principais atrações estão perto umas das outras.
É bom planejar seu roteiro diário (de acordo com seus principais interesses), chegar a um ponto inicial e de lá fazer tudo a pé, sem ter que depender de ônibus ou metrô. Com exceção de Montmartre, Montparnasse e Quartier Latin, que têm ladeiras íngremes, as outras regiões por onde passei eram bem planas.
Sentiu fome? A cada esquina você encontra uma patisserie/boulangerie com pães, sanduíches e doces maravilhosos. Várias delas, assim como outras lojas, cafés e restaurantes, estão no nível da rua ou tem apenas um batente ou degrau na entrada. E vimos muitos lugares com rampa também! Ah, se der vontade de beber uma Coca-Cola sem ter que pedir empréstimo ao banco, é só entrar em algum mercadinho que o preço é quase o mesmo daqui do Brasil.
E na hora de ir ao banheiro? Não se preocupe! É comum encontrar banheiros públicos adaptados perto das atrações. E os que eu usei eram limpos, bem adaptados e de graça para pessoas com deficiência (é comum cobrarem por eles na Europa). Aliás, pessoas com deficiência também entram de graça em TODOS os museus de Paris, e ainda dá pra levar um acompanhante “na aba”. Até mesmo nas atrações pagas, como a Torre Eiffel, há um desconto na entrada.
Tá, mas e o transporte público? Pra quem vai de cadeira como eu, poucas estações do metrô são adaptadas, e servem uma área muito restrita. Por esse motivo, acabamos não testando o metrô parisiense. Já com os ônibus, a coisa melhora sensivelmente. Há diversas linhas acessíveis, e o site oficial dos transportes de Paris mostra todas elas, de forma atualizada. Sem falar na adaptação dos ônibus, que é perfeita: uma rampinha retrátil acionada automaticamente pelo motorista. Em dois tempos você está dentro do ônibus seguindo viagem. Nada de elevador lerdo que atrapalha a viagem dos outros.
Resumindo: dá pra visitar praticamente todas as principais atrações da cidade em 5 ou 6 dias. Mas é claro que você também pode passar 1 mês em Paris e mesmo assim não conseguir aproveitar tudo que a cidade tem a oferecer. É muita coisa para ver, sentir e fazer!
E se você ainda está em dúvida se vale a penar visitar Paris, mais fotos para te convencer! ;-)








Comentário feito por Leitora123
Gente! Paris é mesmo linda! Ficou ainda mais bonita agora que sei que é acessível! Parabéns pelo blog! Show!
Mão na Roda respondeu:
Comentário feito por Jairo Marques
Caraca, vou entrar em férias em breve e lendo suas dicas fico tentado, viu? Já conheço algumas partes das Zoropas, mas encarar novos horizontes, como vc mesmo escreveu, às vezes, dá uma insegurança. Mas, o meu lema é o de sair à rua sempre! É isso ai, excelente serviço. Abraço
Mão na Roda respondeu:
Jairo, aproveita, curte as férias na Europa, e depois coloca tudo em novos textos do blog! Abraços, Eduardo.
Comentário feito por Cristiane Martins Pereira
Estive na Europa no final de julho. Foram muitas alegrias, mas também algumas aventuras. Em Barcelona foi tudo absolutamente perfeito, a cidade é super acessível, mas em Paris foi mais complicado. Não achei as ruas tão adaptadas e raramente achava uma "rampa de verdade". Nem todos os ônibus são adaptados e o metrô… definitivamente não está preparado para deficientes. Tive muitas dificuldades e até me perdi naquele sistema complexo. O programa de assistência dos aeroportos com certeza foi o ponto forte da viagem. Fiquei muito contente com isso. Com certeza a próxima viagem será muito melhor.
Mão na Roda respondeu:
Oi Cristiane, legal você compartilhar as suas experiências! Acho que as dicas valem ouro e ajudam muito na hora de planejar a viagem. Barcelona também foi, de longe, a cidade mais acessível que visitamos! Abraços, Eduardo.
Pingback feito por Aventuras no Busão 2 « Blog Mão na Roda
[...] Esse tipo de ônibus com piso baixo é melhor também para todos os usuários “andantes”, pois não tem escada na entrada, apenas um degrau. A foto anterior já apareceu em um post anterior sobre Santiago e mostra um com piso baixo e rampa de acesso. Também já mostramos esse tipo de ônibus num post sobre Paris. [...]
Comentário feito por Patricia Lacerda
Olá, estou planejando ir a Paris em maio com meu filho cadeirante. Queria saber qual a melhor região para nos hospedarmos. Obrigada, Patricia
Eduardo Camara respondeu:
Oi Patricia,
Creio que as melhores regiões são a do Marrais (3a e 4a), ou então perto do Louvre, pois lá não há ladeiras e a dá para ir à pé a diversas atrações. Abraços e boa viagem!
Comentário feito por Patricia Lacerda
Obrigada Eduardo, depois dou noticias de como foi. Abraços.