Acessibilidade

Pias de banheiro: guia completo para cadeirantes

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Em um post anterior, a Gabriella fez uma excelente apresentação sobre as pias de banheiro adequadas para cadeirantes. Complementando aquela informação, apresento aqui alguns exemplos de pias construídas para facilitar a vida de um cadeirante com racionalidade (prática e fácil de usar), resistência (quase todo cadeirante se apóia na pia para usá-la), estética e economia (o bolso agradece).

O primeiro caso apresentado – e descartado – foi o da cuba de apoio. Um exemplo dessa cuba está na foto ao lado. É bonito, moderno, fashion, mas tem vários problemas. O primeiro é que a bancada fica muito baixa, na altura das pernas, impedindo a aproximação do cadeirante. Se a bancada for elevada, a borda da cuba ficará muito alta, ruim de usar. Além disso, as cubas costumam ter as bordas finas, o que é desconfortável quando se apóia os braços. Mas o pior é a forma de fixação à bancada sem boa rigidez. Com o tempo, pode se soltar e causar um acidente.

Outra opção é a bancada com cuba embutida, muito comum de se encontrar nos apartamentos mais novos. Tem a vantagem de a cuba ficar no centro da bancada retangular, facilitando a colocação de armários embutid… opa, eu falei armários embutidos? Isso é proibido para um cadeirante, pois impede a entrada da cadeira embaixo da bancada. Ninguém gosta de usar o lavatório de lado. Mas mesmo sem os armários, a cuba embutida tem alguns agravantes: como fica colocada logo abaixo da bancada, as alturas das duas peças se somam, reduzindo a distância ao chão de modo que fatalmente haverá um corpo estranho no caminho dos seus joelhos. Outra coisa é que a cuba fica relativamente afastada da extremidade da bancada: para lavar o rosto você encosta o peito na bancada e se molha todo. Ou então fica distante sem conseguir colocar o rosto totalmente sobre a cuba. Horrível para fazer a barba. Ainda tem o problema de que a superfície externa da cuba (a parte que os seus joelhos encontrarão) não costuma ser esmaltada, fazendo com que qualquer choque com a pele possa resultar em um ferimento.

Há também a cuba de semi-encaixe, que, na minha opinião, é o tipo mais adequado para um banheiro usado por um cadeirante. Junta o benefício da bancada acoplada com um sistema de apoio muito resistente. A altura do lavatório fica determinada apenas pela altura da cuba, ganhando alguns preciosos centímetros livres abaixo dela. A parte inferior da cuba fica aparente e costuma ser esmaltada, o que protege seus joelhos de arranhões caso ocorra um choque. Além disso, a extremidade do lavatório é a própria cuba, dá para chegar bem perto a ponto de colocar a cabeça inteira dentro da pia (já consegui fazer isso para testar). Sua montagem é mais fácil que a de embutir ou de sobrepor, já que o recorte do granito será retangular. No final, parece um lavatório comum com a bancada ao redor, mas na verdade a cuba de sobrepor vem com recuos laterais que dão o encaixe e acabamento na colocação sobre a bancada. Ao lado há duas fotos de lavatórios com cuba de semi-encaixe (adivinhem de onde são?).

E se o objetivo for economia usando um lavatório simples, sem bancada? Nesse caso as opções se multiplicam. Basta escolher um lavatório que possa ser fixado sem coluna, colocando apenas o sifão. Ou então um modelo com coluna suspensa, como na foto ao lado, onde a coluna se encaixa exatamente entre as pernas quando o cadeirante se aproxima. Para quem tem pouco espaço, uma opção é usar um lavatório de canto como o modelo mostrado na foto abaixo, uma peça única que já vem pronta para ser encaixada na parede.

Por último, quero aproveitar para desfazer um mito: cadeirantes NÃO preferem lavatórios pequenos. Outros deficientes também não. A única hipótese admissível para se colocar lavatórios pequenos é quando o espaço dos banheiros é reduzido, onde a redução do lavatório abre espaço para circulação e manobras. Não sei de onde veio esse costume, mas vejo muitos banheiros para deficientes com uma área enorme e com uma pia minúscula perdida lá no canto. Se há espaço, usem um lavatório de tamanho normal. Um modelo reduzido é péssimo, não dá para chegar perto da pia, as mãos não cabem direito, voa água para todo lado. Lavar o rosto, então, só se colocar uma tolha no colo. Pior ainda quando colocam uma torneira enorme cujo jato quase sai pra fora da pia… é banho na certa. Quem nunca passou por isso?

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

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5 Comentários

  1. Andrea de Oliveira sábado, 25 de junho de 2011 em 15:01 -  Responder

    Boa Tarde. Adorei a reportagem sobre pias. Estou construindo uma casa e quero deixar um banheiro para deficientes. Estou procurando bastante, mas não venho encontrado muita informação fácil. Esse site foi muito escalrecedor. Quero somente tirar uma dúvida… Estou vendo muitas opções de pias e uma que eu considerei foi a feita da própria bancada de marmore, coma pia sendo um lado angulado da pia, descendo até o sifão. Não tenho uma foto, mais pode ser achada aqui: http://crisartgranitos.blogspot.com/2009/08/lavatorio-com-cuba-esculpida-em-marmore_01.html Pelo que li, dependedno da altura da saia, ela ficará ok. Ou não?

    junho 28th, 2011 - 17:41
    Nickolas Marcon respondeu:

    Andrea, esse tipo de pia com cuba dentro do tampo de granito não é a melhor opção para acessibilidade, mas pode ser usada se forem tomados alguns cuidados:
    1. A distância entre a beirada do tampo de granito e o começo da cuba deve ser a menor possível, nunca maior que 5 cm.
    2. A altura da cuba até o chão não deve ser maior que a indicada para que seja alcançada por um cadeirante (consulte a norma NBR-9050 para obter as medidas).
    3. A peça frontal de granito, que cobre a vista do fundo da cuba, deve ser estreita para manter um vão livre com altura suficiente para que os joelhos do cadeirante passem por baixo, caso contrário ele não conseguirá se aproximar da bancada para utilizar o lavatório.
    4. Por último, não custa lembrar: em hipótese alguma devem ser colocados armários embaixo da bancada.
    Um abraço.

  2. juliane segunda-feira, 26 de setembro de 2011 em 21:46 -  Responder

    ola , vou começar a construir quero saber o preço medio da primeira pia, obrigada…

  3. Thalita Peron quinta-feira, 23 de outubro de 2014 em 12:54 -  Responder

    Que legal Nikolas! Hoje sou arquiteta e me preocupo muito com a acessibilidade de cadeirantes, fui pesquisar na internet sobre o uso e encontrei esse post seu! Bem legal, adorei!!!!

  4. Arq. Simone Keller Serau segunda-feira, 26 de setembro de 2016 em 17:51 -  Responder

    Oi Nikolas, sou arquiteta e prevendo problemas de locomoção dos meus pais, resolvi pesquisar o universo da acessibilidade… estava procurando entender os motivos porque os lavatórios sem pedestais são apresentados como sendo os mais indicados na maioria das matérias que leio…. e a resposta é lógica, mas a gente que não é cadeirante não se dá conta tão rápido, também por que preciso ter certeza do que especifico… Muito obrigada , precisamos de seus relatos para tornar nosso mundo cada vez mais acessível ! Um abraço !

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