Suuuuper especial

Especial? Fala sério!!!Quando li o texto que a Cris publicou ontem, morri de rir! Num primeiro momento. Logo em seguida me subiu uma certa raivinha: “como são hipócritas as pessoas, hein?”. Calma, eu explico.

Nunca fui fã do termo “pessoas com necessidades especiais”, muito menos de “pessoas especiais” (que acho ainda pior). Ambos me passam a impressão de discriminação e preconceito. Em relação ao primeiro deles, entendo que todas as pessoas do mundo tenham algum tipo de necessidade especial, por isso ele não deve ser aplicado apenas àqueles que tem algum tipo de deficiência física ou mental. Os diabéticos precisam de insulina, algumas pessoas que passam por algum tipo de intervenção cirúrgica, como a retirada da tireóide ou do útero, necessitam repor hormônios para o resto da vida. Muitos deprimidos tomam prozac, aqueles que não sabem fazer contas de cabeça, usam uma calculadora e as pessoas com deficiência física precisam de uma rampa ou elevador para subir alguns andares. Percebem?

O segundo termo me irrita ainda mais. “Pessoas especiais”. Juro! Antes mesmo de começar a namorar o Dado, eu já não gostava de usá-lo, nem de ouvi-lo. Acho hipócrita, ridículo até. Dizer que uma pessoa com deficiência física ou mental é especial, carrega uma forte característica de exclusão e preconceito. Catei a palavra no iDicionário Aulete e tive a certeza de que não estava enganada. Vejam:

especial
1. Que não é geral, mas específico, particular: Recebeu instruções especiais para a missão.
2. Que é exclusivo para uma pessoa ou um grupo de pessoas
3. Que é próprio de uma espécie: ônibus especial da empresa.
4. Que tem aplicação específica; ESPECÍFICO; PECULIAR
5. Que é fora do comum: produto especial para diabéticos.
Etc etc etc (para ler o verbete completo, clique aqui)

Pois é. Nunca achei esse termo simpático. Parece-me que as pessoas que o usam, sentem uma mistura de culpa, pena e constrangimento, e acham que chamar as pessoas com deficiência de especiais, ameniza essa sensação. Gente, não é preciso esconder nada! Quanto mais a gente acoberta a deficiência de alguém com neologismos que tentam amenizar as diferenças, mais a gente contribui com a discriminação e menos a gente se aproxima de uma sociedade igualitária.

E pra estar certa de que não iria dizer nenhuma besteira, dei uma pesquisada na internet, antes de escrever este texto. Pra minha sorte e alegria encontrei um texto excelente, escrito em 2005 por Romeu Kazumi Sassaki, que explica a origem e a evolução de todos os termos utilizados até hoje para denominar as pessoas com deficiência. Sua conclusão, por sinal, era a que eu imaginava: as próprias pessoas com deficiência preferem e querem ser chamadas assim. E ponto final!

. . .

Para ler o texto de Romeu Kazumi Sassaki, na internet, clique aqui.
Para fazer download do texto, clique aqui.

6 thoughts on “Suuuuper especial

  • 16 de dezembro de 2008 em 16:47
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    Não entendi… Qual é a sua proposta??

    Chama logo de Aleijado??? Deficiente?? Faz como???

    Resposta
    • 16 de dezembro de 2008 em 16:47
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      Oi Eduardo, desculpe-me, acho que não fui muito clara na minha conclusão. O que quis dizer está na última frase do texto. Quando digo: "as próprias pessoas com deficiência preferem e querem ser chamadas assim", quis dizer que elas preferem ser chamadas assim: pessoa com deficiência. Valeu pelo comentário. Abs, Bianca

  • 17 de dezembro de 2008 em 11:05
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    Otimo! ficou esclarecido para mim agora!!!

    Poxa.. algumas questões são realmente SUPER complicadas!!!!

    Abraço e Otimo BLOG!

    Resposta
    • 17 de dezembro de 2008 em 11:05
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      Que bom que ficou esclarecido! Qualquer outra dúvida, comente sempre! Abs, Bianca

  • 17 de dezembro de 2008 em 11:35
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    Olha eu tenho uma irmã paralitica desde de criança,nunca a chamei de deficiente,nunca a considerei diferente e jamais em tempo algum pra mim ela será impossibilitada. Ela pra mim é um tapa na minha cara é engenheira de uma empresa,já fez varias outras faculdades,casou teve 2 filhos e enquanto eu sou "normal",não fiz a metade do que ela fez na vida de construtivo.

    Resposta
    • 17 de dezembro de 2008 em 11:35
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      Pois é, Simone, eu sempre digo que conheço pessoas que andam muito mais dependentes e incapazes de agir e viver, do que várias pessoas com deficiência. bjos, Bianca

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