E as diferenças? Onde ficam?

símbolo de diferençaNão basta ser independente, tem que voltar a andar. Outro dia, numa conversa com minha chefe, ela me elogiava, pois me vê indo para todos os lados sem problemas, dirigindo, indo ao banheiro sozinha (a gente escuta cada uma, né?), e achando super bacana minha independência. Mas como se não bastasse levar uma vida normal, ela lançou: "Mas não rola de você voltar a andar?". Confesso que a primeira resposta que passou pela minha cabeça foi: “Não, tenho preguiça. Prefiro ficar sentadinha aqui”. Mas como mammy me ensinou a não ser respondona, me contive e disse apenas que não dava, que minhas esperanças estavam nas células tronco, e encerrei o assunto por aí.

O que quero dizer com isso é que me impressiono com a dificuldade que as pessoas têm em aceitar as diferenças. Sejam elas quais forem: deficiência, cor, religião, time de futebol, comida etc. Outro dia, conversando com uma amiga, ouvi ela reclamar que o carinha com o qual está saindo é muito relaxado, não gosta muito de se arrumar, e que ela ia terminar o que quer que eles tinham por causa disso. Como assim??? E as qualidades, onde ficam? Quer dizer que as pessoas têm que ser um reflexo exato de nossas expectativas? Onde está a tolerância? No caso dos cadeirantes, então, como a deficiência é visível, ela se torna "inaceitável". Isso só aumenta o preconceito. Felizmente vivemos num mundo cheio de diferenças. Afinal, seria um tédio viver em um planeta onde todos são iguais, pensam igual…

Que tal crescer e aprender com as diferenças, e não tentar "consertá-las" para que não tenhamos que lidar com nossas próprias idiossincrasias? Por que o diferente assusta tanto? Eu, hein! viva a diferença!

16 thoughts on “E as diferenças? Onde ficam?

  • 9 de janeiro de 2009 em 01:49
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    AAAhhh… mas ainda vão ver muita graça das diferenças!!!
    O blog é perfect!
    Venho sempre e silenciosamente, hj resolvi deixar minha marquinha por aqui!!!
    Gde bjo a vcs!!
    Sucesso em 2009!!!

    Su
    http://segundapele.blogspot.com

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    • 9 de janeiro de 2009 em 01:49
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      Oi Su, venha sempre sim, e deixe mensagens sempre que puder e quiser ! Bjs, Cris.

  • 9 de janeiro de 2009 em 12:07
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    Já passei por várias situações dessas tbem,mas só que nao me contive em responder com humor que "Tenho preguiça de andar"…rsrs!Tem aquelas situaçoes tbem onde aparece aqueles irmãos de igreja dizendo que DEUS vai nos curar(algo que acredito),mas que nao busco,pois sou feliz sendo "cadeirudo".Como dizia Carlos Drumond de Andrade "Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."
    Beijos e Abraços.

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    • 9 de janeiro de 2009 em 12:07
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      Oi Leandro, acho que as pessoas sempre vão nos fazer esse tipo de pergunta, não tem jeito. Linda a frase do Drummond, como sempre ! Bjs, Cris.

  • 9 de janeiro de 2009 em 15:25
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    "Não, tenho preguiça" foi MARAVIWONDERFUl ahahahahhah… As pessoas têm mesmo muita vontade que a gente ande. Já escrevi sobre isso também…. Enquanto não entenderem que ser cadeirante, ser deficiente pode não ser apenas um "estado", a coisa é complicada. Ótimo texto, Cris.

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    • 9 de janeiro de 2009 em 15:25
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      Oi Jairo, muito obrigada ! Acredito que sempre vamos ouvir coisas do gênero, acho que a intenção quando falam isso é boa. Mas tá no hora das pessoas entenderem que nem todos tem como ser a Gisele Bundchen, né ? rs. Dá pra ser feliz sentado ! Bjs, Cris.

  • 9 de janeiro de 2009 em 17:15
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    A verdade é que o mundo não sabe lidar com diferenças. Mas todo mundo vive pregando um mundo sem muros e de seres iguais. Hipocrisia e ilusão. A vida é mais que isso. Mas não fomos educados para lidar com as diferenças na forma de aceitação. O diferente só é aceito quando está do outro lado do mundo. Quando está no redor, piramos. Queremos que fulano seja do nosso time, da nossa religião, que ande, que fale, que sorria. Complicado. Mas tenho certeza que com paciência a coisa pode ser vivida de uma forma mais tranquila para todos. O mito do ideal do cadeirante de voltar a andar, realmente, é muito complicado. Ele é estimulado pelas novelas e filmes, onde sempre tem alguém que volta a andar. Ou que quer morrer se isso não acontecer. Acho que o trauma de uma deficiência é complicado mesmo. As pessoas sofrem pq a vida muda sem aviso. Tira o chão. Mas tb é preciso trabalhar com a realidade, com as possibilidades. E é isso que as pessoas não entendem muitas vezes.

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    • 9 de janeiro de 2009 em 17:15
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      Oi Jaqueline, infelizmente as pessoas não sabem lidar com o diferente, concordo com você. Mania que o ser humano tem de achar que todo mundo tem que ser igual, mesmo numa época em que se fala tanto em aceitar as diferenças. No caso de uma cadeira de rodas acho que isso marca muito pois remete ao outro que todos temos alguma deficiência, visível ou não. Sei lá. Obrida pelo seus comentários, sempre reflito muito sobre o que você nos escreve. Bjs, Cris.

  • 16 de janeiro de 2009 em 22:13
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    Veremos o quão importante é trazer para a mente humana, A REVOLUÇÃO RADICAL.

    E considerando o que o mundo é hoje, com toda a miséria, conflitos, brutalidade destrutiva, agressão, entre outras coisas… O homem AINDA é o mesmo de antes.

    Ainda é bruto, violento, agressivo, acumulador, competitivo… E ele construiu uma SOCIEDADE nesses termos.

    O que estamos tentando com toda essa discussão e retórica, é ver que não podemos mais fazer acontecer uma radical transformação sem a mudança da mente.

    Não devemos aceitar as coisas como elas são, mas sim entendê-las, mergulhar nelas, EXAMINÁ-LAS. Use seu coração, a sua mente e tudo o que você tem para descobrir um jeito DIFERENTE de viver.

    Mas isso depende de VOCÊ e de mais ninguém. Pois nisso não existe professor nem aluno, não há LÍDER, não há "guru" nem muito menos mestre, não há UM SALVADOR.

    VOCÊ MESMO será o professor, o aluno, o mestre, o "guru", o líder. Você É TUDO…

    E… "ENTENDER É TRANSFORMAR O QUE EXISTE."

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    • 16 de janeiro de 2009 em 22:13
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      Oi Christian, é verdade, enquanto as pessoas não mudarem sua forma de pensar as coisas vão continuar as mesmas. Bjs, Cris.

  • 16 de janeiro de 2009 em 14:09
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    Parabéns, Cris!

    “Não, tenho preguiça. Prefiro ficar sentadinha aqui”
    Muito, muito bom! rsrs

    Cheguei ao blog através do Bengala Legal e A-D-O-R-E-I!!!

    Um grande abraço

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    • 16 de janeiro de 2009 em 14:09
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      Oi Mariana, bem vinda ao Blog ! Que bom que gostou ! Bjs, Cris.

  • 18 de janeiro de 2009 em 19:05
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    Olá, também passo por essas "experiências" com algumas pessoas, como já estou há 8 anos com cadeirante, sempre encontro um retardado tentando encontrar uma solução. Aceito muito bem, minha atual situação, a maioria dessas pessoas não aceitam, é impressionante.

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    • 18 de janeiro de 2009 em 19:05
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      Pois é Amaury, ontem mesmo um senhor me abordou perguntando "se não tinha jeito". As pessoas tem dificuldade em aceitar a cadeira de rodas. Vai entender. Bjs, Cris.

    • 10 de julho de 2010 em 21:21
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      Marcilio,

      Acabei achando o e-mail do Amaury em outro comentário e repassei tanto seu e-mail quanto os telefones para ele!

      Abraços!

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