O gênio da lâmpada e eu

lamparinaEstávamos, Dado e eu assistindo a um programa de tv daqueles onde vários casais têm seu relacionamento posto à prova através de perguntas. Os homens tinham saído do palco e o apresentador, entre outras coisas, perguntou às mulheres qual seria o pedido de cada uma delas, caso se deparassem com um gênio da lâmpada. Depois os homens voltavam à cena e tinham que adivinhar qual tinha sido a resposta de suas esposas.

Entrando na brincadeira, o Dado me perguntou qual seria meu pedido a um gênio da lâmpada. Naturalmente olhei pra ele e respondi que, como estamos em fase de obras no apartamento que acabamos de comprar, desejaria que ele estivesse pronto pra morar amanhã mesmo.

Estranhei a cara de surpresa que ele fez. Rindo, ele olhou pra mim e disse: “Achei que você fosse pedir para que eu voltasse a andar”.

Em uma fração de segundos me senti totalmente desconcertada. Como diabos eu não tinha pensado nisso??? Como pude me esquecer desse detalhe?!

E a resposta é justamente essa. Eu me esqueci que ele é cadeirante. Esqueci que ele não anda, que não pode subir escadas, andar de bicicleta, jogar futebol, sapatear, ir a lugares de difícil acesso. Esqueci, da mesma forma como esqueço desse detalhe todos os dias, pois pra mim, ele não faz a menor diferença.

E de repente me peguei pensando como seria a nossa vida se ele voltasse a andar. Só então me dei conta de que faria, sim, uma enorme diferença. Nossa vida precisaria ser toda repensada, teríamos que nos readaptar à nova situação. Da mesma forma que me adaptei à situação atual e da mesma forma que o ser humano se adapta sempre que é confrontado com mudanças, pequenas ou grandes.

Ainda assim, ele me lembrou: “Olha, se você um dia se deparar com um gênio da lâmpada, não se esquece de pedir pra eu voltar a andar, tá?”

16 thoughts on “O gênio da lâmpada e eu

  • 9 de fevereiro de 2009 em 21:47
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    um dia, uma mulher me fez uma oraçao e disse que se eu quisesse andar, era só ter fé e depois e depois essa pessoa perguntou se isso era a coisa que eu mais queria na vida, eu respondi que minha prioridade no momento era concluir meu primeiro longa metragem. a mulher ficou olhando pra mim sem entender. é aquilo que vc falou, minha normalidade é estar na cadeira de rodas, é claro que queria voltar a andar, até acredito em milagres, mas fazer meu primeiro longa é mais facil do que um milagre. se ela nao me entendeu paciencia, eu mesmo me entendo sozinho.

    abs

    julio pecly

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    • 9 de fevereiro de 2009 em 21:47
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      Oi Julio, acho que sua resposta foi mais realista. E como você mesmo disse, estava mais próxima de ser realizada e por outro lado, seria uma conquista sua, o que tb nos deixa sempre muito felizes. Entendo muito bem sua resposta. Abraços, Bianca

  • 9 de fevereiro de 2009 em 11:19
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    Tambem pode ser que você nem tenha pensado nisso por ter uma forma realista de encarar as coisas. O pedido do apartemento, afinal, é algo dentro dos limites do possível.

    Eu pensaria na cura da minha esposa, "muletante" (qual o equivalente de cadeirante?). Mas seria melhor se eu pedisse o poder de curar pra mim, eu a curaria e à outras pessoas. Depende da imaginação, da ideia de limites.

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    • 9 de fevereiro de 2009 em 11:19
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      Oi Gersonbo, meu namorado disse a mesma coisa. Q tvz eu não tenha pensado nisso, por estar fora do possível atualmente. Mas acho que foi mesmo por não ter me dado conta. A gente realmente esquece desse detalhe no dia a dia. E sim, muletante é o equivalente a cadeirante para quem usa muletas. Abraços, Bianca

  • 9 de fevereiro de 2009 em 14:27
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    Nossa Bianca, este post me fez pensar. Como seria se…? Acho que estas reações são normais pq conhecemos as pessoas e aquela imagem fica. Se vc conehceu seu namorado cadeirante, seu namorado é cadeirante e ponto final. Não tem intererrogações sobre causas e mudanças. Com isso, a gente se esquece que nem sempre a situação foi essa e até mesmo que um dia isso pode vir a mudar. Mas, desde que feito com cautela e pouca melancolia, acho interessante o exercício de imaginar como seria se… Talvez o relacionamento ganhasse em algumas coisas, ou não. O que importa é que fazemos da relação de hoje a melhor que podemos.

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    • 9 de fevereiro de 2009 em 14:27
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      Oi Jaqueline, a situação tb me fez pensar muito. Como seria se… É um exercício que o ser humano faz o tempo todo, não tem jeito, se não sonhamos, não seguimos em frente. Mas o mais curioso foi pensar em como seria se ele realmente voltasse a andar. Qual seria o impacto disso na nossa relação? Como lidaríamos os dois com isso? Com certeza não seria a mesma coisa. E mesmo que saiba que isso é praticamente impossível, a brincadeira de imaginar é sempre divertida. Abraços, Bianca

  • 10 de fevereiro de 2009 em 09:32
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    Que lindo isso, Bianca!
    Parabéns, o amor não exclui, não julga…é apenas AMOR!

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    • 10 de fevereiro de 2009 em 09:32
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      Pois é, Evandro… o amor. E olha que eu nem sou das mais românticas da face da terra. Mas olha… ele existe, sim. Abraços, Bianca

  • 10 de fevereiro de 2009 em 12:24
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    Legal, Eduardo! E desde já me ponho à disposição pra colaborar.
    Abraço!

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  • 10 de fevereiro de 2009 em 13:58
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    Eu comprei uma cadeira nova, mt mais leva compacta e estou "pintando o 7", curtindo meu brinquedinho novo…mas se daqui a 1 mês alguém tiver com um gênio aí..pode me incluir..kkkkkk

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    • 10 de fevereiro de 2009 em 13:58
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      Oi André. Podexá q se o gênio bater à nossa porta, a gente inclui você no pedido! Abraços, Bianca

  • 9 de fevereiro de 2009 em 19:18
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    Essa história me fez lembrar de uma questão que eu já havia pensado outra vezes que passei aqui no blog, e que talvez fosse um tema interessante pra vocês escreverem: as diferenças entre um cadeirante que já foi andante e um que nunca andou.
    Assim que li, pensei: realmente esse não é um pedido que eu faria a um gênio da lâmpada. Sinceramente, eu, que sou deficiente de nascimento, não faço a menor questão de um dia poder andar. Até porque eu considero que já ando – de cadeira, mas ando!

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    • 9 de fevereiro de 2009 em 19:18
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      Oi Heitor! Cara, isso tá anotado aqui há um tempão, mas eu assumo toda culpa por não ter escrito até hoje. Eu me lembro desse post, que gerou um monte de comentários interessantes, entre eles o seu. Vamos abordar esse assunto, sim! Grande abraço, Eduardo.

  • 11 de fevereiro de 2009 em 21:43
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    Oi Bianca e Edu
    Tomei conhecimento do blog de voces e ja estou fisgado. Raras as vezes que encontro algo tão agradavel de ler, pricipalmente quando o assunto é sobre esse tema. Sou cadeirante ha 35 anos, tenho 67 anos de idade, casado e acho que vivo bem. Gostaria imenso de colaborar enviando-lhes alguma coisa que escrevi ha algum tempo sobre os percalços da deficiência, de uma forma humorística, sem o lado negro e gostaria que voces me dessem a oportunidade de apresentar esses trabalhos, que estão sujeitos a críticas e sugestões.
    Meu e-mail é robertto.l@terra.com.br e gostaria de receber uma resposta sobre o que falei acima.
    Abs. Roberto

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    • 11 de fevereiro de 2009 em 21:43
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      Oi Roberto, acho que o Dado já respondeu seu comentário em outro post, mas envio novamente nosso email de contato: maonaroda.blog@gmail.com. Escreva pra gente! Abraços, Bianca

  • 25 de fevereiro de 2009 em 14:16
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    vcs são dois fofos mesmo, né….rs

    me lembrei de como me apaixonei pelo casal do livro Crepúsculo – Stephenie Meyer, ele um vampiro e ela uma adolescente comum que, como diferencial tem apenas a capacidade de ver seu amor com a mais pura naturalidade.

    bjos, mininos.

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