Nova Iorque – cidade para todos

Em fevereiro último, estive em Nova Iorque. Fiquei um pouco apreensiva antes de viajar, pois não sabia bem como era o acesso na cidade para uma cadeirante como eu, mas fiquei muito feliz com o que encontrei.

Rua de Nova IoqueAndar em NY é bastante simples. Apesar de o transporte público ser adaptado, pelo menos a maior parte dele, para mim a melhor forma de conhecer uma cidade é andando. Vale pegar o ônibus para chegar a determinados pontos mais distantes e, dali, fazer uma caminhada. Até porque a cidade te convida a isso. Mesmo no inverno as pessoas fazem muita coisa a pé. E acreditem, tava frio “pra carai”. Quando estive lá, a média de temperatura ficava em torno de 0º Celsius. Brrrrrrrrrrrr, frio mesmo. Mas como disse, nem o frio pareceu tirar as pessoas da rua.

Calçada em Nova IorquePor falar em rua, elas são todas lisas, nada de pedrinhas portuguesas (Amém!!!) e pelas várias ruas que circulei, encontrei apenas 2 esquinas sem rampas. Mas como a calçada é baixa, uma empinadazinha resolve. Ou então você dá uma volta maior e vai pelo lado que tem rampa. Nem todas as rampas são 100%, passei por algumas que eram meio ruinzinhas, mas nada impossível – entendam, ruinzinhas no meu conceito de medrosa. Conheço cadeirantes que iam achar a rampa super tranqüila.

O único problema que achei em relação às calçadas é que algumas são inclinadas para o lado, dificultando na hora de tocar a cadeira. Você acaba andando em zig-zag. Confesso que em alguns momentos sonhei com uma cadeira motorizada ou uma scooter pra circular pela cidade. Mas acabei apelando para mammy, que me ajudou bastante. Até porque com o frio, o aro da cadeira ficava congelado e acabava queimando minha mão.

Sinalização de entrada para cadeirantes no "Teachers College"Tirando isso, diria que o acesso é excelente em Nova Iorque. As lojas não possuem aquele famoso degrauzinho pra entrar, é tudo no nível da rua mesmo. A maioria dos lugares possui porta giratória, mas não se assuste, ao lado sempre tem uma porta normal pra passar com a cadeira. Porta essa que está sempre aberta, diga-se de passagem. Não precisa pedir pra ninguém destrancar. Vi muitos lugares indicando onde fica a entrada acessível, colocando uma seta, o nome da rua e o símbolo internacional de acesso. Todos os lugares que visitei, principalmente as lojas, restaurantes e cafés, possuem alguma rampa ou elevadores quando necessário, e pasmem: alguns tem até banheiro adaptado! Eu estava preocupada em andar na rua e não encontrar nenhum banheiro pelo caminho, mas nem com isso tive dificuldade.

Sinceramente, vi pouquíssimos problemas, e nada que não fosse facilmente contornável. Nova Iorque é, definitivamente, uma cidade para todos.

Comentários

Comentários

6 comentários em “Nova Iorque – cidade para todos

  • quarta-feira, 18 de março de 2009 em 22:09
    Permalink

    O tio tava pensando em passar as férias, em julho, por lá… agora.. estou certo! Brigadão pela dica… escreve mais?!

    Resposta
    • quarta-feira, 18 de março de 2009 em 22:09
      Permalink

      Oi Jairo, dou a maior força, a cidade é tudo de bom e mais alguma coisa! Tem mais posts sobre NY, é só aguardar. Mas se quiser alguma dica mais específica é só falar! Bjs, Cris.

  • quarta-feira, 18 de março de 2009 em 18:29
    Permalink

    Boa pedida Cris… Nova Iorque é mesmo tuuuudo de bom. Tirando meia dúzia de rampas mais chatas e algumas calçadas inclinadas, andar com a cadeira pela cidade é facílimo. Lá não vi NENHUMA entrada para lojas/prédios/etc. com degraus, e olha que também andei bastante. Será que aqui no RJ ninguém pensou em fazer calçadas assim? Pior: já ouvi de vários lojistas de uma rua reformada pelo Rio-Cidade que a prefeitura não permitiu a construção de rampas na calçada nova. Alguém sabe me dizer o que pensam os administradores dessa cidade???

    Resposta
    • quarta-feira, 18 de março de 2009 em 18:29
      Permalink

      Nem me fale Nickolas. Depois de ir a um lugar onde se tem tanta facilidade, vc fica pensando pq aqui não é igual. Pra mim acesso é muito mais uma questão de consciência e boa vontade. Infelizmente nossos governantes não pensam assim… Se é que pensam em alguma coisa. Bjs, Cris.

  • quinta-feira, 23 de junho de 2011 em 16:48
    Permalink

    Olá pessoas,

    Meu nome é Tereza Canuto e retornei a três dias de uma viagem, onde conheci New York.
    Tive poliomielite aos 8 meses de idade isso a uns 40 e alguns anos atrás. Não uso cadeira de rodas; normalmente me locomovo com o auxílio de uma órtese e uma muleta canadense.
    Mas como agora estou num processo difícil de fragilidade óssea, sob recomendação médica e de meu marido, rsrsr alugamos uma scooter .
    Aqui no Rio já usei aquelas cadeiras de supermercado no Wall Mart, ano passado na Califórnia também, mas quando imaginei sair com aquele “veículo” em plenas ruas novaiorquinas, confesso que tive receios.
    Vencidas as primeiras dificuldades para manusear, dar ré, curvas etc, me senti a própria… rsrsrs
    Foi muito interessante essa experiência, pois as pessoas na rua caminhando de frente a você, elas desviam numa boa; as lojas, somente numa eu deixei a cadeira na porta e subi dois degraus; nas demais entrava de cadeira e tudo.
    Visitei lugares onde se alugam cadeiras o que é bastante confortável. Pegar taxi com a scooter achei mais complicado e assim , tudo o que podíamos fazer a pé, fizemos com muito gosto.
    Foi muito bom sentir confiança em atravessar nos sinais vermelhos mesmo que a velocidade da cadeira não seja a máxima, mas também pra que? Gostoso foi apreciar tudo de mais bonito naquela cidade.
    Depois em Toronto, tive mais surpresas boas… em cadeira de rodas comum, visitamos vários campus universitários e nos deslocamos de metrôs, street cars e ônibus, todos com piso baixo ou as rampas que o próprio motorista aciona.
    Não é necessário você pedir ajuda para entrar ou usar porque tudo funciona, grandes botões redondos do lado de fora das portas dos elevadores, permitem que mesmo estando sozinho, o cadeirante abra a porta. Isso é cidadania!
    Os elevadores já nos deixavam nas plataformas de embarque. Como ando mesmo com dificuldade, um desses metrôs que pegamos era no subsolo, mas tinha escada rolante, e meu marido fechou a cadeira e eu subi a escada.
    Moro no Rio a três anos e honestamente, me entristeceu perceber que apesar de ser uma cidade tão conhecida e falada internacionalmente, os nossos governantes e suas equipes ainda não tem a consciência da necessidade de acessibilidade para nós,
    que precisamos do mínimo para nos deslocar, ir e vir, resolver a nossa vida como qualquer pessoa. Para trabalhar, tenho dificuldades para usar o metrô, pois as escadas me tiram a possibilidade de locomoção, isso quando me atrasam minutos ou horas.
    Fiz a experiência por um tempo e desisti pois o stress é muito grande, quando se tem hora marcada e dificuldade para andar tem-se que sair umas duas horas antes pra chegar ao destino e não atrasar .
    Embora voltemos dessas viagens encantados com aquilo que na verdade é tão mínimo… e nos deparamos com zilhoes de barreiras, e pedrinhas soltas pelas calçadas… e ônibus cujas escadas para entrar são muito distantes do chão… e cobradores e motoristas impacientes quando um cadeirante o aguarda no ponto do ônibus, porque sabem que aquele (a) cidadão (ã) vai atrapalhar seu horário… dá uma canseira muito grande.
    Ô gente, não é por nada não, mas a turma aqui é bem complicada… só não podemos é perder a esperança de que somos capazes de falar e mostrar que existimos, não tem como a sociedade negar mais a nossa presença.
    Aqui vai também um comentário sobre lojas nas ruas, no centro do Rio então, sem comentários, casas de shows, banheiros, alguns restaurantes, é aquela situação meio esquisita: eu quero entrar no seu estabelecimento, e você não me oferece as condições; daí eu fico frustrada por não poder entrar e o dono também , ou as vezes ele me ignora ou me constrange… sabe do que? Não faço mais isso, gasto o meu dinheiro onde me sentir bem atendida e em condições favoráveis.
    Estarei ligada para falar de mais experiências, e agradeço pela oportunidade de me colocar.
    Meu e-mail é tecanuto2005@gmail.com
    Um grande abraço.

    Tereza Canuto

    Resposta
  • terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 em 22:58
    Permalink

    Boa noite. Ja estive varias vezes em Nova York com minha familia. Minha filha que hoje tem 14 anos é cadeirante mas nunca fui com ela usando cadeira, somente carrinho que ela usou até os 12 anos ( mc laren que me quebrou muito galho ). Agora, neste dia 15 de março 2012 estamos indo com cadeira. Gostei muito de tudo que lí, excelentes as colocações. Realmente a cidade é maravilhosa e preparada. Estou pensando em comprar uma Scotter da Pride para ela, chamada Go Go, caso alguem saiba onde ou conheça por favor informe aqui. muito obrigado Dady

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Connect with Facebook

Pin It on Pinterest