Espaço do Leitor – Ônibus adaptado em Niterói

Para inaugurar o espaço do leitor Mão na Roda escolhemos o texto da nossa leitora Lucília Machado, no qual ele descreve a felicidade que sentiu ao pegar um ônibus adaptado em Niterói pela primeira vez. Obrigada pelo texto, Lucília!

. . .

Hoje andei de ônibus adaptado com elevador especial para cadeira de rodas, na linha 47, da Viação Araçatuba, na cidade de Niterói. Uma experiência nova e gratificante, além, é claro, mais econômica. Confesso que me senti privilegiada com a novidade, sensibilizada com a gentileza e a educação do motorista e do trocador que desceram o elevador e a rampa, e depois me colocaram no local reservado e prenderam a minha cadeira de rodas com cintos de segurança. Na verdade, eles não estão fazendo nenhuma boa ação, porque o acesso das pessoas com deficiência ao transporte público é um direito adquirido por Lei, até então ignorado pela Prefeitura da minha cidade (e pela maioria dos municípios brasileiros) e descumprido pelas empresas de ônibus.

E como bem definiu a colega cadeirante Solane Carvalho “É um sonho poder andar de ônibus sem muitas dificuldades. Só quem vive esse tipo de situação sabe a grandiosidade dessa experiência – que para a grande maioria, o ato de entrar num ônibus, é rotina, para nós é a realização de um longo desejo de liberdade, autonomia e cidadania real. Vamos ocupar os assentos e marcar nossa presença. E brigar, se necessário, para que as outras empresas de ônibus adquiram novos carros adaptados.”

Pelo que eu soube essa conquista é resultado de muita luta do segmento, encabeçado pelo Conselho Estadual e Municipal da Pessoa com Deficiência de Niterói (COMPEDE) e o Conselho Estadual para a Política de Integração da Pessoa com Deficiência do Estado do Rio de Janeiro (CEPDE).

Segundo o Presidente do COMPEDE, Márcio Aguiar, “Serão, a princípio, 12 veículos que circularão em quatro linhas da cidade: quatro na linha 47, quatro na linha 30, dois na 47A e dois na 47B. Todas servindo o Centro e a Zona Sul de Niterói. Os ônibus contam com ar condicionado e um elevador na porta central. Os carros circularão de seis em seis minutos. O tempo estimado para embarque e desembarque é de três minutos (um minuto e meio para o embarque, um minuto e meio para o desembarque). Os motoristas foram treinados pela empresa Ortobrás para operarem o equipamento.”

Ainda de acordo com as informações de Márcio, a empresa Ingá, que opera as linhas 31e 49, também adquiriu três veículos que começaram a operar, mas foram retirados por falta de treinamento para a operação dos elevadores.

Email enviado em 01/03/2009

Comentários

Comentários

8 comentários em “Espaço do Leitor – Ônibus adaptado em Niterói

  • sábado, 21 de março de 2009 em 21:54
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    Uhul! Eu to com planos de começar a ir de ônibus pra faculdade, desde que soube dessa novidade em Niterói. O problema é que a UFF não é adaptada… Então só com uma cadeira motorizada. Nunca tive tanta vontade de andar de onibus!
    Acabei não indo lá naquele dia… Fiquei gripada e morreu a pilha. Quando for mesmo mando o post pra cá!
    Beijos!

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    • sábado, 21 de março de 2009 em 21:54
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      Resposta da Lucília, enviada por email: Em relação ao comentário de Ticipoubel, eu gostaria de dizer que apesar da Universidade Federal Fluminense ainda não ser uma universidade adaptada, existe um movimento neste sentido, liderado pelo recém aprovado NÚCLEO SENSIBILIZA UFF, voltado para a inclusão da pessoa com deficiência.O núcleo é resultado de um esforço conjunto de professores, funcionários e alunos de vários setores da universidade e instituições parceiras, com o objetivo de promover a acessibilidade das pessoas com deficiência, transtornos do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação ou outras necessidades educacionais especiais, por meio da redução de barreiras arquitetônicas, comunicacionais, metodológicas, instrumentais, programáticas e atitudinais enfrentadas pela comunidade interna e externa à UFF.A sede, que será inaugurada em breve, vai funcionar no subsolo da Biblioteca Central, no Campus do Gragoatá. Por enquanto. O contato pode ser feito através do e-mail sensibilizauff@vm.uff.br

  • domingo, 22 de março de 2009 em 00:36
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    Acho a medida necessária e obrigatória, todos vemos que muitas pessoas tem dificuldade para locomoção um direito básico de todos! O que seria sempre bom lembrar que aqui no Brasil somos privados de vários direitos que vemos em outros paises! São milhares de problemas como esse que não são resolvidos, sendo que existe uma entidade chamada governo que recebe um valor enorme para atender a população! Quando vejo a felicidade da passageira por poder andar de önibus com conforto e segurança espero que todos colaborem para isso, pois são coisas como essas que levamos da vida!

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  • domingo, 22 de março de 2009 em 02:51
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    Nao sou cadeirante e moro nos US (caiifornia) onde isso (e outras coisas) funcionam muito bem. Mesmo assim, leio o blog constantemente e fico feliz com a noticia. Espero que muitas outras noticias boas como essa acontecam.

    Abs!

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  • segunda-feira, 23 de março de 2009 em 17:30
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    Nossa, me senti feliz agora! Moro em NIterói e já vi os ônibus adaptados da Viação Ingá. Mas saber que alguém que realmente precisa está usando é uma satisfação enorme. Niterói não é uma cidade adaptada e na área de transporte, a coisa complica. Um cadeirante precisa ou pedir o serviço de transporte da prefeitura ou ter um carro. Segunda opção é mais frequente. Que este exemplo embala outras empresas da cidade, as que fazem o trajeto da Região Oceânica e demais roteiros. 🙂

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  • terça-feira, 24 de março de 2009 em 20:43
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    ola, isso é muito importante, onibus adaptado, é uma vitoria, e quero informar que em resende, sul do estado do rio, já existe a um ano, esses onibus com elevador, na epoca foi um acordo com o prefeito silvio de carvalho, para a empresa nao perder a concessão, portanto a mais de um ano quue existe em resende, mas parabens para a população de niterói

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  • domingo, 11 de julho de 2010 em 23:14
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    Oi! Achei o site sem querer, quando pesquisava uns assuntos sobre o COMPEDE. Fico feliz com notícias como essa, mas como a colega mesmo disse: “é um direito..”. E a luta continua… Abraços!

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