Hein? Preconceito entre deficientes?

"Ah, mas você é mulher, todos vão sempre te ajudar. Se fosse homem, ninguém nem dava bola". Quando ouvi o comentário não soube o que pensar. Mas vi que existe preconceito entre deficientes, e ele se manifesta de diversas formas. Essa é apenas uma delas: mulheres deficientes são mais paparicadas e recebem mais ajuda do que os homens. Durante um tempo relutei contra a idéia de que as pessoas me ajudavam por ser mulher. Mas depois de certo tempo, observando e me lembrando de alguns acontecimentos, achei que fazia certo sentido. O que me deixou até alegre, pois além de ser mulher (hehehehe), vi que as pessoas já são capazes de distinguir sexo entre os cadeirantes, e não nos enxergam apenas como seres assexuados usuários de cadeira de rodas.

Outro tipo de preconceito é com relação às limitações. No meu caso, já vi tetra fazendo cara feia e dizendo que não sou tetra nem aqui nem na China, pois tenho um pouco de movimento das mãos. Também já teve gente dizendo que não sou paraplégica, justamente por ter limitação em uma das mãos. E já ouvi também comentários de que pessoas que nascem deficientes são diferentes das que adquirem a deficiência mais tarde. Opa, como assim? Deficiente é deficiente, que diferença faz se é de nascença ou não? Segundo a pessoa que puxou o assunto, e que tem bastante contato com pessoas com deficiência, os que são deficientes de nascença tem mais facilidade em se aceitar, porém arriscam menos e fazem menos coisas do que quem ficou deficiente mais tarde. Por exemplo, quem já andou e estava acostumado a fazer uma porção de atividades, mesmo na cadeira, quer continuar a fazer tudo o que fazia antes e corre atrás pra que as coisas aconteçam. Será? Não sei. Em relação a isso, acho que tudo gira mais em torno da atitude da pessoa do que das limitações, sexo ou tempo de deficiência.

E você, o que pensa?

Comentários

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10 comentários em “Hein? Preconceito entre deficientes?

  • terça-feira, 24 de março de 2009 em 16:38
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    Acho esta questão interessante. O preconceito é uma característica humana é mesmo entre pessoas com situações parecidas, ele tende a se instalar. Infelizmente é assim. Já ouvi comentários deste tipo realmente de pessoas com alguma deficiência sobre a deficiência do outro. Não sei onde querem chegar, confesso.
    Mas sobre esta coisa da dificiência congênita da dificiência adquirida, acho que já uma diferença de comportamento sim. Conheço pessoas nas duas situações. Tenho um amigo com um tipo de lesão medular congênita e ele está no time dos que arriscam menos na vida. Mesmo aceitando muito bem o corpo que tem. Acho q ele se acomodou bem ao mundo da maneira que conseguia, fez um lugar seu, e isso lhe bastou. Já as pessoas que adquiriram algum tipo de deficiência parecem querer realmente resgatar parte da vida que mudou. Não da mesma forma, mas adaptando as coisas, criando soluções e indo além. Umas vez ouvi uma pessoa dizendo que vc não sente falta de coisas que não teve. Talvez, a diferença esteja por ai.

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    • terça-feira, 24 de março de 2009 em 16:38
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      Oi Jaqueline, o que você colocou é bem interessante. De repente é por ai mesmo, não podemos saber aquilo que nunca tivemos. Bjs, Cris.

  • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 00:36
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    Cris, achei pertinente demais esse post. E concordo de forma contundente contigo. Certo dia, escrevi no meu blog sobre a necessidade que alguns cadeirantes, os mais molengões, os tretões ahahhahaha.. possuem de ter alguém para retirar a cadeira do carro e, por isso, eu estava protestando contra uma feira que vai haver aqui em SP que não vai colocar manobrista à disposição. Pois bem, para meu espanto, alguns cadeirantes reagiram dizendo que aquilo já era demais, que todo mundo conseguia se virar com a cadeira no carro. Confesso que fiquei muito decepcionado. Então, se o meu tá resolvido com uma rampinha, tá tudo certo? Resolvo o meu e que se dane os outros? Pra mim, ou a sociedade é plena para todos ou a gente não sai do buraco nunca. Deficiente tem preconceito de deficiente, sim. E é hora de a gente pensar e combater isso… urgentemente. Parabéns, mais uma vez, pela abordagem.

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    • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 00:36
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      Oi Jairo, complicado, né? Infelizmente o preconceito está em todos os lugares. Mas a gente vai falando, e quem sabe um dia isso muda. Bjs, Cris.

  • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 10:15
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    Oi Cris, na minha opinião, a maior deficiência é o preconceito sobre todas as coisas. Então a deficiência está é na cabeça!!

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    • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 10:15
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      É verdade Evandro,o preconceito é uma grande deficiência. Tomara que um dia isso mude. Bjs, Cris.

  • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 13:50
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    Eu concordo com a Jaqueline, principalmente no final. Existe, sim, uma diferença, ao menos psicológica, entre quem nasceu deficiente e quem nasceu "normal" e adquiriu uma deficiência. O primeiro nasceu assim, é assim, então a deficiência é mais natural pra ele. O segundo estava acostumado a ser "normal" (talvez até tivesse aquela visão deturpada que as pessoas em geral têm dos deficientes, antes da lesão) e, de repente, perdeu isso. Quem nasce deficiente aprende desde sempre a ser assim, e nunca foi diferente. Já quem se torna deficiente precisa se adaptar, aprender a viver de outra forma e ter uma nova visão da vida e de si mesmo.

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    • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 13:50
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      Oi Heitor, também acho que é por ai. A maioria dos cadeirantes que conheço adquiriram a deficiência depois, por isso não tenho muito conhecimento de causa para fazer a comparação. Mas faz todo o sentindo o que você colocou. Bjs, Cris.

  • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 17:29
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    Generalizações, como todo preconceito. A gente põe um rótulo nas coisas, nas pessoas como se tudo fosse unidimensional. Mas a vida é muito mais complexa. A aceitação da deficiência, a independência, tudo depende muito mais de fatores psicológicos, que é claro variam entre as pessoas, do que do grau ou da época em que a deficiência apareceu. Tem tetra que faz de tudo e tem para que não sai pra vida. Tem cego que vê o mundo, tem gente que tem dois olhos e nem repara.
    Acho que a gente tem que parar de dizer ‘somos todos iguais’ e começar a dizer ‘somos todos diferentes’. Até porque a graça da vida é essa.
    Beijo!

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    • quarta-feira, 25 de março de 2009 em 17:29
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      Oi Tici! É isso ai, somos todos diferentes, tá na hora de deixar os rótulos de lado. Bom ver comentário se de novo! Bjs, Cris.

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