Olhares

Imagens de diversos olhos encarando o leitor

Assim que saltamos do carro, senti a primeira pontada. Leve, sutil, mas penetrante. A sensação causada não era das mais desagradáveis, mas incomodava um pouco. Sabia que nos acompanharia até que entrássemos no restaurante. Mas sabia também, que assim que passássemos pela porta de entrada, seríamos acertados por algo maior. Olhares, muitos olhares. A experiência nos ensina que esses mesmos olhares, cessam apenas depois que somos apresentados, nos sentamos à mesa e conversamos uns bons 10 minutos. E dessa vez não foi diferente.

No começo, tudo isso me incomodava bastante. O que significavam todos aqueles olhos nos seguindo? Pena? Curiosidade? Estranheza? Será que diziam que sou diferente porque escolhi estar com ele? Será que sou melhor? Pior?

Era como se o preconceito alheio transformasse minha auto-imagem. Afinal, eu sempre quis ser um pouco fora dos padrões, por que não agora? E confesso que acabava por me sentir diferente, sim. Em alguns casos, especial até. E toda vez que parava para escutar os olhares, descobria que era essa a mensagem que queriam me passar. Como se o mundo precisasse de exemplos a seguir e que eu deveria ser um deles. Quanta bobagem!

Passadas algumas horas de conversa agradável naquele mesmo restaurante, percebi que todos haviam entendido que ninguém ali era especial. Agora que estávamos todos sentados, todos no mesmo “nível”, os olhares haviam cessado.

Mas eu sabia, que assim que nos despedíssemos e seguíssemos para o carro, eles estariam de volta. Um pouco diferentes talvez, mas estariam lá. A pena se transformaria em admiração, a curiosidade em história pra contar e a estranheza em esclarecimento.

Sim, eles voltariam. Principalmente quando eu me levantasse e ele não.

15 thoughts on “Olhares

  • 25 de abril de 2009 em 00:08
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    sim sim os olhares.. o que será que pensam? ou não pensam… enfim… essa parada é bem louca mesmo.. imagine eu.. que tenho que ser auxiliado p/ comer (fazer o prato e dar na boca)… imagine uma pessoa cadeirante de terno sendo ajudada por outra em um restaurante pseudo-chique… será que olham? será que são "namorados"? irmãos? primos talvez? não não.. são negócios mesmo (mesmo sendo um loiro e outro jasponês), e por ai vai… isso acontece pelo menos 1 vez na semana… mas a gente vai levando! fora a cavalaria de chegada e saída! monta cadeira desmonta cadeira entra no carro carregado, etc… e estamos na batalha, o que importa é a atitude. tem que ter atitude. nunca peque pela omissão.

    BJO GRANDE.

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    • 25 de abril de 2009 em 00:08
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      Certíssimo, Christian! Mantenha a atitude, mantenha a pose e mantenha a calma. O segredo é aprender a ligar o "e daí para o que os outros pensam" e continuar a vida! beijos, Bianca

  • 25 de abril de 2009 em 00:22
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    Nossa…
    Nunca vi ninguém descrever algo de maneira tão clara, exata!
    O mais engraçado é que mesmo antes de ter um namorado cadeirante, eu nunca fiquei olhando para pessoas por acha-las "diferentes", a menos q estivesse de camiseta verde limão e calça roxa de bolinha cor de rosa!
    Sempre achei isso muito chato, indiscreto e desnecessario!
    Vc descreveu muito bem… Uma pontada!
    Bjosssssssssssss

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    • 25 de abril de 2009 em 00:22
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      Oi Su, que bom que vc gostou do texto. Mas é isso mesmo, os olhares são como pontadas. Só que depois de um tempo, vc cria um escudo automático contra essas pontadas e esquece q elas existem. Melhor pra gente, que esquece e pior pro outro q fica "gastando"olhar, hehe. bjos, Bianca

  • 25 de abril de 2009 em 09:55
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    Que bacana Bianca, disse tudo!!!

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    • 25 de abril de 2009 em 09:55
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      Valeu Evandro. Esse lance dos olhares poderia até virar uma camiseta, né? Se eu tiver alguma idéia, te mando. Que tal? bjos, Bianca

  • 26 de abril de 2009 em 11:00
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    É natural lançar olhar para aquilo que é diferente, não é mesmo? Não vejo isso como problema, pra mim, o problema é o que esse olhar carrega. O duro é ter de desarmar o sentimento de "piedade", o sentido do "vida difícil"…. mas, a gente chega lá. Beijocas

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    • 26 de abril de 2009 em 11:00
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      Oi Jairo, sim aprender a não ligar pra esse olhar, é o p[rimeiro passo. E isso serve pra todo mundo, pois em qq situação as pessoas vão olhar e julgar. Como vc falou, nossa meta é "descarregar" esses olhares. E sim, a gente chega lá! bjos, Bianca

  • 1 de maio de 2009 em 20:11
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    E quando você vai sozinha em algum lugar? Como é no meu caso, que sou excepcionalmente tímida… E não consigo articular nem uma palavra. Como ser simpática??? Estando sozinha??? 🙂

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    • 1 de maio de 2009 em 20:11
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      Bom, acho que timidez não tem muito a ver com simpatia. E tentar ser simpático é a melhor forma de vencer esses olhares. Eu, pelo menos, penso assim. Mas entendo q seja muito mais difícil passar por eles, qdo se é tímido. E qdo se está sozinho. O ideal seria q eles não existissem… bjos, Bianca

  • 3 de maio de 2009 em 23:08
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    Bianca, respeito o seu ponto de vista, mas como assim timidez não tem nada há ver com simpatia??? Concordo até certo ponto. Mas você só consegue ser simpática com alguém que já conhece ou não??? E como conhecer pessoas, sendo que você é tímida??? Beijos, Mônica… 🙂

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    • 3 de maio de 2009 em 23:08
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      Oi Mónica, olha eu acho que a pessoa pode ser tímida e ainda assim, simpática. Sorrir e dizer obrigado, bom dia e boa tarde, todo mundo sabe, mesmo sendo tímido. Não estava me referindo a fazer amizades e sim a ser simpático. O que, na minha opinião, é diferente. Conheço pessoas tímidas simpáticas e outras antipáticas. Depende da maneira como você responde ao ser abordado. Só isso. 🙂 bjos

  • 5 de maio de 2009 em 20:48
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    Se é assim, eu sou super simpática. Palavras como: por favor, muito obrigada, desculpe estão no meu vocabulário. Só acho que isso se chama educação, rs, rs, rs e não simpatia. Beijosssssssssssssss… 🙂

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