O mercado de trabalho e a inclusão

Desenho de homem numa cadeira de rodas cavando a terraPara os deficientes, entrar no mercado de trabalho já não é mais tão complicado. As empresas hoje em dia precisam contratar deficientes, pois além de terem que cumprir as cotas, evitando assim pagar multa, querem fazer “bonito” e se intitularem empresas socialmente responsáveis. Mas nem vou entrar nessa questão. O que me pergunto é: será que as empresas estão realmente preparadas para essa diversidade? Não adianta só querer cumprir cota. É necessário, principalmente, que tenham uma cultura inclusiva.

Como entender que deficientes podem ser mais que atendentes de telemarketing e recepcionistas? Nada contra as vagas oferecidas, não é esse o ponto. É porque ser inclusivo, pra mim, é contratar uma pessoa pelo seu currículo, pelo seu histórico e pelo que ela pode contribuir para o desenvolvimento da empresa, independente do fato de ela usar cadeira de rodas, uma bengala ou se comunicar através de sinais. Ok, existem deficiências que são incompatíveis com alguns cargos, é compreensível. Mas quantos cargos existem que podem ser ocupados por pessoas com deficiência e as empresas nem os cogitam?

Meu primeiro emprego após o acidente até que foi legal. Mas na minha área havia apenas pessoas com deficiência. Por um lado era bacana. Foi um período de aprendizado e muita troca. Mas sempre questionei o quanto aquilo era realmente inclusivo, já que ficávamos todos numa única sala, separados do resto da empresa. Diria que quase escondidos. Estranho, né?

Enfim, entre esse primeiro emprego e o meu atual já passei por poucas e boas. Já fui a empresas que me chamaram, prometendo mundos e fundos, aparentando uma ótima oportunidade de carreira, mas que depois de pouco tempo, se mostraram perdidos, sem saber o que fazer comigo, como se eu fosse incapaz de desenvolver qualquer tarefa. Por outro lado também já trabalhei em empresas nas quais, desde o processo seletivo, participei como qualquer outra pessoa e conquistei a vaga e até 2 promoções. Nunca me senti tratada de forma diferente.

É o que acontece no local onde trabalho hoje. Eles tem esse diferencial: não me tratam diferente. Adaptam o que for preciso, me dão uma estrutura, mas também me cobram resultados. Se eles acreditam que a pessoa tem um bom currículo, ela é contratada. Já vi por aqui pessoas com todas as deficiências: física, visual, auditiva. Legal, né?

Sim, seria o mundo perfeito se todas as empresas tivessem essa mesma postura: da inclusão verdadeira. Mas saber que algumas já seguem esse caminho, é um bom começo.

Comentários

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6 comentários em “O mercado de trabalho e a inclusão

  • quarta-feira, 13 de maio de 2009 em 14:07
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    Criiiiisss!!! Vc é uma pessoa muito bacana e merece todo sucesso do mundo!
    Galera, eu trabalho na mesma empresa que ela e só tenho a dizer que por aqui, pelo que eu vejo, as coisas têm acontecido do jeito que todo mundo merece: de forma justa… Realmente seria perfeito se todas fossem assim, e olha que dependendo de como a gente olhe, as coisas são até simples demais.. eu hoje, nem entendo como as empresas por aí podem dificultar, mistificar e encher de tabus o fato de terem funcionários cadeirantes, cegos, surdos, ou com qq outra "diferença"! Pensa bem! Ainda mais hoje que todo mundo trabalha sentado na frente do computador, a tecnologia oferece programas dos mais diferentes pra auxiliar a todos (inclusive a um deficiente visual, por exemplo), e no fim das contas tá todo mundo no mesmo barco mesmo!!! Além do mais, problemas de saúde acontecem com qq um, acidentes acontecem com qq um, ninguém tá livre de nada e esse povo preconceituoso não tá com nada! Um dia o foco do preconceito pode ser eles! Beijos!

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    • quarta-feira, 13 de maio de 2009 em 14:07
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      Oi Flávia, obrigada! É muito bom ver vc comentando no Blog. Bjs, Cris.

  • quinta-feira, 14 de maio de 2009 em 14:20
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    oi cris,
    realmente colocar pessoas com algum tipo de deficiência envolve muito mais do que quebrar as barrreiras arquitetônicas. Trabalho em uma empresa que não é adaptada, mas AS PESSOAS FORAM "ADAPTADAS". Não isolamamento, nem nada e todos muito prestativos, uma vez que sou tetra e tenho um grau de dependência muito grande, e existe uma divisão de tarefas, assim não sobrecarrega ninguém. Já cansei de ir a entrevistas mas na hora que descrevo meu ambiente de trabalho, poucos acreditam. O lado profissional também conta muito, você demonstrando competência, vai quebrar muitas barreiras de preconceito.

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    • quinta-feira, 14 de maio de 2009 em 14:20
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      Oi Christian, é por ai mesmo. Uma vez que passam a ver o resultado do trabalho a deficiência vai desaparecendo. Pelo menos é assim que vejo. Bjs, Cris.

  • quinta-feira, 9 de setembro de 2010 em 21:12
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    Boa noite, sou Helaine, estou fazendo meu TCC, sobre esse tema, gostaria que vcs ajudasse com algum material, achei super legal, já estou desenvolvendo.
    lannyvieira@hotmail.com
    helaine vieira

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  • segunda-feira, 9 de maio de 2011 em 10:48
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    Bom Dia,
    Achei muito interesante o blog de vocês, Sou de Cuiabá MT e tenho uma empresa de desenvolvimento de projetos publicos e privados, estou desenvolvendo um sobre a alfabetização até a capacitação do defeciente e tambem a inclusao no mercado de trabalho. Gostaria que se possível trocarmos algumas ideias e vocês que vivenciam isso, referente a novas tecnicas e situações e eu deveria colocar no projeto.
    Desde ja obrigada pela atenção, se vocês tiverem lgum material sobre as dificuldades de um deficente, também gostaria de obter.
    fico no aguardo
    SUCESSO NO BLOG!
    ps. é muito bom ver pesssoas deficitentes com tanta eficiencia e coragem de encarar a realidade e nao ser mais um mais sim ser alguem…. PARABENS A TODOS VCS…

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