Cadeira invisível

Sempre há motivos para comemorar mudanças. E isso também vale para o comportamento das pessoas que nos surpreendem quando menos esperamos.

Essa história aconteceu há 20 minutos atrás: eu estava numa loja no centro da cidade, procurando acessórios para um videogame famoso por seus controles interativos. Na loja, o vendedor ia me mostrando os produtos quando ele parou para demonstrar um negócio parecido com uma balança, uma espécie de  tablado em que o jogador sobe em cima:

– Esse controle em forma de tablado é um dos mais vendidos, tenho certeza que você vai gostar. Com ele, você pode ter jogos que simulam caminhadas, corridas, pulos, saltos e muitos outros movimentos. Tem até um jogo que controla seu peso diário, basta você subir em cima todos os dias.

Aí eu respondi:

– Esse tablado parece interessante, mas acho que não vai me servir.

– Por quê? Você não gosta de jogos de esportes?

– Gosto sim, mas vai ser difícil eu ficar em pé sobre ele… – e apontei para a roda da cadeira.

– Puxa vida, me desculpe, não tinha reparado… – disse o vendedor todo sem jeito.

E continuou, com o maior bom humor:

– Ah, mas fica tranquilo que você não vai ficar parado: eu tenho aqui controles para taco de beisebol, de golfe, raquete de tênis… – e eu caí na gargalhada, junto com todos da loja.

Claro que o objetivo dele era vender alguma coisa, mas o fato me chamou a atenção por um motivo especial: entre tantos produtos a me oferecer, ele se concentrou justamente naquele em que se usavam as pernas para jogar… e nem era o mais caro!!! Naquela hora ficou evidente que a minha situação de cadeirante não tinha afetado em nada a percepção que ele fez do cliente.

É por isso que eu comemoro. Assim como foi descrito em um post anterior, cada vez mais vejo exemplos de que o respeito entre as pessoas tem melhorado. Ou será que a minha cadeira ficou invisível???   🙂

13 thoughts on “Cadeira invisível

  • 12 de maio de 2009 em 14:43
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    Sim! Já tentaram me vender um desse! heheheh Na hora, ele percebeu q eu mexia a perna e perguntou se aquilo não me ajudaria a me exercitar. Achei interessante. Algumas pessoas estão usando este videogame com pessoa com problemas de equilíbrio, ou com crianças que ficaram internadas muito tempo e tem dificuldades de marcha.
    é a tecnologia a serviço da reabilitação!

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    • 12 de maio de 2009 em 14:43
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      Mila, realmente a idéia de se exercitar brincando (ou jogando) é ótima, faz qualquer adulto virar criança. Depois dessa história fui pesquisar tudo que o tal tablado fazia e descobri que há também simulação de exercícios com os braços (flexões)… já estou pensando em reconsiderar a oferta do vendedor… 🙂 Um abraço, Nickolas.

  • 12 de maio de 2009 em 14:49
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    Legal,pq o vendedor te viu como qualquer outro.No caso a sua deficiencia é que ficou invisivel neh!Paravens o blog tá mto bom.

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    • 12 de maio de 2009 em 14:49
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      Pois é, na hora até eu esqueci que estava sentado… 🙂 Obrigado pelo blog e continue comentando, os comentários são o melhor indicador para mantermos os textos sempre interessantes. Um abraço, Nickolas.

  • 12 de maio de 2009 em 15:07
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    Legal as empresas contratarem pessoas com deficiencia! Mas elas estão todas acessíveis até mesmo para a pessoa em cadeira de rodas ir deixar o seu curriculo??
    As empresas tem que estar preparadas também arquitetônicamente! 🙂

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    • 12 de maio de 2009 em 15:07
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      Thais, acho que seu comentário era para o post anterior da Cris, mas concordo contigo: a preparação arquitetônica é o ponto crítico das empresas para receberem pessoas deficientes. Muitas nem sequer se preocupam em melhorar esse aspecto porque isso custaria dinheiro, mas na maioria dos lugares há boa vontade depois que a pessoa está empregada. Agora, para ir levar o currículo é um problema sério… Um abraço, Nickolas.

  • 12 de maio de 2009 em 15:40
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    o/

    As coisas estão melhorando mesmo.

    Bacana o bom humor do vendedor, mas bem que vc poderia praticar caminhadas na cadeira nénão??

    abraço

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    • 12 de maio de 2009 em 15:40
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      Diego, a idéia é boa… talvez não dê para caminhar, mas quem sabe não inventam uma esteira para vc jogar correndo em cima com a cadeira??? seria ótimo… 🙂 Um abraço, Nickolas.

  • 13 de maio de 2009 em 14:17
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    Nickolas, muito bacana isso que te aconteceu! Realmente é de se comemorar pq as pessoas são viciadas em ficar reparando nas outras, olhando, comentando… E eu tô adorando esses posts diários! É muito bom a gente poder acessar o blog e ver q todo dia tem coisa nova e histórias bacanas como a sua! Agora então que eu conheci e Cris, estou ainda mais assídua! rsrs Beijão!

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    • 13 de maio de 2009 em 14:17
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      Flávia, o que você escreveu é verdade, muita gente adora ficar reparando e comentando. O que deveria ser exceção é quase uma regra, por isso fatos como esse que me aconteceu chamam a atenção. Obrigado pela audiência e continue sempre comentando nesse canal… 🙂 Abraço, Nickolas.

  • 15 de maio de 2009 em 23:56
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    é legal ir comprar tenis!

    " – olha senhor esse aqui é última geração em amortecimento e absorção! de impacto!"

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    • 15 de maio de 2009 em 23:56
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      Bem lembrado, Christian, esse caso é típico, só resta rir nessas horas… Um abraço, Nickolas.

  • 20 de maio de 2009 em 11:06
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    Olha, não sei se foi o caso do vendedor, mas sábado aconteceu uma coisa parecida comigo, que não sou cadeirante:
    Estava numa casa noturna e percebi qdo os seguranças pediram espaço para um cadeirante passar. ODEIO quem fica olhando ou cadeirante ou quem está de moletas passar.
    Minutos depois, percebi que estava rolando uma azaração entre mim e um rapaz lindo. Que por um acaso era o cadeirante. Passamos por todos os passos de uma azaração num lugar público: da troca de olhares, ao 1o.papo, ao 1o beijo, troca de telefones… Em nenhum momento olhei pra ele de um jeito diferente. Pra mim era um carinha fofo, com um papo legal e que fez meu coração bater diferente.
    Não sei como será o desenrolar dessa história, mas estou ansiosa para chegar o próximo final de semana, pois marcamos de nos encontrar.
    Preconceito, problemas e dificuldades? Puxa, como já disse Gil: MISTÉRIOS SEMPRE HÁ DE PINTAR POR AÍ!

    Resposta

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