Abrindo (e fechando) portas

Imagens de vários tipos de porta

Portas são uma invenção muito boa da humanidade que servem para garantir a segurança e a privacidade ao mesmo tempo. Ou simplesmente para dividir um ambiente. Não importa. O fato é que elas existem e são, sim, um obstáculo para a passagem de um cadeirante. Mas como fazer portas que facilitem a utilização por alguém que tem a mobilidade reduzida? Colocamos a seguir algumas dicas sobre nossas amigas, as portas.

Sem dúvida o detalhe mais importante é a largura da porta, que nunca deve ser menor que 80 cm (aprox. 76 cm de vão útil), caso contrário a maior parte das cadeiras simplesmente não conseguirá passar por ela. A NBR 9050 recomenda largura mínima de 90 cm, uma boa medida para se usar em ambientes comerciais amplos, mas é muito difícil encontrar espaços domésticos que comportem esse tamanho.

Maçaneta tipo alavancaNa parte decorativa, as maçanetas devem sempre ser do tipo alavanca, nunca do tipo bola, que são complicadas até para quem tem boa força nas mãos. Para quem é tetra, já existem à venda dispositivos que auxiliam na abertura de portas.

Outro ponto que precisa receber atenção é o lado de abertura das portas: quando se abre, a porta ocupa o lugar por onde passa. Se o cadeirante não tiver espaço para fugir desse movimento, a porta baterá na cadeira e não fechará. Exemplo típico são as portas de banheiros que devem sempre abrir para fora. Aqui aparece também a idéia de que o espaço do ambiente tem que ser mais amplo no lado em que a porta abrirá, ou seja, para onde ela será "puxada", pois é uma manobra difícil dar ré com a cadeira usando apenas uma das mãos enquanto a outra puxa a porta. O melhor é poder parar a cadeira numa posição que seja possível fazer o movimento de abertura sem precisar andar com a cadeira.

Desenhos ilustrando aberturas de porta

Há ainda a questão dos amortecedores das portas. Podem até ser úteis para auxiliar o trabalho de fechá-las, mas dificultam na hora de abrir, deixando a porta mais "pesada". Empurrar essas portas é sempre uma tarefa ingrata. Não é raro a mão escorregar e a porta dar um cassetada na cadeira ou na cara do cidadão. Seria ideal que inventassem um amortecedor que só fizesse força para segurar a porta no fechamento, nunca na abertura.

Para evitar tudo isso, o melhor dos mundos são as portas automáticas, de preferência as que usam sensores de presença ao invés de sensores de pressão no piso. Esses últimos também são úteis, mas normalmente é preciso chegar bem perto da porta para acioná-los. Sensores de presença evitam acidentes que acontecem, por exemplo, quando o cadeirante aproveita que a porta está aberta e vem no embalo para transpô-la, mas no meio do caminho ela começa a se fechar e bate na cadeira. Eu mesmo já dei altas cassetadas nas portas lá da empresa que se fechavam quando eu estava passando por elas. 

Aproveito para deixar aberta uma discussão filosófica: para você, as portas abrem ou fecham caminhos?

4 thoughts on “Abrindo (e fechando) portas

  • 16 de maio de 2009 em 09:23
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    Edu, fiodideus, que trabalheira prá comentar aqui!!!
    Mas valeu a pena, eu tinha que dizer que teu blog é profissa, coisa da melhor qualidade.
    Tá certo que vou levar um ano prá ler tudo o que perdi, mas vou fazer com muito prazer!!!
    Parabéns e beijocas,

    Resposta
    • 16 de maio de 2009 em 09:23
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      Gisele, veja o lado bom: agora vc terá diversão garantida até terminar de ler tudo que já publicamos no blog… Um abraço, Nickolas.

  • 19 de maio de 2009 em 16:16
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    Filosofando…Pra mim, portas são mais do que necessárias. Primeiro, nos dá direito à privacidade, intimidade, muitas vezes ferido pela nossa deficiência. Segundo, elas criam em nós, corriqueiramente, a sensação que para conquistar espaços é preciso ir por direções que, aparentemente, estão fechadas para nós.
    Mas bem que, realisticamente falando, as portas deveriam seguir as normas da abnt, né? hehehehe

    Resposta
    • 19 de maio de 2009 em 16:16
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      Mila, gostei da filosofia… levando esse pensamento mais além, ou melhor, bem além, sonho com um dia em que todas as portas serão bem largas, abrirão e fecharão automaticamente, iguais às da nave Enterprise em Jornada nas Estrelas. De volta ao mundo real, concordo contigo: portas construídas corretamente já seriam um avanço enorme. É só uma questão de vontade, porque o custo é quase o mesmo. Um abraço, Nickolas.

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