Cadeirantes se misturam?

símbolos que representam homem, mulher e cadeiranteVez ou outra o povo aqui do blog se reúne pra discutir nossas diretrizes, caminhos a seguir, objetivos, essas coisas sérias de quem acha que tá mudando o mundo, sabe? Logicamente a coisa é feita em algum bar ou restaurante, que ninguém é de ferro. E já que a gente não ganha um tostão pra escrever aqui, tem que ser, no mínimo, divertido. E sempre é!

Toda vez que nos encontramos, alguém do grupo comenta: “Tenho certeza de que as pessoas em volta, estão olhando pra gente e pensando que cadeirante só sai com cadeirante e só tem amiguinho cadeirante, né não?” Eu mesma acho divertido e até um pouco estranho, quando adentramos algum lugar, 3 cadeirantes e 3 andantes. Calma! Eu explico!

Estranho porque, como já disse e repito sempre aqui no blog, volta e meia esqueço que o Dado usa cadeira de rodas. Então, quando junta o povo todo do blog, essa lembrança fica nítida. Não que isso me incomode, mas é como se de repente eu me lembrasse. E justamente porque, ao contrário do que muitos pensam, cadeirante não anda só com cadeirante. Aliás são poucas as vezes que saímos todos juntos. Deveríamos repetir mais a dose.

Mas não é curioso que as pessoas achem que pessoas com deficiência só convivam entre si? Como se todos fizessem parte de um clube, de uma seita, de uma organização sem fins lucrativos, de um mundo à parte? O engraçado é que, mesmo antes de namorar um cadeirante, eu nunca pensei assim. Acho que existe uma explicação muito simples pra esse tipo de raciocínio: pensamento não inclusivo. Se as pessoas entendessem o que é inclusão de verdade, nem passaria pela cabeça delas que cego, cadeirante, surdo, pessoa com síndrome de down, ou quem quer que seja só pode conviver com os seus “semelhantes”. Como se médico só pudesse viver com médico, arquiteto só andasse com arquiteto, advogado só namorasse advogado. Aliás, você agüentaria namorar alguém igual a você?

Pra terminar uma historinha curiosa que aconteceu com a gente uma vez. Certo dia, perguntaram pro Dado se os cadeirantes (mesmo quando não se conhecem) se cumprimentam, quando se cruzam na rua. E como ele perde o amigo, mas não perde a piada, respondeu: “Lógico! A gente tem até um código secreto, a gente bate com uma moedinha no aro da roda!”

16 thoughts on “Cadeirantes se misturam?

  • 21 de maio de 2009 em 13:30
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    Nunca acharam que o os cadeirantes são colegas não???Várias vezes nos param na rua pra falar pro meu marido,olha vi um colega seu,blá,blá,blá.
    Até um vizinho ,certa vez nos falou,vem um colega seu morar aqui,ficamos uma tarde pensando, quem do banco poderia ser nosso vizinho,só depois é que associamos é "colega" de cadeira.
    Cadeira de rodas também é profissão,cadeirante só com cadeirante,cadeirante sair de casa ,então?Quando nos param na rua,em boates,shows,pra dizer que ele é exemplo de vida,por quê?Se divertir agora é exemplo de vida???
    Enfim,ainda estamos anos de luz de cadeirantes,cegos,surdos,passarem na rua e serem vistos como realmente são,pessoas iguais a mim,a você,ao chinês,negro.
    Beijos

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    • 21 de maio de 2009 em 13:30
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      Colega de cadeira é ótimo! Só rindo, né? É o mesmo que acontece com brasileiros q moram fora do país e tem que escutar do estrangeiro: "Ah! Eu conheço um brasileiro tb, se chama Fulano de tal. Vc o conhece?" Como se o Brasil fosse mínimo e como se os cadeirantes vivessem todos no mesmo bairro! beijos, Bianca

  • 21 de maio de 2009 em 15:33
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    Bom dia, Eduardo e companhia limitada! Descobri esse blog através do "Assim como Você" (sim, sou um dos cinco leitores do Tio Jairo), e pelo primeiro post q li, o de hj, gostei. Me dêem um tempinho para eu ler o restante, faço isso, sou danado pra ler blog de trás pra frente! rs… Sou infiltrado, namorado de matrixiana (olha eu importando o vocábulário de lá… rs..), e por isso não teria pq achar q cadeirante só se dá com cadeirante. Dá vontade de dar uma tortada na cara de quem acha isso… Mas q "rola" um "código" secreto entre eles, acho q rola, sim. Algo como "nossa, vc passa p isso tb"… Uma espécie de "código morse" q só cadeirante entende. Um grande abraço a todos!

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    • 21 de maio de 2009 em 15:33
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      Oi Carlos, que bom que vc gostou do nosso blog! Fique à vontade pra ler e reler nossos posts, criticar, dar sugestões, elogiar. Seja bem vindo! abs, Bianca

  • 21 de maio de 2009 em 17:29
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    Gente, é tão ridículo isso… é burrice achar que todo cadeirante se conhece ou são colegas.

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    • 21 de maio de 2009 em 17:29
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      É, Aline, acho estranho também. Como se eu, que sou designer por exemplo, conhecesse todos os designers do Rio de Janeiro… Abs, Bianca

  • 22 de maio de 2009 em 13:14
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    Até rola uma espécie de cumplicidade e um cumprimento quando vejo outro cadeirante na rua, mas não é pq alguém tb é cadeirante que vai ser meu amigo tb, né? Tem que ter afinidade acima de tudo, e isso vai muito além da cadeira! Beijos!

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    • 22 de maio de 2009 em 13:14
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      Afinidade acima de tudo! É por isso que estamos juntos, né? 😛 beijossssssss, Bianca

  • 22 de maio de 2009 em 13:29
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    Assim como entre os andantes, no grupo dos cadeirantes tem gente boa, gente má, gente caridosa, gente coitada, político, ladrão, atleta, intelectual e representantes de toda a fauna humana. Igual à torcida do "framengo". Não dá para esperar que todo mundo goste de todo mundo só porque estão sentados ou torcem para o mesmo time, né? Na hora de reclamar de acessibilidade ou do técnico do time, o objetivo é comum, mas depois vai cada um para o seu lado…

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    • 22 de maio de 2009 em 13:29
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      Concordo, Nick. Na hora de lutar pelos direitos, os cadeirantes devem se unir, mas na hora de fazer amigos, procuremos afinidades! Né, amiguinho? bjos, Bianca

  • 21 de maio de 2009 em 19:02
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    Nossa, nada a ver!!
    Eu tenho o nariz grande, mas não é por isso que quando eu vejo uma pessoa com nariz grande eu vou conversar com ela: você tem desvio de sépto? você já pensou em operar? o seu apelido era tucano na escola?
    Q idéia, né?!?!
    Eu ia detestar se meu marido fosse arquiteto também! Como somos pessoas diferentes temos muito o que acrescentar um na vida do outro, e isso é importante!
    As pessoas ainda precisam mudar muito a mentalidade viu…

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    • 21 de maio de 2009 em 19:02
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      Oi Thais, que bom vê-la no nosso blog! Adoro o seu! (puxa-saco, hehehe). Aliás, eu tinha desvio de septo! Que tal se a gente ficasse amiguinha por causa disso? Se bem que… acho que não vai dar, eu operei o nariz, não tenho mais o desvio 😛 beijos! Bianca

  • 23 de maio de 2009 em 10:13
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    Mais esquisito acho quando sou apresentado a alguém e dali a um tempo a pessoa fala "tenho um conhecido na cadeira de rodas, quando você voltar por aqui te apresento ele". Ué, se o cara ou a mulher for gente boa, ótimo, se não, pra que me apresentar? Dá a impressão que é pra gente lamentar a vida juntos…
    Mas por outro lado gosto quando a pessoa fala que vai me apresentar pois sou um exemplo, sou otimista, é pra animar a pessoa e tal. Assim já fui até a hospital dar uma força a um "coleguinha". São várias abordagens da mesma situação, mas a gente sente o "preconceito culposo" quando é o caso. Na real gosto de conhecer outro cadeirante pra trocar idéia. No Sarah a gente percebe o quanto isso é importante, vemos o que traz mais conforto de um modo ou de outro, macetes para transferir, vestir roupa, essas coisas. Nossa, foi mal o mega-comentário, empolguei. Abração!!

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    • 23 de maio de 2009 em 10:13
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      Acredito que pessoas na mesma situação possam se ajudar, sim. Mas elas só se ajudam de verdade, se tem coisas em comum, né? Abs, Bianca

  • 5 de junho de 2009 em 21:58
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    O meu problema é não ter esse jogo de cintura como o Eduardo e o meu irmão tem. Tudo pra mim é muito sério, eu chego a ficar com medo de mim. Ontem fiz uma descoberta muito importante, porque eu não escuto o meu tom de voz, então, como tinha que fazer uma apresentação oral em inglês gravei no meu celular. Horrorizei parecia que eu estava escutando um homem de tão rude que eu sou. Desde então, estou tentado suavizar o meu tom de voz porque assim eu vou afastar qualquer pessoa que tente se aproximar de mim, né?! Quando a pessoa me conhece desde muito tempo, sabe que esse meu jeito é só fachada, no fundo sou uma pessoa doce e fragil como qualquer outra garota. Apesar de ter idade para ser considerada uma mulher… Beijosssssssssssssssssssss mineiros, Mônica. 😉

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  • 5 de junho de 2009 em 22:03
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    Bianca, tem cadeirante e cadeirante. Como tem diversos tipos de pessoas nesse mundo e não falo só de portador de deficiência física, não! Tem pessoa com a cabeça tão ruim, que de uns tempos pra cá desití de "fazer amigos" e ter um namorado. Estou um tanto o quanto descrente do "ser humano" em sí. Mas como diria o meu irmão, vocês não querem saber da vida ruim de ninguém, né mesmo?! "Ema, ema, ema. Cada um com seus pobrema". Beijosssssssssssssss mineiros, Mônica. Tem alguém de Belo Horizonte aqui nesse blog????

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