Meu namorado não pode ir à minha casa

Lendo esse título e sabendo que namoro um cadeirante, muita gente vai pensar que sofro com algum tipo de preconceito por parte da minha família. Felizmente nunca tive que me preocupar com a opinião dos meus parentes ou amigos sobre meu namorado. Desde o começo ele se deu bem com todo mundo e o máximo que ouvi foram frases do tipo: “Você tem certeza? Não vai ser complicado namorar um cadeirante?” Mas depois que expliquei que achava que esse poderia ser o menor dos problemas num relacionamento, ninguém comentou mais nada. Até porque ele é o máximo e eu o amo de montão, então não tem o que questionar. 🙂

Mas por que então ele não pode ir à minha casa? Por que é que depois de 2 anos de namoro, ele só esteve lá uma única vez? A resposta não poderia ser mais simples: moro no 3º andar de um prédio sem elevadores! Algum de vocês tinha pensado nessa hipótese?

Pois é… A única vez que ele esteve lá em casa, foi numa reuniãozinha de amigos e teve que ser carregado, pelo meu irmão e um amigo, escada acima (por sorte o primeiro andar do prédio fica no térreo, então até o terceiro são apenas dois lances). Agradeço imensamente aos dois e em dobro ao meu irmão, pois na hora de ir embora, os amigos já haviam partido e eu, ingenuamente, me ofereci para carregá-lo junto com meu irmãozito escada abaixo. Na primeira tentativa de tirá-lo do chão, percebi que não era tão forte quanto pensava e meu irmão acabou levando-o sozinho até lá embaixo. Pelo menos, pra descer, o santo ajuda, né?

Quando me lembro desse dia, penso primeiro no quanto foi importante pra mim que ele conhecesse minha casa, meu quarto, minhas coisas. Já se vão dois anos de namoro e por mais que nos conheçamos intimamente, acho que não teria sido completo se ele não tivesse tido essa oportunidade. Pelo menos pra mim.

O mais engraçado é pensar que meros 2 lances de escada o deixem assim tão longe desse meu “pedaço”, minha casa. É estranho pensar que uma coisa que parece tão boba, uma escada, venha a ser um problemão na vida de um cadeirante.

Agora que vamos morar juntos, penamos um bocado pra achar o apartamento “perfeito”. Num prédio com acesso, com dois elevadores (se tivesse um só, ele ainda correria o risco de ficar fora de casa ou preso dentro dela, caso o elevador quebrasse) e com espaço suficiente para circular com a cadeira pelos cômodos. Mas finalmente encontramos! Só espero que o Dado não estranhe quando eu for chegando com as minhas tralhinhas, que ele pouco conhece! 😛

17 thoughts on “Meu namorado não pode ir à minha casa

  • 26 de maio de 2009 em 12:01
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    Onsde se lê "mulatante" leia-se "mulEtante".

    Vocês entenderam, né?

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  • 26 de maio de 2009 em 12:35
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    Dado, po cara vc nem parece que eh carioca cara! preciso te dar umas aulas de como subir escadas! sei q é um saco, mas é um "mal" necessário…

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    • 26 de maio de 2009 em 12:35
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      Uia! Isso é possível? 3 lances? Só vendo pra acreditar! 😛 beijos, Bianca

  • 26 de maio de 2009 em 13:14
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    Oi, Bianca…
    Eu tenho o mesmo problema com a Cris. Também moro em prédio sem elevador e por isso ela nunca foi na minha casa. Mas sempre penseo que, se um dia me mudar, vou para um apartamento onde ela – e qualquer outro amigo cadeirante que eu venha fazer – possa chegar…
    Um beijo!
    Juliana

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    • 26 de maio de 2009 em 13:14
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      Oi Juliana, que bom que você tem essa preocupação! Fico feliz! beijos, Bianca

  • 26 de maio de 2009 em 13:47
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    São as dificuldades que nos fazem ir mais longe. Numa viagem que fiz conheci um casal de franceses onde a esposa era cadeirante e eles foram visitar um sítio arqueológico onde os caminhos eram de terra, com pedras, raízes de árvores e todo o tipo de dificuldade que se pode ter para um cadeirante nessas situações. Como tenho uma avó cadeirante, rapidamente me prontifiquei a ajudá-los em um trecho mais complicado do caminho, mas me impressionou o carinho e a coragem daquel marido de viajar para tão longe de seu pãís, em um continente que não favorece as pessoas que tem algum tipo de deficiência e de fazer tudo para que a esposa pudesse ver e aproveitar tudo como uma pessoa normal e saudável que ela era.

    A deficiência motora não impediu esse casal de se embranhar no mato assim como não impediu vocês de serem felizes.

    Felicidades na nova empreitada.

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    • 26 de maio de 2009 em 13:47
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      Oi Thadeu, bem legal esse casal viajando juntinho por aí. Vou te confessar, que se depender de mim, vou a menos lugares do que o Dado gostaria, hehehe. Ele é muito mais animado pra viagens desafiantes do que eu. Pra vc ver… Não é a deficiência que deixa a pessoa em casa, é a cabeça dela. beijos, Bianca

  • 26 de maio de 2009 em 14:12
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    Quando vi o título, vi de cara que era isso. Várias vezes falei pra minha esposa que o Dado não poderia ir lá em casa.

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    • 26 de maio de 2009 em 14:12
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      Ah, Bento! Tenho certeza de que você consegue carregá-lo escada acima! Não seja por isso! 😛 beijos, Bianca

  • 26 de maio de 2009 em 16:49
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    Bianca e o bolo não vamos comer em comemoração?

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    • 26 de maio de 2009 em 16:49
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      Bolo? Pra comemorar o novo apê? Xiiiii! Só quando ele ficar pronto e se depender do ritmo do pedreiro… o bolo até estraga! Mas quem sabe, mês que vem?! beijos, Bianca

  • 27 de maio de 2009 em 17:13
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    hahaha eu me acabei de rir com esse tópico.
    Mas Edu, quanto desprendimento! Eu ODEIO que peguem minha cadeira. Muita possessividade minha, será? E a minha é daquelas automáticas, aí já viu. O povo acha q é uma especie de video game. Eu fico mega irritada.
    E uma dica: próxima vez, segure o celular qdo passar pra outra cadeira e não perca a foto!!!

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  • 27 de maio de 2009 em 17:14
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    desculpa, galera. comentei no lugar errado. 😛

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  • 28 de maio de 2009 em 11:42
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    Bianca, passo isso direto com a minha namorada. Por exemplo, um primo dela veio de Natal há pouco tempo (era militar e morava lá por causa disso), qdo se instalou com a família, aquela "disgracêra" de achar casa ou apartamento… Achou. Um apê lindo, espaçoso, com garagem. No quarto andar de um prédio sem elevador. Já vão fazer seis meses q o cara tá lá, e nunca fomos à casa dele. E nem vamos tão cedo. Pegar com a cadeira é quase impossível pela largura da escada, e pegar no colo está complicado, pois descobrimos há pouco tempo q ela tem SPP, estamos evitando essas "peripécias". Ou seja, ela de certa forma fica privada de ter mais contato com a família. Isso nos deixa triste. Já fizemos muitas peripécias desse tipo, como subir até o terceiro andar do apê da minha tia sozinho com ela no colo, subir uma escada q tinha um vão de 55 cm com degraus de distância idem, igualmente com ela no colo… Por isso q a nossa casa ou apê será muito bem pensado e adaptado. Um grande abraço!!!

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    • 28 de maio de 2009 em 11:42
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      Oi Carlos, quando minha família quer a presença do meu namorado nas reuniões, temos que comemorar na casa dos meus tios ou em algum restaurante com acesso. Aqui em casa só mesmo quando alguém mais jovem (tipo meu irmão e amigos) estiver presente. Pena que ele more fora do Rio… beijos, Bianca

  • 5 de junho de 2009 em 21:49
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    Bianca, o seu irmão tem namorada??? Se não tiver me apresenta preciso de um namorado assim??? Não só pela força, mas mais pela coragem… Beijossssssssssssss e que vocês (você e o Eduardo) sejam MUITO, mas MUITO FELIZES mesmo e que essa felicidade (no amor) que eu ainda não encontrei seja ETERNA (não enquanto dure como diria o poetinha!). Beijosssssssssssssssss mineiros, Mônica.

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  • 16 de outubro de 2014 em 14:29
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    Faço faculdade em uma cidade, onde passo a semana (segunda a sexta) e volto pra casa da minha família nos fins de semana. Meu namorado mora na mesma cidade em que eu estudo. Já levei ele pra visitar minha casa, onde mora minha família, mas aqui onde passo a mair parte do tempo ele nunca pôde estar porque é apartamento. Concordo muito com você no que diz respeito a importância de mostrar o nosso cantinho, as nossas coisas e, apesar dele já ter ido lá em casa, achei que ainda tava faltando esse pedacinho que era o lugar que eu acordava todos os dias pra ir pra faculdade, onde eu ficava muitas vezes estudando até tarde, meu lugarzinho cotidiano Foi aí que tive a ideia de gravar um vídeo falando tudo isso. Falei sobre a importância de mostrar esse pedacinho que faltava da minha vida pra ele e já que “Maomé não podia ir até a montanha, a montanha iria até Maomé” hehe Filmei o percurso todo, desde a entrada do prédio lá em baixo até o último cômodo, fazendo as descrições devidas, como se ele estivesse lá. Quando mostrei pra ele, achou super lindo e ficou até emocionado. Foi um momento muito especial!

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