E agora?

ilustração no estilo grafire de um casal se beijando no chão, ao lado de uma cadeira de rodas

E agora? O corpo mudou. Os movimentos são limitados e a sensibilidade apesar de existir, não é mais a mesma. As sensações são outras.
Como seria o sexo dali pra frente? Sexo casual nem passava pela minha cabeça. Aquela famosa "rapidinha" ficou no passado. Até porque, depois da lesão, nada é rápido, até pra me vestir levo mais tempo. Mas tudo bem. Senti que a solução seria me entregar totalmente e confiar no parceiro. Precisaria descobrir novamente meu corpo e saber como ele funcionaria após a lesão.

Quando comecei a namorar fiquei um tanto nervosa. Seria a primeira vez, pela segunda vez. Mas apesar dos medos e inseguranças me sentia tão à vontade com meu namorado, que me senti tranqüila. Quando o clima começou a esquentar não sabia se dava atenção as minhas neuras ou me deixava levar pelas sensações e estímulos do meu corpo. Mas os carinhos e beijos foram se tornando cada vez mais intensos, e comecei a ficar tão envolvida com aquele momento que as preocupações foram sumindo, e a entrega foi total. Os corpos se tornaram um só, se movimentando no mesmo ritmo e a falta de movimentos passou desapercebida.

Foi um dos momentos mais importantes pra mim, pois pude perceber que ainda tinha desejo e era desejada. E que mesmo de uma forma diferente podia ter prazer.
Quando há entrega, tudo é possível.

10 thoughts on “E agora?

  • 12 de junho de 2009 em 13:28
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    Belo texto… vibrante, corajoso e delicado. Beijos

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  • 12 de junho de 2009 em 15:57
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    lindo !!! elegante !!! sensível !!!
    Beijos !!!

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  • 12 de junho de 2009 em 20:08
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    Cris continua a escrever assim, eu adoro, beijos quero mais

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  • 15 de junho de 2009 em 13:32
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    Cris, adoro seus textos. São pessoais e sensíveis. Acredito que você consegue chegar em muitas pessoas que tb têm dúvidas e querem trocar ideias sobre isso.
    Acho que quando a gente se entrega e encontra uma pessoa com os mesmos sentimentos, tudo fica mais simples e com isso, mais feliz. 

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    • 15 de junho de 2009 em 13:32
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      Oi Jaqueline, obrigada! Mas as vezes acho que é pessoal de mais. Mas se consigo chegar nas pessoas, então tá bom! E sim, quando há entrega do dois lados tudo fica mais fácil. Bjs, Cris.

  • 17 de junho de 2009 em 22:51
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    Adorei os artigos deste site!
    Não sou cadeirante, mas é muito bom ver as coisas de outra perspectiva, e sair da ignorância. Estou indo viajar e nunca tinha pensado sobre como os cadeirantes fazem para viajar, ter acesso aos locais, etc…
    Parabéns pelo seu texto. Gostei muito de ler.
    Abraços,
    Fabiana

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