Reconhece a queda e não desanima

Todo mundo conhece a famosa frase: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, que faz parte da música “Volta por Cima” de Paulo Vanzolini. Pois bem, segundo o próprio autor essa é a parte que as pessoas mais lembram, mas, para ele, a frase mais importante da música é a que vem logo antes e diz: “Reconhece a queda, e não desanima.”

Quando o Dado leu sobre isso pra mim, em um e-mail de nossa amiga Dani, na hora me deu um estalo: putz! Essa frase sintetiza perfeitamente uma reabilitação bem feita!

Tudo bem, essa frase sintetiza perfeitamente um milhão de coisas, mas quando penso numa pessoa reabilitada de verdade, imagino exatamente essa situação: reconheceu a queda, mas sacou que se lamentar não era a solução.

Aliás, toda vez que vejo em programas de TV ou leio em algum jornal ou revista matérias sobre mais uma pessoa que está se submetendo a tratamentos para voltar a andar, que ainda não tem seus resultados comprovados cientificamente, penso justamente isso: “tsc, tsc, tsc, essa pessoa não reconheceu a queda…”

Quem conhece o programa de 12 passos utilizado no AA ou nos demais grupos anônimos que seguem essa linha, sabe que o primeiro passo é reconhecer que se tem uma doença. Acho que o mesmo se aplica as pessoas em reabilitação. É necessário assumir pra si mesmo, que a vida será diferente dali pra frente. Aceitar a nova situação e entender que é possível ser feliz assim. Enquanto a pessoa não reconhece tudo isso, ela continua dando murro em ponta de faca. Investindo seu tempo e sua vida no projeto errado.

Sim, o refrão “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” é mesmo forte e animador, mas tenho que concordar com o autor da música, a frase que vem antes é muito mais importante: “reconhece a queda, e não desanima!”

. . .

Volta por cima
(Paulo Vanzolini)

Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

Comentários

Comentários

8 comentários em “Reconhece a queda e não desanima

  • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 22:06
    Permalink

    Lindo!Aqui em casa a nossa felicidade é vivida um dia de cada vez,o ontem já era e o amanhã ainda tá longe,então vivemos o agora com toda intensidade.
    beijos

    Resposta
    • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 22:06
      Permalink

      Oi Tania, esse lema é muito bacana, mas difícil à bessa de ser aplicado. Ainda estou tentando aprender 🙂 beijos, Bianca

  • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 22:58
    Permalink

    excelente post!

    Sei que você está aí.
    Sei que está com medo.
    Está com medo de nós.
    Está com medo das mudanças.
    Eu não conheço o futuro.
    Eu não vim aqui te dizer como isso vai acabar.
    Eu vim aqui te dizer como vai começar.
    E vou mostrar a essas pessoas o que elas não querem ver.
    Vou mostrar a elas um mundo…
    Um mundo onde tudo é possível.
    Para onde vamos daqui…
    É uma escolha que deixo pra você.

    (Matrix – 1999 / Wachowski brothers)

    Resposta
    • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 22:58
      Permalink

      Adorei, Christian! Aliás, Matrix é tudo de bom (o primeiro)! E esse texto tem tudo a ver com o post. Valeu! beijos, Bianca

  • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 15:17
    Permalink

    Bianca, muito bom esse texto. Quanto aos que se submetem aos tratamentos mirabolantes, entendo que queiram muito recuperar seus movimentos. Eu também quero. Mas acredito que é melhor reconhecer a nova situação e superar os novos desafios, somando vitórias a cada conquista. Se eu conseguir uma recuperação total, vou encará-la como uma grande vitória. Mas não a coloco como meu único objetivo da vida. Justamente por isso vivo feliz sem me preocupar com "e se?", que emperra a vida de muita gente mais do que a própria deficiência.

    Resposta
    • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 15:17
      Permalink

      Oi Nick, que bom que vc gostou do texto. Fiquei com medo de soar piegas, mas fico mais tranquila, sabendo que outro autor do blog gostou do que escrevi. beijos, Bianca

  • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 15:35
    Permalink

    E quando a familia da gente não reconhece o que fazer?

    Resposta
    • segunda-feira, 6 de julho de 2009 em 15:35
      Permalink

      Oi Wagner, imagino que isso aconteça com frequencia. Ppor conta disso, muitas vezes a família tb precisa de ajuda durante o processo de reabilitação. O CVI tem um programa para familiares. Parece que é nas 4as feiras. Entre em contato com eles: http://www.cvi-rio.org.br/. beijos, Bianca

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Connect with Facebook

Pin It on Pinterest