Anjos

Imagem de um nenêm com asas como se fosse um anjo, chorandoSabe aquelas pessoas que aparecem do nada na sua vida e depois desaparecem, mas que acabam tendo um papel fundamental na nossa trajetória? Pois é, eu tive alguns desses “anjos”. Sem a ajuda deles minha vida teria sido bem mais complicada.
Um deles foi uma fisioterapeuta que conheci durante minha reabilitação. Essa é uma fase muito delicada e fundamental, pois define muito como vai ser o seu relacionamento com a deficiência. Sempre tive a cabeça muito focada em me tornar independente, mas tinha horas (e não foram poucas) que batia um certo desespero: “será que vou conseguir mesmo ser independente? Vou mesmo alcançar meus objetivos? Vou ter vida após lesão?” E bem no auge dessas minhas neuras comecei a ter mais contato com essa fisioterapeuta, que além de me dar a maior força pra fazer as coisas, tinha conhecimento de causa, pois o pai dela é cadeirante. Ela tinha um exemplo bem perto e por isso podia me dizer que eu poderia, sim, fazer um monte de coisas das quais me achava incapaz. E foi com a ajuda dela que deixei de sair por aí parecendo um Robocop.

Pois é, quem já passou por centros de reabilitação sabe do que estou falando. Eles nos enchem de tanta parafernália, como meias de compressão, calha ortopédica pra não entortar o pé. Sem falar nas opções de cadeiras de rodas que são as mais toscas e trambolhudas. Dizem que você só deve usar calça de malha pra não prejudicar a circulação, luva pra empurrar a cadeira e por aí vai. E depois de vestir isso tudo, você se olha no espelho e tem vontade de chorar. Não se reconhece diante de tantos acessórios. Sim, alguns deles são necessários, mas existem formas mais discretas de usá-los e modelos menores e mais bacanas. Enfim, não fosse pelas dicas desse “anjo” fisioterapeuta, ainda estaria usando aquilo tudo. Também tinha “n” medos, e com certeza ela foi uma das pessoas que mais me ajudou e encorajou durante essa fase. Depois que tive alta acabamos perdendo o contato. Mas foi uma das pessoas que mais me ajudou durante a reabilitação.

Outro anjo desses, foi Seu Pernambuco, o flanelinha camarada. Isso existe? Flanelinha gente boa? Pra mim existiu. A faculdade onde estava estudando não tem estacionamento, então eu tinha que parar o carro na rua e atravessá-la, encarando um meio-fio de 10m de altura… Ok, exagerei, mas era bem alto mesmo. Pra variar a faculdade não estava nem aí pra como eu ia chegar até o prédio. Afinal isso não era problema deles. Talvez fosse da prefeitura, do governo estadual ou até mesmo do Papa, mas a entidade não era responsável pelo meu transporte, apenas pelo acesso dentro dela. (Sim, eu ouvi tudo isso). Mas enfim, estou eu correndo atrás de um plano B para chegar a faculdade e acabo conhecendo o Seu Pernambuco. Gente boníssima e super informado. Discutíamos política, futebol e economia constantemente. E por ser uma pessoa extremamente religiosa, ele se sentia na obrigação de me ajudar. E sempre me ajudava no maior bom humor. Guardava uma vaga pra mim todo dia em frente ao prédio, me ajudava a montar a cadeira, atravessar a rua e subir a rampa. E ai de mim se tentasse fazer qualquer coisa sozinha. Na hora da saída, lá vinha ele me ajudar. Nunca aceitou nenhum pagamento da minha parte. Por isso, desisti de tentar pagar e volta e meia levava comida e roupa pra ele. Os quais ele aceitava prontamente e ficava todo feliz. E eu também. Não fosse pela ajuda dele, ia ser muito mais complicado e estressante chegar à faculdade. Nem sei se teria ficado até me formar. Na minha colação, fiz uma merecida homenagem ao Seu Pernambuco. Como voltei a trabalhar no Centro da Cidade esse ano, e perto de onde estudava, quase na mesma rua, volta e meia encontro com ele. Sempre com sorriso no rosto e perguntando: “E o nosso Flusão?”.

Sim, essas pessoas aparecem em nossas vidas a todo momento. Não precisa de uma lesão na medula. Mas me lembrei desses casos, dessas pessoas certas nos momentos mais incertos. Só tenho a agradecer.

8 thoughts on “Anjos

  • 15 de julho de 2009 em 15:15
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    Cris adoro ler o blog de vocês. Eu ainda não encontrei um FLANELINHA QUE EU GOSTASSE, ODEIO TODOS. Todos sem noção, abusados, oportunistas…. e outras coisitas mais. Que bom q vc tenha encontrado com um anjo desse.

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    • 15 de julho de 2009 em 15:15
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      Mas eu tbm não gosto de nenhum. Até hoje acho que o Seu Pernambuco tem alguma identidade secreta, rsrsrs. Ele é a única excessão, o resto eu nem comento. Bjs, Cris.

  • 16 de julho de 2009 em 09:56
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    É verdade,mto anjos ja se passaram pela minha vida tbem,recentemente um deles foi morar no céu.Parabéns pelo blog,sou leitor assiduo.
    bjo Cris.

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    • 16 de julho de 2009 em 09:56
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      Ainda bem que eles existem, né? Que bom que gosta do Blog! Bjs, Cris.

  • 16 de julho de 2009 em 14:06
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    Eu tb acredito em anjos e eles estao mais perto do q imaginamos. Vc e sortuda em ter conhecido um deles.

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    • 16 de julho de 2009 em 14:06
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      Oi Márcio, acho que todos conhecemos alguém especial em algum momento. Bjs, Cris.

  • 16 de julho de 2009 em 14:14
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    Muito bom o texto, Crieis, adorei! Como sempre, aliás… A foto é bem fofa! E por falar em foto, tem foto minha lá no FotoGlobo hoje!!! Vai lá ver! =)

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