Comentários

Ponto de interrogação com boneco ao ladoBom, estava eu aqui pensando na vida, rezando por um momento de inspiração pra um post do blog, e nada. Fiquei fuçando inúmeros blogs, sites, Twitter… e nada. Mas eis que fui ao ortopedista, pra reclamar das minhas dores, da vida e do namorado (brincadeirinha!) e veio minha fonte inspiradora: uma outra paciente sentada na sala de espera.

Estava lá eu na salinha, vendo Ana Maria Braga na TV, me divertindo, quietinha quando adentra a criatura. Eu olho, dou bom dia, e continuo de olho na telinha. Telinha mesmo, se a TV fosse um pouco menor só daria pra ver um pontinho verde nela – o Louro José. Então, a senhorinha senta perto de mim, mas fica inquieta, mudando de posição toda hora. Pensei: “Lá vem! Qualquer olhar meu será fatal, ela vai começar a falar”. Tentei não dar atenção. Mas ela se mexia tanto, que acabei olhando. Não deu outra, assim que ela teve minha atenção disparou: “Fica calma, o Dr. Márcio vai te ajudar, ele é excelente!”. Ok, sei que a intenção dela era das melhores, mas às vezes me pergunto por que as pessoas tem tanta necessidade de falar alguma coisa. Entendo que ninguém faz por mal, mas de vez em quando as pessoas exageram um pouco, né? Tem perguntas e comentários que já são de praxe:

– A prima do irmão do marido da minha vizinha conhece uma pessoa “assim”, que nem você!

– Pode deixar que eu sei como ajudar, conheço outras pessoas que usam cadeira de rodas.

– Seu namorado também é deficiente?

– Porque não usa aquela cadeira que tem motorzinho? É muito mais legal!

– Eu te admiro muito, se fosse comigo… Acho que me matava.

– Eu vi num programa de televisão, um cara que voltou a andar depois de tomar um remédio. Você devia tentar!

– Eu sei como é ser assim. Uma vez, eu torci o meu dedo mindinho…

– Ainda não tem cura para o seu “problema”?

Por mais que passem zilhões de respostas mal criadas pela minha cabeça, sempre respondo com um sorriso na esperança de que as perguntas parem por ali. Mas não tem jeito: a necessidade de falar sempre será mais forte.

16 thoughts on “Comentários

  • 6 de agosto de 2009 em 23:49
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    Impressionante, já ouvi quase todas essas…E a minha reação é a mesma que a sua, dá vontade de xingar, mas acabo sendo educadinho só pra não ter aporrinhação…

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    • 6 de agosto de 2009 em 23:49
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      Oi Heitor, acho que tem perguntas padrões, rs. Mas acho que a melhor saída é essa mesmo, responder bonitinho,rs. Bjs, Cris.

  • 7 de agosto de 2009 em 15:43
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    E quando voce tá na rua e vem alguem e te diz – ‘Jesus te ama!! Venha comigo para o templo XYZ que o Pastor Fulano vai orar e te curar!!!’.
    Sem nenhuma restrição a nenhuma crença religiosa, ou à boa vontade de ninguem, mas essas abordagens realmente enervam qualquer um.

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    • 7 de agosto de 2009 em 15:43
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      Também acho Sérgio. Ainda mais quando tentam impor alguma crença que promete a cura. Isso me tira do sério. Bjs, Cris.

  • 7 de agosto de 2009 em 17:22
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    Seu ortopedista é o Dr. Márcio Cunha, em Botafogo? Ele é meu médico também. Adoro ele!

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    • 7 de agosto de 2009 em 17:22
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      Oi Márcia, é ele mesmo! Foi minha primeira consulta e adorei ele! Bjs, Cris.

  • 8 de agosto de 2009 em 10:20
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    Cris, adorei! ahahhahahah…. e aquela assim: "é de nascença?"! Beijocas

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    • 8 de agosto de 2009 em 10:20
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      Oi Jairo! Tem cada uma, né? Acho que dava um livro, rs. Bjs, Cris.

  • 7 de agosto de 2009 em 20:58
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    Concodo com você em gênero, número e grau. Mesmo hoje, após dez anos de lesão, de vez em quando encontro um antigo conhecido, que não sabia do aciddente e pergunta – o que aconteceu com você,quebrou a perna? Confesso, que dependendo do clima, costumo responder que sim, para não ter que voltar ao passado e ouvi aquele célebre comentário, "coitadinha"…

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    • 7 de agosto de 2009 em 20:58
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      Essas situações são delicadas, né? A pessoa demora a entender o que acontece e acaba virando uma situação meio constrangedora. Bjs, Cris.

  • 10 de agosto de 2009 em 11:29
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    Tenho sequela de pólio no membro inferior direito desde os dois anos, fruto da Salk. Também escuto, todo santo dia, perguntas a respeito de minha perna (uso um brace articulado para melhor me locomover por essas terras sem acessibilidade…).

    Taxista é um ser recorrente. Já criei um repertório de respostas. Depende o dia, do humor, da dor, das dívidas etc.

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    • 10 de agosto de 2009 em 11:29
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      Oi Luís, eu também acabo respondendo basicamente a mesma coisa, rs. Bjs, Cris.

  • 10 de agosto de 2009 em 18:24
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    Não sei se eu ri mais com o tópico ou com os comentários. Essa do templo xyz é seeempre. Já cheguei a dizer prum evagélico que eu era do camdoblé, a outro q eu tinha pacto com o demonio, e acabei de pensar uma nova resposta pra próxima vez q me perguntarem:
    Sou freira, vou me casar com Jesus e não gosto de vcs mexendo com o nome do meu futuro esposo assim.
    Não é desfazendo de nenhuma religião, eu aliás sou bastante crente e respeitosa. Mas a gente cansa de gente querendo nos dar a salvação! E eu lá tenho cara de perdida?????

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    • 10 de agosto de 2009 em 18:24
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      Oi Mila, ri muito com suas respostas. Adorei a da freira, rsrsrsrs. É, as pessoas na intenção de ajudar as vezes passam um pouco dos limites mesmo. Bjs, Cris.

  • 18 de agosto de 2009 em 16:46
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    Cris não é só na sua condição, não! E o "bendito" elevador tem sempre um "sem graça" que puxa assunto, sem a gente ter a MENOR vontade de conversar, um SACUUUU…
    Bjs

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  • 24 de agosto de 2009 em 17:46
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    legal é qd vc vai a algum estabelecimento cuja entrada tem escadas e vc é encaminhado pra uma entrada lateral ou pela garagem, daí te deixam esperando do lado de fora enquanto vão lá dentro abrir. É claro que tem sempre um que passa, olha, e pergunta: quer entrar? quer que eu vá pedir a alguém pra abrir pra vc?…e a vontade de responder: não, obrigada, eu já disse "abre-te sésamo" e to esperando a porta abrir sozinha.

    Falando em taxista, já teve um que me perguntou pq eu não chamava uma ambulância pra me levar ao shopping…hehehe..(acho q já contei isso aqui)

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