Opinião e cotidiano

Será que mudamos? (2)

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Em um post recente da Cris, ela falava sobre as mudanças depois da lesão. Mudanças ou amadurecimento, eis a questão. Depois de ler fiquei pensando um pouco além, não apenas sobre as mudanças que se passaram comigo ou com a minha forma de viver, mas também com a forma de eu me relacionar com as pessoas. Quem nunca se pegou pensando “agora que estou sentado, quem vai querer namorar comigo”?

Quando eu era mais novo, era muito tímido (acho que sou até hoje) e nunca fui daqueles caras que iam atrás das mulheres mais lindas. Isso às vezes me incomodava, mas era outra fase da vida em que eu não precisava valorizar o QI de ninguém. Mas de vez em quando alguém valorizava o meu, e qual não era minha surpresa quando era uma das garotas que todo mundo procurava? Eu era feliz no meu mundo de festinhas adolescentes, computadores, amigos nerds e carros (mas me contentava em sair dirigindo uma Brasília ou um Corcel).

O tempo passou, minha cabeça mudou e meu corpo não é mais o mesmo, nem funciona da mesma forma. Hoje aprendi que os opostos até despertam a curiosidade temporária, mas um relacionamento de verdade se mantém com idéias e ações comuns. E o principal: o corpo, que antes era o critério de seleção, ainda tem importância, mas não decide mais nada. O amor é para todos, sentados ou em pé.

Hoje valorizo muito mais uma pessoa que me acompanha e que tem os mesmos valores que eu, talvez até pense da mesma forma. Que queira crescer comigo e compartilhar todos os momentos, bons e ruins.

E aí vem o desejo. Sim, isso é importante: a beleza e o tesão. Mas não há padrões. É química entre os corpos. É a atração física que diferencia os bons amigos dos ótimos amantes. E é o sexo que comemora as alegrias do casal, assim como afoga no prazer qualquer desentendimento tolo que tenha surgido e teime em querer afastá-los.

Mas a união é uma troca, e eu também tenho que ser bom para ela pelos mesmos motivos. De nada adianta eu encontrar a mulher que sempre sonhei se eu não puder atraí-la e ter sua admiração. Por isso, também sei que não posso me acomodar, preciso sempre melhorar. Tocar a vida, estudar e trabalhar sem reclamar. E depois, curtir e namorar…

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

9 Comentários

  1. Cristiana Costa e Silva quinta-feira, 20 de agosto de 2009 em 10:22 -  Responder

    Que lindo post Nick!!! Mas entro na questão de que chega num ponto em que é tudo igual pra todo mundo, cadeirante ou não. Não há quem não se identifique com o que você escreveu. E permanece a questão: mudamos ou amadurecemos? Adorei! Parabéns! Bjs, Cris.

    agosto 20th, 2009 - 10:22
    Mão na Roda respondeu:

    Obrigado, Cris. 😉 Realmente, no relacionamento acaba ficando tudo igual para todos. Tanto o cadeirante como o parceiro "esquecem" da cadeira e as alegrias e discussões acontecem da mesma forma. Acho que essa história de "mudar ou amadurecer" ainda vai render muita discussão aqui no blog… e foi vc quem começou… ehehehe… Abraço, Nickolas.

  2. Mila Correa sexta-feira, 21 de agosto de 2009 em 16:17 -  Responder

    Nickolas, suas palavras foram exatas.
    A gente passa por muitos momentos em que a vida põe na dúvida o que realmente somos. Se não nos conhecermos, nos aceitarmos, a gente fica perdidão quando perde algo.. E isso vale para todas as pessoas, em pé ou sentada.
    E, quando duas pessoas se unem, elas ajudam umas às outras nessa tentativa se conhecer, se aceitar e sempre evoluir. Quando vc tem alguém q te ajuda nessas coisas, não importa se nossas cabeças estão à 1,20m ou à 1,80m do chão. A gente se sente nas nuvens.

    agosto 21st, 2009 - 16:17
    Mão na Roda respondeu:

    É isso aí, Mila, a força da união de duas pessoas é como a distância do chão até as nuvens: muito maior que os 40 ou 60 cm que separam a pessoa em pé da outra sentada… 🙂 Abraço, Nickolas.

  3. Flávia da Cruz Gallo segunda-feira, 24 de agosto de 2009 em 13:36 -  Responder

    Que belo texto.. complementando de forma brilhante o pensamento que a Cris iniciou! Quem dera todos os homens tivessem esta maturidade, pq eu chamo de maturidade sim o fato de um homem perceber tudo isso que vc falou neste texto! É maturidade e um privilégio que não é para todos… Parabéns! A minha ávó sempre me disse que as pessoas acabam crescendo e amadurecendo ou na alegria ou na dor… De um jeito ou de outro, um dia a gente aprende! Vc falou tudo exatamente como eu penso… Beijo!

    agosto 24th, 2009 - 13:36
    Mão na Roda respondeu:

    Flávia, sua avó tem toda razão. Eu acho que amadurecemos mais rápido com os erros e tristezas, pois deixam marcas mais profundas. Já dizia Darwin que são as adversidades que motivam a evolução das espécies, isso vale até hoje. A capacidade de transformar essas experiências em maturidade é que vai trazer a alegria de cada um… 😉 Um abraço, Nickolas.

  4. segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 em 22:38 -  Responder

    Só queria acrescentar que pessoas em cadeiras de rodas, alem de continuarem as mesmas na capacidade de amar e serem amadas, tb continuam com a capacidade de magoar alguem, de usar alguem e depois jogar fora, de mentir e dizer coisas doces só pra levar alguem pra cama e depois descartar sem se importar com os sentimentos da outra pessoa, sem ver que alem desta pessoa não ter tido preconceito da sua condição, se entregou de corpo e alma e não foi valorizado. Só pra lembrar que a condição de cadeirante não impede a pessoa de amar, conquistar, cativar e magoar alguém. Para o Nickolas: Realmente bonito o que escreveu, não esqueça de por em prática ok? SABER AMAR É SABER DEIXAR ALGUEM TE AMAR!

  5. quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 em 12:18 -  Responder

    Antes que haja algum mal entendido, quero deixar claro que meu comentário não é para ser levado para o lado pessoal, e nem é para ninguem específico deste blog, pois nem os conheço. Eu só direcionei um apelo para o Nickolas no final por ter sido ele quem escreveu o post, mas serve para qualquer pessoa. Pois sou uma andante que sofreu uma decepção muito grande com alguem que se encontra na mesma situação, e qdo vi o post falando de relações afetivas não resisti e tive que fazer um desabafo, para lembrar a todos, que realmente não importa se estamos em pé, ou sentados, todos estamos sujeitos a sofrer e fazer alguem sofrer. E não como muitas pessoas preconceituosas pensam, que só pq o cara é cadeirante será sempre visto como coitadinho e a namorada andante incompreensiva, e isso não é verdade. No amor não existe vitimas, os dois tem as mesmas capacidades de amar e ferir um ao outro.
    Abraços a todos e parabéns pelo blog e desculpem o desabafo.

    abril 30th, 2010 - 17:34
    Nickolas Marcon respondeu:

    Obrigado pelo esclarecimento, evitando interpretações dúbias sobre seu comentário anterior. Um abraço.

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