Mulher guerreira

Mulher vestida de guerreira empunhando espada estilo orientalAcho que as namoradas de cadeirantes vão entender muito bem esse texto de hoje. Pra ser mulher de cadeirante tem que ser guerreira. Não, gente, não estou falando sobre superar limites, agüentar barras, enfrentar preconceitos. Não tenho do que me queixar nesses quesitos. Apesar das ruas esburacadas e dos locais sem acesso no Rio de Janeiro a gente dá sempre um jeito. Estou falando sobre coisas bobas como trocar uma lâmpada ou pregar um quadro na parede. Ou quem é que você acha que vai subir na escada pra pegar aquelas rodas pesadas que ele pediu pra você mesma guardar lá em cima do armário?

Longe de mim estar reclamando, sempre fui do tipo que põe a mão na massa e o que estiver sob meu alcance, resolvo. Mas em alguns momentos a situação chega a ser engraçada.

Como no dia em que fomos fazer compras e o Dado foi em casa pegar o carro, enquanto eu terminava de pagar a conta e encher as sacolas. Pra agilizar o processo, ele deixou a cadeira de rodas na garagem e veio só com o carro. Como ele não podia sair do carro sem a cadeira, ficou sob meu encargo carregar todas as sacolas até o porta-malas. Imagino o pensamento das pessoas: “Mas que carinha folgado! Deixa a namorada carregar tudo, enquanto fica sentadão dentro do carro!”

Aliás, essa cena é recorrente. Eu cheia de compras andando pela rua e ele só com a mochila atrás da cadeira. Quem olha de longe, acha sempre que a coitada da namorada do cadeirante é que sofre! O que ninguém sabe é que as coisas mais pesadas vão sempre dentro da mochila dele.

Mas em alguns momentos sinto a situação tão invertida, que dia desses resolvi fingir que não estava conseguindo instalar o purificador de água, pra que o Dado viesse me ajudar e eu me sentisse mais “mulherzinha”. (Ele nem sabia disso, vai descobrir quando ler este texto!).

Mas não me queixo. Eu até gosto! Até porque meu namorado faz tantas coisas legais, que me sinto feliz em saber que algumas coisas eu consigo fazer melhor que ele 😛

8 thoughts on “Mulher guerreira

  • 25 de agosto de 2009 em 13:26
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    O seu texto diz tudo!!É bem assim o meu namoro,às vezes me sinto meio "cansada" mais com vc disse não pelo fato do preconceito nem nada,mais de sempre fazer as coisas,tem hora que eu canso,ainda mais quando sei que ele está fazendo ou pedindo algo só para me irritar.
    Ele gosta de fazer isso,diz que eu fico lindaa brava kkk.
    Mais também sempre faço um charminho pra ele me ajudar em algo,até para a alto estima dele,para ele não se sentir incapaz.

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    • 25 de agosto de 2009 em 13:26
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      Oi Naiara, é engraçado porque tem vezes que eu não sei quando devo ajudar ou não. Volta e meia o Dado vem com a frase: "Vc está duvidando da minha capacidade" hehe. Ele fala brincando, lógico, mas entendo o lado dele. beijos, Bianca

  • 26 de agosto de 2009 em 00:44
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    Sacanagem isso do filtro de água, hein? Mas posso conviver com isso. Susto mesmo eu tomei com o "mulher guerreira" do título. Achei que era alguma alusão à vc encarando minha formosura.
    Beijinhos!
    PS: minhas rodas são leves e eu lavo a louça! 🙂

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    • 26 de agosto de 2009 em 00:44
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      Imagina se encarar sua formosura é um problema? É uma maravilha, isso sim! Sou guerreira, mas não nesse sentido. Aliás, nesse sentido, nunca fui muito guerreira, não. E obrigadinha por lavar a louça! beijos! Bianca

  • 30 de agosto de 2009 em 17:02
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    Achei muito interessante essa postagem! Também sou namorada de cadeirante, e agora que estamos noivos, estamos reformando nossa casa. Como onde moramos o custo de mao de obra e muito elevado, estamos fazendo a reforma com nossas proprias maos. Interessante que ele quebra o chao e pinta o rodape qdo consegue e eu pinto o resto das paredes, troco os azulejos, coloco o piso, pinto os tetos, etc. A questao e, sim, temos que ser muito guerreiras para seguir adiante a vida do lado do cadeirante, e sim, somos iluminadas, presenteadas e felizes qdo temos ao nosso lado um homem forte, determinado, lindo, engracado, companheiro e amoroso que nao usa as pernas para andar… mas usa a forca e o coracao para viver uma vida normal.

    Enre uma coisa e outra aprendi que, tudo e possivel, so que algumas vezes tem qe ser feito de jeito diferente. Cabeca aberta, forca de vontade dos dois lados somados a amor e respeito resulta em felicidade extrema!

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    • 30 de agosto de 2009 em 17:02
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      Oi Janaína, é por aí mesmo. Com cabeça aberta, amor e respeito tudo é possível! Algumas vezes de formas diferentes, mas que mal há nisso, né? beijos, Bianca

  • 2 de setembro de 2009 em 14:25
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    Eu relaxei de pensar. Sou um peão de obras e afins. Executo tudo que é uma beleza, mas n peça para explicar o mecanismo do tubo que troquei, a cor do fio q emendei, etc. Virei uma namorada que só pensa quando tem q ser mulherzinha… e ele pensa quando tem q ser homenzinho. Eu brinco q ele terceirizou a mão-de-obra.

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    • 2 de setembro de 2009 em 14:25
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      Tb não fico pensando muito nisso, não. Como semrpe fui de botar a mão na massa, nada disso pra mim é problema. Fico só imaginando uma patricinha namorando um cadeirante. Acho que não daria certo, né não? Ah! Adorei o "terceirizou a mão de obra"! beijos, Bianca

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