Relacionamento

Ok, já sabemos que relacionamentos não são fáceis. Já é difícil lidar com as nossas neuroses, com a do outro então… Mas também não nascemos para a solidão. A gente se apaixona, ama, deixa de amar, e (infelizmente) nem sempre nos amam. É o normal da vida. Mas tem horas que achamos que vai ser impossível se relacionar novamente. Isso aconteceu comigo após o acidente. (e atire a primeira pedra quem não teve esse momento). Assim que comecei a me entender com meu corpo, comecei a pensar se iria namorar de novo. Mas já falei isso aqui, num outro post. O lance agora é quando acontece.

Você conheceu aquela pessoa que deu aquele “clic” diferente. E o “pior”: a pessoa se interessou por você também. Tudo o que você queria, ou pelo menos achava que queria, aconteceu. É aí que as neuroses triplicam: “Será que ele gosta mesmo de mim, ou tá com pena? Será que ele tem noção de todas as limitações que tenho, e vai querer superá-las? Não sei se vou ser uma boa namorada. O que tenho a oferecer afinal? Vou ser um “peso” na vida dele, preciso de muita ajuda e posso ajudar com pouco… Como vai ser pra ele namorar comigo? A família e os amigos serão receptivos?

É tanta neura que passa pela cabeça, que meu primeiro impulso foi me afastar do cara. Doidera, né? Eu sei… Mas às vezes o medo é tão grande, que a gente acaba fazendo nhaca mesmo. Afasta o outro e pronto. É mais fácil, né? Sinceramente, acho que não. Mas é mais cômodo, com certeza. Assim a gente não precisa lidar com nada.

Para tudo! Não que essas dúvidas não tenham fundamento pra quem é deficiente. Mas estão muito mais na cabeça do que parece. E por mais que pareça clichê, a verdade é que quando se ama essas coisas não tem o peso e a importância que achamos que tem.

Muitos vão dizer: “Ah, palhaçada, é claro que tem importância. Você tá maluca Cris?!”. Não. Não tô não. Tive mesmo minhas muitas neuras e vários (ai que exagero, rsrsrs) relacionamentos relâmpagos, porque não me permitia amar e ser amada. Até que alguém me mostrou que relacionamento é tudo igual. E que a deficiência é de longe algo de peso. Faz diferença na hora de sair ou viajar, comprar alguma coisa, se arrumar. Enfim, no que diz respeito à acessibilidade. No relacionamento em si, no sentimento, é tudo igualzinho. Eu provo! Vou abrir aqui minhas brigas “constantes” com o João:

Eu reclamando dele:

– Toalha molhada e cama não combinam! A toalha não tem pés. Aquela barra no banheiro, a mais fina, tem exatamente o propósito de segurá-la.

– Ah não, futebol na TV de novo?

– Me passa o controle remoto?

– Papel higiênico não nasce no suporte. Tem que pegar no armário e colocar no lugar. Muito menos o rolinho de papelão que sobra anda sozinho até a lixeira.

– Sair hoje? Tão cansada…

Ele reclama de mim:

– Existe um secador na área de serviço, ele aguenta calcinhas. Não precisa usar o banheiro pra elas.

– Ah não, você vai ver esse episódio de Sex and the City pela 379º vez? Você e esses seriados… Tem outra coisa pra ver não?

– Me passa o controle remoto?

– Qual o problema com o jogo de futebol? Para de torcer contra o Flamengo, isso não se faz!

– Você vive cansada…

Viram? Normalzim, igual a qualquer outro casal. Ou tô ficando doida????

Sei que cada um tem seu tempo pra entender o corpo e a vida depois de uma lesão. Mas não adianta se fechar. É bom ter alguém pra amar e dividir os medos, acredite!

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16 comentários em “Relacionamento

  • sexta-feira, 6 de novembro de 2009 em 10:36
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    Tem algumas diferenças, a esportista da casa é minha muletante (tênis e F1), e não deixo toalha na cama. E eu que encho ela com animês, no geral gostamos dos mesmos seriados. Fora isso é igual. Com os problemas de acessibilidade, a maior frescura feminina, a maior bagunça masculina, etc.

    novembro 6th, 2009 - 10:36
    Mão na Roda respondeu:

    Não é sempre igual, mas no final não é a deficiência a maior questão, né? Bjs, Cris.

    Resposta
  • sexta-feira, 6 de novembro de 2009 em 10:36
    Permalink

    Não é sempre igual, mas no final não é a deficiência a maior questão, né? Bjs, Cris.

    Resposta
  • sexta-feira, 6 de novembro de 2009 em 14:48
    Permalink

    Cris, isso é verdade mesmo. Os casais costumam ser iguais em 75% dos fatores que norteiam o relacionamento. Há coisas que parecem ser mais fortes do que a gente e luta pelo controle remoto, as calcinhas no box e o cansaço de um versus a animação do outro são universais. E concordo tb que quando a gente gosta, o resto acaba fluindo. Tem os medos de ambas as partes, a coisa da aceitação, o medo de um possível peso para si ou para os outros, mas quando esta fase passa vem o cotidiano uniformizante. E o legal tb é quando surge o desejo, ai é que vemos mesmo não tem nada de diferente e o que se achava que poderia atrapalhar passa voando.

    novembro 6th, 2009 - 14:48
    Mão na Roda respondeu:

    Também acho Julia! No final, é tudo igual mesmo. Bjs, Cris.

    Resposta
  • domingo, 8 de novembro de 2009 em 15:56
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    É isso aí Cris, neura e chifre é coisa que colocamos na cabeça rsrs. Felizmente eu já estava "escolado" quando aconteceu a lesão e não influenciou em nada pra mim. Nada mesmo. Sei que quando há amor as "picuinhas" são mais importantes que as limitações, que com o tempo passam despercebidas. O negócio é entrar de cabeça e seja o que Deus quiser!!

    novembro 8th, 2009 - 15:56
    Mão na Roda respondeu:

    Rsrsrsrs, que bom que a deficiência não teve influência e que vc entrou de cabeça! Não adianta se esconder, temos que seguir em frente. Bjs, Cris.

    Resposta
  • domingo, 8 de novembro de 2009 em 15:56
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    Rsrsrsrs, que bom que a deficiência não teve influência e que vc entrou de cabeça! Não adianta se esconder, temos que seguir em frente. Bjs, Cris.

    Resposta
  • segunda-feira, 9 de novembro de 2009 em 16:12
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    Só vc mesmo pra descrever o dia-a-dia, as coisas simples, corriqueiras de forma tão sincera, sensível, e acima de tudo acertada! Isso é que desmistifica qualquer "diferença"… Adoro seu jeito de escrever! Já te falei que sou sua fã??? rsrsrs 😛
    Beijos!!!

    novembro 9th, 2009 - 16:12
    Mão na Roda respondeu:

    Obrigada Flávia! No fundo somos todos iguais, não é? Bjs, Cris.

    Resposta
  • quinta-feira, 12 de novembro de 2009 em 18:22
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    Oi, Chris!
    Tempão que não passo por aqui. Ok, às vezes, até passo, mas andava preguiçosa pra comentar…
    Mas, cá estou…
    Lendo seu texto, lembrei de minha última crise. Uma baita dor na coluna, o médico achando que poderia ser uma "evolução" da deficiência, e eu, pirando, viro pro namorado, choramingando: "poxa, namorado, se for isso mesmo, você não vai mais querer ficar comigo, né? Vou servir pra quê?. Depois de uma gragalhada discreta,
    eis que surge a resposta: "Ô namorada, que isso! Você é muito mais do que essas coisas! Não fica assim, vai, por favor! Afinal de contas sou ‘o namorado’, né?"… Se alguém disser que sou louca por ter me apaixonado mais nesse dia, eu esgano… rsrsrs
    Você foi perfeita! Quando se tem amor, todo o resto é mero detalhe!
    bj gde

    novembro 12th, 2009 - 18:22
    Mão na Roda respondeu:

    Oi Marcia, vc tem toda razão por ter se apaixonado mais! Não tem nada de louca. Devíamos ouvir mais quem está com a gente e dar menos atenção as nossas neuroses, rs. Bjs, Cris.

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  • quarta-feira, 21 de julho de 2010 em 22:07
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    sou paraplegico a pouco tempo
    7meses,minha sensibilidade do umbigo até a virilha
    voltou um pouco,mais nao consigo te ereçao,vc que e cadeirante
    a mais tempo,quanto tempo demorou para vc te uma ereçao??
    obg pela atençao!!

    julho 25th, 2010 - 23:07
    Nickolas Marcon respondeu:

    Carlinhos, comparações são inúteis nesse caso, pois a lesão pode afetar a ereção de formas diferentes. Cada caso é um caso. Procure seu urologista para ter orientações a respeito da sua reabilitação sexual. Um abraço.

    Resposta

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