Minha experiência sobre uma cadeira de rodas

Dia desses, Dado saiu pra passear com seu novo brinquedinho (um handcycle) e me deixou em casa com sua cadeira de rodas. Normalmente eu teria estacionado ela num canto qualquer, até que seu dono voltasse. Mas não é que me bateu uma vontade de sentar na dita cuja e tentar rodar por aí? Sim, tentar é a palavra correta. Porque conseguir já são outros quinhentos.

Ainda na garagem do prédio, sentei-me na cadeira e fui tocando-a até o elevador. O estranhamento começou por aí, pois nunca havia rodado com a cadeira sobre um chão irregular (nossa garagem tem aquele chão forrado com placas de plástico com bolinhas, como se fosse piso tátil). Estranhei a ponto de achar que a cadeira empinaria a cada segundo. Deu medinho… Mas segui meu rumo.

Ao chegar à saída da garagem, no caminho pro elevador, uma pequena soleira no meio do caminho fez com que a cadeira travasse. Tentei em vão, me segurar na parede e empurrar a dita cuja, pra ver se na marra ela passava pelo obstáculo. Mas logo percebi que, sem saber empinar a cadeira, não haveria jeito de passar por ali sentada. Pedi arrego e me levantei.

Continuando meu caminho até em casa, empaquei novamente na entrada do elevador. Mesmo problema descrito acima. Ou eu empinava a cadeira, ou eu não passaria pelo desnível do elevador com o solo. Se o elevador estivesse mais baixo que o chão, tudo bem, mas não era o caso. O que eu tinha ali era um degrau. Sem falar na porta pesada, que teimava em fechar em cima de mim, antes que eu consegui passar por ela. Mais uma vez tive que usar minhas perninhas e entrei no elevador andando.

Outro detalhe que me chamou a atenção. Lógico que eu já imaginava que fosse assim, mas nunca tinha vivido a experiência: tudo fica mais alto. A perspectiva muda completamente. As maçanetas, os botões do elevador, os interruptores, todas as alturas ficaram diferentes do que eu estava acostumada. De repente o teto estava loooonge. Me senti como uma criança de novo, quando tudo parece enorme. E fiquei imaginando que, além de você ter que se acostumar com uma vida sem o uso das pernas, ainda precisa se adaptar a sua nova altura. Deve ser bastante estranho.

Dentro de casa, ainda tentei ficar um tempo rodando com a cadeira, mas não deu outra, meia hora depois já estava usando minhas pernas novamente para me movimentar. Sem nem perceber, joguei a toalha!

Ah, se fosse assim tão fácil pros cadeirantes…

Comentários

Comentários

11 comentários em “Minha experiência sobre uma cadeira de rodas

  • segunda-feira, 9 de novembro de 2009 em 18:42
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    Eu tenho vontade de fazer isso…

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    • segunda-feira, 9 de novembro de 2009 em 18:42
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      Vale à pena a experiência, Gustavo! Se conhecer algum cadeirante disposto a te emprestar a cadeira, dê uma voltinha! beijos, Bianca

  • quarta-feira, 11 de novembro de 2009 em 13:57
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    hahahaha
    Me imagino também num "dia de princesa", pra saber como seria minha vida como "andante". Como me vestiria, dirigiria, andaria por aí, subiria escada etc.
    Deve ser louco!
    Amei o tópico. Vindo de uma experiência genuína, de alguém q se interessa, não está apenas curioso.
    Um beijo a todos!

    Resposta
  • quarta-feira, 11 de novembro de 2009 em 13:57
    Permalink

    hahahaha
    Me imagino também num "dia de princesa", pra saber como seria minha vida como "andante". Como me vestiria, dirigiria, andaria por aí, subiria escada etc.
    Deve ser louco!
    Amei o tópico. Vindo de uma experiência genuína, de alguém q se interessa, não está apenas curioso.
    Um beijo a todos!

    Resposta
    • quarta-feira, 11 de novembro de 2009 em 13:57
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      Oi Mila, Imagino que pra você, a experiência oposta tb seja uma completa surpresa. Aliás, volta e meia fico imaginando como seria se o Dado andasse de novo. Até porque quando o conheci, ele já era cadeirante, então seria diferente pra mim tb. Divertido imaginar essas coisas!beijos, Bianca

  • terça-feira, 10 de novembro de 2009 em 19:03
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    fantástico Bianca. Mas achei que vc já tivesse feito isso antes… Um amigo meu tentou também. Aqui em um shopping de SP, era uma situação muito mais confortável que a sua, a missão que dei a ele foi chegar até o elevador sem por os pés no chão. Na primeira tentativa ele recebeu ajuda no meio do caminho de um senhor que insistiu em empurra-lo, ele ficou sem graça de descer da cadeira e aceitou… mas dai não valeu e ele retornou p/ carro e foi novamente, chegando próximo ao elevador uma pequena rampa para o hall, ele tentou vence-la 2 vezes, na segunda virou a cadeira. foi complicado pra gente explicar pro segurança do shopping qdo meu amigo levantou e saiu correndo com vergonha… até provar que focinho de porco não é tomada… por isso cuidado com esses "testes" em público!

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    • terça-feira, 10 de novembro de 2009 em 19:03
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      Oi Christian,Podes crer, eu já deveria ter feito isso antes. É que nunca fiquei sozinha, cara a cara com a cadeira. Ou o Dado estava sobre ela, ou quando não estava, estávamos dentro de casa. Acho que todo mundo deveria passar por isso! beijos, Bianca

  • sexta-feira, 13 de novembro de 2009 em 00:25
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    Bianca, tem sim, é da família, mas eu não dou na cadeira dela… Eu sou grande, rs.

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    • sexta-feira, 13 de novembro de 2009 em 00:25
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      Ah, que pena!!! Quem sabe um dia ela troca de cadeira e você se arrisca na cadeira velha! bjos, Bianca

  • quinta-feira, 17 de junho de 2010 em 22:45
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    Boa noite pessoal, sou auxiliar de enfermagem, sou andandte, porem pretendo fazer alguns testes na minha cidade na cadira do meu irmão, registrar issso na faculdade de enfermagem que faço aqui na Unioeste em Cascavel P)arana.

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  • segunda-feira, 29 de novembro de 2010 em 17:49
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    Em relaçao a altura das coisas em estar sentado foi oque eu mais estranhei no começo da minha “vida” de cadeirante, principalmente oque mais me encomodou no começo foi conversar com as pessoas lado a lado, foi horrivel doia muito o meu pescoço em olhar para cima, ainda mais pq eu estava acostumado sempre em olhar para baixo com os meus quase 1,90, mas infelismente tive que me acostumar um pouco, e mesmo assim depois de 9 anos ainda incomoda um pouco.

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