Milk

milkAtenção, esse post possui informações sobre o filme citado. Quem ainda não o assistiu e não quer saber nadica de nada, pare de ler esse texto aqui 🙂

Semana passada assistimos ao filme Milk. Pra quem não sabe, trata-se de um filme sobre a vida de Harvey Milk, primeiro ativista gay assumido a se eleger a um cargo público nos EUA. Calma, não estou escrevendo para o blog errado. Já já vocês vão entender porque resolvi citá-lo aqui.

Bem, em determinado ponto, o filme narra o episódio em que os EUA passaram por um referendo no qual deveriam votar contra ou a favor de uma a lei que proibia a discriminação por orientação sexual.

Logicamente, Harvey Milk era a favor dessa lei e estava envolvido numa campanha para aprová-la. Mas como convencer os americanos, na década de 70, a aprovar uma lei contra a discriminação de homossexuais? Ele perceber, então, que a melhor maneira de fazê-la passar, seria incitando os homossexuais a saírem do armário. Segundo seu raciocínio, a partir do momento que cada cidadão percebesse que aquele vizinho bacana da casa ao lado, o vendedor da quitanda, a secretária ou chefe legal do escritório, a filha da sua melhor amiga ou mesmo o seu melhor amigo eram gays, o preconceito seria minimizado. Dessa forma as pessoas entenderiam que sempre conviveram com homossexuais e que isso nunca as havia afetado diretamente, e mais, perceberiam que se tratavam de pessoas como quaisquer outras.

E foi nesse momento em que fiz a ligação direta com o problema do preconceito com as pessoas com deficiência. Antes de conhecer o Dado, minha única convivência com uma pessoas com deficiência havia sido com uma prima distante, que era deficiente auditiva e que vi poucas vezes. Eu era criança ainda e gostava muito dessa minha prima, mas não deixei de perceber o sentimento de peninha das pessoas em volta dela. E logicamente acabei sendo levada a sentir pena dela também.

Só milhões de séculos depois, quando conheci o Dado e passei a conviver com ele, é que comecei a me dar conta das dificuldades e preconceitos que sofrem as pessoas com deficiência. Antes eu com certeza diria algo como: “Se acontecesse comigo, eu iria querer morrer.” Agora já consigo ver que a vida “sobre rodas” é totalmente factível e que tem gente mais feliz do que eu, mesmo nessa condição.

Lembro-me também de ter descoberto, por acaso, que uma colega de trabalho tinha um irmão com síndrome de down. Isso porque a família escondia esse menino das demais pessoas. Não fosse o falecimento dele, continuaríamos sem saber disso.

Mas o que quero dizer com esse texto é: o pedido de Harvey Milk para que os homossexuais saíssem do armário pode e deve ser adotado por todo e qualquer grupo de pessoas que se sinta discriminado. É preciso colocar a cara na rua. É preciso mostrar que as pessoas com deficiência estão por aí e também tem os mesmos direitos de ir e vir, de trabalhar, de se divertir, assim como todos que não possuem deficiência. Afinal todo mundo paga imposto, né não? E acredito que só mesmo botando a cara a tapa, assim como já foi feito por diversos grupos em diferentes momentos da história, é que se consegue alguma coisa.

Rodas na rua, galera!

Ah! E não deixem de assistir ao filme “Milk”, é muito bonito e a atuação de Sean Pean é impressionante!

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5 comentários em “Milk

  • sexta-feira, 29 de janeiro de 2010 em 16:27
    Permalink

    Maravilhoso Bianca, concordo com você e a entendo perfeitamente bem, também sou namorada de um cadeirante.
    Reparo os olhares das pessoas quando estamos por exemplo no rioscenarium e/ou carioca da gema etc.

    É realmente preciso mostrar que as pessoas com deficiência estão por aí e também tem os mesmos direitos de ir e vir.

    bjks,
    Ana Carolina Oliveira

    janeiro 29th, 2010 - 18:00
    Bianca Marotta respondeu:

    Pois é, Ana, não sei como era com vc, antes de namorar um cadeirante, mas eu mesma só me dei conta dos preconceitos e falta de acesso depois de viver com o Dado ao meu lado. Eu nem culpo muito as pessoas de uma forma geral, não foram acostumadas a conviver com pessoas com deficiência, é uma questão de tempo e por isso é necessário colocar a cara na rua!
    beijos!

    Resposta
  • quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 em 18:53
    Permalink

    aqui em São Paulo, sempre me pergunto sobre esse lance de “mostrar a cara” e por mais que eu varie os lugares onde eu vá, só vejo eu como cadeirante… Com exceção dos Shoppings.

    dai já fica um pouco de dúvida se é uma coisa social, ou econômica.

    eu não me recordo em meus 21 anos de cadeirante, de ter encontrado um outro em alguma balada, barzinho, restaurante, parque, etc….

    fevereiro 3rd, 2010 - 22:29
    Bianca Marotta respondeu:

    Nossa! Então os paulistas realmente precisam colocar mais a cara na rua! Aqui no Rio já cansamos de esbarrar com cadeirantes nas ruas, balada, bares. Confesso que ainda não vejo tantos qto gostaria, mas pelo visto os cariocas cadeirantes tem menos vergonha 😛
    beijos!

    fevereiro 3rd, 2010 - 23:47
    Eduardo Camara respondeu:

    Acho que o GRANDE problema hoje em dia é a acessibilidade. Não vamos à rua pq não tem acessibilidade. Só que aí, não melhoram a acessibilidade pq acham que não tem gente precisando. Entramos num ciclo sem fim! Por isso acho que temos que fazer um esforcinho e sair de qualquer jeito ou então prestigiar os lugares acessíveis. Em tempo: acho que as calçadas aqui são mais acessíveis, até por causa do relevo da cidade. Em compensação, aí tem muito mais estabelecimentos com rampas e banheiros adaptados! Abração!

    Resposta

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