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Miami e Orlando (Dez/2009-Jan/2010) – Parte 2

Joana Roquette - segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 - 16:19

Nesse texto está a 2a parte da contribuição da leitora Joana Roquette sobre sua viagem aos EUA. Segundo Joana, foi a parte “ruim” da viagem. Confiram!

Estilo de vida “do it yourself” (faça você mesmo) / solidariedade

Pois bem, até aqui parece que só há coisas boas na área latina dos EUA. Mas não é bem assim…

Como alguns devem saber, os americanos são educados a adotar e permitir a adoção de um estilo de vida bem diferente do nosso, o que causa um certo choque a nós brasileiros. É o chamado “faça você mesmo” (do it yourself), o velho “cada um por si e Deus por todos”.

Sendo assim, não espere contar com a boa vontade e solidariedade dos americanos quando estiver passando por algum “perrengue”. Talvez não seja por mal, mas para eles cada um tem que respeitar a liberdade do outro e isso pode chegar a um ponto extremo em que as pessoas pouco se comunicam. É a frieza com a qual não estamos acostumados.

Os postos de gasolina, por exemplo, não contratam frentistas pra fazer o trabalho por você. É o próprio motorista que deve sair do carro, inserir o cartão de crédito na bomba e se virar pra colocar combustível no carro. Minha irmã, que não é cadeirante, na primeira vez que passou por essa experiência, regou o pé de gasolina! Para nós cadeirantes, então, como fazer?? Sinceramente, não sei. Acredito que se você buzinar muito de dentro do carro, algum dos atendentes da loja de conveniência venha perguntar ou oferecer ajuda, mas não vi um método mais civilizado que nos auxilie.

Nos estacionamentos de supermercados e shoppings, que são gigantescos, as pessoas passam por você e por mais que vejam que está em dificuldades pra tirar ou colocar a cadeira do carro, não se propõem a ajudar… É um bocado estranho para quem está acostumado com a solidariedade do povo brasileiro e especialmente dos cariocas.

Até aí, vá lá, “tudo bem”. O pior é que para eles todos são iguais e não existe essa de prioridade para deficientes em filas, por exemplo. O mesmo acontece com idosos, gestantes e mães com crianças de colo. A mim parece um pouco estranho, porque o justo é tratar os desiguais desigualmente, procurando atenuar as desigualdades. Não é à toa que em muitos países a prioridade existe. Mas há quem admire esse ponto de vista dos americanos, com o qual não concordo, com o todo respeito.

Para citar dois exemplos, fui a uma loja de departamento em Miami e perguntei pela fila de prioridade e a funcionária me indagou: “Prioridade? Como assim? Você deve esperar na fila como outro qualquer!” Eu abaixei as orelhas e segui a recomendação da moça, me achando uma idiota por ter feito a pergunta… Outro caso aconteceu em um dos parques da Disney, o Universal Studios. Antes de entrar no parque fui ao “Guest Room” (acho que era esse o nome), onde as pessoas vão tirar dúvidas sobre o parque. Bom, eu tinha 2 dúvidas, na verdade: 1) eu teria prioridade nas filas para os brinquedos? 2) será que os funcionários poderiam me auxiliar nos brinquedos quando fosse necessário fazer a transferência da cadeira de rodas para algum lugar? A resposta foi negativa para as duas perguntas. As justificativas: 1) “somos instruídos a tratar todos os nossos clientes igualmente para que todos tenham a mesma experiência dentro do parque.” 2) “nossos funcionários são instruídos a não tocar nos clientes, por isso, infelizmente, se você não fizer a passagem/transferência por conta própria ou com a ajuda do grupo com o qual estiver, sinto muito…” Sobre a primeira pergunta/resposta ainda argumentei: “você quer dizer a mesma experiência de esperar cerca de 2 horas por cada atração??” e a resposta foi positiva. Bom, sobre o fato de eles não auxiliarem na transferência dentro das atrações, acredito que isso se deva ao medo de instauração de processos judiciais por eventuais danos que possam ocorrer ao cadeirante, já que o número de processos por reparação de danos nos EUA é imenso! Justificativa compreensível até certo ponto…

Resumindo, o fato é que a experiência de visitar os EUA e principalmente os parques da Disney só pode ser considerada maravilhosa para os “cadeirantes independentes”, já para os que dependem de alguma forma de auxílio para transferências e etc (que é o meu caso), o recomendável é levar uma turma com você.

Ah, já ia me esquecendo, uma boa dica é pegar os mapas na entrada dos parques, o que parece meio óbvio, mas que, por esquecimento, pode passar despercebido. É que os mapas indicam quais atrações dependem de transferência, quais não dependem (você pode aproveitar sentado na cadeira mesmo) e quais são completamente inacessíveis. Com essas informações, fica mais fácil evitar surpresas indesejáveis nos parques, como esperar mais de uma hora em uma fila de um brinquedo o qual talvez você não consiga aproveitar.

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12 Comentários »

  1. 22/02/2010 - 17:50
    Comentário feito por Nickolas Marcon

    Talvez por fazer parte do grupo dos “cadeirantes totalmente independentes”, eu admiro e concordo com o estilo americano de tratar todos igualmente, sem privlégios. Minhas experiências no EUA foram sempre gratificantes justamente pelo respeito à minha independência: cabia a mim selecionar os programas/locais que fossem compatíveis comigo. Mesmo quando precisei de ajuda, bastou pedir a alguém de forma educada e bem explicada. Mas é preciso pedir, não há boa-vontade voluntária. Não me sinto especial por usar uma cadeira-de-rodas, pelo contrário, gostaria de ser sempre tratado como todos os outros. Filas prioritárias, por exemplo, acho justas para idosos de fato (isso exclui os sexagenários que correm como atletas na praia e fingem uma dor na coluna mais tarde) e pessoas com dificuldade de se manterem em pé, mas convenhamos: eu, sentadinho e acomodado na minha cadeira, posso muito bem esperar tanto quanto os outros. Como elas existem, eu aproveito, mas não sentiria falta. Enfim… acho que se quisermos ter todos os direitos de outras pessoas, também temos que assumir os mesmos deveres. São ideias passíveis de críticas, mas essa é só a minha opinião pessoal… :-)

    23/02/2010 - 20:41
    Joana Roquette respondeu:

    Olá Nickolas! É sempre bom ouvir opiniões a esse respeito. A gente sabe que o tema gera certa polêmica e acho sempre válido ouvirmos os argumentos dos dois lados. Seu ponto de vista é bastante coerente e acredito que a liberdade dada pelos americanos realmente seja notável quando se tem independência pra usufruir dela. Obrigada pelo comentário! :-)

  2. 24/02/2010 - 11:34
    Comentário feito por MARIA PAULA TEPERINO

    Aproveito o post da Joana para fazer um comentário sobre “prioridade” em filas. Já passei por situações grotescas por insistir em ficar na fila. Por que eu, sentada confortavelmente na minha cadeirinha, tenho que passar a frente de alguém que chegou bem antes de mim e que ainda por cima está em pé? A única fila que furava sem problemas era a do cinema, para entrar na sala de projeção, quando não haviam ainda lugares marcados, já que preciso de um lugar na ponta e entrar junto com uma galera nem sempre muito bem educada. geraria sérios riscos. Porém na hora de comprar o ingresso, fico bem bonitinha esperando a minha vez. Assim também faço na fila de banco e de supermercado, mesmo porque o Brasil criou uma “tribo de prioritários”, que está ficando difícil para a antiga “maioria” exercer seus direitos. Confesso que por vezes aceito as cortesias de algumas pessas que insistem para que eu passe na frente. Faço isso porque entendo que de alguma forma aquilo é importante para a pessoa e é uma forma eduacada de agradecer a gentileza e solidariedade, que são atributos que devemos sempre cultivar.
    Quanto aos EUA, concordo com o NiKolas, minhas experiencias por lá sempre foram muito boas. Inclusive fiz uma viagem com uma amiga também cadeirante para São Francisco (CA) e fomos nós duas carregadas por um simpático condutor dos trenzinhos (não sei se esse é o nome correto) que percorre as ladeiras da cidade, já que para esse tipo de transporte não havia adaptação, pois eram muito antigos. E pasmem, o oferecimento partiu dele!!!
    De qualquer forma tudo na vida tem dois lados. É maravilhoso poder viver em um lugar com acessibilidade nota 10, mas também é maravilhoso pode contar sempre com a solidariedade e o calor humano dos brasileiros, principalmente dos cariocas.
    VAMOS LUTAR PARA QUE NOSSO PAIS SEJA TODO ACESSÍVEL, POIS O RESTO NÓS JÁ TEMOS.
    Bjs para toda a galera do Mão na Roda.

    27/02/2010 - 14:49
    Joana Roquette respondeu:

    É isso mesmo Maria Paula, acho que nós aqui temos calor humano de sobra, muita solidariedade, e o que falta realmente é que o país se engaje no “projeto” de se tornar acessível. O Rio de Janeiro, por exemplo, pode aproveitar o gancho da Copa em 2014 e das Olimpíadas em 2016 e espero que se as coisas não tiverem mudado até lá, que o Brasil sofra severas críticas a esse respeito. Já é tempo de nos tornamos um país acessível. Abs e obg pelo seu comentário.

  3. 25/02/2010 - 13:31
    Comentário feito por Anna

    Joana,

    Resolvi comentar aqui para “esclarecer” a questão da falta de ajuda do americano, da solidariedade que você citou.
    Há cinco anos trabalhei na Universal Studios e antes de assumir nosso “posto” , a gente faz um treinamento, aliás, passa por uma orientação. E uma delas é exatamente essa: não ajudar. Quero dizer, apontar direções, mas não ter contato físico com absolutamente ninguém. Por que? 1) o americano não tem essa nossa “cultura afetiva”, o contato físico, o carinho não fazem muito parte do cotidiano deles no que concerne pessoas desconhecidas 2) absolutamente TUDO que se fizer pode acarretar processo. Esse é o maior medo deles. O funcionário ajudar, de repente faz a coisa errada e causa acidente e consequentemente processos, na maior parte das vezes, ganhos pelas vítimas…
    Acho que é por aí, não sei se é tanto por frieza, mas são instruções que foram passadas, o medo de processo, enfim…

    ps: não foi uma defesa dos parques, só um esclarecimentozinho !

    27/02/2010 - 14:52
    Joana Roquette respondeu:

    Oi Anna, foi exatamente por aí que interpretei a atitude dos funcionários da Universal. Há vários brasileiros trabalhando por lá e foram eles que me esclareceram a respeito do receio da empresa sofrer processos em razão de danos causados a clientes. A atitude é compreensível, mas nada agradável quando se está por lá, precisando “daquela forcinha”. :) Abs e obg!

  4. 25/02/2010 - 13:32
    Comentário feito por Anna

    ah, um parentese: a universal não é parque da disney, são empresas concorrentes, mas aqui no Brasil vendem pacote como se fosse uma coisa só =)

    27/02/2010 - 14:52
    Joana Roquette respondeu:

    Ah, não tinha atentado para isso. Valeu!

  5. 25/02/2010 - 15:14
    Comentário feito por monique

    A algum tempo venho pensando em conhecer os EUA, e agora vou repensar um pouco. É um pouco chocante para um cadeirante que não é 100% independente como é o meu caso visitar um local assim. As vezes via americanos desrepeitando a fila de prioridade que temos, e me perguntava se eles faziam o mesmo em seu país e a resposta é lá não existe isso. Concordo que idosos, gestantes, e pessoas com dificuldade de se manter em pé façam uso da fila, mas também penso que o que acontece aqui é um pouco diferente, na fila de supermercado não são todos os caixas que posso passar, pois alguns são estreitos, e apenas no caixa preferencial que essa distância é mantida, outro exemplo é quando vou comprar bilhetes não são todos os caixas que tem uma altura que eu possa falar com o atendente, ou até mesmo utilizar o cartão de crédito, assim como não é em todas as mesas de um restaurante que consigo chegar ou utilizar, no cinema … Então hoje em dia eu penso diferente, antes ficava com vergonha de estar numa fila preferencial, hoje em dia nem tanto, e quando eu acho que realmente não é preciso, eu opto por não estar numa.

    27/02/2010 - 14:56
    Joana Roquette respondeu:

    Monique, de fato há prioridades e prioridades. Estou de acordo com a ideia de que podemos perfeitamente esperar em filas convencionais na maior parte das vezes. Você citou alguns exemplos em que a nossa prioridade é essencial, até porque se ela não existisse em tais situações, se tornaria praticamente impossível utilizar serviços como o cinema e ir a supermercados. Valeu pelo comentário! :)

  6. 27/08/2010 - 14:18
    Comentário feito por Sergio Barreto

    Faço viagens pelos EUA e Europa e, particularmente nos EUA, sempre fui bem “paparicado”…rs!
    Em hotéis e lugares públicos, sempre fui tratado de forma bem respeitosa e atenciosa!
    Nos parques da Disney então, quando chegávamos aos brinquedos(eu e uma cacetada de gente…pai, mãe, filho, sobrinho, irmã e cunhado), os atendentes logo perguntavam: family?…e logo abriam aquele corredor para passarmos, inclusive indagando se eu fazia a transferência para o brinquedo!
    Que a galera lá é bem fechada, não resta dúvida, porém, o respeito e o valor que são dados às pessoas portadoras de necessidades é, infinitamente, superior aos daqui!
    O que uma série de guerras, ao longo da história desses países não remodelam a cultura de uma nação, não é mesmo?
    Abraço a todos!
    Sergio Barreto

  7. 12/05/2013 - 19:16
    Comentário feito por SANDRA CASTILHO

    meu marido é cadeirante e pretendemos ir a Disney em janeiro/14. Gostaria de saber se fornecem cadeiras elétricas ou carrinhos. obrigada

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