No colinho, não!

Mesmo depois de quase 3 anos namorando o Dado, foi necessário um bate-papo com nosso amigo Evandro para que eu finalmente entendesse o porque da bronca que meu namorado tinha com a ideia de ser carregado no colo para subir e descer escadas.

No início achava que era um pouco de frescura da parte dele.  Afinal, que mal há em ser carregado escada abaixo ou acima? Só por que ele é homem, fica sem graça? Achava que a razão era unicamente essa e meu lado anti-machista a considerava bastante boba.

Com o tempo de convivência fui percebendo que vergonha não era o motivo pelo qual ele não gostava de ser carregado no colo. Presenciei algumas situações em que isso foi necessário, tentei até ajudar uma das vezes e percebi o quanto poderia ser perigoso. Principalmente se a escada for muito alta ou os degraus pequenos, em curva ou tortos. Imaginem o perigo! Ainda assim, achava que ele muitas vezes era radical.

Foi então, durante um agradável chopp com nosso amigo de blog, que consegui entender o verdadeiro motivo pelo qual tanto o Dado, quanto o Evandro e uma série de cadeirantes não gostam de ser carregados no colo.

Foi nesse bate papo que ouvi uma recente história protagonizada pelo nosso amigo: o time de basquete de cadeirantes do qual ele participa havia sido convidado para se apresentar no intervalo de uma partida de basquete “normal”, que seria disputada na sua cidade. Poucas horas antes da partida, Evandro ficou sabendo que o estádio era inacessível para cadeirantes e que todo o seu time seria carregado no colo até o campo. Evandro não se conformou, fincou o pé e disse que não iria. Algumas pessoas não concordaram com sua atitude, afinal a prefeitura de sua cidade havia doado 10 cadeiras de basquete para o seu time e obviamente queria uma propaganda em troca. Mas Evandro resolveu que carregado ele não iria e realmente não foi. Não deu outra: em tempo recorde a prefeitura conseguiu se virar e instalou um elevador no tal estádio. Que acabou ficando por lá mesmo depois da partida, trazendo melhor acesso a todos, não só aos cadeirantes, como aos idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, mães com criança de colo etc etc etc.

E finalmente me caiu a ficha! Não estamos falando aqui apenas sobre vergonha ou falta de segurança. Não. Estamos falando sobre cidadania! Acessibilidade é sinônimo de independência e inclusão. E somente batendo o pé (ou seria a roda?) como fazem o Evandro, o Dado e muitos outros, é que o trabalho de formiga tem resultado.

Quer saber? Se depender de mim, com exceção de casos extremos como visitar parentes ou amigos que moram em prédios antigos, meu namorado não frequenta mais nenhum lugar carregado no colo! Pelo menos não sem uma briguinha básica antes!

Comentários

Comentários

25 comentários em “No colinho, não!

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 12:29
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    Eu não vou no colo de marmanjo porque pego sentimento rápido e pretendo manter o meu relacionamento por bons anos ahahahhahahahahahh….. E teje dito, não colinho, sim à acessibilidade!

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 16:42
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      Colo só de mãe e namorada, né Jairo! Tá certíssimo! Vai que vc gosta, hahaha
      beijossss

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 14:14
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    Muito bem colocado Bianca! Queria que todos entendessem. É chato demais ser carregada!!! Bjs, Cris.

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 16:41
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      Agora eu entendo, Cris! E espero que nosso blog ajude outras pessoas a entenderem tb! beijossss

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 15:38
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    Depos disso q aconteçeu aqui em São José que vi se apertar a prefeitura eles peidam rsssss..
    Eu tbem como mnoarador de SJC e cadeirudo não aceitaria de maneira alguma me pegarem no colo.
    E isso ai com atitudes assim como a do Evandro q vamos conseguindo de pouquinho em pouquinho dar um grande passo pra acessibilidade.
    Tava vendo o Filme Milk e me enpolguei rssss…
    Abração..

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 16:41
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      Que bom que vc é um dos que não aceita. Só de pouquinho em pouquinho a gente consegue. Fiquei muito feliz em saber que a atitude do Evandro resultou em algo tão legal. Ainda nos resta uma luz no fim do túnel!
      Ah! Fico feliz em saber que minha de filme foi boa! Milk não é legal? beijos

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 17:49
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    Olá, pessoal,

    Adoro o blog..

    Namoro um cadeirante há 3 meses…

    Hoje, consigo enxergar melhor, a importância da acessibilidade.

    Beijocas,

    Bia

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 18:10
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      Oi Bia,
      Que bom que vc gosta do nosso blog e que ótimo que vc está conseguindo enxergar o mundo com outros olhos. Felicidades no seu namoro!!! beijos

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 18:21
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    Oi Bianca!
    Acrescente à lista dos que odeiam ser carregados, maridinho e seus 1,87m.
    Eu odeio mais do que ele, porque le fica num péssimo humor por horas, dias e reflete( e desconta) em mim, hoje eu sou a primeira botar a boca.
    Não tem acesso,blá,blá,blá.Ainda não tivemos a “sorte” do Evandro de ganhar um elevador, mas como somos chatos, uma hora chega.
    A verdade é uma só, não adianta os garçons,manobristas,amigos serem simpáticos e carregarem a galera no colo, a gente não quer colo, que acesso livre em tudo, isso sim.
    Beijos em todos
    Tania Speroni

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 18:24
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      É isso aí! A gente não quer colo, a gente quer acessibilidade! E tenho certeza de que os elevadores chegarão. O lance é ser persistente. E seu marido tem toda a razão de ficar de mau humor! beijos!

  • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 22:55
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    OI!!!!SOU A DYENI DE NOVO HAMBURGO (RIO GRANDE DO SUL).ACHO MUITO BACANA A FORÇA DE VONTADE DE CADEIRANTES,POIS PARECE Q ELES COM DIFICULDADE LUTAM BEM MAIS PELOS SEUS OBJETIVOS DO Q UMA PESSOA ¨NORMAL¨DIGAMOS ASSIM!!!!!!!!!EU TENHO UM AMIGO CADEIRANTE,E ELE LUTA DIARIAMENTE PELO Q ELE QUER!!!!BJOS TUDO DE BOM PRA TODOS OS CADEIRANTES CONTINUEM A LUTAR PELOS SEUS OBJETIVOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!EU Ñ SEI DE ONDE ELES ACHAM FORÇA PRA LUTAR CM TODAS ESSAS DIFICULDADES Q ELES ENFRENTAM!!!!!!!!!!!!!

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    • quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 em 23:24
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      Oi Dyeni,
      Acredito que as pessoas com deficiência encontrem forças em qq lugar onde qq um de nós encontraria. Se você parar pra pensar, já deve ter passado por situações das quais vc achou q não sairia e saiu, não foi? É de lá que vem a força. 🙂 Ah, e tem a vontade de ter seus direitos respeitados. Só isso dá uma força enorme! Obrigada pelo carinho. beijos

  • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 01:32
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    O blog de vocês é demais.
    Parabéns.

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    • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 14:45
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      Oi Gil,
      Que bom que vc gostou! Volte sempre!

  • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 11:21
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    Caraca, fui citado duas vezes na mesma semana no maior blog do Rio…..tô me achando!!!
    Brincadeiras a parte….como havia dito antes, acho que só assim conseguiremos deixar uma cidade melhor. Infelizmente, ainda temos que pegar carona nessas oportunidades, mas não deixa de ter seu valor não é? Pois é concreto, está lá!!
    Com as olimpíadas não será diferente, aproveitem a ocasião e transformem o Rio em uma cidade “Maravilhosamente Acessível!!”

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    • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 14:47
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      Evandro, sua história tinha q ser citada, né? Imagina! E se continuar participando das corridas de handbyke e lutando por elevadores, vc vai continuar aparecendo por aqui, sim!
      Aliás, acho que se depender de vc nossa cidade vai ser a mais acessível de todas!
      beijossss

  • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 13:08
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    uma vez aqui no blog vcs usaram o binômio acesso/auxílio pra exemplificar coisas como essas, das pessoas acharem que acesso é um jeitinho que pode ser dado pra se chegar nos lugares. É verdade que com jeitinho, com a boa vontade e a força física dos amigos, a gente entra em qualquer lugar. Mas é isso o certo?
    É terrível ser carregada!
    beijos!

    Resposta
    • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 14:49
      Permalink

      É isso mesmo, Tici. Acesso não é auxílio. Acesso é liberdade pra pedir auxílio se a pessoa assim quiser, mas não TER que pedir sempre. Concordo com vc, não é certo ter q depender dos outros, quando a coisa poderia ser bem diferente. Colinho só de mãe e namorado!!!
      beijos

  • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 14:51
    Permalink

    Olá Bianca!

    Eu sou mais um cadeirante que não gosta de ser carregado no colo e, aliás, nunca fui, e olhe que anteontem completaram 8 anos nessa condição. Tento sempre encarar os obstáculos numa boa quando o assunto em questão é algum lazer com amigos e/ou familia, caso contrário evito lugares que possuam longas escadas (um ou dois degrais até vai). Além de tudo, tenho 1,90 m e quase 100 kg, fica meio dificil encontrar alguém q consiga carregar no colo…
    Quando a situação é uma escada, ao invés de ser carregado no colo, 2 ou 3 pessoas levatam-me junto com a cadeira e vamos lá… mas sem colinho! rs
    Parabéns pelo Blog!
    Beijão!

    Resposta
    • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 18:50
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      Oi Tiago,
      Tem que ser assim mesmo. Evitando lugares com escadas e dando uma reclamada básica sempre que possível é que vamos conseguir mudar a cabeça das pessoas.
      Valeu pelo comentário!
      beijos!

  • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 16:34
    Permalink

    Oi Bianca! Acabei de encontrar seu blog bem por acaso (estava na lista do A grande reforma do Pequeno Apê e resolvi entrar).

    Esse é realmente um assunto muito sério. Meu noivo e eu casaremos em outubro de 2011 e mesmo não tendo familiares ou amigos cadeirantes minha primeira preocupação ao escolher o local foi justamente o acesso! Um dos motivos para eu não querer cerimônia na igreja (parece que toda igreja tem que ter um calvário de degraus pra subir!)! Penso não só nos cadeirantes, mas também nos idosos, nas mães com bebês e até nas pessoas com a perna quebrada! Como vc disse é uma questão de cidadania! Ninguém está livre de precisar de no mínimo uma rampa! O local que estou meio que decidida ($$$ se é que vc me entende) infelizmente ainda é o único espaço de festas aqui em Floripa que tem elevador do térreo ao terraço…

    Pra vc ver minha preocupação com isso nosso apartamento tem 2 andares e como vamos começar a reforma agora já disse pro meu noivo que quero um elevador, nem que seja monta-carga! Teremos que trocar a escada de qualquer forma, pois ela não oferece segurança alguma, então entre pagar 7 mil por uma escada nova e 9 mil por um elevador residencial (já cotei inclusive), prefiro o elevador!

    Ele é meio contra, pois como pratica esporte acha que é preguiça minha, mas eu já argumentei que não se trata disso, que qdo eu engravidar não poderei ficar subindo e descendo escadas, que também será perigoso pras crianças, que não estamos livres de um acidente (ainda que seja uma perna fraturada) e o mais importante: que os pais dele já têm 70 anos e as dificuldades vão começar logo, dificuldades que a minha vó já tem e do jeito que as coisas estão eu não posso nem convidá-la para ir à nossa casa.

    Ele prometeu pensar com carinho, estou aguardando, mas já dei a última cartada: além de tudo o elevador ocupa menos espaço! E em “apertamentos”, já viu né, qualquer meio metro conta!

    Parabéns pelo blog! É disso que o planeta precisa: mais pessoas que não olhem só para o seu umbigo!

    Ah! Só pra fazer constar (rs) o meu irmão trabalha na Prefeitura aqui em Floripa, numa secretaria que atende idosos, crianças e tal. Eles têm uma escola de samba chamada Amor à Terceira Idade que desfila há 3 anos no nosso sambódromo onde saem não apenas os idosos mas várias outras pessoas. Este ano eles foram pra avenida com 3500 integrantes, destes, 20 cadeirantes com seus acompanhantes compunham uma ala exclusiva pra eles. Meu mano que fez a harmonia e coordenou a evolução desta ala! Foi muito legal! inclusive 5 desfilaram jogando basquete!

    Mesmo não concorrendo (já que a escola é de iniciativa da Prefeitura e conta com verbas públicas) eles deram um show na Passarela Nego Quirido! Dá uma olhada nas fotos lá no site: http://portal.pmf.sc.gov.br/noticias/index.php?pagina=notpagina&noti=1028

    Beijão e parabéns, novamente!

    Resposta
    • sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 em 18:48
      Permalink

      Oi Marina,
      Que bom que vc gostou do blog! Mais legal ainda é sua preocupação com o elevador no apê. Realmente uma iniciativa bastante surpreendente, pra quem não tem contato com nenhuma pessoa com deficiência. Muito bacana! Inclusive estivemos em Floripa no início do ano e encontramos uma pousada com chalé adaptado. Vamos escrever sobre isso em breve.
      Legal tb a Escola de Samba aí de Floripa abrir uma ala pra cadeirantes. Mas seria mais legal ainda se os cadeirantes pudessem desfilar em qq ala da escolha deles, não acha? Dá essa dica pro seu irmão. Mas já valeu a iniciativa.
      beijos e seja bem vinda!

  • sexta-feira, 12 de março de 2010 em 17:45
    Permalink

    Nossa, este texto realmente me abriu os olhos… pensava como você Bianca e hoje entendo que a verdadeira necessidade é acessibilidade.

    Temos realmente que fazer as “briguinhas” para que todos se mexam e assim possamos construir um lugar melhor para todos.

    Um grande abraço!!!

    Resposta
    • terça-feira, 16 de março de 2010 em 00:55
      Permalink

      Oi Elias,

      Que bom que consegui passar adiante uma descoberta que me ocorreu há tão pouco tempo. Fico muito feliz! 🙂 Passe a idéia adiante também!

      Abraços!!

  • quinta-feira, 26 de dezembro de 2013 em 19:30
    Permalink

    Ola!!! Adorei esse blog, que bom que voces existem!!! Kkkk

    Eu também namoro um cadeirante, a pouco tempo, sou muuuuito apaixonada e ele me faz a mulher mais feliz do mundo!

    A primeira vez que vi meu amor sendo carregado escada acima, me senti constrangida por ele pois vi no seu olhar que ele nao se sentia nem seguro, sem à vontade, e ali entendi que aquilo nao era algo que ele deveria aceitar ou gostar! Dou razao pra ele! E agora lendo os comentarios de voces percebi que não é so ele que se sente mal, mas os outros cadeirantes também! Normal né!!

    As vezes, quando falo pras pessoas que meu namo é cadeirante, as pessoas me falam “parabéns voce é corajosa” ou entao “nossa, voce é uma mulher incrivel” no começo eu sorria amarelo e agradecia, mas agora isso me irrita, e eu respondo ” nao sou nem corajosa nem incrivel, SOU UMA MULHER APAIXONADA!”

    Beijos à todos!! E felicidades aos casais que sabem ver com o coraçao, pois o essencial é invisivel aos olhos! ”

    E a gente aprende tanta coisa com esses cadeirantes né!!! Kkkkk adoro, todo dia eu aprendo uma nova liçao com o jeito de ver a vida do meu amor!!! Quero me casar com ele!!! 😉

    Resposta

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