Acessibilidade, Opinião e cotidiano

É tranquilo, pode vir!

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“Ah, é só um degrauzinho, é tranquilo!” Aí você chega no local encontra uns cinco degraus e é ruim de circular. Quem nunca passou por uma situação dessas, que suba uma escadaria!

É bem comum as pessoas acharem que um degrau e um lance de escadas é a mesma coisa. Até seria, se todos tivessem a mesma facilidade de subí-las. Não acho que façam por mal, mas por falta de informação mesmo.

É impressionante a dificuldade que as pessoas tem em definir coisas simples como rampas, escada, degraus e barras de apoio. Quando viajo e vou pra algum hotel que não conheço costumo ligar e perguntar como é o acesso. E me impressiona a incapacidade de informarem se tem acesso ou não e como ele é. Para alguns hotéis, portas largas já é acesso. Se vai dar pra entrar e usar o banheiro já é outra história. Degraus na entrada também são um mero detalhe. Uma vez, fui em um hotel em Gramado, que se dizia acessível e ter um quarto bem adaptado. Bom, o quarto era realmente bem adaptado. Mas na entrada do Hotel tinham uns dez degraus e nenhuma rampa. Também fui a um hotel em Salvador (ô terra boa!) que dizia que era totalmente acessível com elevadores e rampas em todos os lugares. Só esqueceram da piscina. Tinha uns sete degraus pra chegar até ela. Até escrevi um post sobre o que aconteceu.

E tem os amigos, que sempre na boa vontade e querendo ajudar, insistem em dizer que dá pra ir no tal barzinho. “Pow, é tranquilo! Pode vir que não tem problema. Qualquer coisa a gente te ajuda!”. Hummm, tá. Amo meus amigos e sei que eles tem a melhor intenção do mundo, mas é chatão ser carregada.  A Bianca escreveu um post muito bacana sobre isso.

Mas é impressionante como cada um entende as coisas de uma forma diferente. Hoje em dia, se alguém me diz que tem só um degrauzinho, sei que devo encontrar uns dois ou três. Se dizem uns três degraus, sei que vai ter uns cinco, se não for um lance inteiro de escada. Se falam que não sabem, mas que se precisar tem gente pra ajudar, aí é roubada na certa! Quanto aos hotéis, pergunto se tem banheiro adaptado. Se dizem que sim, vou “tranquila” rezando para Sta Engenheira dos Lugares Acessíveis, pedindo que ao menos o chuveiro seja acessível.

Eu sei que ninguém faz por mal, mas bem que poderiam ser mais cuidadosos na hora de passar informações. “Um” degrau pode fazer muita diferença!

Sobre o autor / 

Cris Costa

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26 Comentários

  1. Mariana Pamplona quinta-feira, 11 de março de 2010 em 14:44 -  Responder

    Acompanho o site há mais ou menos um mês e estou adorando. Mais interessante, mais educativo e certamente mais divertido que os sites técnicos sobre acessibilidade.
    Sou arquiteta e trabalhei um bom tempo com acessibilidade (no CVI-Rio). E virou minha cachaça! Agora, apesar de não trabalhar mais especificamente com isso, já faz parte do meu código genético.

    Uma das coisas mais comuns é ver que o estabelecimento gastou dinheiro, fez uma reforma, construiu um banheiro que dá até pra fazer uma festa, mas o layout não é acessível… ou tem “uns degrauzinhos” na entrada… ou (eu já vi!) tem uma porta de 60cm na entrada deste mesmo banheiro gigantesco.

    Mas as coisas estão evoluindo. E com iniciativas como a de vocês essa evolução será mais rápida.
    Parabéns!

    março 11th, 2010 - 22:24
    Cris Costa respondeu:

    Oi Mariana, que bom que gostou do Blog! Realmente, tem adaptações que dá vontade de chorar, rs. A gente espera que as coisas melhorem pois beneficia a todos, não só a quem usa cadeira de rodas. Que bom que viciou em acessibilidade! Bjs, Cris.

  2. Christian quinta-feira, 11 de março de 2010 em 16:22 -  Responder

    É verdade, exceto algumas exceções, chega a ser meio constrangedor ser carregado (se for no colo pior ainda), po, não que eu tenha vergonha disso, mas a balada toda para pra ver, é um “acontecimento”… um saco, fora as pessoas com ótima intenção em ajudar, mas sem senso, que já saem pegando em qualquer lugar, não espera você passar as informações básicas, é dureza. Além do que eu tenho um ciúmes ABSURDO da minha cadeira e sei que ela não foi fabricada pra ser carregada com peso sobre ela, como já disse, em raras exceções a gente cede.

    março 11th, 2010 - 22:26
    Cris Costa respondeu:

    Tbm sou assim Christian, tem ocasiões que não tem jeito, mas evito ao máximo. Bjs, Cris.

  3. Ana Luiza quinta-feira, 11 de março de 2010 em 16:36 -  Responder

    Ola… Venho acompanhando esse blog a mais ou menos uma semana… Acho interessante os assuntos rotineiros que são abordados aqui… Admiro muito mesmo viu?! Gostaria de saber se vcs responsáveis pelo blog, não estariam afim de de repente dar uma entrevista, deixa eu explicar o pq, eu e minhas amigas estamos concluindo o curso de Turismo em uma faculdade de São Paulo, e nosso trabalho será sobre acessibilidade, gostariamos de conhecer um pouco mais sobre, obter mais informaçoes, e ninguem melhor do q vcs q escrevem posts tao bacanas nesse blog aqui. Deixo meu e-mail e seria muito bom se vcs pudessem nos ajudar.

    março 11th, 2010 - 22:29
    Cris Costa respondeu:

    Oi Ana, a gente ajuda sim! Se quiser manda um email pro Blog, que ai todo mundo ajuda. Ah, tbm tem a comunidade do Blog no Orkut, abrir uma discussão lá pode ser uma boa. A galera sempre ajuda! Bjs, Cris.

  4. TANIA SPERONI quinta-feira, 11 de março de 2010 em 21:44 -  Responder

    Cris!
    Quando você pergunta se tem acesso, a resposta vem com alguns segundos de atraso e tem rampa…
    Nem passe pela porta, porque com certeza não tem acesso.

    março 11th, 2010 - 22:30
    Cris Costa respondeu:

    É verdade Tani! Não devia ser tão complicado assim passar uma informação, né? Bjs, Cris.

  5. Eliane Sandra sexta-feira, 12 de março de 2010 em 01:48 -  Responder

    Nossa, já pássei muito por isso, em quantos banheiros adaptados eu já fui que a porta abria para dentro e batia no vaso sanitário, um absurdo!!! E esse “tem gente pra ajudar”? Com certeza é furada! Quando eu era mais nova, uns 15, 16 anos, meus colegas de colégio subiram 5 andares de escada comigo sentada na cadeira. Na época me amarrei (adolescentes!), mas hoje em dia não me arrisco não. Adorei o blog, vou ler sempre.
    Beijos!

    março 16th, 2010 - 10:14
    Cris Costa respondeu:

    Oi Eliane,

    Essa da porta abrir para dentro é de mais né? Na minha faculdade era assim, mas reclamei e eles mudaram. Há aluguns tbm não me incomodava muito em ser carregada, mas hoje evito ao máximo. Que bom que gostou do Blog! Bjs, Cris.

  6. Cristal sexta-feira, 12 de março de 2010 em 11:55 -  Responder

    Sei que não dá pra comparar, mas como tenho o joelho lenhado, tenho absoluta noção da quantidade de degraus nos lugares que frequento… Meu joelho faz “nhéeeeec” a cada degrau que desce, o coitado deve ter uns 50 anos a mais que a dona!

    Moro em Salvador e acredito que você deva ter passado por maus bocados aqui… A cidade ainda tem muita calçada com pedra portuguesa, e ano passado, quando o prefeito quis mudar, um bando de desocupado apareceu pra dizer que estavam destruindo o patrimônio histórico da cidade. Ele mudou metade só. Até eu já torci o pé naquelas malditas pedras!

    E se você passar por aqui de novo, Cris, já sei de um lugar que não posso lhe convidar… Minha casa! São 35 degraus do playground até aqui, no 2° andar! E não tem elevador… Mas, pelo menos, dá pra ficar no play, são 3 degraus de acesso mas com uma rampa do lado!

    março 16th, 2010 - 10:20
    Cris Costa respondeu:

    Oi Cristal! Eu amei Salvador! Gostaria de ter tido tempo pra fazer mais coisas. As maledetas das pedrinhas já estou acostumada pois aqui no Rio é a mesma coisa. Só fiquei triste de não ter conseguido ir no Pelourinho e ver o show do Olodum ou dos Filhos de Gandhy. Quem sabe numa próxima vez, ai a gente marca de comer um acarajé! Bjs, Cris.

  7. MARIA PAULA TEPERINO sábado, 13 de março de 2010 em 13:05 -  Responder

    A gente só consegue perceber aquilo que vaz algum sentido para nós. Pode paracer doido, mas o cérebro funciona dessa maneira. Meus amigos sempre dizem que antes de me conhecrem não faziam ideia se quando iam a um determinado lugar, se o local tinha escadas ou não. Agora até que não posso reclamar deles, eles prestam atenção direitinho e costumam prestar informações precisas sobre o acesso.
    Mas um amigo muito querido, resolveu fazer o almoço de aniversário na Restaurante APRAZÍVEL em Santa Teresa. Quem é do Rio sabe que Santa Teresa já é um bairro complicado, pois é basicamente ladeira, mas de carro dá para se parar na porta dos restaurantes (desde que vc vá acompanhado, para alguém ir estacionar depois). Mas o tal restaurante “aprazível”, deve ter pelo menos uns 40 degraus, além disso são altos e desnivelados, um horror. Pois bem, como ele queria fazer o almoço lá, e queria que eu fosse, ele me disse que tinha uns 3 degraus!!! e que depois tinha rampa. Eu caí na conversa e fui, mas o espertinho foi lá no dia anterior e deixou um segurança tipo “armário” contratado para me descer e subir. Valeu pelo carinho, mas até hoje eu fico zoando com ele quando ele quer me passar informações sobre locais com acesso.
    bjs

    março 16th, 2010 - 10:24
    Cris Costa respondeu:

    Oi Paula,

    É verdade, hoje meus amigos conseguem dar informações precisas, e quando necessário me enganam, rsrsrs. Ano passado um amigo fez isso comigo, mas como era o casamento dele nem reclamei, o motivo era mais que justo! Fico feliz por quererem minha presença, mas é chatinho, né? Bjs, Cris.

  8. Tici Poubel sábado, 13 de março de 2010 em 13:45 -  Responder

    pois é. vou viajar agora e to com um pouco de medo dos hotéis ‘acessiveis’.
    Mas descobri uma coisa incrível! A pessoa com deficiencia que precisa de acompamnhante, este tem um desconto de 80% na passagem de avião! É lei. Não sei o direito o numero da lei, mas eu consegui esse desconto e to radiante 🙂
    Acho que é uma parada que vale divulgar!
    beijo grande!

    março 16th, 2010 - 10:26
    Cris Costa respondeu:

    Oi Tici! Viajar é bom de mais!!! Espero que aproveite muito! Aliás, vc recebeu a minha resposta ao seu email? Espero que tenha ajudado. Quanto ao desconto do acompanhante, como consegue? É complicado? Bjs, Cris.

  9. Luiza segunda-feira, 22 de março de 2010 em 16:07 -  Responder

    Cris, vc é impressionantemente engraçada, adoro ler suas informações, sempre com um toque cômico, se não fosse inacessível. Adorei – SANTA ENGENHEIRA DOS LUGARES ACESSÍVEIS! Ri sozinha no trabalho.
    Bjs.

    março 23rd, 2010 - 07:17
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luiza, como assim inacessível?rs. Que bom que gosta do Blog! Acho que o humor pode tornar tudo mais leve e divertido, claro, rs. Bjs, Cris.

  10. Luiza terça-feira, 23 de março de 2010 em 09:05 -  Responder

    Cris, quando mencionei “inacessível” é por quis dizer o quanto precisamos aprender sobre ACESSÍVEL. Posso te dar um exemplo claro sobre a minha cidade São Gonçalo, RJ, aqui simplesmente não existe acesso para os deficientes. Desculpe não saber me expressar tão bem quanto vcs.
    BJS

    março 23rd, 2010 - 12:52
    Cris Costa respondeu:

    Oi Luiza, desculpa é que as vezes leio rápido e acabo não lendo tudo direito. Você se expressa bem sim!!! Bjs, Cris.

  11. Fábio Gomes quarta-feira, 24 de março de 2010 em 16:25 -  Responder

    Olá, Cris. Vou fazer uma viagem e, durante a procura por hotéis, encontrei um site que é o sonho para todo deficiente físico na procura de hotéis. Não vou descrevê-lo mas, gostaria que tu mesma olhasse. Aí vai:
    http://www.directenquiries.com/information/Travelodge%20Covent%20Garden/87768/detail/information.aspx

    março 24th, 2010 - 16:38
    Eduardo Camara respondeu:

    Fábio, vou tomar a liberdade de responder seu comentário tb. O Direct Inquiries é foooooooooda! Não só para saber sobre hotéis, mas para saber sobre TUDO que é acessível. São o site com maior quantidade de detalhes e em alguns casos eles mostram até qual melhor caminho fazer DENTRO do hotel. É fantástico! O modelo de negócios deles também é excelente e autosustentável. Não dependem de “doações”. Para ser melhor, só aumentando a área de abrangência deles, pois por enquanto, se não me engano, só tem informações do Reino Unido. Eu tenho idéia de fazer algo semelhante aqui para o Rio e quem sabe Brasil. Vamos ver… Grande abraço!

  12. Fábio Gomes quarta-feira, 24 de março de 2010 em 22:09 -  Responder

    Ok! Impressionante a documentação com fotos do caminho entre a estação do metro até o hotel, tem fotos de todas as rampas e obstáculos caso existam. Fiz pela primeira vez a reserva com tranquilidade. Pensei num site destes com representantes em cada cidade devidamentes orientados de como realizar as inspeções enfim………… já tem um tempo que tiro fotos dos quartos adaptados de hoteis onde fico hospedado………….
    Abraço.

    março 25th, 2010 - 13:34
    Eduardo Camara respondeu:

    Pô, Fábio! Manda pra gente colocar aqui no blog! Eu tb tenho várias e estou devendo as postagens… Abração!

  13. Marina quarta-feira, 31 de março de 2010 em 20:48 -  Responder

    Oi, meu nome é marina,tenho dez, e sou para a dois.Isso é realmente um saco.Outro dia uma amiga(ela é andante) me recomendou um cabelereiro, e disse que não tinha nenhum degrau.Aí fiquei felizinha, e falei com meus pais para me levarem lá.Eles concordaram, e lá fomos nós.Ao chegar no cabeleireiro tinha pelo menos uns cinco degraus!Questionei onde tem rampa para eu entrar com a recepsionista que estava perto da porta, e ela me levou a um lugar que ela achava que tinha rampa.Para chegar a porta que “tinha” rampa passamos por lugares sujos e apertados, e ao chegar lá não tinha nenhuma rampa e a porta era pequena.Sai dali xingando mentalmente as sete gerações passadas da mulher.Fui lá naquele cabeleireiro com alguma esperança e sai com nada.

    Bjs

    Ps:Desculpe transformar um pequeno acontecimento em uma novela de 90 capítulos

  14. Marina quarta-feira, 31 de março de 2010 em 20:49 -  Responder

    Desculpe mas no inicio botei que era um saco, mas , na verdade oque aconteceu que foi um saco.

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