Acessibilidade, Opinião e cotidiano, Transporte

Aventuras no Busão 2

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Outra notícia fresquinha do blog: conforme já havíamos comentado num post anterior sobre ônibus, os cadeirantes que dependem de transporte coletivo estão em sérios apuros.

Acabou de ser exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, uma reportagem em que pessoas testavam o serviço dos ônibus adaptados para cadeirantes em 5 capitais do Brasil. O resultado já era esperado: apesar de haver veículos adaptados em circulação, o serviço ainda está muito aquém do desejado para que os cadeirantes tenham seu direito de ir e vir respeitado como os demais usuários.

O primeiro problema é o número de veículos adaptados. Na maioria das cidades são poucos, fazendo com que a demora entre a passagem de ônibus adaptados seja muito grande, um tempo que pode passar de uma hora.

O segundo problema destacado também não supreendeu. Como a maior parte dos ônibus são fabricados sobre CARROÇArias de caminhões, de projeto antigo e inadequado para uso no trasnporte coletivo, a solução para acessibilidade é a colocação de elevadores. Acontece que esses elevadores não tem manutenção adequada e nem é dado treinamento aos funcionários dos ônibus para operá-los, provocando demora no embarque – isso quando ele acontece – e deixando muitos usuários cadeirantes constrangidos com a situação. Em 3 cidades exibidas cujos ônibus usavam elevadores – Rio de Janeiro, São Luís e Goiânia – nenhum funcionou adequadamente na primeira tentativa.

Então, qual é a solução? Quanto mais simples for a adaptação, melhor. Em Porto Alegre e São Paulo os ônibus adaptados também demoraram para aparecer. Nenhuma surpresa. Só que os veículos exibidos usavam chassi mais moderno, com piso rebaixado. Já vi esse tipo de solução em outras cidades também. Dessa forma, basta colocar uma rampa dobrável, cuja parte mais sofisticada é… uma dobradiça! O ônibus encosta ao lado da guia, o cobrador baixa a rampa até a calçada e pronto. O cadeirante sobe pela rampa e depois é só recolhê-la manualmente. A operação dura poucos segundos.

Esse tipo de ônibus com piso baixo é melhor também para todos os usuários “andantes”, pois não tem escada na entrada, apenas um degrau. A foto acima já apareceu em um post anterior sobre Santiago e mostra um ônibus com piso baixo e rampa de acesso. Também já mostramos esse tipo de ônibus num post sobre Paris.

Fica a pergunta para os leitores responderem: se é possível simplificar, por que fazer da forma mais cara e complicada???

Nota dos autores do Mão na Roda: esse é o nosso 4oo° post! Uhu!!! \o/

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

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24 Comentários

  1. Christian Matsuy domingo, 28 de março de 2010 em 21:56 -  Responder

    eu acho que acontece uma soma de várias coisas: má vontade política, falta de fiscalização e MULTA pelo não cumprimento e a roubalheira né? alguém tem que ganhar com a instalação desses elevadores caros e depois ganhar pela NÃO MANUTENÇÃO dos mesmos.

    março 31st, 2010 - 14:28
    Nickolas Marcon respondeu:

    Pois é Christian, difícil saber em que ponto o pensamento do “coloca o elevador porque é obrigado” encontra com o “deixa estragado porque ninguém vai cobrar”… E aí, no meio disso tudo, fica o cadeirante com cara de paisagem vendo o ônibus ir embora sem poder entrar. 🙁 Abraço, Nickolas.

  2. Eduardo Camara domingo, 28 de março de 2010 em 22:09 -  Responder

    Eu sempre me pergunto sobre isso… Acho que é falta de informação + resistência à mudança + lobby dos fabricantes 🙂

    E também acho que a rampinha dobrável é a melhor solução aqui para o Brasil. Simples, barata e demanda pouca manutenção. Piso baixo + rampinha já!!!

    março 31st, 2010 - 14:30
    Nickolas Marcon respondeu:

    Eduardo, faltou colocar o fator “empresa de ônibus querendo lucrar ao máximo”, pois certamente é mais barato comprar o ônibus ultrapassado com elevador do que um ônibus moderno com rampa escamoteável. Abraço, Nickolas.

  3. Beatriz segunda-feira, 29 de março de 2010 em 09:27 -  Responder

    Ola, eu me chamo Beatriz tenho 10 anos
    eu naum uso cadeira de rodas e tambem
    sou modelo.
    Eu não gosto do jeito q as pessoas tem preconceitos
    de ver uma pessoa em cima de uma cadeira de rodas.
    Os cadeirantes tem direito de fazerem tudo
    passear andar de onibus e muitas outras coisas.

    um bj
    Bia

    março 31st, 2010 - 14:34
    Nickolas Marcon respondeu:

    Beatriz, fico muito feliz em saber que, apesar da pouca idade, você já tem essa consciência. Seria ótimo se todas as pessoas fossem educadas desde a infância a terem respeito pelas diferenças de cada um. Um beijo, Nickolas.

  4. Brunna Melazzo segunda-feira, 29 de março de 2010 em 11:34 -  Responder

    Olá pessoal, comentei sobre isso semana passada no blog do Jairo… em Uberlândia, 100% da frota é adaptada, é de se impressionar, mas a comemoração para por aí porque as calçadas e a educação dos motoristas estão longe do ideal, os elevadores funcionam bem nos terminais, pq tem fiscalização, e nos pontos só quando o motorista quer… e depois que o cadeirante desce, tem que sair fazendo rallye na rua!!

    ps. adorei o comentario da Beatriz aqui em cima!!

    março 31st, 2010 - 14:38
    Nickolas Marcon respondeu:

    Brunna, você colocou muito bem o outro lado da história. Não adianta equipar a máquina se os operadores não tem respeito ao usuário, assim como não adianta ter um bom ônibus se vc não consegue pela cidade quando desce no ponto. A solução tem que ser integral!!! Um abraço, Nickolas.

  5. Cristal segunda-feira, 29 de março de 2010 em 12:27 -  Responder

    Aqui em Salvador tem dos dois tipos de ônibus, e como você bem disse, o mais rebaixado é melhor também para os usuários andantes. Às vezes você está cheio de coisas na mão e tem que subir três, quatro degraus? Péssimo. E degraus altíssimos, meu joelho faz “raaangh” a cada degrau! Os ônibus mais baixos são infinitamente melhores pra todo mundo.

    E o pior da demora pra fazer aquele elevador funcionar deve ser a reação dos outros passageiros… Eu já presenciei gente fazendo comentários nada agradáveis pra um cadeirante graças a demora naquele processo.

    março 31st, 2010 - 14:41
    Nickolas Marcon respondeu:

    Cristal, a melhor solução, além de simples, tem que beneficiar a todos. Seu joelho é um bom exemplo… ehehehe… Infelizmente ainda há pessoas em que a educação e o respeito acabam no próprio umbigo. Um abraço, Nickolas.

  6. juliana segunda-feira, 29 de março de 2010 em 16:30 -  Responder

    quando vi a reportagem no fantástico pensei exatamente a mesma coisa: o mais barato e simples é o que funciona!!!

  7. Nelci segunda-feira, 29 de março de 2010 em 16:45 -  Responder

    Depois que passei a ser mãe de cadeirante uma das coisas que aprendi foi que os acessos para cadeira de rodas não facilitam apenas a vida de quem as usa, mas de todas as pessoas. Continuem na luta, apesar de vocês já serem vencedores!

    março 31st, 2010 - 14:55
    Nickolas Marcon respondeu:

    Muitas vezes só percebemos a importância de certas coisas quando precisamos delas. A História ensina que a pessoa que usa sua experiência para superar diferenças e construir novos valores, deixa sua marca como indivíduo de uma sociedade em evolução, não é mesmo, mãe? 😉 Um beijo do seu filho Nickolas.

  8. Cristiane Ribeiro segunda-feira, 29 de março de 2010 em 17:25 -  Responder

    Boa tarde a todos!
    Já tive a experiência de experimentar acho que quase todos tipos que existem..bem como a Tatiana Rolim me disse a semana passada: Cris, cadeira para você não dura mais que 1 ano, pois você anda (toca) pra tudo quanto é lado..rssrrsrs.
    Mas realmente o mais barato e o simples, é o que funciona!!! sem sombra de dúvidas. bjs

  9. Ana Maria terça-feira, 30 de março de 2010 em 23:33 -  Responder

    Olá pessoal;
    Moro em Boa Vista-RR, uma capital pequena se for comparada com Rio de Janeiro, São Paulo e outras metrópolis, mas aqui temos um diferencial importantíssimo, já temos ônibus adaptados e muitos lugares exclusivos para cadeirantes e outras pessoais com necessidades especiais, até os orelhões são adaptados…enfim, aqui temos a preocupação de incluir todo mundo, pois todos somos iguais. É lcaro que a cidade precisa de mais aperfeiçoamentos nesse sentido, tbm existe adaptações em moteis, como barras de apoio no banheiro, e o piso e anti-derrapante, o chuveiro é flexível…bom…fiz esse comentário porq amei o blog de voces, não sou cadeirante, sou andante (rsrsrs) mas sei que viver num mundo onde tudo é feito para pessoas “perfeitas” ( se é que pode se dizer assim), é bem complicado.
    Beijos a todos vcs…PARABÉNS PELO BLOG!
    Apropósito…alguém aí pode me dizer se o Nickolas Marcon é solteiro?!?!?!…eita moço bonito!!!!!!…Nick, sou sua fã!

    março 31st, 2010 - 14:21
    Nickolas Marcon respondeu:

    Ana Maria, não conheço Boa Vista, mas de acordo com seu relato é uma cidade bastante comprometida com a acessibilidade. Isso é muito importante, pois construir os lugares já pensando na acessibilidade para todas as pessoas é muito mais fácil que adaptar as coisas depois. A propósito, eu sou solteiro sim… ehehehe… Um beijo, Nickolas.

  10. Thiagão do Rio terça-feira, 6 de abril de 2010 em 01:43 -  Responder

    Em Niteroi os ônibus chegaram ano passado e o problema é o mesmo. O q sempre digo é não podemos deixar de usar, pq ai nunca vai melhorar.
    Vamos fazer algum tipo de campanha p/darem preferencia a rampa nos onibus.
    Sabem se tem algum lugar p/reclamarmos em Niterói ou no Rio?

    abril 17th, 2010 - 04:26
    Nickolas Marcon respondeu:

    No Rio de Janeiro as reclamações podem ser direcionadas para a Prefeitura (www.rio.rj.gov.br) ou para a Rio Ônibus (www.rioonibus.com). Em Niterói, procure a NitTrans (www.nittrans.niteroi.rj.gov.br).

  11. ELZA sexta-feira, 9 de abril de 2010 em 14:34 -  Responder

    Semana passada peguei um onibus com simbolo de cadeirinha e tudo.pensei tomara que o elevador funcione!mas para minha surpresa,só abria a porta traseira e vc tem que carregar o cadeirante para dentro do onibus. meu filho tem 13anos,cadeira pequena e foi minha sorte pois do contrário ficaria agarrado na porta estreita. uma coisa de louco.

    abril 17th, 2010 - 04:28
    Nickolas Marcon respondeu:

    Durante algum tempo as empresas “adaptavam” um ônibus apenas reservando um espaço para a cadeira no seu interior e diziam que o veículo era acessível. Depois alguém acordou e lembrou que precisaria de um elevador para colocar a cadeira lá dentro. No futuro, quem sabe, venha a ideia de usar veículos de piso baixo, mas até lá…

  12. ELZA sexta-feira, 9 de abril de 2010 em 15:03 -  Responder

    Me esqueci de dizer foi foi no centro do Rio de Janeiro,sede do próximo mudial de uma olimpíada e para-olimpíada em 2016.

  13. everaldo lemos quinta-feira, 26 de agosto de 2010 em 20:33 -  Responder

    ” Acredito que todas as formas e instrumentos mecânicos, favorecem e ajudam na mobilidade reduzida, na questão dos elevadores ou rampas escalonadas ambos atendem a necessidade para qual são empregadas. Tudo se resolve com treinamento, bom senso e fiscalização, pelo que tenho visto principalmente na periferia de São Paulo um ônibus com piso baixo não conseguiria rodar em decorrência das irregularidades nas ruas e pequenas avenidas, buracos, lombadas, e calçadas clandestina”.
    Abraço a todos.

    agosto 28th, 2010 - 14:52
    Nickolas Marcon respondeu:

    Everaldo, os ônibus de piso baixo têm altura em relação ao solo semelhante aos ônibus normais. A diferença está na construção do seu chassis, permitindo que o piso interno possa ser acessado sem degraus na entrada. Quanto aos elevadores e rampas, os primeiros requerem manutenção e estão muito mais sujeitos a problemas. A questão é que não temos a fiscalização ideal e, por isso, raramente são consertados.

  14. Avelar sexta-feira, 20 de abril de 2012 em 17:49 -  Responder

    Cris, Aqui em Salvador estamos lutando a favor da disponibilidade de transporte. Já implantamos vans Master da Renaulr, adaptadas pela Cavenaghi. A Holos – Central da Mobilidade disponibiliza pelo fone:3232.1553. Abraços

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