Opinião e cotidiano, Saúde

Negócio da China com células-tronco

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O tema do Globo Repórter de hoje era sobre células-tronco. Acabou de ser exibida a entrevista com a garota que foi para a China na esperança de um tratamento que diziam ter 80% de chance de melhora. Quando perguntada sobre o que mudou na sua vida após o tratamento, ela foi sucinta: “funcionalmente, nada”.

Todo mundo já conhece essa história, mas não custa relembrar: apesar da eficiência no tratamento de outras doenças, por enquanto não há notícias de um tratamento comprovado para recuperar lesões medulares de forma significativa a partir das células-tronco. Aqui no blog já escrevemos outros posts sobre esse assunto:

Células-tronco – quem é o irresponsável?

Tratamentos usando células-tronco – polêmica, mitos e verdades

Células-tronco, qual a sua opinião?

Eu continuo tendo a certeza de que em breve haverá um tratamento para lesões medulares e que as células-tronco tem se mostrado a linha de pesquisa mais promissora, mas é preciso ter muita cautela com as notícias que chegam até nós. No mesmo programa, um renomado neurologista disse em entrevista que as pesquisas estão aceleradas, mas não há expectativa de tempo para comprovação dos resultados.

Já sei até o que vou ouvir amanhã: “você viu o GR ontem? E as células-tronco, por que você não faz um tratamento?”

Sobre o autor / 

Nickolas Marcon

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21 Comentários

  1. Bianca Marotta sexta-feira, 16 de abril de 2010 em 23:28 -  Responder

    Hahaha! Ainda bem que amanhã é sábado e até segunda-feira o pessoal do seu trabalho já terá se esquecido do Globo Repórter. Mas a resposta à pergunta é simples: “Não faço tratamento, pq não nasci pra cobaia.”
    beijos!

    abril 18th, 2010 - 01:49
    Nickolas Marcon respondeu:

    Na verdade, todo mundo já me perguntou isso em outras ocasiões e ouviu exatamente essa resposta… ehehehe.

  2. Heitor sexta-feira, 16 de abril de 2010 em 23:37 -  Responder

    Sem querer desviar, mas isso me fez pensar numa discussão que pode dar muito pano pra manga: o desejo de (voltar a) andar. Será que ele é igual em todos os deficientes físicos?

    abril 18th, 2010 - 02:45
    Nickolas Marcon respondeu:

    Heitor, você tocou num ponto muito delicado. Penso que a vontade é diferente sim, está dentro de cada um, e não me surpreenderia ouvir alguém dizendo “não quero mudar, a vida assim está boa”. Um abraço.

  3. Christian Matsuy sábado, 17 de abril de 2010 em 00:14 -  Responder

    Voltar a andar, ou ter uma melhora no quadro neurológico seria deveras interessante. Só que eu não posso viver em função da medicina achar uma solução pra isso. Eu tenho coisas a realizar, independente do fato de eu ser um cadeirante e desde então tenho batalhado em melhorias nesse sentido. Que venhas as pesquisas, os tratamentos e tudo mais. Quando houver coisas mais concretizadas, pensarei nelas. Po hora eu pegaria esses 40mil dólares (se eu tivesse), investitiria no mercado de ações em uma carteirinha básica vale+petro, e outra parte eu gastava em viagem 🙂

    abril 18th, 2010 - 02:48
    Nickolas Marcon respondeu:

    É isso aí, Christian… a vida continua. Você colocou muito bem: se não dá para largar a cadeira, então que se procure viver da melhor forma com ela. Quando houver a possibilidade da melhora, estarei pronto para aproveitá-la. Aliás, se eu seguir sua dica, quem sabe esteja rico também… ehehehe… Um abraço.

  4. Felipe sábado, 17 de abril de 2010 em 00:45 -  Responder

    Claro! muita gente ( cadeirante ) teria sim vontade de andar, penso como a bianca pra dar a resposta para qm vir me falar do programa ” não faço o tratamento pq nao nasci para ser cobaia ” e como o chistian, pegaria essa grana e investiria, pois eu penso e acredito que um dia eu possa voltar a andar, mesmo que isso seja so uma fantasia da minha cabeça,mas eu gosto de pensar assim, se me faz bem eu acredito, so q não vou sair viajando por ai atras de um tratamento experimental pq eu nao to nem doido de gastar oq eu nao tenho atras de uma coisa que nao é certa.
    quando isso for certeza e se é que isso um dia venha a ser certeza qm sabe… até lá tem muita agua pra rolar. enquanto isso eu rodo na minha cadeira de boa!!!

    grande abraço!

    abril 18th, 2010 - 02:52
    Nickolas Marcon respondeu:

    Felipe, eu penso que é tudo uma questão de qualidade de vida: acho que, para a grande maioria, hoje não vale a pena correr o risco de ser cobaia de um estudo. Mas há pessoas que pensam não ter nada a perder e que querem se arriscar. Vai que dá certo? Um abraço.

  5. katy sábado, 17 de abril de 2010 em 02:47 -  Responder

    to ferrada!! amanha é o aniversario do meu caçula, lindo de 2 anos, e já vi que vai ter pano pra manga!! hhahaha
    e tipo, eu nao teria coragem de faze uma cirurgia dessa, no experimento ainda, além de ser um dinheiro absurdo, como dra. mayana disse, é proibido cobrar

    aaaaaaaaaaaand… o pai dela neurologista né? como autorizou isso? achei bem estranho, aqui nao me deixaram ficar na abbr sozinha, imagina fazer uma cirurgia de risco dessa/?
    coisadedoido.com

    acho que erea isso hhahah

    bjs

    abril 18th, 2010 - 02:56
    Nickolas Marcon respondeu:

    Katy, pelo que o pai dela falou na entrevista, ficou claro que ele não acreditava naquele tratamento, mas deixou a filha ver por si mesma que milagres não existem. Não critico a atitude dele, acho que foi um ato de amor fazer a vontade da filha mesmo sem acreditar no resultado, concorda? Um abraço.

  6. katy sábado, 17 de abril de 2010 em 02:51 -  Responder

    vou usar sua resposta ta bianca?? 😀

  7. Gabi Talaia sábado, 17 de abril de 2010 em 02:58 -  Responder

    Assisti o GR hoje pra ver esse negócio das céluas tronco. Não sei se me sentiria confortavel para ser uma cobaia, igual ela fez, deixando me abrirem, ainda mais se for pra sentir o tanto de dor que ela sentiu, pra simplesmente voltar a mexer um tantinho de nada. Alem de que, esses 40 mil dolares que ela pagou pelo tratamento, a maioria das pessoas não tem, então o tratamento em si já é quase como uma utopia. E pra quem vier me perguntar de tratamento, eu direi ‘não, não faço e não vou fazer até ser seguro, não tenho vocação pra cobaia’

    abril 18th, 2010 - 02:58
    Nickolas Marcon respondeu:

    Gabi, sinceramente, acho que aquele movimento que ela demonstrou teria conseguido só com a fisioterapia, independentemente do tratamento das células-tronco. Vai saber, né? Um abraço.

  8. terezinha do carmo desouza sábado, 17 de abril de 2010 em 03:45 -  Responder

    tbem acho besteira gastar dinheiro que ñ temos em uma coisa que ñ é certa ,gastamos e não voltamos a andar iai a quem vamos cobrar . bjos a todos

    abril 18th, 2010 - 03:01
    Nickolas Marcon respondeu:

    Terezinha, acho que quando o assunto é dinheiro, tem gosto pra tudo, depende da fé e esperança de cada um. Tem gente que gasta dinheiro até comprando terreno no céu… ehehehe… Um abraço.

  9. Jefhcardoso sábado, 17 de abril de 2010 em 11:03 -  Responder

    Olá Nickolas! Não repare em minha visita relâmpago, mas venho lhe convidar para ler o novo capítulo de “O Diário de Bronson (O Chamado)” e deixar o seu comentário.

    Retornarei com melhores modos e mais tempo. Tenha um ótimo final de semana. Abraço do Jefhcardoso!

    abril 18th, 2010 - 03:05
    Nickolas Marcon respondeu:

    Por acaso essa seria a continuação da série “Desejo de Matar”, quando Charles Bronson reencarna atendendo ao chamado da polícia de Nova Iorque para exterminar uma gangue de salafrários? eheheh… obrigado pela dica, vou conferir seu texto depois. Um abraço.

  10. Breno sábado, 17 de abril de 2010 em 21:39 -  Responder

    Todos nós que temos alguma lesão medular sempre sonhamos com o surgimento de algum tratamento definitivo para volar a andar.
    A possibilidade de um tratamento com célula tronco já é real hoje em dia, mas ainda está numa fase de estudos e desenvolvimento. Nós não podemos também, motivados por um desejo descontrolado de voltar a andar, nos submetermos a ser cobaia de tratamentos que não seguem nenhum protocolo sério com uma metodologia definida de estudo, e onde os resultados catastróficos são omitidos simplesmente e muito menos deveríamos pagar para participar de um estudo. Atualmente apenas um trabalho com células tronco direcionado para tratamento de lesão medular, que segue critérios sérios e respeitados internacionalmente e observados por toda a comunidade científica, pode ser considerado como uma possibilidade real para o tratamento de lesão medular. No site http://www.geron.com podemos acompanhar os resultados publicados do estudo GRNOPC1. Em Janeiro de 2009 esse estudo iniciou a fase de testes em seres humanos, depois de ter concluído o estudo em cobaias e publicado um documento com mais de 65.000 paginas, que foi analisado e liberado pelo FDA a iniciar os estudos em seres Humanos. Infelizmente no momento estão sendo incluídos no estudo apenas pacientes com lesão medular de nível neurológico T3-T10 completa (ASIA A) apresentando apenas 7 a 14 dias de lesão medular. Em fases posteriores serão incluídos pacientes com lesão cervicais e com mais tempo de lesão, mas é perfeitamente compreensível que nessa fase inicial são necessário resultados objetivos, e que nesses pacientes mais agudos os resultados podem ser mais rápidos também. Enfim… O que nos resta no momento é acompanhar o que a de sério nessa área e não nos deixarmos levar por propostas de tratamentos milagrosos motivados por nossos sonhos ou desespero.

    abril 18th, 2010 - 03:09
    Nickolas Marcon respondeu:

    Breno, valeu pela dica. É importante que todos se mantenham atualizados sobre os avanços nas pesquisas pelas fontes corretas, e não apenas pelas notícias da mídia, que muitas vezes são distorcidas. Um abraço.

  11. Nelci sexta-feira, 23 de abril de 2010 em 12:40 -  Responder

    Oi filho! Andei lendo as mensagens sobre o tema do GR. Acho que estão super certos em não focar como unico tema de suas vidas voltar a andar como os bípedes andam. Tenho certeza que muitos cadeirantes podem não usar as pernas, mas no lugar delas tem asas, que os fazem pessoas especiais que dão a vida e às conquistas muito mais valor. Bj

    abril 26th, 2010 - 01:06
    Nickolas Marcon respondeu:

    Mãe, voltar a andar é sempre um sonho, todo mundo gostaria. Mas a vida pode ser boa mesmo sobre 4 rodas, basta ter vontade de ver o lado bom das coisas. Ah, o apoio das pessoas próximas também é fundamental. Assim, enquanto não se pode andar, a gente voa!!! 🙂 Bjo.

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