Viver a Vida chega ao fim… Saldo positivo?

Ontem me deparei com a seguinte mensagem de Flavia Cintra (@Flavia_Cintra_) no seu twitter:

“Que coisa “esquisita”! Faz alguns meses que ninguém me pergunta mais se a Luciana voltará a andar… O que será que aconteceu? ; )”

Fiquei feliz da vida quando li esse twitt. O que eu suspeitava realmente aconteceu: as pessoas conseguiram enxergar a pessoa Luciana além da sua cadeira de rodas.

Ano passado, quando soubemos que a nova novela das oito teria uma personagem tetraplégica, começamos a nos preparando para muitas cenas meladas e dramáticas, e nosso maior medo era o de que a personagem passasse por algum tratamento miraculoso no final da trama e voltasse a andar. Isso sim seria um prejuízo enorme para todos nós que brigamos por inclusão social e acessibilidade. Quando soubemos que Flavia Cintra estava encarregada em dar consultoria aos autores da novela e à atriz Alinne Moraes, ficamos mais tranqüilos. Mas ainda assim, cabreiros.

Por questões óbvias, passei a acompanhar a novela e a cada dia que passava me surpreendia mais com a maneira com que o assunto ia sendo abordado e a trama sendo desenvolvida. Sei que logo após o acidente da personagem, a maioria absoluta de espectadores queria que Luciana voltasse a andar. Mas com o desenrolar da novela, desconfiava de que esse desejo do público estava lentamente sendo deixado de lado. E com a mensagem deixada por Flavia no seu twitter, minhas suspeitas só se confirmaram. O que vemos agora são espectadores querendo que Luciana fique com Miguel, case, tenha filhos e seja feliz. Ou seja, de certa forma esqueceram que Luciana é tetraplégica, a deficiência deixou de ser “o” problema e o público conseguiu entender que é possível continuar vivendo a vida após uma lesão medular.

Não sou noveleira, não curto assistir novelas, é o tipo de narrativa que não me agrada muito, (prefiro seriados, hehehe), mas como co-autora de um blog que fala sobre cotidiano de pessoas com deficiência e inclusão social, só tenho a dizer que a novela tem contribuído e muito para que o tema seja levado ao grande público e perca a áurea de bicho de sete cabeças que sempre teve.

Tenho que dar o braço a torcer, os roteiristas de Viver a Vida e toda sua equipe fizeram um belo trabalho! Parabéns!

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30 comentários em “Viver a Vida chega ao fim… Saldo positivo?

  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 14:29
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    sem dúvidas a novela me surpreendeu. abordou assuntos que não imaginaria, como escaras, órteses, função urinária, etc… sem dúvidas – SALDO POSITIVO.

    maio 6th, 2010 - 17:23
    Bianca Marotta respondeu:

    É verdade Christian, também não imaginava que tais assuntos fossem ser abordados. E de forma super discreta e correta. Concordo com vc. Saldo positivo! bjos

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  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 14:49
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    Eu sinceramente esperava uma novela mexicana, daquelas cheias de choro, drama e um milagre no final! Como o Chris disse, também me supreendi… minha única crítica é sobre a realidade social, que para a maioria dos cadeirantes é beeem diferente da mostrada na novela.
    Mas com certeza a novela abriu as portas para quebrar vários preconceitos e para passar várias informações úteis a todos. Belo trabalho, do escritor, roteiristas e principalmente da Aline Morais que conseguiu emocionar a todos!!

    maio 6th, 2010 - 17:22
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Brunna,
    Eu tb esperava a maior novela mexicana com milagres no final. E concordo com vc que existe uma distância enooorme entre a condição sócio-financeira da personagem e a da maioria dos brasileiros. Mas… novela é novela, enfim. Acho que o povo gosta de ver gente rica e bonita. Eu acho tudo fantasioso demais.
    Mas o que importa é que trataram do assunto de forma correta e respeitosa. Só isso já valeu!

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  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 14:50
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    pena que eu nao chego da facul a tempo de ver…
    mas muitas vezes que cheguei mais cedo ou até mesmo
    alguns sabados eu vejo… tem tanta coisa bonita, do inicio
    do meu tratamento que escorre lagrimas =]

    maio 6th, 2010 - 17:19
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Felipe,
    Que bom que vc se identifica com a personagem. Significa que ela está sendo bem representada.
    bjos

    Resposta
  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 15:33
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    Eu também fui mais um que acompanhou toda a novela somente para saber como seria a abordagem dada na novela para a lesão medular, e se a globo iria usar a sua célula tronco mágica que só funciona nos globais. Felizmente dessa vez “Viver a vida” virou “A vida como ela é” e nenhum milagre aconteceu do dia pra noite. Foi bom ver também, que mesmo a Luciana sendo de uma família rica, ela não focou que para ser feliz, séria preciso voltar a andar, e se submeter a tratamentos experimentais sem comprovação nenhuma, sem ponderar os riscos que isso poderia causar. Esse sim era o meu maior medo com essa novela. Mas enfim… agora vamos torcer para que numa próxima novela, ao invés de ter um personagem que vira cadeirante, tenha um personagem cadeirante que trabalhe como um médico, um advogado, um atleta… uma pessoa incluída na sociedade igual as outras pessoas, que desenvolva sua história independente de ser cadeirante. Eu acho que isso seria bem legal.

    maio 6th, 2010 - 17:18
    Bianca Marotta respondeu:

    Adorei sua colocação, Breno. Um personagem cadeirante que fosse realmente incluído na sociedade, trabalhando, vivendo de forma independente seria o ideal. Quem sabe numa próxima novela, mini-série ou filme?
    Aliás, a Band já fez uma novela onde a personagem era cadeirante do início ao fim e foi interpretada pela Tábata Contri. Só não era protagonista, mas achei a iniciativa super inovadora na época.
    bjos

    Resposta
  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 16:08
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    Desde do ano passado quando a Flávia me ligou contando sobre sua contratação para dar consultoria à novela, eu me encantei com a ideia e sabia que tinha tudo para dar certo. Conheço a Flávia há muitos anos e sei bem o seu compromisso com a nossa Causa. Claro que logo após o acidente da personagem Luciana eu fiquei meio temerosa com os apelos para que ela voltasse a andar. Porém agora que a novela está chegando ao fim, posso dizer como estou feliz de poder pela primeira vez na vida, ver na ficção, uma personagem cadeirante entrando na igreja de véu e grinalda!!!!! Fico imaginando como isso está sendo importante para um monte de pequenas cadeirantes que diferentemente do que nos passavam antigamente, podem sonhar com um “principe encantado”. É louco isso, mas a gente se constitui como humano através do olhar do outro para nós, e é preciso nos vermos refletidos para acreditarmos nas nossas possibilidades. Que venham para ficção outras Lucianas por ai, porque felizmente na vida real elas já existem.

    maio 6th, 2010 - 17:14
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Paula,
    Você tem razão! Tb nunca vi um personagem cadeirante se casando! E olha que vai ser um casamento com toda pompa e circunstância, né? E vc tem toda razão, o olhar do outro é um fator muito maior do que imaginamos na constituição da nossa auto-imagem. E acho ótimo que muita gente já esteja olhando para os cadeirantes com outros olhos.
    bjos

    Resposta
  • quinta-feira, 6 de maio de 2010 em 16:43
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    Como comunicadora social que pesquisa novelas, ex-cadeirante e esclerosada, assisti à novela com muitas expectativas. Estou escrevendo um artigo sobre a representação de deficientes físicos em novelas e fiquei surpresa em ver a pouca quantidade de personagens importantes em uma trama de novela que tinham alguma deficiência. Espero chegar a boas conclusões nos meus estudos. Mas acho que a novela foi muito rica no seu “papel social”, divulgando e informando sobre a tetraplegia.
    Bjs

    maio 6th, 2010 - 17:11
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Bruna,
    Bem interessante essa sua pesquisa. Se quiser enviar pra gente depois de pronta, adoraríamos recebê-la. Se precisar de qualquer dica, fale com a gente.
    bjos

    Resposta
  • sexta-feira, 7 de maio de 2010 em 14:36
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    Oi pessoal, tmbm acompanhei o desenrolar da novela, Viver a Vida, principalmente na reta final.Quase todos os problema que enfrentamos como acessibilidade, preconceito obstáculos arquitetônicos foram abordados nessa novela.Teve um ponto que me deixou bem animada: os esclarecemetos a respeito da reabilitação.Como a fisioterapia é fundamental e os aparelhos que já existem para ajudar principalmente a um tetraplégico.
    Também houve momentos que me vieram lágrima aos olhos como o amor de Miguel e Luciana.O casamento de ambos demontra que ñ existe diferença nem impecilho para se viver uma vida feliz.
    Beijos e parabéns ao autor da novela.

    maio 12th, 2010 - 12:17
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Vilma,
    Realmente o trabalho de reabilitação é fundamental para uma melhor qualidade de vida do cadeirante. Deveríamos ter muitos outros centros de reabilitação espalhados pelo Brasil. Quem sabe depois da novela o poder público não se anima?
    bjos

    Resposta
  • sexta-feira, 7 de maio de 2010 em 14:40
    Permalink

    Eduardo, Bianca, Cris, Nickolas…
    Não tenho palavras para definir o que realmente gostaria de dizê-los, a ansiedade se mistura a vontade de simplesmente agradecer pela aula que vocês nos dão com essa determinação. Inclusão social para cadeirantes? Inclusão social para nós (andante) que muitas vezes nos deixamos cair por tão pouco. A novela “Viver a vida” me trouxe lições que vão além da vida de um cadeirante, mas trouxe à tona o amor que deve está na vida de todos, seja amor ao próximo, amor homem mulher, amor fraterno…Simplesmente o amor…Amor sem preconceitos…
    Obrigada pela lição de determinação de todos vocês…

    maio 12th, 2010 - 12:15
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Andréa,
    Ficamos muuuuito felizes em receber comentários como esse seu. O blog dá um trabalhão, mas cada vez que recebemos mensagens de agradecimentos e parabéns, nos motivamos a escrever sempre mais!
    Sinta-se à vontade para participar sempre, pois os leitores também fazem muito por esse blog!
    beijos e obrigada!

    Resposta
  • sexta-feira, 7 de maio de 2010 em 19:52
    Permalink

    Oi Bianca finalmente descobri seu nome, mas pra mim você será a Biboca da parafuseta, forever (RS!)
    Eu infelizmente não vi a novela, pois trabalho a noite também, mas uma coisa que confio é no bom senso do Manoel Carlos, penso que ele não iria inserir uma “causa social” na sua obra e depois colocar um final fantasioso, não seria lógico.
    Adorei te ver aqui também.
    beijocas “nocês”.

    maio 12th, 2010 - 12:13
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Fê,
    Que legal saber que vc chegou aqui através do nosso outro blog!!!
    Sobre o final da novela, olha… já teve uma outra novela em que o personagem ficava cadeirante e voltava a andar no final. Foi por isso que ficamos com medo…
    Mas acabou que terminou do jeito que deveria ser! 🙂

    Resposta
  • sexta-feira, 7 de maio de 2010 em 22:58
    Permalink

    E muito mais que positivo, foi as pessoas verem que não precisa ser cadeirante para ter limitações, pois a personagem da Ingrid deixa bem claro que viver bem e ser feliz está na maneira como se lida com a vida e não nas condições que ela ( a vida) nos oferece.

    maio 12th, 2010 - 12:05
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Aline,
    Vou te confessar que acho que a Ingrid é um exemplo até exagerado. Todos os preconceitos numa pessoa só! Cruz credo! Morro de raiva dessa mulher 😛
    bjos

    Resposta
  • sábado, 8 de maio de 2010 em 01:08
    Permalink

    Ola!

    não sou cadeirante mas, tenho amigos que são e sei o que eles enfrentam, as dificuldades do dia-dia e todos os preconceitos.
    A novela na minha opnião está conseguindo mudar o modo de visão das pessoas sobre este assunto, assim espero que todos consiguam ver os cadeirantes como eles são, “PESSOAS NORMAIS COMO QUALQUER UM”

    Abraços a todos…

    maio 12th, 2010 - 12:03
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Fernando,
    Tb espero que as pessoas não se esqueçam do que aprenderam durante os meses em que a novela foi ao ar. Agora nos resta seguir lutando…
    abraços

    Resposta
  • sábado, 8 de maio de 2010 em 09:23
    Permalink

    oi Bianca, bom dia.

    Concordo com a Paulinha(Maria Paula Teperino) quando ela diz “A Gente se constitui como ser humano atraves do Olhar do Outro” Nesse sentido, acho que precisamos sempre de um espelho.

    Acho tambem que a novela contribuiu pra que a sociedade nos veja com outros olhos, e perceba que mesmo cadeirantes nós temos capacidade de estar incluido na sociedade, trabalhando, estudando e principalmente amando.rs.
    Bjs e bom final de semana.

    Gilvan

    maio 12th, 2010 - 12:01
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi Gilvan,
    Tb acho que o que a Paula falou faz muito sentido. Nós somos seres que precisam viver em grupo e quer queiramos ou não, o que o outro pensa da gente conta muito pra nossa auto-imagem.
    Espero que com o fim da novela, o tema não seja de todo esquecido…
    bjos

    Resposta
  • sábado, 8 de maio de 2010 em 10:15
    Permalink

    Essa semana, quando percebi que a novela estava para acabar (eu quase não assisto), me perguntei exatamente isso. A Luciana vai permanecer cadeirante e mostrou a todos como é a vida de uma pessoa deficiente.

    A única coisa que passa despercebido pelo grande público é a dificuldade que uma pessoa com deficiência e sem recursos tem. O SUS, falta de profissionais qualificados na rede de reabilitação pública, dificuldades com tratamento e exames necessários, etc.

    Eu gostei muito da abordagem do tema acessibilidade, mas poderia ter alguns outros assunto educativos que poderiam ter sido explorados, como: estacionamento irregular nas vagas destinadas a deficientes, uso da fila preferencial e de elevadores. Acho que atingiria o público de uma forma geral, desde a classe baixa até a rica.

    Pena que o assunto daqui a alguns meses deixará de ser um tópico e passará novamente a ser uma luta, pois cairá no esquecimento das pessoas.

    maio 12th, 2010 - 11:59
    Bianca Marotta respondeu:

    Oi The Best,
    Tb acho que se a personagem não fosse tão abastada, muitos outros temas poderiam ter sido melhor abordados. Pra quem tem dinheiro, tudo é sempre muito mais fácil. Mas já acho um grande avanço o tema ter sido abordado com tanta ênfase (protagonista, né?) no horário nobre. E fiquei ainda mais feliz em saber que ela continuará cadeirante, como seria na vida real.
    Só espero que venham outros personagens com deficiência por aí, pra que, assim como vc falou, o tema não caia no limbo daqui a alguns meses…

    Resposta
  • sexta-feira, 14 de maio de 2010 em 09:59
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    Engraçado que as pessoas estão com outros olhares, pelo menos para a minha pessoa que tbm sou cadeirante, provavelmente seja por causa da novela..muito bom isso…rs

    Viu Bianca, estava conversando com um amigo meu, estou para fazer escrever um roteiro para um documentário sobre a vida de um cadeirante com seus obstáculos, conquistas, alegrias, enfim e queria saber se vc sabe se já teve ou tem algum documentário a respeito disso…
    muito obrigado

    Blog espetacular esse

    Resposta
  • Pingback: Vivendo a vida « Blog Mão na Roda – Guia de Sobrevivência do cadeirante cidadão

  • domingo, 16 de maio de 2010 em 00:47
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    Parabéns a todos pelo belo trabalho. Fiquei muito contente com o final e desejo muito sucesso para Flávia Cintra em sua vida profissional e familiar. A propósito moro em Santos tbém. Aos atores de Viver a Vida meu abraço forte por fazer deste trabalho uma obra tão verdadeira a ponto de me prender do primeiro ao último capítulo. Lilia Cabral (maravilhosa), Aline moraes e Matheus Solano no papel de Miguel Solano. Chorei muito com as cenas de amor e entrega o tempo todo. A muito tempo eu não via novela. Espero que outras novelas venham com temas sérios e importantes para que traga algo de positivo para a sociedade. PARABÉNS !!!!!!

    Resposta
  • domingo, 16 de maio de 2010 em 15:01
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    eu tb gostei da maneira pela qual a deficiencia fisica de Luciana foi abordada nessa novela… apesar de ficar claro, que o poder aquisitivo da pessoa involvida faz toda a diferença… Luciana, tinha uma enfermeira particualar, uma terapeuta, uma sala de fisioterapia, um carro adaptado e com certeza nunca devera colocar a barriga no fogao… so nao gostei do Bene ter morrido… ele portador de uma deficiencia social, tb poderia ter passado a mensagem que se uma pessoa realmente quiser, e tiver o apoio necessario ela pode deixar a criminalidade… ali passou a mensagem de que nao adianta nada a pessoa querer melhorar, nem o amor consegue tirar alguem que dessa vida… acho que o auto falhou ai….

    Resposta

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